quinta-feira, 26 de abril de 2012

Plantas estrategistas contribuem para recuperação de solos degradados


  • Pesquisador do Instituto desenvolve trabalho com plantas que demonstram capacidade de melhorar solos de áreas prejudicadas pela ação do ser humano

Quando se fala da biodiversidade Amazônica logo vem à mente beleza, riqueza e números elevados que sugerem uma variedade grande de espécies. Entretanto toda essa riqueza não foi ainda explorada e por isso é necessário conhecer os recursos de biodiversidade da Amazônia que possam contribuir para o seu desenvolvimento.

É com esta finalidade que o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Luiz Augusto Gomes de Souza dedica sua carreira a estudar uma família de plantas extremamente diversificada e que na região amazônica é bastante numerosa, as Fabaceae, conhecidas também como leguminosas.


Copaíba

A necessidade de valorizar economicamente a biodiversidade é apoiada em pesquisas sobre os recursos da vegetação nos diferentes biomas amazônicos. “Neste cenário, um levantamento abrangente das espécies de Fabaceae nas matas primárias de terra firme, campinaranas, igapós e mesmo em áreas submetidas a alterações em nossa região, torna-se essencial para um aumento do conhecimento e das possibilidades de aproveitamento das espécies existentes nesta parte da Amazônia”, explica Souza.

Há uma grande variedade de hábitos de crescimento dentro da família botânica das leguminosas e as espécies variam de ervas anuais a árvores de grande porte. “O Brasil tem um estoque genético muito grande dessas espécies, como, por exemplo, copaíba, cumaru, jacarandá, visgueiro, macacaúba, mulungu etc, que são árvores de grande porte encontradas facilmente na floresta Amazônica”, acrescenta o pesquisador.


Cumaru

Trabalho desenvolvido por  Luiz Augusto do Inpa, com plantas da família Fabaceae, demonstra a capacidade das mesmas de melhorar solos de áreas prejudicadas pela ação do ser humano.

Há uma grande variedade de hábitos de crescimento dentro da família botânica das leguminosas e as espécies variam de ervas anuais a árvores de grande porte.


Macacaúba

Plantas estrategistas

Classificadas como plantas estrategistas, as Fabaceae, contribuem para a melhoria dos solos em áreas degradadas ou mesmo em práticas relacionadas com a agricultura sustentável. Uma das particularidades de muitas espécies que compõem essa família de plantas é a capacidade de captação do nitrogênio atmosférico através da associação com bactérias do solo (conhecidas como rizóbios).

“Isto se torna possível, porque através desta associação, há a formação nas raízes das plantas, de estruturas benéficas chamadas de nódulos radiculares, onde ocorre a fixação do nitrogênio, acontecendo então uma das mais perfeitas e práticas relações ecológicas identificadas entre os vegetais e os microrganismos”, esclarece Luiz Souza.


Mulungo

No processo da fixação de nitrogênio (passagem deste elemento da forma gasosa para a estrutura dos compostos orgânicos do interior da planta), a leguminosa alimenta a bactéria com produtos da fotossíntese e a bactéria é responsável pela assimilação do nitrogênio que está na atmosfera tornando-o disponível para o desenvolvimento da planta, onde o nitrogênio está presente principalmente nas folhas e, desta forma, entra no solo e nos sistemas de produção agrícola.

Para o pesquisador, apesar da região amazônica possuir “uma mata exuberante”, as áreas de terra firme apresentam problemas relacionados ao solo, pois muitas vezes estes são ácidos ou arenosos e podem ter níveis excessivos de alumínio trocável, o que compromete a fertilidade, em decorrência da baixa capacidade de retenção de nutrientes ou mesmo pela presença de elementos tóxicos.


Visgueiro

Estudos associados

Para conhecer mais sobre as potencialidades da biodiversidade e dos recursos naturais da região Amazônica, Souza realiza dentro do projeto CTPetro Amazônia estudos agronômicos e silviculturais com as leguminosas da Bacia Petrolífera de Urucu, município de Coari (AM), com o intuito de identificar entre as espécies presentes naqueles ambientes, quais são as mais aptas para um plantio mais intensivo e que podem contribuir para a recuperação de áreas alteradas.

Nos trabalhos já realizados na área foram identificadas 80 espécies de leguminosas, sendo 51 árvores, 17 lianas, seis arbustos e seis ervas. Assim, a elevada biodiversidade vegetal da área, sugere um melhor aproveitamento do potencial econômico e ecológico das espécies como área de coleta de sementes para pesquisa, reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.


Jacarandá

“As diferentes espécies de Fabaceae podem ser úteis e aproveitadas nos agroecossistemas para produção de madeira e seus subprodutos e também como plantas que podem oferecer serviços aos sistemas de produção pelo cultivo para adubação verde, sombreamento, sistemas agroflorestais, cobertura do solo, controle de erosão, etc., contribuindo com o incremento e sustentabilidade em nitrogênio nos sistemas em que são consorciadas”, exemplifica Souza, que acrescenta ainda que o avanço dessas pesquisas podem “indicar as melhores espécies para cultivo, contribuindo para a conservação e preservação dos recursos de biodiversidade existentes naquelas áreas”.

Inpa/MCTI

Dilma poderá vetar parte do Código Florestal, diz Ideli Salvatti


A ministra da secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, sinalizou nesta quinta que a presidente Dilma Rousseff poderá vetar parte do Código Florestal, projeto aprovado ontem à noite pela Câmara dos Deputados. Ideli afirmou que pontos que se referirem à anistia a desmatadores ou que prejudiquem os pequenos agricultores não terão apoio do governo.

"(Tenho a) convicção de que aquilo que representar anistia não terá apoio, não terá respaldo do governo", disse a ministra, que esteve no gabinete do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), onde, na presença de artistas, recebeu o relatório final da CPI do Ecad. "Qualquer questão que possa ser interpretada ou na prática signifique anistia, eu acredito que isto tem grandes chances de sofrer o veto".

Ideli disse lamentar o fato de os deputados não terem mantido o projeto aprovado anteriormente pelos senadores. "Nós temos a convicção de que aquilo que saiu do Senado daria uma tranquilidade maior. Como não foi isso que prevaleceu na votação da Câmara, vamos ter que aguardar a decisão da presidenta", afirmou.

Na entrevista, a ministra avaliou que não houve falha da articulação política durante a discussão do projeto. Ela disse ter realizado muitas reuniões no seu gabinete, tendo feito apelo aos líderes partidários sobre o que o governo considerava o mais adequado a ser aprovado.

Ideli disse que antes do final de maio sairá uma decisão sobre eventual veto. Por lei, a presidente tem 15 dias, a partir da data da chegada oficial do texto ao Executivo, para avaliar se derruba ou não o projeto ou parte dele.

Agência Estado

Survival International lança nova campanha pela sobrevivência dos Awá-Guajá


Cena que abre o vídeo da Campanha pela sobrevivência dos Awá-Guajá


  • Lançada nesta quarta-feira, 25, a campanha denuncia a violência a qual os Awá-Guajá estão expostos na Amazônia maranhense.

Com o objetivo de salvar “a tribo mais ameaçada do mundo”, a campanha internacional tem como carro-chefe um curta-metragem, acompanhado de um website com detalhes sobre o desmatamento da TI Awá por invasores não indígenas, além de fotografias e depoimentos exclusivos dos próprios Awá-Guajá. Com apoio do ator inglês Colin Firth, a mobilização pede a intervenção do Ministério da Justiça para a expulsão derradeira dos invasores do território tradicional desse povo indígena.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, principal interlocutor da campanha, já se pronunciou sobre o assunto, sem, contudo, indicar quais providências tomará sobre o caso. Conforme informações divulgadas pelo portal UOL, Cardozo afirmou no dia 24/4 que é impossível evitar situações de violência contra os povos indígenas por conta da “imensidão do território brasileiro”.

A ocupação ilegal e permanente nas Terras Indígenas que compõem o território awá-guajá – as TIs Awá, Alto Turiaçu, Caru – não é novidade. A nova campanha da Survival International chama a atenção sobre uma situação grave, há muito conhecida e denunciada.

Em agosto de 2011, um grupo de pesquisadores, vinculados a ONGs e instituições de pesquisa nacionais e internacionais, encaminhou uma carta à presidente Dilma Rousseff cobrando providências que evitassem a extinção do povo Awá-Guajá no Maranhão. Entre elas, estava o pedido de criação, em caráter de urgência, de uma força-tarefa interministerial, que desse consequência a ações imediatas para proteger os Awá e suas florestas. Leia a cronologia sobre os Awá apresentada à presidência da República.

A TI Awá sofre também o impacto de obras de infraestrutura e está na área de influência da estrada de ferro Carajás (Companhia Vale do Rio Doce), de 892 km, cuja duplicação foi iniciada em meados de 2011.

Há também evidências de três grupos awá-guajá isolados na Ti Araribóia - de usufruto dos índios Guajajara -que somam 60 indígenas gravemente ameaçados pelos invasores.

Histórico das pressões

Desde 1985, quando foi identificada pela Funai, a TI Awá passou por diferentes delimitações. O reconhecimento teve início na década de 1980, mas ficou parado por conta da forte oposição de fazendeiros, madeireiros e posseiros que ocupam a área desde a década de 1950.

Já em 1994 um equipe de trabalho da Funai havia tentado iniciar a demarcação física da TI Awá, mas foi impedida de continuar por moradores da região. Só em 2002 o processo de demarcação pode ser retomado tendo sido finalizado em 2003.

Em 2002 o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública pela demarcação da terra. A sentença da ação, proferida em 2009 – após o decreto de homologação da TI, de 2005 –, determinou a nulidade e a extinção dos atos que tenham possibilitado a ocupação de terras no interior da TI Awá, incluindo aqueles praticados pela empresa Agropecuária Alto Turiaçu – que reivindicava judicialmente a posse de 37 980 hectares situados na terra Awá. A sentença, que determinava também a retirada dos posseiros e das instalações da Agropecuária Alto Turiaçu, contudo foi suspensa no mesmo ano pelo presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª região, Jirair Aram Meguerian, a pedido da prefeitura do município de Zé Doca (MA).

Os recursos dessa decisão foram julgados pela Sexta Turma do TRF da 1ª região em 9 de dezembro de 2011, que determinou, por unanimidade, que a União e a Funai, no prazo de um ano, deveriam promover o registro em cartório da TI, além da remoção de todos os ocupantes não indígenas e suas edificações, negando provimento à apelação da Agropecuária Alto Turiaçu. O acórdão da decisão foi publicado em 7 de março no Diário da Justiça.

Cenário desolador

Segundo informações do antropólogo Uirá Felippe Garcia, publicadas no livro Povos Indígenas no Brasil 2006-2010, além da TI Awá, as áreas Alto Turiaçu e Caru (homologadas em 1982) e a Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi, estão ocupadas por fazendas de gado, carvoarias, lavouras ilegais e madeireiros.

O assédio dos madeireiros às TIs no Maranhão aumentou justamente a partir 2008, quando o Ibama intensificou a repressão ao desmatamento no Pará. Na Terra Indígena Awá, a porcentagem de desmatamento da cobertura vegetal é de 31,19%. O desmatamento cresceu principalmente entre 2008 e 2009: em apenas um ano, a área desmatada foi de 17 para 6216 hectares. Também na TI Araribóia o desmatamento cresce em ritmo vertiginoso. Como é possível verificar no gráfico abaixo, o período de 2007 a 2009 representa 56% do total desmatado em dez anos na terra.

Operações pontuais foram realizadas na área, como a Operação Arco de Fogo, de 2009, deflagrada em vários estados da Amazônia. Para Uirá Garcia, apesar de terem resultados momentâneos (como a apreensão de grandes quantidades de madeira extraídas das áreas e o fechamento de algumas serrarias), esses esforços acabam sendo ineficazes nas áreas awá-guajá, porque os madeireiros costumam retornar a elas logo que as operações terminam.

“Tanto os madeireiros que invadem a área para marcar e extrair madeira, quanto os posseiros, quase sempre são pessoas miseráveis e esquecidas; muitas vezes são eles os incriminados pelas autoridades quando encontrados nas TIs. A maior ameaça está em quem de fato está 'apertando o gatilho': o conjunto de empresários, fazendeiros, políticos locais e (agora) traficantes que aliciam tais trabalhadores, estimulando a invasão das áreas indígenas, e que jamais são autuados e punidos”, avalia o antropólogo.


Um pouco da cultura e filosofia de um povo do bem:

Programa Fantástico (Globo/2011)


‘Nós vivemos na profundeza da floresta e estamos encurralados conforme madeireiros avançam. Estamos sempre fugindo. Sem a floresta, não somos ninguém e não temos como sobreviver.’ (To’o Awá)

Bruno Fragoso, coordenador da Frente Etnoambiental da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato - CGIIRC - da FUNAI, em entrevista para Globo Fantástico, afirmou, “Os awá-guajá, no processo de aceleração de invasão em que se encontram, se não houver ação rápida e emergencial, o futuro desse povo é a extinção”. (Globo.com 2011)

Às Estrelas


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