terça-feira, 7 de junho de 2011

Rios Voadores existem, e Gérard Moss voa junto com eles

 Apaixonado pelo meio ambiente, Gérard Moss em ação 

“O Brasil é o país das águas”. A frase proferida por Gérard Moss sai dele recheada de experiência. Engenheiro apaixonado por meio ambiente, ele pesquisou a fundo os Rios Voadores, cursos de água atmosféricos, invisíveis e pouco conhecidos, que passam sobre nossas cabeças (conheça o projeto). São rios enormes, feitos de vapor de água, vindos da Amazônia e empurrados pelo vento. Eles trazem para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul a umidade que foi devolvida à atmosfera pelas árvores da floresta. O volume de vapor de água transportado pode ser maior que a vazão de todos os rios do centro-oeste e ter a mesma ordem de grandeza da vazão do rio Amazonas (200.000 m3/s). Com a ajuda da esposa, Margi Moss, responsável por registrar em fotos o fenômeno, Gérard pilotou um monomotor coletando amostras de água. Leia abaixo uma entrevista com Gérard Moss.

 
O que te chamou atenção para os Rios Voadores? 
A primeira vez que ouvi falar deles foi na palestra do Dr. António Nobre durante um simpósio em Manaus, em 2006. Fiquei impressionado tanto pelo fenômeno como pelo lindo nome!
Que tipo de informação você tinha sobre os Rios Voadores quando formatou o projeto? 
Formatei os detalhes do projeto após longas consultas com cientistas da área de pesquisas de isótopos (no CENA – USP/Piracicaba) e de meteorologia (CPTEC, INPE). São pessoas formidáveis como os professores Enéas Salati, Reinaldo Victoria, José Marengo, António Nobre e Pedro Dias, que trabalham há anos nesse assunto e que também estão preocupados com o futuro. “Qual será o impacto das mudanças climáticas sobre a floresta amazônica (levando em conta as surpreendentes secas de 2005 e 2010) e da constante derrubada das matas?” é uma das perguntas que nos fazemos.

 
Você já fazia algum tipo de pesquisa antes de pensar sobre o projeto?

Desde 2003, trabalhamos com o assunto "água". O Brasil é, antes de tudo, um país de águas. Aqui, estamos acostumados com a abundância, mas eu quis saber mais sobre a qualidade dessas águas. Idealizamos o projeto Brasil das Águas, justamente para fazer um retrato das águas e acabou sendo possível realizar também realizar o projeto Rios Voadores, graças ao apoio fiel do Programa Petrobras Ambiental. Então, em 2003 e 2004, usando um avião anfíbio para “roçar” a superfície da água, o projeto coletou amostras de 1.200 localidades em rios e lagos pelo Brasil afora. Para a parte científica, trabalhamos em parceria com várias instituições no Brasil - RJ, SP e MG - realizando as análises das amostras coletadas. Também um dos objetivos era chamar a atenção do público em geral para a crescente poluição das nossas águas. 
Projeto Rios Voadores: Ao alcançar o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, as massas de ar úmido podem se transformarem chuvas. 
 
Como é, na prática, a pesquisa sobre os Rios Voadores usando o monomotor? 
Aguardo o sinal verde dos nossos colaboradores no CPTEC que, com seus computadores avançadíssimos, sabem dar uma boa previsão sobre a ocorrência de um rio voador e a rota que vai seguir. Aí decolo, vou para a Amazônia e acompanho a trajetória daquela massa de ar até o Sudeste. 
Você é brasileiro? Qual é sua formação e relação com o meio ambiente? 
Não nasci no Brasil, mas sou naturalizado há muitos anos. Sou engenheiro de formação e trabalhei muitos anos no afretamento marítimo e há quase trinta anos também sou piloto privado. Minha relação com o meio ambiente é de paixão e, especialmente, de preocupação. Essa preocupação nasceu justamente devido aos voos de baixa altitude que fiz em todo o país, quando pude constatar com meus próprios olhos o estrago que está sendo feito. Desmatamento a largos passos, queimadas, rios assoreados, terras degradadas. Tudo isso acontece enquanto andamos no trenzinho da alegria rumo ao abismo, porque tudo isso vai ter um impacto a longo prazo.

  
Precisamos das florestas para gerar boa parte da umidade que eventualmente se transforma em chuva em algum lugar... Chuva que nos alimenta, na verdade, porque ela irriga de graça nossas plantações e ela enche nossas represas, que geram a energia para nossas casas e indústrias. Derrubar a floresta para colocar bois é um tiro no pé da nação.
Os voos no monomotor continuam acontecendo ou foi só para essa pesquisa especificamente?
Ainda estou fazendo voos de coleta de amostras de vapor de água com o monomotor, sim. Mas temos uma novidade, que é coletar amostras utilizando um balão a ar quente, o que nos permite voar lentamente acima da copa da floresta, bem baixinho, e coletar diretamente a umidade que a floresta joga de volta para a atmosfera. Fizemos essas coletas pela primeira vez há 10 dias. Mesmo nos meses mais secos, foi impressionante a quantidade de vapor de água coletada em 10 minutos de sobrevoo da floresta primária.
O Fenômeno dos Rios Voadores
 
O termo ‘rio voador’* descreve com um toque poético um fenômeno real que tem um impacto significante em nossas vidas.
Rios voadores são cursos de água atmosféricos, invisíveis, que passam em cima das nossas cabeças transportando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil.
 


Termoverde - Energia limpa a partir do lixo doméstico + reciclagem

  
Termoverde Salvador
A *Termoverde Salvador tem potência de 19,73 MW e gera energia limpa a partir do lixo doméstico depositado no aterro sanitário. 


Nesta segunda-feira (6) será apresentado o edital de licitação do projeto de usina termoelétrica, que produzirá eletricidade a partir da queima do lixo, na região metropolitana de São Paulo. A unidade deve ser instalada na cidade de São Bernardo do Campo.
Esta foi a solução encontrada para resolver parte do problema dos resíduos sólidos. A usina processará até mil toneladas de resíduos para gerar constantes 30 MW, o que é suficiente para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes. O projeto está orçado em cerca de R$ 600 milhões. 
Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), o Brasil gera mais de 195 mil toneladas de lixo por dia. Destas, 33 mil toneladas de resíduos vão para lixões. 
Em 2010, uma lei instituiu que o funcionamento de lixões nas zonas urbanas será proibido a partir de 2014 e já obriga todas as cidades a criarem aterros sanitários. Mas, ainda não há espaços suficientes para todas armazenar estas toneladas de resíduos geradas diariamente ou para atender a nova lei federal. 
Por isso, as térmicas de lixo têm muitas chances de dar certo. Na Europa, por exemplo, a tecnologia já é utilizada há muito tempo e tem o intuito de reaproveitar o máximo de lixo para transformar em energia. Uma separação dos materiais recicláveis é feita e aqueles que não podem ser reaproveitados são queimados e transformam-se em eletricidade. 
Para o gerente da área de programas especiais da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), Aruntho Savastano Neto, esta é uma solução parcial, mas que é eficaz do ponto de vista do meio ambiente. “Isso resolve parte do problema do lixo e é possível afirmar com segurança de que não há danos à saúde ou ao meio ambiente”, afirmou Savastano Neto ao G1.
Alguns municípios de estados brasileiros como Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná também discutem a possibilidade de instalarem tais usinas. São Bernardo do Campo e Barueri receberam licenças provisórias. Já em Santo André a população discute a possibilidade de instalarem um complexo. Em São José dos Campos o pré-edital do projeto foi aberto para consulta pública. Há também estudos para a construção de uma usina no litoral. 
Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, explica como funciona uma usina de biodigestão anaeróbica e usina de incineração: “O lixo orgânico, considerado úmido, passaria por um processo chamado ‘digestão anaeróbica’ (parecido com a compostagem), em que o gás metano liberado na decomposição seria transformado em energia. Para a outra parte, a incineração, seria o destino dos resíduos que não podem ser reciclados”. 
Na incineração os gases são liberados na atmosfera, mas antes passam por uma filtragem. Mesmo assim, há restrições, pois durante o processo para impedir a liberação do metano (causador do efeito estufa), seriam utilizados vários filtros e substâncias que, segundo Eduardo Carvalho, podem ser cancerígenas. 
A outra preocupação é que com a prática possa ocorrer uma diminuição da reciclagem “já que tudo pode ser queimado”, como afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace. 
A questão econômica também tem sido apontada, por especialistas, como um ponto negativo do empreendimento. Será preciso que as prefeituras estejam dispostas a pagar mais caro pelo investimento. Este é o motivo que levam estes especialistas a crerem que aqui no Brasil, apesar dos recentes trabalhos sobre o tema, possivelmente, a tecnologia não será adotada. 
Segundo o secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo, Alfredo Buso, a previsão é de que as obras de construção da termoelétrica sejam iniciadas no início de 2012.
Fontes: G1.
Redação CicloVivo
 
*Primeira termelétrica movida a biogás do Nordeste é inaugurada em Salvador

Os gases gerados pelo lixo doméstico produzido na capital baiana, Lauro de Freitas e Simões Filho agora têm destinação correta – transformação em energia elétrica. Isso só está sendo possível com a implantação da termelétrica a biogás de aterro sanitário do Nordeste, a Termoverde Salvador, inaugurada, quarta-feira (23), no Aterro Metropolitano Centro de Salvador, em São Cristóvão, com a presença do governador Jaques Wagner. 
A primeira termelétrica a biogás de aterro do Nordeste e terceira do País, objetiva tornar em energia renovável 2,5 mil toneladas diárias de resíduos, que vão abastecer grandes e médias empresas instaladas no estado. Para o seu funcionamento foram investidos R$ 50 milhões. Construída em uma área de sete mil hectares pelo grupo Solví, a termelétrica tem potência de 19,73 MW e produzirá 150 mil MWh ao ano – isto daria para atender 300 mil residências.
De acordo com o presidente da Solví Valorização Energética, controladora da Termoverde, Latino de Carvalho, a termelétrica a biogás de aterro sanitário utiliza os gases compostos por dióxido de carbono e metano, provenientes do lixo, transformando-o em energia. Ele explica que, normalmente, esses gases são lançados na atmosfera, sendo os principais causadores do efeito estufa. Mas, quando utilizados como energia alternativa, evita-se o lançamento de Gases de Efeito Estufa (GEE) na camada de ozônio e seu consequente impacto, contribuindo com o meio ambiente. Além disso, não afeta a vegetação e a fauna e nem polui os mananciais. 
A termelétrica é composta de usina geradora de energia com 19 motogeradores de 1.038 KW cada, unidade de tratamento do biogás, subestação elevadora e linha de transmissão de 7,8 quilômetros que liga a usina à rede elétrica da Coelba, que fará a distribuição às empresas consumidoras.
Fonte: Economia Baiana

Há 150 anos atrás, D. Pedro I determinou o reflorestamento...

Antiga entrada da Floresta da Tijuca

A história do reflorestamento da Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro
O plantio foi oficialmente iniciado há 150 anos por ordens de D. Pedro I

A Floresta da Tijuca, que fica no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, é muito conhecida pela beleza natural que se ergue no meio de uma das maiores cidades do mundo. Ana Cristina Vieira, coordenadora cultural e autora de um projeto de pesquisa sobre a memória institucional do parque, acrescenta que se a mata não existisse, a temperatura da cidade seria mais alta entre 4 e 7ºC. Mas, os benefícios que essa floresta garante já foram ameaçados seriamente. Isso aconteceu ao longo do século XVIII com o cultivo do café e da cana-de-açúcar, a extração de lenha e exploração de carvão. A recuperação de todo o estrago causado se tornou um exemplo de como medidas relativamente simples e persistentes de conservação, como a criação e a manutenção de áreas protegidas, são eficazes para reverter um processo de degradação florestal. Em 2011, comemoram-se os 150 anos do decreto que D. Pedro I emitiu em 1861. Nesse documento, estavam as primeiras instruções para o plantio de novas mudas e a conservação da mata que compõe a Floresta da Tijuca – e também de outras áreas.
“A Floresta da Tijuca é hoje o resultado da combinação entre o reflorestamento e a regeneração natural de várias partes da mata”, afirma Ana Cristina Vieira. Mas, ela lembra que, embora a ordem para repor a mata devastada tenha partido de D. Pedro I, medidas básicas tomadas por D. João VI ajudaram a diminuir o impacto da monocultura sobre as florestas bem antes. De acordo com o Plano de Manejo e estudiosos do parque, D. João VI decretou, em 1817, a proteção das bacias do rio Carioca, que foi um dos principais responsáveis pelo abastecimento de água da cidade. Registros históricos que pertencem ao parque mostram que a preocupação em garantir água potável para a população, que crescia rapidamente na época, impediu que o desgaste da mata fosse maior.

No topo, a mata. Nas encostas, o café
O período de maior devastação foi no início do século XIX, por volta de 1820, quando, de acordo com os arquivos históricos do parque, propriedades com lavouras que tinham entre 5 e 100 mil pés de cafés se instalaram na região. Uma das áreas mais prejudicadas que se tem registro corresponde, atualmente, ao Morro Queimado, na Gávea. No século XIX, existiram ali as duas maiores fazendas de café do Rio de Janeiro da época: a fazenda do Dr. Louis François Lecesne e a do holandês Van Mook. Mapas do início do governo imperial se referiam a essa região como “terras cansadas” e “matas estragadas”.
No entanto, a crise de abastecimento de água na cidade foi o grande estopim para iniciar o reflorestamento. Os registros do parque apontam que, na época, as autoridades estimavam ser necessários 60 milhões de litros de água, quando eram produzidos apenas 8 milhões para uma população calculada em torno de 400 mil pessoas. As pequenas nascentes protegidas não eram suficientes e, então, o governo baixou a decisão Nº 577. Na prática, ela determinava que fossem plantados arvoredos no país pelo sistema de mudas e em linha reta, começando de ambas as margens das nascentes dos rios. A medida foi aplicada imediatamente na Floresta da Tijuca com a designação do major Manuel Gomes Archer como responsável pela área. Logo após, Tomás Nogueira da Gama também foi nomeado como responsável pelas Paineiras.
“As histórias dizem que o major Archer e apenas 6 homens iniciaram a plantação das mudas. No entanto, para o tamanho daquela área isso seria impraticável. Acredita-se que, no mínimo, entre 20 e 30 homens começaram o trabalho sob o comando do major”, esclarece Ana Cristina. Ela diz que algumas estimativas apontam que o major teria plantado cerca de 100 mil mudas durante a sua administração. Segundo o Plano de Manejo, ele trabalhou por 13 anos com o reflorestamento. Além do major Archer, Ana Cristina cita que Tomás Nogueira da Gama teria sido o responsável pelo plantio de 120 mil mudas.

Cristo é um dos monumentos que atrai os 2 milhões 
de visitantes anuais do Parque Nacional da Tijuca

Os arquivos históricos do parque ressaltam que há uma carência de registros que deem a dimensão exata do quanto foi plantado por cada um desses agentes e qual o alcance real do reflorestamento executado. Os documentos históricos falam também que nos primeiros anos a mortalidade dos plantios variava entre 11% e 96%. Consta do Plano de Manejo que somente em 1869, com a coleta de sementes nas matas de Jacarepaguá e de Guaratiba, é que o reflorestamento passou a alcançar melhores resultados. Ana Cristina diz que foi ao longo do século XX que as ações se intensificaram e deram melhores resultados. O plantio de mudas também ajudou no enriquecimento da vegetação, auxiliando na formação das florestas secundárias (mata reposta com exemplares de espécies originais), que são maioria no parque. 
Até 2004, antes do parque ser ampliado, o tamanho da Floresta da Tijuca, segundo registro do Plano de Manejo, era de 1.600 hectares. Isso corresponde a 40% da área total que o parque possui hoje, que é de 3.953 hectares distribuídos entre a Floresta da Tijuca, a Serra da Carioca, a Pedra Bonita/Pedra da Gávea e Pretos Forros/Covanca. Ana Cristina adianta que um dos presentes do aniversário de 150 anos de reflorestamento que o parque irá receber será uma doação de uma família carioca (que pediu para não ser identificada) de alguns hectares nas áreas limítrofes do parque. "Infelizmente não podemos revelar os doadores, mas temos certeza que essa contribuição é mais uma ação que ajuda na preservação e no crescimento da Floresta da Tijuca", diz Ana.

Brasil, 16% do consumo de agrotóxicos no planeta, cresce quatro vezes acima da média mundial

  

“As empresas de agrotóxicos acionam "políticos" e ingressam com "ações judiciais" até para tentar proibir a publicação de nossas notas técnicas”, informa a gerente da Anvisa...

O mercado mundial de agrotóxicos é dominado por seis empresas transnacionais. Juntas, as empresas Syngenta, Bayer, Basf, Monsanto, Dow e Dupont detêm 68% de um mercado que movimenta cerca de US$ 48 bilhões por ano no mundo.
O Brasil representa hoje aproximadamente 16% do consumo de agrotóxicos no planeta. O crescimento do mercado brasileiro foi de 176% entre os anos de 2000 e 2008 —3,9 vezes acima da média mundial, que foi de 45,4% no mesmo período.

Os dados foram exibidos pelo professor Victor Pelaez, professor do Departamento de Economia da UFPR, durante o lançamento no Paraná da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, realizado na noite de terça-feira (31) no Teatro da Reitoria. 
Dezenas de entidades e movimentos sociais integram a campanha. Entre os objetivos está debater a fiscalização dos agrotóxicos, a contaminação do meio ambiente e os impactos na saúde dos trabalhadores e do conjunto da população. 
As maiores empresas de agrotóxicos controlam o mercado de sementes, montam um pacote tecnológico e controlam a produção de alimentos no mundo”, afirmou Pelaez. “O Brasil é hoje o maior mercado do mundo, com o maior ritmo de expansão.” 
Commodities como soja, algodão, milho, arroz e cana-de-açúcar estão entre as culturas que mais consomem agrotóxicos. “Quanto mais se produz, mais se consome [agrotóxicos]”, explicou Pelaez. 
O evento foi organizado pela Via Campesina, Coordenação dos Movimentos Sociais, Terra de Direitos e Coletivo Maio. Centenas de trabalhadores rurais sem-terra lotaram o Teatro da Reitoria da UFPR. 
Ações da Anvisa 
O professor da UFPR também abordou o processo de fiscalização do setor no Brasil. Segundo ele, enquanto a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tem apenas 77 funcionários que atuam na regulação de agrotóxicos, o órgão similar dos EUA, por exemplo, possui 150. As taxas cobradas pelo governo brasileiro também são muito mais baixas do que as do órgão norte-americano. 

“É uma pressão muito grande em cima dos órgãos fiscalizadores para aprovar novos registros de agrotóxicos, sob a alegação de que não aprovar seria agir contra a agricultura nacional”, diz Victor Pelaez. 

Gerente de Normatização e Avaliação da Anvisa, Letícia Rodrigues da Silva fez um histórico do processo de legislação sobre agrotóxicos no Brasil. Ela classifica a lei federal L7802, conhecida Lei dos Agrotóxicos, como “ainda hoje bastante avançada”...
Letícia relatou que um dos problemas enfrentados pela agência são projetos que periodicamente são apresentados no Congresso Nacional para retirar ou diminuir parte das atribuições do órgão. 
Em 2008, a Anvisa colocou 14 ingredientes ativos de agrotóxicos em reavaliação, alguns deles já proibidos em outros países. Desses 14, apenas seis tiveram o processo de reavaliação concluído. 
“As empresas acionam políticos e ingressam com ações judiciais até para tentar proibir a publicação de nossas notas técnicas”, informa a gerente da Anvisa. “É muito lento o processo entre a colocação de um produto no mercado, a percepção de danos à saúde e ao meio ambiente e a sua retirada do mercado.” 
Letícia Silva citou o exemplo dos organoclorados. Surgidos em 1939, apenas em 1962 uma pesquisadora norte-americana apontaria os danos provocados por eles. Dez anos depois, em 1972, foram proibidos nos EUA. No Brasil, a mesma medida seria tomada apenas em 1985. 
Em 2010, a Anvisa aplicou uma multa de R$ 2,4 milhões na empresa Milênia, filial de uma multinacional israelense, que alterou ilegalmente a composição de seus agrotóxicos. “Os produtos que a empresa fabricava eram diferentes do registrado, com uma toxidade muito maior do que ela havia informado à Anvisa”, explica a gerente. 
A Anvisa promove ainda outras ações de fiscalização, como o monitoramento de resíduos de agrotóxicos em produtos disponibilizados ao consumidor. Algumas das mais de mil amostras de alimentos coletadas em 2009 revelaram percentuais de contaminação com agrotóxicos não autorizados superiores a 80%. 
Exemplos de contaminação 
Um estudo recente elaborado pela UFMT no município de Lucas do Rio Verde apontou a presença de agrotóxicos na água de chuva, em amostras de ar coletadas dentro de escolas e também no leite materno. 
Há algumas semanas, pesquisadores de Ribeirão Preto também constataram resíduos de agrotóxicos na água do Aquífero Guarani. “E não há regulação que impeça a utilização de venenos em áreas de recarga, onde o aquífero está mais próximo da superfície”, critica Letícia. 
A gerente da Anvisa defendeu ainda uma maior mobilização social contra o uso de agrotóxicos. “Precisamos de controle social, a população deve dizer que não quer o leite materno, os alimentos e a água contaminados”, defendeu Letícia. “É direito de vocês produzir e consumir sem agrotóxicos, para garantir uma qualidade de vida.” 
Procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio das Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, Saint-Clair dos Santos apontou que a situação de Lucas do Rio Verde se repete em outros municípios do País. “Lucas do Rio Verde é igual a qualquer cidade do Paraná, também vamos encontrar nelas os mesmos índices se formos fazer essa avaliação.” 
Saint-Clair, que também coordena o Fórum Estadual de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, citou os casos de contaminação de produtores de fumo em cidades do interior do Paraná, entre elas São João do Triunfo. 
“A cidade como Curitiba é consumidora e não sabe o que acontece. Precisamos motivar a sociedade, divulgando os dados que mostram que as pessoas estão consumindo produtos contaminados. Do contrário, a realidade vai continuar sendo a mesma.” 
O procurador de Justiça também defendeu um maior financiamento para que laboratórios da UFPR, como, por exemplo, os das áreas de alimentos e de solos, possam contribuir com ações de fiscalização de agrotóxicos. “Esses laboratórios precisam estar a serviço da sociedade, e não das empresas.” 
Ao final do debate, as pessoas presentes manifestaram a defesa da agricultura agroecológica, sem o uso de agrotóxicos nem de sementes transgênicas. “Precisamos de áreas contínuas, livres de agrotóxicos, para garantir a produção sem transgênicos”, defendeu o pastor Werner Fuchs. 
“Essa mobilização é fundamental para mostrar que as soluções das transnacionais são falsas, servem ao lucro e não a sociedade”, avaliou o advogado Darci Frigo, da ONG Terra de Direitos.

ONU inaugura ações brasileiras para o Ano Internacional das Florestas


Em sequência ao Ano Internacional da Biodiversidade, celebrado no ano passado, a Assembleia Geral da ONU faz de 2011 o Ano Internacional das Florestas. Na última sexta-feira, 3 de junho, uma Conferência na capital paulista apresentou as ações que a ONU promove no Brasil em prol do ano comemorativo.
Elas cobrem 31% da área total do planeta, são lar de 60 milhões de pessoas, entre comunidades tradicionais e indígenas, e ainda sustentam diretamente outros 1,6 bilhão. No entanto, o uso inconsciente dos recursos florestais acaba com 13 milhões de hectares de florestas por ano no mundo. Com o objetivo de fomentar a consciência pública para os problemas que afetam grande parte das florestas do mundo e as pessoas que delas dependem, o Fórum das Nações Unidas sobre Florestas propõem atividades difusoras das informações sobre as florestas.
Um logotipo que simboliza a interdependência dos elementos da floresta, um site que agrega materiais informativos e pedagógicos sobre a importância da conservação (www.humanitare.org/florestas) , uma coleção de selos postais, concursos artísticos, cinematográficos e fotográficos, anúncios de interesse público e curtas-metragens e, como não poderia deixar de ser, a escolha de um porta-voz ou mensageiro das florestas: pessoas que ocupam lugares de liderança nas comunidades para atrair a atenção da mídia, dando maior visibilidade à causa das florestas.
Durante a Conferência, a jornalista Chris Flores, da Rede Record, foi nomeada, de surpresa, a embaixadora brasileira do Ano Internacional das Florestas. A diretora da Divisão das Nações Unidas para as Florestas e Chefe do Secretariado do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (UNFFF), Jan McAlpine, frisou a importância de aproximar as pessoas das florestas. Já o professor do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo, Dr. Paulo Nogueira Neto, foi um pouco além e lembrou a íntima ligação entre a destruição das florestas e o aquecimento global, a economia madeireira e, do outro lado, a intensidade e freqüência dos fenômenos atmosféricos, que também se deve às mudanças climáticas. “Precisamos plantar mais florestas”, concluiu.
Enquanto Nogueira Neto ousou tocar no polêmico conceito de florestas plantadas; Fernando Moreira, CEO do HSBC Seguros no Brasil, preferiu simplificar e bater naquela tecla gasta sobre tudo se originar da floresta, sem a qual não há humanidade. Parou por aí.
O público da conferência, repleto de ambientalistas, educadores e até sindicato dos petroleiros – que queria discutir sobre suas dificuldades em manter uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) – ficaram desejando mais. E foi nas rodas de conversa dos intervalos onde se pôde escutar grandes debates sobre o modelo de conservação da Costa Rica, a participação feminina na liderança de comunidades florestais, o rastreamento da cadeia produtiva e, finalmente, sobre as polêmicas do Código Florestal e do assassinato do casal extrativista no Pará.
No fim do dia, a inauguração de um festival de filmes florestais buscou sensibilizar o público em torno da questão que foi slogan do evento: “Florestas: tão perto ou tão longe?”. Antes dos filmes, entre cochichos se ouvia a resposta. “A pergunta está errada. Nós é que estamos longe ou perto.”
Fonte: Envolverde
Autor: Ana Carolina Amaral  

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