Lançado em 2007, o documentário de Tulio Schargel e Maurício Dias, produzido pela Mixer, narra a aventura de uma equipe internacional de paleontólogos em busca do maior representante da fauna brasileira extinta: a preguiça gigante pré-histórica, no fundo de uma caverna subaquática, localizada na região da Chapada Diamantina, interior da Bahia.
Junta, a equipe desvenda uma "mina de ouro" paleontológica, trazendo de volta à vida novas espécies da megafauna. Tatus gigantes, tigres-dentes-de-sabre, mastodontes e outros animais foram trazidos de volta à vida graças à computação gráfica 3D.
A caverna surpreendeu os paleontólogos. Entre os mais de 4 mil ossos coletados estão 45 espécies diferentes de animais extintos, assim como de representantes da fauna ainda existente. Em meio a enorme quantidade de ossos, foram identificadas duas espécies de preguiças terrícolas totalmente novas para a ciência, além de um exemplar completo da preguiça gigante.
De acordo com estudos, há mais de 11 mil anos fósseis de uma fauna extinta guardam segredos que podem ajudar a entender a pré-história do continente americano. Assim, este mergulho no passado revela segredos de uma fauna de gigantes já extintos e que pode ajudar a reescrever o Brasil da Pré-História.
O documentário estreou em agosto de 2007 na CBC, canal de TV canadense, e foi exibido em mais de 50 países antes de estrear na TV brasileira, o que só aconteceu em maio de 2011. Mesmo assim, foi exibido apenas na TV por assinatura.
O filme já foi agraciado com três prêmios internacionais: o Prêmio Especial de Júri para divulgação cientifica (Espanha), em 2009; Golden Dragon Award (China), em 2008; e Medalha de Ouro no AMIF (França), em 2007.
O coração da América do Sul esconde um remoto e secreto mundo, um paraíso violento. Secas e enchentes devastadoras dão forma à vida das exóticas criaturas que lutam pela sua sobrevivência. Em uma área dez vezes maior que os Everglades da Flórida, o Pantanal está no coração do Brasil. A área parece idílica, mas a vida aqui é difícil. Quando a enchente anual começa a baixar, o Pantanal brasileiro torna-se território de grandes felinos. As batalhas entre onças-pintadas e jacarés acontecem em um cenário com todos os mais extremos elementos da Terra. Animais de terra devem lutar por sua chance para comer, conhecer e reproduzir-se.. Lar de alguns dos animais silvestres mais raros do mundo, tal como o uacari, o local é um dos maiores refúgios do Planeta para espécies como a onça, a águia-harpia e o peixe-boi.
Milhares de quilômetros de floresta densa escondem um mundo de histórias extraordinárias de adaptação e sobrevivência. Peixes que podem saltar um metro fora da água para apanhar sua presa, tatus que nadam pela floresta inundada, rãs com pele tóxica e flores que capturam besouros para trocar de sexo da noite para o dia. Relações atípicas se desenvolveram no Pantanal. Uma árvore troca comida e abrigo pela proteção de formigas que lutam até a morte quando a árvore é atacada.
Mas o Pantanal está ameaçado. O impacto do ser humano neste mundo natural já o alterou drasticamente. Grandes predadores são essenciais para o equilíbrio da floresta como um todo. Os cientistas tentam estudar a furtiva e pouco conhecida onça.
Surpreendentes imagens dos seres vivos que habitam o Pantanal:
Surpreendente documentário HD produzido pela Rede Globo e suas afiliadas para o programa semanal da emissora Globo Repórter, O Pantanal, uma das maiores riquezas naturais do Brasil, situado na Região Mato-Grossense e em parte do Norte, o Pantanal guarda uma biodiversidade enorme e encantadora, em meio a Sucuris, Crocodilos e Ariranhas
O documentário “Mata Atlântica e os Ciclos da Vida” mostra, com um grau inédito de detalhes e realismo, um dos mais ricos ecossistemas do planeta, onde morte e transformação regem o princípio de novas formas de vida. Na meia luz sedutora da Mata Atlântica, tudo e todos estão caçando e sendo caçados; qualquer deslize é fatal neste ambiente onde a umidade e o calor aceleram as transformações e nos permitem “assistir” quase “ao vivo”, os processos de reciclagem que sustentam a vida na Terra
*Documentário especial sobre a natureza, da britânica BBC
Nesse vídeo você vai conhecer um pouco do resultado da luta de dois biólogos que residem próximo ao Parque das Emas, em Mineiros (Anah e Leandro), que lutam para impedir a extinção da Onça Pintada no Brasil. A doação e dedicação da vida aos cuidados desses animais foi objeto desse excelente documentário elaborado pela BBC.
O casal de doutores em biologia animal Leandro Silveira e Anah de Almeida Jácomo, destaques recentes no exterior como protagonistas, (vídeo acima), de uma história que envolve três filhotes órfãos de onça-pintada e as dificuldades para a reabilitação e reintrodução na vida selvagem.
Tudo começou no ano de 1988 quando Leandro e Anah iniciaram uma série de pesquisas pioneiras com a comunidade de mamíferos carnívoros que habitam o Parque das Emas,em Goiás, reserva federal que abriga 18 das 26 espécies de mamíferos carnívoros do Brasil, muitas delas características do Cerrado, como o tatu-canastra. A onça-pintada nem constava da lista oficial de espécies no parque. "Logo descobrimos que essa era a última população de pintadas dos campos do Brasil Central. O fato de o parque estar localizado em terras de agricultura fez com que o entorno da reserva fosse rapidamente convertido em lavouras, isolando,assim, esta população." Explica Anah.
A onça-pintada ocupa diferentes ecossistemas e exerce importantes funções ecológicas para a manutenção do equilíbrio nos ambientes onde vive, porém ela está perdendo esse espaço para a expansão da agropecuária. No Brasil, está desde 2003 na lista vermelha das espécies ameaçadas de extinção.
Diante desse realidade, o casal decidiu se dedicar ao estudo do maior felino das Américas. Paralelamente à pesquisa científica, Leandro aprimorou a técnica fotográfica, fazendo registros inéditos em filmes, gravando cenas que seriam praticamente impossíveis de serem capturadas em poucos dias de filmagem. Anah passou também a produzir livros e a fazer documentários.
Com a parceria fortalecida, os estudos foram sendo ampliados. Não demorou e logo foi confirmado a presença de uma população de aproximadamente 12 onças circulando pela área do parque. Mas os índices sobre a vulnerabilidade dessa população começaram a ficar alarmantes, indicando que era necessário priorizar ao máximo o entendimento do seu comportamento,hábitos,presas,áreas e épocas de reprodução,etc. Com isso, vieram as parcerias com diversos institutos de pesquisadores do Brasil e do exterior.
Com a ajuda e a ampliação dos dados de pesquisa, surgiu em 2002 o instituto Onça-Pintada (IOP), organização não governamental.
Nesse trabalho minucioso, Leandro e Anah também dedicaram parte de suas jornadas para treinar novos colaboradores.
A sede do instituto, onde também para filhotes de onça pintada, fica contíguo ao território do Parque Nacional das Emas, considerado patrimônio nacional pela Unesco.
No final do ano passado, um *documentário especial sobre a natureza, da britânica BBC, mostrou a história de três onças-pintadas órfãs resgatadas às margens do rio Araguaia. Outra vez, Leandro, Anah, o filho Tiago, de 7 anos, e os três filhotes foram destaque em milhões de aparelhos de tevê mundo a fora, levando a história da onça-pintada para além-mar e ajudando a quebrar tabus sobre o maior e mais incrível felino do continente americano.
Ecologia e Conservação da Onça-Pintada na Região do Parque Nacional das Emas
Através da coleta de dados populacionais, ecológicos e epidemiológicos da espécie, o objetivo principal deste projeto é o monitoramento em longo prazo da população de onças pintadas do Parque Nacional das Emas.
A população de onça-pintada do Parque Nacional das Emas (PNE) vem sendo monitorada pelos pesquisadores do Instituto Onça-Pintada desde 1994. O PNE, localizado no bioma Cerrado, possui 1.320 km², dos quais 95% é de hábitats abertos como campos e veredas. Seu entorno é cercado por vastas plantações de soja, milho e algodão e, mais recentemente, por extensas plantações de cana de açúcar. O parque é um dos últimos refúgios para a onça-pintada nesse tipo de hábitat e abriga a última população protegida de onça-pintada da região, sendo que uma das principais ameaças locais para a espécie é o seu isolamento populacional e genético.
Apesar de existirem fragmentos de Cerrado no entorno do PNE, principalmente na região das nascentes do rio Araguaia, ainda é pouco conhecido o uso desta paisagem fragmentada sob alta pressão antrópica pela onça-pintada. Parâmetros ecológicos, demográficos, epidemiológicos, e uso desta paisagem alterada do entorno do Parque ainda são pouco conhecidas para a espécie. Neste contexto, este projeto está sendo desenvolvido com o intuito de melhorar esse conhecimento, caracterizar o estado de conservação da população de onça-pintada do PNE e monitorá-la em longo prazo.
Estima-se que a atual população de onças-pintadas no PNE inclua 30 indivíduos. Através de armadilhas fotográficas está sendo realizado um monitoramento anual desta população. A análise de fezes coletadas com auxilio de cães farejadores de fezes também permitirá o conhecimento de informações sobre dieta, genética e epidemiologia da espécie. Cinco indivíduos de onça-pintada já foram capturados no PNE, e novos esforços para captura de mais indivíduos estão sendo realizados para a colocação de radio-colares com GPS. Espera-se com o uso dessas metodologias conhecer mais sobre o uso da paisagem fragmentada no entorno do parque pela onça-pintada. Estratégias de manejo e conservação da paisagem poderão ser embasadas nestes resultados.
A Disneynature dá vida ao Rei Leão em sua mais recente aventura da vida selvagem, “Reino dos Felinos”, que conta as fantásticas histórias de duas famílias: os reis da savana africana e os felinos mais velozes do mundo. O filme captura o amor, o humor e a determinação dos verdadeiros e majestosos felinos. Uma incrível aventura que mescla a intimidade e os laços familiares com o poder e perspicácia da natureza. ( Site Disney)
Infelizmente conforme a matéria que abaixo relaciono, vemos uma realidade alarmante quanto a população destes belíssimos felinos segundo a pesquisa divulgada na revista científica Biodiversity and Conservation.
População de leões diminui 68% em 50 anos na África
Estudo associa a expansão de ocupações humanas no continente à redução do habitat da espécie, as savanas. Hoje, restam apenas 25% do ecossistema que já foi maior que os EUA
Os leões estão desaparecendo em ritmo alarmante na África. De acordo com um novo estudo, realizado pela Universidade Duke, nos EUA, a população de felinos diminuiu 68% em apenas 50 anos. Os cientistas estimam que o número de leões que vivem hoje nas savanas do continente não passe de 32 mil, quantidade bem inferior aos cerca de 100 mil espécimes verificados em 1960.
Publicada na revista científica Biodiversity and Conservation, a pesquisa associa o declínio da espécie à expansão de ocupações humanas que levaram à redução de 75% do habitat dos animais no mesmo período.
“A palavra savana evoca visões de vastas planícies abertas cheias de vida selvagem. Mas a realidade é outra. A mudança no uso da terra, o desmatamento maciço, impulsionado pelo rápido crescimento da população humana, tem deteriorado esse ambiente natural”, afirma o pesquisador e conservacionista Stuart Pimm, da Universidade de Duke. “Agora, restam apenas 25% de um ecossistema que já foi maior que todo os Estados Unidos”.
Pimm e seus colegas usaram imagens de alta resolução captadas por satélite do Google Earth, juntamente com os dados de densidade da população humana e estimativas das populações de leões locais, para mapear as áreas ainda favoráveis para a sobrevivência dos grandes felinos.
Eles identificaram apenas 67 áreas isoladas em todo o continente com níveis de população humana adequada para garantir baixo impacto no habitat dos leões. No entanto, destes, apenas 10 pontos foram considerados "fortalezas" onde os leões têm uma excelente chance de sobrevivência. Sendo que muitas das fortalezas estão localizadas dentro de parques nacionais.
Nenhum dos redutos seguros está localizado na África Ocidental, onde as populações humanas duplicaram em muitos países ao longo dos últimos 30 anos. Segundo o estudo, menos de 500 leões permanecem nessas regiões de grande densidade humana, e eles estão espalhados por oito locais isolados.
Este excelente documentário produzido pela Editora Globo apresenta a Vida e comentários sobre as fantásticas Obras literárias e também filosóficas do Poeta Português (e também "brasileiro") Fernando António Nogueira Pessoa, mais conhecido como Fernando Pessoa que se destacou com a criação de seus Heterônimos Alberto Caeiro, Bernardo Soares, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Quando gostamos de um escritor, queremos saber tudo sobre a vida dele. No caso do poeta fingidor, mais ainda: por uma alquimia que nenhum bruxo poderia explicar, cada leitor de Pessoa tem um Fernando só seu no coração. Como morreu quase anônimo – e há mais de 70 anos -, sobraram poucos pertences do autor deMensagem, e menos ainda testemunhos de sua vida pessoal.Mas os pesquisadores não dão sossego: a cada dia descobrem alguma novidade.
Pessoa está permanentemente exposto, numa espécie de Big Brother onde as lentes são os sentimentos ávidos e curiosos de uma gente apaixonada por ele.Neste segundo programa, pretendemos humildemente contribuir para esclarecer alguns pontos obscuros da trajetória pessoal de Fernando Antonio. Um perfil limitado, é claro, não só pelo que podemos saber a respeito dele, no momento, mas também pelo tempo (“tempo” também no sentido de ritmo) de que dispomos na TV para contar essa fascinante história.Para construir sua “obra-vida”, o homem escondeu-se por trás de uma vida discreta e aparentemente pacata.
O Brasil está com a economia em plena ascensão enquanto os países europeus e os Estados Unidos se viram com a crise financeira. Vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, dois dos principais eventos esportivos mundiais. E vai se tornar um dos maiores exportadores de petróleo do planeta após a descoberta do pré-sal. Aparentemente, já estamos no “Primeiro Mundo”. Mas a verdade é que, longe do litoral, o país ainda enfrenta problemas típicos do Terceiro Mundo, como a questão da posse da terra.
Índios, fazendeiros, posseiros, grileiros e movimentos sociais travam uma verdadeira batalha nas regiões do Centro-Oeste e Norte do país. Essa guerra, que já dura décadas e vem tirando cada vez mais vidas e desmatando a região amazônica, é o tema do documentário “Vale dos Esquecidos”. Dirigido por Maria Raduan, o filme estreou nesta sexta-feira (20/4) em São Paulo e no Rio de Janeiro, após passar por alguns festivais nacionais e internacionais.
“A história de ‘Vale dos Esquecidos’ é igual a tantas outras na Amazônia, os personagens são sempre os mesmos”, lamenta a diretora, em entrevista exclusiva à Pipoca Moderna. “A ideia foi mostrar um microcosmo que representa a Amazônia e todo o ‘interiorzão’ do Brasil”, definiu.
A cineasta Maria Raduan conta que o filme surgiu inicialmente com a proposta de expor a história dos índios Xavante, que vivem na região, e sua situação diante da luta por seu espaço, mas logo de cara ela viu que o buraco era ainda maior e mais embaixo.
A Fazenda Suiá-Missú, no Mato Grosso, já foi considerada o maior latifúndio do mundo, ocupando uma área equivalente a 252 vezes a ilha de Manhattan (Nova York), mas tem sido constantemente tomada por diferentes grupos: índios já foram expulsos, grileiros se apropriam com interesse comercial, fazendeiros apresentam documentos de compra que não são reconhecidos pelo Ministério Público Federal e organizações poderosas também se interessam pelo local para o desenvolvimento da agropecuária.
A situação é caótica e mesmo o Estado Brasileiro não consegue (ou não quer) resolvê-la: desde 2010, a Justiça Federal determinou que a região é uma área indígena, porém os outros ocupantes se recusam a abandonar o local.
Para discutir sobre o assunto, Maria resolveu fazer uma “radiografia” cinematográfica, realizando uma complexa pesquisa com fotos, áudios e imagens, além de recolher depoimentos de todas as partes envolvidas.
“Desde a concepção do projeto, quis adotar uma postura de isenção, quis apresentar a história e seus diversos lados. E todo o esforço de montagem do filme é para que o espectador tenha elementos para entender o contexto historicamente e fazer algum julgamento, se lhe convier”, explicou a diretora.
Desta forma, ela deu voz a representantes dos grupos que reivindicam o local, uma cacofonia babélica que destaca Dom Pedro Casaldáliga, bispo duas vezes indicado ao Prêmio Nobel, o cacique Damião Paridzané, o líder Xavante Marawãtsède, o fazendeiro John Carter, o político Filemon Limoeiro, o posseiro Neto Figueiredo e a líder dos sem-terra Rosa Silva.
É um cabo de guerra com vários lados, geralmente tratado de forma superficial pela grande mídia. E para juntar suas pontas, a diretora precisou enfrentar inúmeras dificuldades, desde o acesso e locomoção na região, além das forças da natureza e a comunicação com todos os envolvidos. “É um assunto que incomoda”, ela lembra, “e os próprios entrevistados são relutantes para falar”.
Ainda assim, Maria encarou a situação e o resultado, “Vale dos Esquecidos”, é sua estreia na direção de um longa-metragem – ela já trabalha há anos com audiovisual, mas só havia realizado curtas. E para fazer justiça ao projeto, ela se cercou de profissionais experientes. Felipe Braga (roteirista da série televisiva “Mandrake” e do filme “Cabeça a Prêmio”) assinou o roteiro ao lado de diretora. A direção de fotografia contou com o alemão, radicado no Brasil há quase duas décadas, Sylvestre Campe (“O Homem Pode Voar”). E a montagem foi feita por Jordana Berg, frequente colaboradora do documentarista Eduardo Coutinho (“Jogo de Cena”).
A opção pelo tema árido tampouco se baseou em inexperiência. Ao contrário, deve-se a ela ter passado grande parte da infância no interior e ver de perto as disputas de terra. Maria é testemunha ocular de como o desmatamento cresce a níveis assustadores no país.
“Acho que a questão ambiental está cada vez mais em voga. A disputa de terras em alguma instância tem muito a ver com este tema. O futuro da Amazônia tem muito a ver com estas questões”, declarou. E o cinema nacional parece estar de olho nessa situação e vem abordando com frequência o drama dos indígenas, a violência causada pelas disputas territoriais, a exploração mineral e a derrubada ilegal de árvores na Floresta Amazônica.
“Vale dos Esquecidos” é o mais direto, mas não é o único documentário a abordar o tema. Um dos pioneiros a levantar a questão foi “Nas Terras do Bem-Virá” (2007, de Alexandre Rampazzo), que também apontou os constantes crimes da região, como o Massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 sem-terras foram mortos, e o assassinato da Irmã Dorothy Stang.
O assunto também vem aparecendo com frequência na ficção e em produções de grande porte, como “Xingu”, de Cao Hamburguer, sobre a luta dos irmãos Villas-Bôas pela instituição do famoso parque nacional indígena. “Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios”, de Beto Brant e Renato Ciasca, que também estreia nesta sexta (20/4), traz novamente a região como cenário.
Em 2013, duas produções sobre o tema devem chegar ao grande público. Heitor Dhalia (“O Cheiro do Ralo”) pretende abordar o mais conhecido garimpo do Brasil em “Serra Pelada”, com Wagner Moura (“Tropa de Elite”) no elenco, e a riqueza da floresta tropical será tema da megaprodução “Amazônia – Planeta Verde”, filmada inteiramente em 3D ao custo de R$ 30 milhões. O filme é uma coprodução com a França e o roteiro é de Luiz Bolognesi (“Bicho de Sete Cabeças”). Também estão previstas as adaptações dos livros “Órfãos do Eldorado” e “Relato de um Certo Oriente”, ambos do escritor Milton Hatoum. O diretor Guilherme Coelho (“Fala Tu”) está envolvido com o primeiro título, enquanto Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”) deve dirigir o segundo.
A própria Maria Raduan pretende refletir um pouco mais o tema em seu próximo projeto, que irá pretende analisar o impacto do gado zebu na pecuária e na economia do Brasil, a partir de sua vinda da Índia, no século passado – sabe-se que um dos grandes causadores do desmatamento na Amazônia é o avanço da agropecuária na região.
Enquanto o governo brasileiro se empenha em conquistar para o Brasil um lugar de mais destaque no mundo, o cinema nacional ajuda a lembrar que o dever de casa nem sequer foi iniciado. Longe das capitais, o clima é mais Velho Oeste que País do Futuro, com ou sem aprovação do novo Código Florestal.
Documentário retratando a vida e a obra do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (falecido em 1987). Misturando depoimentos, canções (adaptadas de poemas de Drummond), cenas dramatizadas, descrito como um documentário poético. Assim temos participações variadas de poetas como Mario Chamie, cantoras como Maria Lucia Godoy (“Cantiga de Viúvo”), e mais Affonso Romano de Sant´Anna, Ferreira Gullar, Leandro Konder, Samuel Rosa (“Poema de Sete Faces”), Tonia Carrero, o filósofo Benedito Nunes etc.
O famoso “Quadrilha”, por exemplo, é interpretado por um grupo de atores na Confeitaria Colombo. Também tem algumas cenas de cine-jornais de época e até cenas de “O Padre e a Moça”, de Joaquim Pedro de Andrade.
O ator Carlos Gregório faz o adulto Drummond, inclusive em entrevista. Noutra ocasião, o próprio diretor aparece como entrevistador. E um poema dramatizado e com narração do próprio poeta. Sem esquecer, um depoimento do próprio já idoso. Ou seja, inventivo mas irregular e sem o devido impacto.
"O Poeta de Sete Faces, do diretor Paulo Thiago, é um documentário que aborda e ao mesmo tempo investiga e interpreta os diversos momentos da vida e obra de Carlos Drummond de Andrade. O filme teve sua estréia na 26ª Mostra BR de Cinema e entra em circuito comercial nesta sexta-feira como parte da celebração do centenário do poeta.
Um ponto forte da produção é a acertada fuga do formato documental padrão, ao privilegiar um retrato lírico da trajetória de Drummond.
Por essa razão, o filme transcende o mero registro factual, deixando presente a emoção da arte drummondiana que define o texto, a imagem, a música, a montagem e o desenvolvimento dramático do filme.
Paulo Thiago, conhecido por obras como Águia na Cabeça, Jorge, Um Brasileiro e Policarpo Quaresma, transmite, sem qualquer dúvida, sua imensa paixão pelo poeta, conterrâneo e ídolo.
Some-se a isso a tocante interpretação dos atores, especialmente a de Paulo José, que protagonizou Policarpo. Vê-los declamando as poesias tão singulares de Drummond é um bom exercício de exploração dos sentidos tantas vezes apagados pela rudeza do cotidiano.
O documentário pode ser visto também por suas qualidades didáticas: divide-se em três etapas que correspondem às fases distintas da obra de Drummond.
A primeira fase, "Vai Carlos, ser Gauche na Vida", registra desde o seu nascimento em Itabira, em 1902, até o final da sua Poesia Modernista, em Belo Horizonte, antes da mudança para o Rio de Janeiro, em 1934.
É a fase da poesia com a marca do modernismo de 1922 e também da publicação dos primeiros livros: Alguma Poesia e Brejo das Almas - quando nasce o Carlos Drummond de Andrade dos versos anedóticos, sintético-metafóricos e irônicos.
A segunda fase, A Vida Apenas, Sem Mistificação, começa com a mudança de Drummond para o Rio de Janeiro e vai mostrar o "poeta do seu tempo", o momento de atuação política na vida do escritor aliado à sua obra de crítica social.
E por fim a terceira fase, "Como Ficou Chato Ser Moderno, Agora Serei Eterno", do início dos anos 1950 aos 1980. É o período do poeta-filósofo, do verso enigmático, do cronista de sucesso no Correio da Manhã e no Jornal do Brasil, da glória literária, dos prêmios e homenagens, dos filmes adaptados de sua obra e do retorno aos temas do passado e da memória.
Sem dúvida, as qualidades artística e acadêmica da obra possivelmente podem se tornar referências para novas produções do gênero.
Mesmo se não for aceito pelo público convencional, terá, indubitavelmente, muito a acrescentar às nossas escolas, que parecem ter esquecido a fascinação e o encanto da poesia."