sábado, 18 de fevereiro de 2012

Por que o turismo ecológico deu certo na região de Bonito?

 

Clayton Castilho Gomes, diretor de Turismo da Prefeitura de Bonito, tenta esclarecer o que foi feito, com tantas possibilidades para dar errado – e os exemplos de massificação turística abundam na costa brasileira,  quais foram os elementos chaves que fizeram de Bonito a capital nacional do turismo ecológico.

“Alguns anos atrás depois de uma reportagem que o Globo Repórter realizou sobre Bonito, nós sabíamos que o lugar iria encher de gente. Foi preciso muita conversa entre os fazendeiros, as agências de turismo, os hotéis e a prefeitura para coordenar as atividades”, afirma Clayton. “Todos chegaram à conclusão que o mais importante era trabalhar em conjunto, sem deixar espaço para a ilegalidade. E assim foi criado um sistema de voucher único”, diz.


A Gruta do Lago Azul é o cartão postal de Bonito. Só entra no imenso buraco para descobrir o lago quem tiver o voucher único. Apenas 305 visitantes diários podem ter esse privilégio.

Uma das primeiras preocupações foi a sustentabilidade. Como fazer para que os visitantes pudessem conhecer lugares maravilhosos e, ao mesmo tempo, impedir que um número acima da capacidade detonasse esse paraíso? Para resolver o dilema, cada passeio – são, ao todo, 38 – passou por um estudo de impacto ambiental e um número máximo de visitantes diários foi estipulado.


Todas as atividades na região de Bonito (que compreende o município vizinho de Jardim, MS) encontram-se dentro de fazendas de gado, propriedades privadas. Se cada dono de fazenda resolvesse receber visitantes por sua própria conta, o processo iria virar uma grande bagunça. Foi preciso também criar um esquema de reservas para evitar que o visitante, depois de percorrer 20 ou 30 km de chão, chegasse ao destino e tivesse a má notícia de que não haveria mais espaço naquele dia.

Clayton explica que as reservas são centralizadas pelas agências de turismo. Graças a uma comunicação constante com as fazendas, todas as operadoras sabem quais são os horários disponíveis para os passeios. Uma vez escolhida a atividade, o voucher é emitido em cinco vias, três ficam na agência e duas são para o guia e para o passeio. “O voucher é tão respeitado no município que virou moeda corrente. Vale dinheiro vivo”, diz Clayton.


É a água pura e cristalina que deu fama a Bonito. Em uma das nascentes do rio Sucuri, na Fazenda Sucuri, água e natureza encantam os olhos dos visitantes. 

Mikael, antropólogo especialista em ecoturismo, pergunta sobre a estratégia conservacionista do município. “Conseguimos nossa boa reputação graças às águas cristalinas. Precisamos mantê-las sem impacto. Nosso maior foco é zelar pelas matas ciliares, aquelas que protegem os barrancos dos rios”, afirma o Diretor de Turismo. “Nosso ganha-pão é a pureza da água.”

O número de visitantes pode até crescer, mas a prioridade é manter a região em seu estado prístino. Um belo desafio!

Cataratas do Iguaçu, a maior fábrica de arco-íris do mundo



O arco-íris não precisa de chuva para nascer. As fábricas geradoras mais eficientes são as cachoeiras. Quem vai às Cataratas do Iguaçu em um belo dia ensolarado, recebe um presente adicional da natureza: uma coleção de arco-íris. Os ingredientes para o fenômeno são simples: luz solar e gotas de água. 

A luz do sol que bate na água pulverizada ajuda a manter um constante arco-íris nas diversas cachoeiras do rio Iguaçu.

Quase todas as quedas das majestosas Cataratas do Iguaçu criam elegantes arcos multicoloridos a qualquer hora do dia. O importante é a posição do sol – que deve estar sempre nas costas – e do chuvisco de água, à frente do observador.

Quando a combinação de luz e água é perfeita, o fenômeno cria uma segunda curva, um pouco mais acima. É o resultado da reflexão dupla da luz nas gotas de água. Extasiado pelo prodígio natural, descubro que a sequência das cores no arco adicional, mais tênue, está invertida. No arco-íris principal, o vermelho (que possui uma onda de luz mais longa) situa-se no exterior e o azul no interior. Já no arco secundário, as posições estão trocadas.


Um duplo arco-íris nos saltos Mbigua e Bernabé Mendez, do lado argentino das Cataratas do Iguaçu. O segundo arco (mais alto) leva as cores na ordem inversa.

A Mata Atlântica que rodeia os saltos está, a cada década, mais saudável e protegida. Até a qualidade da água parece ter melhorado. O que varia é o fluxo e a cor do rio Iguaçu. Durante a cheia, a água fica mais barrenta; quando a corrente é menor, é esverdeada. Nessa época do ano, a água está clara e aproveito os dias de sol para dar um objetivo adicional à minha jornada: identificar os melhores lugares para fotografar arco-íris nas cataratas.

O Parque Nacional do Iguaçu é o mais visitado do Brasil. Em 2011, mais de um milhão de pessoas avistaram as cataratas do nosso lado. Mas os pontos de observação são limitados pela nossa geografia e os turistas acabam se amontoando nos lugares clássicos: a plataforma perto do Hotel das Cataratas, o salto Santa Maria e o caminho que leva até essa cachoeira.

O Santa Maria é um dos poucos saltos nacionais. A melhor vista é da passarela construída sobre um trecho do rio. Estou de frente para a cachoeira e o sol está nas minhas costas. Sinto na face o vento criado pela força da queda d’água. Essa brisa molhada é o componente essencial para a criação de mais um arco-íris. A curva colorida vai de uma ponta à outra, cruzando o salto.

Ando na passarela e o fenômeno ótico segue meus passos. Se a intensidade da névoa diminui, o vigor das cores também desvanece. Escolho o momento e local ideal para registrar aquilo que apenas meus olhos enxergam. O arco-íris é uma ilusão ótica e não algo palpável. O ângulo de visão sempre é pessoal e único, diferente daquele da pessoa que está a seu lado.


Um arco-íris cruza todo o Salto Santa Maria, a cachoeira brasileira mais visitada. O sol precisa estar sempre atrás do observador

Para ser completa, a visita a esse Patrimônio Mundial precisa incluir o Parque Nacional Iguazú, na Argentina. Como o fluxo principal do rio – aquele que define legalmente a linha da fronteira – corre mais próximo ao Brasil, em nosso território ficamos apenas com uma sequência curta de cachoeiras de 500 metros de extensão, que vai do Salto Santa Maria à Garganta do Diabo. Os argentinos não só possuem uma fileira semelhante de cataratas na outra margem do cânion do Iguaçu, como também um grande complexo de cachoeiras ao redor da ilha San Martin, um quilômetro adiante. Calculei, com ajuda do Google Maps, que quase 70% das águas despencam do lado do vizinho.

Quanto mais água e luz, melhor para minha caça aos arco-íris. Visito o Salto Bossetti ao meio-dia e a posição do sol cria um arco colorido embaixo das águas, como se estivesse recebendo a enxurrada.Encerro a tarde com chave de ouro, na plataforma da Garganta do Diabo. O sol ilumina o coração das cataratas e estou no eixo correto fonte de luz–observador–água. O vigor das quedas não cria apenas a brisa necessária para um constante arco colorido, mas molha todos os visitantes.


Um longo arco-iris, fotografado no país vizinho, envolve as cascatas da Garganta do Diabo, divisa entre Brasil e Argentina.

É fácil perceber porque as Cataratas do Iguaçu atraem tanta gente. Qualquer uma das cachoeiras, se isolada, seria considerada uma visita obrigatória. Imagine encontrar 275 diferentes! É um lugar que clama por superlativos, onde a beleza da natureza e a força da água inspiram qualquer pessoa. Tudo aqui é muito intenso e grandioso. A única coisa bem pequena somos nós, seres humanos.

Pampa, bioma brasileiro

  • O Pampa é o bioma mais alterado do Brasil
Bioma que ocorre no RS tem 3,26% de seu território em parques e reservas e menos de 1% na categoria de unidades de conservação de proteção integral

Segundo menor bioma brasileiro, perdendo só para o Pantanal, o Pampa nunca chamou a atenção por sua beleza de árvores frondosas e flores de cores exuberantes. Sua paisagem predominantemente campestre, com campos abertos e muitas espécies de aves sobrevoando o bioma, promove uma sensação de vazio e solidão. Engana-se quem pensa que isso é sinal de escassez ou pobreza biológica. O bioma esconde em sua pequena área de 178,243 mil km2 uma grande biodiversidade: cerca de 3.000 espécies vegetais, mais de 100 espécies de mamíferos e quase 500 espécies de aves. A diversidade de gramíneas chama a atenção, com mais de 450 espécies. Entre as espécies florísticas, mais de 200 estão ameaçadas de extinção.

Planícies cobertas de gramíneas acarinhadas 
pelo vento do Sul do Brasil.

“A paisagem aberta é muito influenciada pelos ventos e pela luminosidade. Há uma grande diversidade de plantas herbáceas, incluindo gramíneas, compostas, leguminosas (ou Fabaceae, plantas da família do feijão) e ciperáceas, estas nos locais mais úmidos. Também ocorrem muitas plantas arbustivas e árvores de menor porte, como as vassouras, o espinilhos, as aroeiras e a coronilha”, diz Eduardo Vélez , biólogo e doutorando em Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Assim como o lagartinho do pampa, também são animais típicos da fauna local a ema, a codorna, o passarinho caminheiro, o veado-campeiro, várias espécies de tatus, o quero-quero, o tuco-tuco, a preá e o ratão do banhado, um roedor que ocorre em áreas úmidas e banhados. O clima é úmido o ano todo, com temperaturas mais baixas e chuvas distribuídas ao longo do ano.

Imagem do Pampa

Os animais sofrem o mesmo problema que sofrem os de outros biomas: têm cada vez menos áreas contínuas de campos. Assim, como tem fragmentação nas florestas, a mesma coisa vem ocorrendo no Pampa. Para espécies que precisam de grandes extensões para manter populações viáveis, isto é um grande problema. Também ocorre a redução no fluxo gênico e na capacidade de dispersão da flora e da fauna”, diz Eduardo.

O Pampa visto do alto

O Pampa já teve 64% de sua cobertura vegetal original destruída, sendo o segundo bioma mais alterado do Brasil, em termos percentuais. Para Eduardo, com algum esforço e muita consciência, os 36% nativos ainda podem ser salvos.

“Essa diversidade biológica do Pampa tem sofrido ameaças em função da conversão dos campos, ou seja, a eliminação do campo para a implantação de lavouras de agricultura e de silvicultura. O Pampa já perdeu muitas áreas de banhado para as lavouras de arroz. Nos últimos anos a soja também tem sido o grande vilão na perda da biodiversidade dos campos”, comenta o pesquisador.

Segundo o Mapeamento da Vegetação Nativa do Bioma Pampa, divulgado em 2007 pelo Ministério do Meio Ambiente, o bioma tinha 23,03% de campos, 5,38% de florestas e 12,91% de áreas de transição (savanas, campos e florestas). Os principais tipos de florestas do Pampa são a estacional decidual e a semidecidual, além de formações savânicas com espécies xerófilas (plantas adaptadas à aridez). O Pampa se estende pelo Uruguai e parte da Argentina, formando uma das regiões de campos temperados mais importante do planeta.


“A silvicultura pode ser uma nova fronteira de expansão sobre essas áreas remanescentes, porque os projetos são empresariais, com plantio em grandes extensões que podem representar a descaracterização da paisagem do Pampa”, teme Eduardo.

No Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), o Pampa é o bioma com menor representatividade, com apenas 3,2% de seu território transformados em áreas de conservação: “Por não ter grandes extensões de florestas, o Pampa gera menor sensibilidade social. As iniciativas de conservação estão abaixo da crítica. Temos menos de 1% de unidades de conservação de proteção integral. Isso é um problema sério e o principal desafio que temos hoje. Para manter os 36% que ainda estão conservados, é necessário criar novas unidades de conservação e, também , incorporar processos produtivos sustentáveis. Eu entendo que isto é plenamente possível através da pecuária sustentável”.

O Pampa é rico em gramíneas

Pouco praticada no Pampa, a experiência com a pecuária sustentável mostrou-se viável em estudos realizados por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Um exemplo disto é a iniciativa da Apropampa, uma associação sem fins lucrativos formada por produtores rurais na região de Lavras do Sul e arredores que vem colocando em prática produção de carne com base em campos nativos bem conservados. Conservam-se as espécies nativas do campo e se consegue aumentar a produção de carne, já que o manejo do gado e dos campos permite esta harmonia.

“Entanto, estas iniciativas de manejo sustentável dos campos são ainda recentes. Ainda vivemos o paradoxo no Brasil de destruir a floresta na Amazônia para implantar pastagens com gramíneas exóticas, enquanto que, no Pampa, que tem as melhores pastagens naturais para a produção de carne, está se propondo plantar grandes extensões de árvores exóticas. Uma vez li um artigo que dizia que o Pampa era um bioma negligenciado, parecia que ninguém dava bola para ele. Hoje, isto parece estar mudando. Iniciativas como as da Apropampa e o Mapeamento do Bioma indicam que pode haver alguma esperança para este importante bioma brasileiro”, diz.


Especificações:

Os Campos sulinos foram assim nomeados pelo estudo de prioridades para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade da Mata Atlântica e dos Campos Sulinos do MMA/Pronabio, elaborado pela CI, ISA, WWF, IBAMA. De maneira genérica, os campos da região Sul do Brasil são denominados como “pampa”, termo de origem indígena para “região plana”. Esta denominação, no entanto, corresponde somente a um dos tipos de campo, mais encontrado ao sul do Estado do Rio Grande do Sul, atingindo o Uruguai e a Argentina.  A região geomorfológica do planalto de Campanha, a maior extensão de campos do Rio Grande do Sul, é a porção mais avançada para oeste e para o sul do domínio morfoestrutural das bacias e coberturas sedimentares. Nas áreas de contato com o arenito botucatu, ocorrem os solos podzólicos vermelho-escuros, principalmente a sudoeste de Quaraí e a sul e sudeste de Alegrete, onde se constata o fenômeno da desertificação. São solos, em geral, de baixa fertilidade natural e bastante suscetíveis à erosão.

Atividade de ecoturismo cresce no manguezal de Guapimirim

Rio Guapimirim é destino de ecoturismo

O ecoturismo em área de mangue começa a ganhar cada vez mais espaço e curiosos. Em Guapimirim, no Rio de Janeiro, a cooperativa de pescadores Manguezal Fluminense trabalha em parceria com a sede da Área de Preservação Ambiental (APA) do município para organizar as visitas e levar os turistas para conhecer o ecossistema. Os passeios variam de acordo com a vontade de cada grupo, mas podem chegar até a ilha de Paquetá, também na Baía de Guanabara.

De acordo com o presidente da Cooperativa Manguezal Fluminense, Cláudio Mendonça da Silva, os cooperados fizeram cursos de ecoturismo e exercem a função de guias. Segundo Silva, alunos de biologia, geologia e pesquisadores são o público principal da atividade. “A procura do ecoturismo pelas faculdades é grande. Isso aqui é a aula prática deles”, afirma o presidente.


Alaido Malafaia é um dos pescadores que leva grupos ao manguezal. O pescador diz que o percurso feito com os estudantes é basicamente o mesmo: do fundo da baía até o manguezal. Malafaia conta que quando os grupos são maiores, faz até almoço no barco. “Pego o peixe na hora e sirvo aos turistas”, diz.

Para o professor titular do Departamento de Geologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Alberto Figueiredo, o trabalho dos pescadores como guias é fundamental, pois não há orientação equivalente. Figueiredo afirma que eles sabem onde a navegação é boa e conhecem a profundidade de cada local, além dos horários de trocas de maré. “Eles conhecem cada trecho daquele labirinto, são os verdadeiros GPSs”, brinca o professor.

 O professor explica que desenvolve uma pesquisa sobre o grau de salinidade das águas em área de manguezal e como a retirada de água doce dos rios pode danificar o mangue. “Frequentar o mangue é importante para que possamos estudar o ambiente de modo que a fauna e flora desse meio não sejam prejudicadas com a retirada de água do rio”, ressalta. De acordo com o professor, o manguezal é uma importante fonte de nutrientes para plantas e animais do meio. O ambiente é também o habitat natural de espécies como capivaras e jacarés.


Estudantes da UFF durante visita ao manguezal

Malafaia afirma que tenta passar o que aprendeu aos turistas e amigos da comunidade. “Hoje não tenho coragem de jogar uma sacola plástica no rio ou no chão, e quando vejo alguém fazendo isso, chamo a atenção”, reforça. As atividades de ecoturismo podem ser agendadas diretamente com os pescadores da cooperativa, ou pela APA de Guapimirim. Segundo Malafaia, o trabalho socioambiental desenvolvido pela cooperativa foi o divisor de águas. “A gente aprendeu a ver de forma diferente o mangue, com carinho e consciência”, diz o pescador.


APA de Guapimirim
BR 493 Km 12,8 - Guapimirim/RJ CEP: 25940-000
Telefone: (021) 2633-0079 / (21) 3630-5896

Ibama multa consórcio de Belo Monte por atraso na implantação de projetos ambientais


 

Máquinas adquiridas pelo consórcio


Brasília - O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou em R$ 7 milhões o Consórcio Norte Energia S.A., responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), por atraso na implementação do Projeto Básico Ambiental (PBA) da obra.

Além da multa, o Ibama determinou ao consorcio que apresente um plano de ação para regularizar o cronograma dos programas ambientais. A avaliação do Ibama refere-se ao período de junho a outubro de 2011 e foi feita com base no primeiro relatório de andamento do PBA, apresentado pela empresa em novembro.

Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e, quando estiver pronta, será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 12 mil megawatts (MW) e geração média de 4 mil MW.


Edição: Vinicius Doria
Da Agência Brasil



  • Norte Energia diz que vai recorrer da multa de R$ 7 milhões aplicada pelo Ibama

Brasília – A empresa Norte Energia, responsável pela construção e operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), informou sexta-feira (17) que adotará “os procedimentos administrativos cabíveis, inclusive interpondo recurso” em relação à multa aplicada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).

A penalidade imposta pelo Ibama, de R$ 7 milhões, foi por causa de atraso na implementação do Projeto Básico Ambiental da obra. Além da multa, o Ibama determinou que a empresa apresente um plano de ação para regularizar o cronograma dos programas ambientais.

A Norte Energia informou também que a notificação do Ibama não implica qualquer suspensão da licença de instalação do empreendimento, que continua válida, e que as obras e demais atividades seguem seu curso normal. “Vale ressaltar que o próprio Ibama, na notificação, ressalvou que as desconformidades apontadas não implicam reflexos ambientais negativos”, informou a empresa, em nota. As informações são da ABr.

Museu do Meio Ambiente será reaberto para a Rio+20


Rio de Janeiro - Com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 5,1 milhões, o Museu do Meio Ambiente será reaberto ao público, em junho deste ano, para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio+20).

Oriundos do Fundo Cultural do BNDES, os recursos serão aplicados na instalação da infraestrutura para os programas educativo, museográfico e de divulgação científica do museu, que fica no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). Esses programas funcionarão no primeiro pavimento, em uma área de 400 metros quadrados. No segundo piso, serão apresentadas exposições temporárias

Com os R$ 5,1 milhões, serão feitas intervenções que vão desde a concepção geral do museu, implantação dosite e aquisição de mobiliário e de equipamentos de informática até a elaboração de material educativo e treinamento de equipes de monitores e instrutores.


A coordenadora do museu, Lídia Vales, da Associação de Amigos do Jardim Botânico, destaca que no programa educativo, por exemplo, estão sendo desenvolvidos jogos gigantes para crianças, com conteúdos ambientais. Na divulgação científica, o software (programa de computador) Fórum de Debate permitirá ao público discutir temas relacionados ao meio ambiente.

“Isso é superimportante, porque o museu pretende exercitar um diálogo com a sociedade. Ele vai fazer isso por meio dos seus programas. A gente quer esse diálogo, fazer esse canal de comunicação com a sociedade sobre as questões ambientais, mas também não é só falar em mão única. Tem que ter mão e contramão. A gente também quer ouvir a sociedade”, ressalta Lídia.

O projeto tem ainda um cunho social. Segundo a coordenadora, os recursos do BNDES propiciarão a integração ao museu de um programa de apoio do Jardim Botânico para jovens de baixa renda. “Nós vamos trazer, em conjunto com esse programa, esses jovens e remunerá-los para eles serem o apoio aos monitores e a toda a operação do museu.”

modelo

Para ela, o importante do projeto é colocar esses jovens que vivem em comunidades em uma realidade de valorização do conhecimento, da relação pessoal e do próprio meio ambiente. “Dá uma conotação de cidadania para esses jovens.”

O lançamento do museu ocorreu em 2006, em solenidade que contou com a presença da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A partir das obras de restauro do prédio histórico e administrativo, datado de 1900, o museu foi inaugurado em 2008, abrigando durante dois anos quatro exposições. As obras de restauro tiveram apoio do BNDES no valor de R$ 1,8 milhão.

Após esse período, o museu foi fechado para correção de infiltrações no subsolo, com apoio do BNDES, no montante de R$ 900 mil, além de recursos orçamentários do Jardim Botânico e do Ministério do Meio Ambiente.

A expectativa é que, quando for reaberto, o Museu do Meio Ambiente receba 300 mil visitantes por ano, de acordo com Lídia.


Está prevista a construção de um prédio anexo, que terá uma área de exposições de mil metros quadrados, para mostras de longa duração. O projeto desse novo edifício foi vencedor de um concurso público coordenado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e é assinado por um escritório de arquitetura de Belo Horizonte. A construção deve começar em 2013. Para isso, porém, a biblioteca de referência em botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro terá de ser remanejada para perto da Diretoria de Pesquisa. Como o projeto executivo do anexo está sendo concluído, ainda não foram levantados os investimentos necessários para a obra, explicou Lídia Vales.

Segundo ela, esse prédio novo já recebeu o selo de eficiência energética do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). No prédio histórico, além da questão socioambiental, está sendo considerado o uso sustentável dos materiais. “Tanto na parte expositiva, como na parte da infraestrutura”, ressalta a coordenadora.

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Edição: Juliana Andrade

Amazônia maranhense requer atenção para continuar existindo





Esta imagem é parte da publicação "Amazônia Maranhense: diversidade e conservação". Bioma no Maranhão recebe pouca atenção do poder público, da ciência e da população maranhense. 

A Amazônia maranhense é dona de rica biodiversidade, ocupa 26% do bioma amazônico, encontra-se em 62 municípios do Maranhão e representa, em termos de bioma, 34% do território do Estado. No entanto, ela corre o sério risco de desaparecer. Há anos vem sofrendo com desmatamentos, retirada ilegal de madeira, mineração, produção de carvão, caça excessiva e criação de gado. Além disso, recebe pouca atenção do poder público estadual e federal e sua importância é ignorada por grande parte dos maranhenses.

Localizada em uma área de transição entre o Nordeste e a região amazônica, em seus 81.208,40 km² já foram encontrados 109 espécies de peixes, 124 de mamíferos e 503 de aves. É lar do gavião real e de espécies ameaçadas como os primatas Cairara Ka’apor (Cebus kaapori) e Cuxiú-preto (Chiropotes satanas). Possui, em média, 570 árvores por hectare de pelo menos 100 espécies. De acordo com o estudo “Amazônia Maranhense: diversidade e conservação” lançado em 2011 como resultado de uma parceria entre o Programa de Pesquisa em Biodiversidade Amazônia Oriental (PPBio), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Meio Ambiente (MMA), trata-se de "uma das porções mais expressivas em termos de riqueza de espécies e endemismos".

Lençóis Maranhenses

O tamanho da Amazônia brasileira

Na contramão da importância de sua biodiversidade, o Maranhão encontra-se entre os Estados que mais desmataram a floresta. Conforme informações do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), até 2010 71,05% do Estado havia sido desmatado. De 1984 a 2000 a taxa de desmatamento da área de floresta ombrófila na região teve média de 1,62% ao ano. Hoje, resta à Amazônia maranhense menos de 25% de sua vegetação original.

Para agravar ainda mais a situação, entre todos os Estados da Amazônia Legal o Maranhão é o que possui o menor grau de ocupação do espaço com áreas protegidas. Diante deste cenário, as Terras Indígenas Alto Turiaçú (530.525ha), Awá (118.000ha) e Carú (172.667ha), bem como a Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi (278.000 ha) estão conectadas entre si e juntas representam, conforme o estudo que conta com a participação do Museu Goeldi, "o melhor e mais homogêneo espaço do bioma amazônico no Maranhão". Em outras palavras, mesmo que sofram com pressões em diversas frentes, é nesta região que reside, também, a esperança de conservar o que ainda resta de Amazônia maranhense.



Ciência e “pré-Amazônia”

De acordo com Marlúcia Bonifácio Martins, do Goeldi, “no Maranhão não existe a cultura de integração entre instituições de pesquisa”. “Além disso, não temos recursos suficientes para a produção científica. Precisamos de uma política que leve em consideração a importância dos recursos naturais”, complementa Francisca Helena Muniz, professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Quanto menor a quantidade de informações sobre a Amazônia maranhense, mais difícil fica argumentar em prol de sua conservação. No ano passado o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou o documento “Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal 2003”. Em se tratando deste estudo, uma reportagem do jornal O Globo publicada em dezembro de 2011 afirma que "o Maranhão foi o último Estado a ter seus dados detalhados". A pesquisa científica da região, em termos gerais, é mais voltada às áreas de Cerrado do que às de Amazônia. Não à toa, pouco se sabe sobre o estado de conservação da maioria dos anfíbios e répteis da porção amazônica.


A falta de importância dada a esta região é histórica e começa na década de 80, quando a área de floresta no Maranhão começou a ser chamada de “pré-Amazônia”. "Este termo foi criado para passar a ideia de algo que tenha vindo antes da Amazônia com o objetivo de 'legalizar' o desmatamento da floresta como se ela não fosse floresta. Foi tão difundido que hoje é utilizado por pesquisadores mesmo que não tenha nenhum cunho científico", explica Francisca. "A sociedade maranhense não está ciente de que no Maranhão existe floresta amazônica. O termo 'pré-Amazônia´ é utilizado em livros escolares e induz a uma diferenciação que não existe", complementa Marlúcia.

Pesquisadores que atuaram na publicação do Goeldi acreditam que a criação deste termo tenha sido uma tentativa de se esquivar do limite de 80% das propriedades rurais amazônicas a serem mantidas como Reserva Legal, enquanto que para áreas de Cerrado este limite cai para 50%. Outra tentativa de aumentar o desmatamento da floresta no Maranhão veio em 2009, quando ruralistas se uniram em uma campanha para a retirada do Estado da Amazônia Legal.


Conservação

Eloísa Neves Mendonça, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), explica que o órgão tem “buscado aproximação com instituições para a conscientização de ONGs, sociedade civil, associações produtivas, assentamentos e produtores rurais para ações de conscientização à respeito da importância da região”. O primeiro passo é a realização de palestras. O segundo caminhará para programas de educação ambiental. O ICMbio espera, com isso, diminuir ações predatórias dentro da Rebio, considerada a porção mais importante de floresta amazônica remanescente no Maranhão e cuja área já teria sido pelo menos 25% desmatada.

A ação é mais do que necessária. Afirma o estudo do Goeldi, acertadamente: "mesmo com todas as dificuldades, a percepção da sociedade maranhense, brasileira e internacional sobre os problemas ambientais que ameaçam a Amazônia e a importância de sua conservação certamente poderão salvar a última fronteira amazônica do Maranhão". Quanto mais informação for gerada e difundida a respeito da região, maiores as chances de sua conservação.


Às Estrelas


The Most Astounding Fact
O Fato Mais Importante (Legendado)

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A gigante de couro pode atingir dois metros de comprimento e pesar até 750 kg.