quarta-feira, 11 de junho de 2014

Onças vivem na copa das árvores durante cheia de rios, aponta estudo na Amazônia.



Comportamento inédito para grandes felinos é observado há uma semana na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Durante o período da cheia, as onças-pintadas (Panthera onca) permanecem em cima das árvores durante aproximadamente três meses do ano

Uma pesquisa do Instituto Mamirauá revela que nas florestas inundáveis da Amazônia as onças-pintadas (Panthera onca) permanecem na copa das árvores durante o período da cheia dos rios, que duram cerca de três meses. De acordo com o instituto, desde a semana passada, onças estão sendo avistadas diariamente na copa das árvores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas.

Segundo os pesquisadores, não há registros de que este tipo de comportamento ocorra em outras partes do mundo. “Esse é um comportamento inédito para grandes felinos, que precisam de grandes quantidades de alimento todos os dias para sobreviver e que até agora eram considerados terrestres”, afirmou o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho, responsável pelo Projeto Iauaretê, desenvolvido desde 2004 pelo Instituto Mamirauá, com o objetivo de estudar a ecologia e promover a conservação da onça-pintada na várzea Amazônica.


Em 2013, os pesquisadores já haviam avistado os espécimes nas árvores. “Achamos uma das nossas onças-pintadas encoleiradas com o seu filhote de seis meses vivendo numa árvore a 12 quilômetros de distância do solo seco mais próximo”, relatou Ramalho. “Isso implica que as onças-pintadas fêmeas estão vivendo nas árvores e nadando diariamente para outras árvores para conseguir caçar presas.”

Segundo o pesquisador, o comum seria que esses animais terrestres se deslocassem para áreas não inundadas. “Mas a Reserva Mamirauá é uma ilha, então uma espécie que vive aqui dentro, vai ter que necessariamente cruzar o rio Amazonas toda vez que encher, ou seja, não é a melhor ideia. A alternativa é subir muito bem em árvores.”

Também conhecida como jaguar, a onça-pintada é o terceiro maior felino do mundo, atrás do tigre e do leão. Ela tem mandíbulas tão fortes que suas mordidas podem quebrar até mesmo ossos e cascos de tartaruga – a mordida da onça-pintada é duas vezes mais poderosa do que a de um leão


Na opinião do pesquisador, a descoberta tem sérias implicações para a conservação da onça-pintada e levanta outras questões sobre o comportamento e a ecologia de grandes carnívoros. “As florestas de Várzea, que foram esquecidas em propostas de conservação para a onça-pintada no passado, são áreas extremamente importantes para esses animais porque abrigam um grande número de espécimes, são áreas de reprodução e também porque os animais que vivem nessa região da Amazônia tem uma ecologia única. Aumentar o número de áreas protegidas na várzea pode ser crucial para a sobrevivência das onças-pintadas na Amazônia”, afirmou.


Turismo científico

Com a comprovação científica de que as onças de Mamirauá permanecem na copa das árvores, a Pousada Flutuante Uacari, em parceria com a equipe de pesquisa do Projeto Iauaretê, iniciou a operacionalização de expedições científicas para turistas avistarem esses animais. O recurso será usado para gerar benefícios econômicos para as comunidades locais e para apoiar a continuidade do projeto de pesquisa com onças-pintadas visando reduzir o conflito entre onças e comunidades locais.

A Pousada Uacari é um projeto de turismo de base comunitária, cuja gestão é compartilhada entre o Instituto Mamirauá e comunidades da Reserva Mamirauá.

Sobre o instituto

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é uma organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Desenvolve suas atividades por meio de programas de pesquisa, manejo e assessoria técnica na região do Médio Solimões, estado do Amazonas.

Fonte:
Instituto Mamirauá
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Fósseis oceânicos contam história das mudanças climáticas


Microfósseis permitem avaliar a evolução dos oceanos

A evolução dos oceanos, em especial o Atlântico Sul, é um mistério que pouco a pouco vai sendo elucidado com a contribuição do Laboratório de Paleoceanografia do Atlântico Sul. Sediado no Instituto Oceanográfico (IO) da USP, o LaPAS, debruça-se sobre o passado que vai dos últimos 20 mil até 25 milhões de anos. O foco fica nas mudanças climáticas — os professores Felipe Antonio de Lima Toledo e Karen Badaraco Costa querem entender como elas afetaram os oceanos e, consequentemente, toda a vida no planeta Terra.

Os estudos são feitos com base em microfósseis marinhos coletados do fundo do oceano, em especial nanofósseis calcáreos de algas microscópicas e foraminíferos (organismo protozoários, que podem ser, tanto bentônicos — do fundo dos mares —, quanto planctônicos — da coluna de água), que secretam uma testa carbonática.

Os testemunhos — amostras de sedimento retiradas do fundo do mar com um cano de comprimento variável — podem trazer o registro de milhares ou milhões de anos. Por meio deles é possível analisar os fósseis dessa fauna marinha que, ao morrer, se precipita e sedimenta, sendo sobreposta, com a passagem do tempo, pelos fósseis dos organismos mais recentes. Destes fósseis se obtêm, além da classificação e da quantificação, os seus parâmetros químicos e geoquímicos, como o teor de carbono, os isótopos de oxigênio e os isótopos de carbono, além de outros elementos-traço. Assim se tem um indicativo das características químicas da água no período, uma vez que os elementos mantêm a mesma proporção. “É um retrato de como era a água naquele momento. E, assim, se consegue tirar disso, a paleotemperatura da água, a paleosalinidade da água, os compostos orgânicos, a quantidade de nutrientes”, explica a professora Karen.

As mudanças climáticas sofridas pelos oceanos, segundo a professora, são bem conhecidas pelos testemunhos de gelo da Antártida e da Groenlândia, que são registros climáticos importantes por serem globais. Apesar disso, os registros de sedimentos do Atlântico Sul, por estarem entre os dois polos do planeta, acrescentam mais informações ao estudo, indicando qual dos dois hemisférios estaria influenciando de forma mais determinante a área estudada.

Mil anos de inverno
Apresentado em 2013 à comunidade cientifica em Salamanca, na Espanha, um estudo do laboratório identificou sinais do imenso Vulcão Toba, que ocorreu há cerca de 70 mil anos e que teve fundamental importância na história evolutiva do ser humano. Localizado na região da Indonésia, o Toba interferiu no planeta inteiro justamente por estar localizado em uma zona de baixa latitude, permitindo a distribuição das cinzas pela atmosfera aos dois hemisférios — o que teria resultado em um inverno de cerca de mil anos no planeta.

Para se ter uma base de comparação do quão tenebroso pode ter sido este inverno, o professor Toledo citou o Vulcão Tambora, que explodiu em 1815, deixando em suspensão na atmosfera as suas cinzas e impedindo a entrada dos raios solares. O resultado foi um inverno de dois anos no planeta — este, por sua vez, bem relatado. “Da paleoceanografia, chegamos no vulcanismo, e, do vulcanismo, na história. Os livros Frankstein e Drácula foram escritos sob influência desse período frio. A Europa ficou sob cinzas, sem sol, as pessoas começaram a morrer de fome, a praticar canibalismo. Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, foi fundada por suíços, autorizados a virem para cá pelo Infante Dom João”.

Para chegar ao Vulcão Toba, Edmundo Camillo Júnior, pesquisador do LaPAS, explica que os organismos utilizam os isótopos 16 e 18 do oxigênio. Quando presentes na água em uma dada proporção, eles são incorporados pelos organismos na mesma razão. A incidência desses isótopos, entretanto, varia de acordo com a temperatura, e o registro dela é expresso na testa carbonática do organismo.

Por meio de análises, foi possível perceber uma discrepância entre os fósseis planctônicos e bentônicos, ficando a alteração muito marcada nos planctônicos. Além disso, a abundância das espécies de clima frio contribuiu para intrigar os pesquisadores que, ao confrontarem os resultados com o modelo de idade, perceberam a coincidência das datas.

Diante de tantas incógnitas, a pergunta que o cientista se faz é: “seria possível a um vulcão tão distante do Atlântico Sul interferir e impactar de tal forma as condições desse oceano?” Mais um mistério para, quem sabe, anos de pesquisa solucionarem.

agenusp@usp.br

Mata Atlântica perdeu 235 km² de vegetação em um ano



A Mata Atlântica perdeu 235 quilômetros quadrados (km²) de vegetação de 2012 para 2013, o que representa um aumento de 9% no ritmo da devastação em relação ao último período avaliado (2011-2012), de acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica, em parceria com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado hoje (27). A área equivale a 24 mil campos de futebol. Esta é a nona edição do estudo.

“A Mata Atlântica é um patrimônio nacional, um bioma extremamente ameaçado, porque uma parte da população brasileira vive nessa área e depende de seus recursos, então o esforço e a participação da sociedade são importantes para que preservemos essas florestas e tenhamos a garantia de serviços ambientais que beneficiam boa parte da população brasileira”, disse a diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica e coordenadora do atlas, Marcia Hirota.

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos em biodiversidade, com até 60% de suas espécies existindo apenas nessa área. Segundo a SOS Mata Atlântica, a taxa anual de desmatamento registrada neste período é a maior desde 2008, quando foi apontada a perda de 343,1 km² de floresta. Entre 2008 e 2010 a taxa média anual de destruição foi de 151,8 km². Atualmente, restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 hectares. Somados todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 hectares, restam 12,5% da área original do bioma, que tinha 1,3 milhão de km² quando o Brasil foi descoberto.

Ao todo, 17 Estados são abrangidos oficialmente pela Mata Atlântica, e, pelo quinto ano seguido, Minas Gerais foi um dos estados que mais destruíram o bioma, com perda de 84,3 km² de floresta. “Nas edições anteriores, Minas Gerais ocupou o segundo lugar, então o estado sempre esteve no topo do desmatamento da Mata Atlântica. Desde os últimos anos temos feito alertas tanto ao governo do Estado quanto aos diferentes setores para que possamos tirar Minas Gerais do topo da lista, porque é o estado que possui maior área de floresta preservada”.

O Piauí aparece em seguida no ranking do desmatamento no período, com menos 66,3 km² de floresta. A Bahia foi o terceiro estado que mais desmatou, com 47,7 km² a menos de vegetação no intervalo avaliado. Em São Paulo, houve queda de 51% no desmate na comparação com o último período. Mesmo assim, o estudo mostra que quase 1 km² de floresta desapareceu entre 2012 e 2013. Nesse período, o Rio de Janeiro registrou perda de 0,1 km².

O pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo Inpe, Flávio Jorge Ponzoni, explicou que o objetivo do atlas é fazer um diagnóstico e não o trabalho de fiscal ou de polícia. “Fazemos um mapeamento global do bioma como um todo. Antes fazíamos a atualização de cinco em cinco anos, depois passamos a fazer a cada dois anos e agora anualmente. Isso torna o Atlas mais eficaz na identificação de áreas desflorestadas”.

O diretor de Políticas Públicas da ONG, Mario Mantovani, ressaltou que há exatos 26 anos a Mata Atlântica foi incluída na Constituição como o único bioma que tem uma regulamentação. Entretanto, continua sofrendo pressão do desmatamento.

Segundo Mantovani, há uma contradição entre o cumprimento da lei federal e o crescimento do desmatamento em Minas Gerais e no Piauí porque esses estados não reconhecem a Mata Atlântica como área a ser preservada. “Outro ponto que percebemos foi a expansão urbana. Mas conseguimos uma forma de mobilização prevista na lei, que são os planos municipais. Se o município fizer sua regularização pode identificar como usar cada área”, disse.

Agência Brasil

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