sábado, 23 de junho de 2012

Edgar Morin, cacique Raoni e Marina Silva se unem para defender as florestas

Quando a fraternidade é real, os espíritos se confraternizam


Filósofo francês participou de debate organizado pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável ao lado do cacique Raoni e da ex-ministra Marina Silva

O filósofo francês Edgar Morin pediu a proteção dos povos e comunidades tradicionais, especialmente na Amazônia, durante o workshop “A Terra está inquieta”, organizada por professores do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília. “O humanismo reservado aos conquistadores não é humanismo. Tem que estar relacionado à diversidade de pessoas no mundo. Sem isso, é uma visão mutilada”, disse, em português.

“Todos os humanos formam uma comunidade de destino, uma Terra pátria, e nós somos filhos da Terra, de uma evolução biológica. Filhos do sol, porque sem os raios de sol não existe nenhuma possibilidade de vida. A humanidade é a diversidade de todas as culturas”, refletiu, endossando o coro do cacique Raoni, também presente à mesa de debate, ao lado de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente.

Uma das lideranças indígenas de maior notoriedade internacional, Raoni apelou diretamente à presidente Dilma Rousseff para proteger as florestas. “Os jovens têm que falar para a Dilma respeitar floresta, rio, terra, senão teremos muito frio, muito sol, pouca sombra, muito vento”, afirmou. Em seguida, Raoni divertiu a plateia ao revelar que tivera um dia cansativo e que terminaria sua fala. Já passava das 21h.

Mariana Silva defendeu diretrizes claras para o desenvolvimento sustentável, independentemente dos governos. “É preciso que a gente tenha uma ferramenta política. Sustentabilidade tem de ser cultural e o termo de referência é: energia limpa e segura, diminuição da intensidade do uso de materiais a partir dos quais produzimos os nossos bens. Não dá para ter a mesma quantidade de emissão de CO²”, exemplificou.


A ex-ministra afirmou que a humanidade vive múltiplas crises: econômica, social, ambiental e política. “Quando uma crise é constituída de múltiplas crises, é uma crise civilizatória. Não tem como ser enfrentada por uma pessoa, um partido, uma universidade, mas por uma humanidade. Em uma crise civilizatória, não há uma liderança, há várias”, pontuou.

Sobre o aspecto político da crise, Marina não poupou críticas ao novo Código Florestal. “É uma ética de circunstâncias, o poder pelo poder, o dinheiro pelo dinheiro. Estamos sacrificando recursos de milhares de anos por lucros de algumas décadas, quando destruímos a base legal que sustenta a proteção de nossa biodiversidade”, disparou.


Pedro Rafael Ferreira - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Especialistas propõem Declaração Universal dos Direitos da Natureza



"O bem viver diz que o melhor não é acumular mais, o melhor é viver melhor"
Constituição do Equador



A atual crise ambiental exige esforço e compromisso global de todos os povos. Partindo dessa avaliação, especialistas sugeriram a adoção de uma Declaração Universal dos Direitos da Natureza e até mesmo um Tribunal Internacional para julgar crimes ambientais. O tema foi discutido no workshop internacional A Terra está inquieta, parte da programação oficial da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, no dia 19 de junho de 2012.

Segundo a ministra do Patrimônio do Equador, Maria Fernanda Espinosa, para que haja transformação efetiva, é preciso mudar o sentido das denominações usadas pelos governos. "Temos que fazer uma mudança de linguagem. Não basta desenvolvimento, o mesmo de sempre, só que agora tingido de verde. Não basta economia, a mesma de sempre, mas agora tingida de verde. Não basta mudar os adjetivos das mesmas palavras de antes, temos que mudar os substantivos", analisou.

Para o senador chileno Guido Girardi, do Partido para a Democracia (PPD), é preciso pensar o planeta como um sistema vivo interdependente, que não exclua o ser humano. "Nós somos a natureza. Essa separação do homem em relação ao natural foi uma motivação religiosa", criticou.

BEM-VIVER

Maria Fernanda comentou sobre o conceito do bem-viver (buen vivir, em espanhol), incorporado à Constituição equatoriana de 2008, em contraposição à ideia de desenvolvimento. "A palavra desenvolvimento, com qualquer adjetivo, sempre estará fincada à noção de máximo lucro, consumo, interesse privado sobre o coletivo e desrespeito aos limites biofísicos da Terra. Essa mudança de substantivo implica mudanças de políticas públicas. O consumo não pode ser mais parâmetro de felicidade", completou.

"O Equador trouxe na sua Constituição a natureza como sujeito de direito. O bem viver diz que o melhor não é acumular mais, o melhor é viver melhor", comentou Rogério Portanova, professor de Direito naUniversidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O docente acredita na construção um direito planetário para preservação da natureza. "Há constatações científicas de que estamos chegando aos limites aceitáveis do planeta. A economia verde vai tratar os bens da natureza com bens de capital. A água terá um valor e quem consumir terá de pagar. O que os cientistas tem que dizer é que são bens comuns da humanidade", apontou.

DECLARAÇÃO

"Necessitamos de um pacto global para cuidar dos bens públicos globais. Esses bens necessitam de proteção especial", propôs a ministra do Patrimônio do Equador. Em seguida, Maria Fernanda comentou o esforço da diplomacia equatoriana em incluir no rascunho preparado pelos negociadores da Rio+20 alguma referência aos direitos da natureza, inclusive a instalação de um tribunal internacional para julgar delitos contra o meio ambiente. "Isso vai requerer um marco normativo que poderia ser uma Declaração Universal dos Direitos da Natureza", observou.

"O direito tem a responsabilidade e a obrigação de normatizar a vontade de fazer com que todos nós nos mantenhamos vivos", concordou Portanova, da UFSC. Ao comentar a atuação dos partidos políticos, o senador Girardi, do Chile, disse que é preciso superar o esquema "linear" de organização. "A natureza é um sistema, se organiza como em rede. Os jovens de hoje se organizam em rede, mas os partidos insistem na separação em núcleos. Também é preciso enfrentar essa crise de pensamento", finalizou.

FONTE

UnB Agência
Pedro Rafael Ferreira - Jornalista

A questão hidrelétrica no Brasil



                Réplica do gerador da usina de Marmelos, em Juiz de Fora, Minas Gerais


Um país que precisa de mais energia elétrica para crescer pode abrir mão da água como sua principal fonte de geração?

Itaipu é responsável por gerar 17% da energia consumida no Brasil. Durante sua construção, foram removidas mais de 40 mil pessoas e uma grande área foi alagada. Mas, hoje, a renda per capita da população de Foz do Iguaçu é 25% maior que a média nacional

Em 22 de agosto de 1889, a água do rio Paraibuna girou pela primeira vez uma das duas turbinas importadas dos Estados Unidos compradas para a usina de Marmelos, na cidade mineira de Juiz de Fora. Naquele dia, eram gerados os primeiros watts-hora (Wh) de energia hidrelétrica da América Latina. A usina foi construída pelo industrial mineiro Bernardo Mascarenhas, que, ao visitar a Exposição Universal de 1878, em Paris, decidiu construir uma tecelagem que seria abastecida com energia de origem hidráulica. Meses depois de inaugurada, a primeira hidrelétrica brasileira passou a fornecer eletricidade para manter acesas 180 lâmpadas da iluminação pública de Juiz de Fora, antes alimentada a gás.

Dos primeiros 250 quilowatts de potência na usina Marmelos aos atuais 84.736 megawatts (MW) de capacidade hidrelétrica instalada no Brasil passaram-se mais de 120 anos e, apesar dos avanços tecnológicos e do tamanho das novas usinas, gerar eletricidade da água continua sendo basicamente igual: a força contida na correnteza dos rios movimenta uma turbina acoplada a um gerador, que transforma energia mecânica em elétrica.


                Usina de Marmelos, a primeira hidrelétrica da América Latina, em Juiz de Fora, Minas Gerais

Mas nunca na história deste país as hidrelétricas causaram tanta polêmica como agora. O centro da atual discussão é a construção da usina de Belo Monte, no Pará, a ser erguida às margens do rio Xingu. A obra, cujo preço é estimado em 32 bilhões de reais, deverá ser a terceira maior hidrelétrica do mundo – atrás apenas das de Três Gargantas, na China, e Itaipu, no Brasil – e criou dois times que lutam em campos opostos. No grupo dos especialistas, dos analistas econômicos e do próprio governo, apenas grandes hidrelétricas serão capazes de fornecer energia limpa e barata em escala suficiente para satisfazer a demanda crescente por luz elétrica no país. No time dos ecologistas e dos ativistas sociais, os ganhos são bem menores em comparação ao rastro de destruição que elas deixam para o meio ambiente, para as populações indígenas e para as comunidades ribeirinhas. Entre os dois pontos de vista, há um fato e um dilema: o Brasil é o país com o maior potencial hidrelétrico do mundo, com mais de 260 mil megawatts já catalogados. Apenas um terço disso é explorado. A riqueza dos rios brasileiros para geração de eletricidade é uma bênção da natureza ou uma maldição, que nos acompanhará por todo o século 21?

Poucos países no mundo desfrutam de um sistema hídrico tão generoso quanto o nosso. Os livros escolares apontam que 55.455 quilômetros quadrados (do total de 8.514.876 quilômetros quadrados que compõem a área do território brasileiro) estão cobertos por água, distribuídos em rios, lagos e riachos. É a abundância de rios e quedas-d’água que produz o enorme potencial de energia hidráulica. Hoje, estão em operação mais de 180 grandes usinas, responsáveis por quase 70% da produção nacional de energia elétrica. Isso também faz do país o segundo maior produtor de energia hidrelétrica no mundo, com 12% da geração mundial, perdendo apenas da China. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, outros 73 projetos hidrelétricos estão em construção, incluindo as pequenas centrais. E mais 24 estão programados até 2020. A lista de projetos deve atender à crescente demanda. Estima-se que até aquele ano o consumo no Brasil deva atingir 730 mil gigawatts-hora (GWh) – 52% a mais do que consumimos em 2011.


A imensa necessidade de energia é explicada pela expectativa de fortalecimento da economia brasileira. Nos últimos cinco anos, o país cresceu em média 4% ao ano, o que nos posicionou como a sexta maior economia do planeta. Um dos aspectos mais visíveis desse bom momento foi a ascensão de mais de 30 milhões de brasileiros à chamada nova classe média. Os consumidores emergentes não hesitam em comprar televisores, geladeiras, freezers, computadores, celulares e toda a sorte de eletrodomésticos – e, com isso, aumentam o consumo de luz.

Até 2020, o Brasil terá de ampliar a capacidade de geração dos atuais 115 mil megawatts para 171 mil megawatts. Para cumprir essa meta, o governo federal aposta na expansão de diferentes matrizes de produção. A geração de energia nuclear, que, no passado, era o alvo preferencial dos ecologistas, deverá crescer 70% com a entrada em operação da usina Angra 3, prevista para 2016. Os investimentos também serão generosos na promissora alternativa eólica. Mas, mesmo com essa diversificação e o aumento de capacidade de outras fontes, mais da metade da expansão energética se dará por meio das grandes hidrelétricas. Serão acrescidos ao sistema mais 30 mil megawatts – potência suficiente para abastecer as regiões Norte e Nordeste juntas. Para pânico dos ambientalistas, quase toda a nova capacidade instalada deverá ocorrer na região amazônica.



por Fabiane Stefano
Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL

XTerra Brasil começou hoje em plena Floresta Amazônica





O percurso de Manaus do XTerra é considerado muito técnico e difícil


Sábado é dia de adrenalina. Hoje, dia 23 de junho, tem início a etapa brasileira do XTerra World Tour, em Manaus. A competição, que acontece em meio à Floresta Amazônica, leva os 40 melhores colocados do triathlon para a grande final mundial no circuito XTerra no Havaí, em outubro.

Os atletas enfrentam, a partir das 8h, o percurso de 1,5 quilômetro de natação, 30 quilômetros de mountain bike e mais nove quilômetros de corrida realizados na Base de Instrução 4 (BI-4) do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) do Exército Brasileiro. O local é destinado a qualificar militares como guerreiros da selva, aptos a cumprir missões em áreas mais inóspitas da Floresta Amazônica.


Entre os favoritos para a disputa estão a santista Luzia Bello, campeã das últimas três etapas do XTerra no Brasil este ano, em Natal, Ilhabela e Teresópolis, e Felipe Moletta, vice-campeão do XTerra Manaus em 2011.

Luzia busca o tricampeonato brasileiro de triathlon cross country e, sobretudo, a vaga para o mundial. “2012 vem sendo bom para mim. Resultados a gente não espera, corre atrás. O mais importante é estar sempre focada nos objetivos”, comenta.

E a etapa que estás prestes a encarar promete grandes emoções. “O circuito é bem técnico. Nadamos no rio, onde você não enxerga um palmo à sua frente e já começa a adrenalina. Depois, pedalamos por estradas e trilhas do ‘Quadrado Maldito’, bem difícil. Já na corrida, os primeiros cinco quilômetros são dentro de uma mata fechada, com muitos obstáculos naturais”, analisa a triatleta. “A natureza nesse local é incrível”.


O melhor brasileiro de 2011, Felipe Moletta, também garante um bom desempenho nesta edição, já que para este ano intensificou seus treinos de mountain bike. “Priorizei os treinos de bicicleta, pois Manaus tem um circuito muito difícil e técnico de mountain bike, com muitas subidas e tracks”, conta.

Além da tradicional competição de triathlon, o XTerra Manaus conta com uma corrida noturna em trilhas, nas distâncias de cinco e dez quilômetros, e também uma corrida infantil para as crianças começarem a se envolver no esporte. As duas provas serão realizadas na Praia de Ponta Negra.



Acompanhe a cobertura completa do XTerra este fim de semana no:



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