

O tema "Turismo em Unidades de Conservação", da palestra sobre Machu Picchu ocorreu no prédio da Bienal, apresentado por Glen Gamper, da agência Ambiental Expedições.
Machu Picchu está na lista do Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade da Unesco desde 1983 e é um destino mundialmente conhecido pela presença de monumentos arqueológicos de alto valor histórico e cultural. O santuário também é considerado uma obra-prima da arquitetura e da engenharia.

Pachacutec, fundador de Machu Picchu
Os construtores de Machu Picchu, no sudeste do Peru, deixaram ocultos desenhos de condores, alpacas e lhamas em sua estrutura que só podem ser vistos sob os raios do sol e em determinadas épocas do ano.
De acordo com os vestígios encontrados em Machu Picchu, um dos principais usos do local era para o "culto à terra" porque, em seus mil metros de plataformas de estação, os incas desenvolveram um centro de pesquisa para o melhoramento de sementes e cultivos, afirma Milla.
Em segundo lugar, acrescentou o especialista, o santuário arqueológico era "um centro de peregrinação" onde se mostrava o Cosmos a uma elite, além de "um observatório astronômico".
"A cultura andina é cosmocêntrica, onde tudo faz parte de uma harmonia integrada e os seres constituem uma família", disse Milla, autor da pesquisa "O Código Secreto de Machu Picchu".
Machu Picchu completará cem anos; desenhos ocultos podem ser vistos em determinados períodos do ano
O Machu Picchu foi uma escola para que seus governantes se preparassem para o conhecimento do Universo e a única forma de fazê-lo era vê-lo em movimento, entre as montanhas, nas diversas estações do ano e sob os astros.
"Nossos antepassados foram tão fora de série que criaram um espaço cuja imagem vai mudando no transcurso do ano", destacou.
Quando alguém vê a cidadela arqueológica do alto, pode observar que a montanha de Machu Picchu tem a forma de um condor com as asas abertas, ave que representa o Sol, o deus criador da vida e da fecundação.
Além disso, a parte alta do Huayna Picchu, outra montanha que rodeia o lugar, tem o formato de uma lhama olhando para o céu, que representa a terra.
Estas imagens podem ser vistas sob a luz do sol ao meio-dia de 21 de junho, mas o templo de Huiracocha conta também com uma serpente, esculpida em pedra, que só pode ser vista claramente sob o sol a partir de 30 de outubro.
EQUINÓCIO
Mila relatou que há outro ambiente conhecido como olhos que choram ou como sala dos espelhos astronômicos, onde, através de uma janela, reflete-se a luz do equinócio nas datas de 23 de março, 21 de junho e 21 de setembro.
Segundo o pesquisador, cada região do Machu Picchu, formada por diferentes templos, era visitada em distintas épocas do ano e, por isso, revela imagens diversas em momentos diferentes.
"São espaços de interatividade para as pessoas", destacou.
O templo do sol, por exemplo, tem uma mesa cerimonial ao centro, que a cada 21 de junho recebe a luz solar por uma janela que cai sobre a cabeça de uma escultura de condor.
Milla alerta, no entanto, que a cidadela de Machu Picchu, que em 7 de julho teve atos de comemoração pelo centenário de seu "descobrimento" pelo explorador americano Hiram Bingham, perdeu desde 1976 uma de suas esculturas mais representativas que marcava o cruzamento de dois eixos muito importantes.
Segundo ele, a enorme peça foi removida da esplanada da cidadela para que o rei da Espanha Juan Carlos 1º aterrissasse em um helicóptero para visitar o Machu Picchu, mas nunca foi recolocada no lugar.Machu