quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Feira na UnB mostra níveis de agrotóxicos nos alimentos


Mariana Fernandes se disse chocada ao ver a exposição Feirinha dos envenenados de cada dia, no Ceubinho, na Universidade de Brasília (UnB). Como toda feira, frutas, verduras e legumes estão expostos, mas ao invés do preço ao lado, as taxas de contaminação por agrotóxico tomam seu lugar. "Estou pasma de saber que eu ingiro veneno junto ao alimento. É preocupante eu comer e não saber de nada disso", afirmou a estudante do 5º semestre de História.

O diretor do documentário O veneno está na mesa, Sílvio Tendler, conta que a aluna não é a única a desconhecer os dados. "O assunto era apenas papo de bicho-grilo. Depois que a grande mídia começou a perceber que também era vítima da política generalizada de esvaziar a importância do problema, ela começou a tratar do assunto de uma maneira pública. Daí a questão se agravou porque depois que chega à grande mídia, fica difícil controlar a informação". Para o diretor, as pessoas não sabem a importância do mal que o veneno faz.


De acordo com Sílvio Tendler, é bem difícil estabelecer quais são os efeitos dos agrotóxicos para os consumidores porque há uma mistura tão grande desses venenos que as pessoas se tornam vulneráveis. Mas ele afirma que o crescimento da incidência de algumas doenças como o mal de Alzheimer e o câncer indicam uma relação com a contaminação da comida. Embora não haja provas científicas, muitos especialistas defendem que essa relação exista. "Acho que não vale a pena pagar para ver", diz Silvio.

A feira faz parte do seminário Crise do Capital, Chagas da Terra e Luta dos Povos pela Vida, organizado pelo Núcleo de Pesquisa sobre Poder Local, Políticas Urbanas e Serviço Social e pelo Núcleo de Estudos Cubanos.

Ração sem óleo de soja nutre e reforça imunologia de Pacus



Imunologia do pacu responde melhor com ração recoberta por óleo de girassol

Testes realizados na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, com peixes da espécie Pacu (Piaractus mesopotamicus) mostraram que o óleo de girassol é o melhor substituto ao óleo de soja, ingrediente comum na formulação de rações para peixes. Outros dois tipos de gordura foram avaliados: o óleo de linhaça e o sebo bovino (gordura saturada). O objetivo foi encontrar uma dieta adequada que permitisse ganho de massa e maior resistência ao sistema imunológico dos peixes, reduzindo a necessidade de tratamentos quimioterápicos.

A engenheira de pesca Thyssia Bonfim Araújo da Silva explica que a quimioterapia é utilizada nos pacus para combater bactérias e outros microorganismos patogênicos. Em criadouros, a alta quantidade de peixes por metro cúbico (m3) e a intensa manipulação geram estresse para os animais e diminuição do funcionamento do sistema imunológico, o que leva à administração de substâncias quimioterápicas. “Mas, o uso intenso deste tipo de tratamento provoca aumento de resistência dos microorganismos”, descreve Thyssia. A rusticidade do pacu, o bom ganho de massa e seu valor comercial levaram ao aumento de 336% da produção comercial, de 2003 a 2009.

Separados em grupos de 15 peixes, em 68 unidades experimentais (aquários), os pacus receberam 17 dietas diferentes durante 85 dias. Thyssia diz que, com base em estudos já realizados com espécies de peixe de água salgada não nativas no Brasil, desenvolveu uma ração basal (sem a inclusão de qualquer tipo de óleo). Em cada dieta promoveu a substituição gradual do óleo de soja por uma das três gorduras, em cinco níveis diferentes que variaram de 20% a 100% . A pesquisadora exemplifica que se a ração fosse recoberta por 20% de óleo de linhaça,haveria 80% de óleo de soja; e se houvesse 40% de girassol, 60% seriam de soja. O último nível das dietas era a retirada integral do óleo de soja e 100% de uma das três gordduras. Para a analise, os dados foram ainda comparados com dois grupos de tratamento-controle, um à base de uma ração comercial e outro apenas com óleo de soja.

Óleo de girassol, de linhaça ou sebo?
A avaliação dos resultados buscou dados que representassem a produtividade (ganho de massa) e a imunologia (células de defesa do organismo ou leucocitárias e desafio bacteriano). No caso de substituição de 80% do óleo de soja por óleo de girassol, após os 85 dias de experimento, houve um ganho de 67 gramas (g) em massa. Enquanto nos grupos-controle, a massa ganha foi de 41g, para a ração comercial e de 39g para a ração com 100% de óleo de soja. Já em relação à imunologia, as células leucocitárias aumentaram em aproximadamente 90% dos animais, o que significa dizer que houve menor índice de mortandade. A engenheira diz que os resultados sobre nutrição e sanidade são ótimos e que podem melhorar a produção de quem cria o Pacu, entretanto, ainda falta pesquisa quanto à viabilidade econômica, uma vez que o óleo de girassol é mais caro.

Na análise dos resultados do óleo de linhaça (ácido graxo rico em ômega 3 e que atua na produção de substâncias antiinflamatórias contra algumas alergias e na diminuição de colesterol ruim) a massa ganha com a substituição de 20% do óleo de soja pelo de linhaça foi também de 67g. Porém a resposta à ação de agentes patogênicos foi baixa.

Das três, a gordura que se demonstrou mais prejudicial foi o sebo bovino. A engenheira conta que “há um ganho de produtividade devido ao aumento da massa, porém este crescimento é falso. Pois enquanto nos outros dois casos há a reversão da gordura em músculos, no caso do sebo, a gordura permanece gordura. Isto é extremamente prejudicial à saúde do animal, pois limita o sistema imunológico. Em algumas das dietas com a gordura bovina, houve inclusive uma mortandade elevada. Morreram de 80% a 100% dos pacus presentes na unidade experimental.”

A dissertação Fontes de lipídios dietéticos e desempenho imunológico do pacu Piaractus mesopotamicus foi defendida, em 2011, na Esalq, e orientada pelo professor José Eurico Possebon Cyrino.


Mais informações: email bomfimthyssia@usp.br





FONTE

Agência USP de Notícias
Sandra O. Monteiro - Jornalista
Telefone: (11) 3091-4411
E-mail: agenusp@usp.br

USP - Corte de madeira tira valor produtivo de floresta na Amazônia



Ciclos de corte devem ser adequados à espécies ou grupos de espécies

Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, pesquisa avalia o impacto da coleta de madeira no valor produtivo futuro de uma área de floresta na Amazônia. Os resultados do trabalho mostram que as espécies com maior interesse comercial não conseguem repor o volume retirado dentro do ciclo de corte estabelecido pela lei (30 anos), o que reduz seu valor mesmo com a adoção de práticas de manejo com baixo impacto ambiental.

A pesquisa analisou a sustentabilidade da produção de madeira na Amazônia Oriental. “No local são realizadas medições da mortalidade das árvores e de seu crescimento após o manejo”, afirma o professor da Esalq, Edson Vidal, que estuda a região desde 1993. A área avaliada, localizada no município de Paragominas (Pará), possui 200 hectares de extensão, divididos em setores de exploração com impacto reduzido por melhores práticas de manejo florestal (100 hectares), exploração predatória (70 hectares) e uma área testemunha, com a floresta original preservada (30 hectares).

Dentro do sistema de exploração com impacto reduzido é realizado um inventário das espécies de maior valor comercial. “Em seguida, a retirada da madeira é planejada da melhor forma possível, o que inclui estradas, ramais de arraste, estocagem e corte de cipós para reduzir danos”, conta o professor. São retiradas de três a cinco árvores adultas por hectare, com mais de 50 centímetros de diâmetro. “A exploração predatória não tem planejamento, torna a área mais receptiva a incêndios e com maior incidência de ventos, enquanto o setor preservado se manteve intacto”.

A partir dos dados coletados na floresta, a pesquisa estimou se a recuperação das espécies conseguiria acompanhar o ciclo de corte estabelecido pela legislação, que é de 30 anos. “As espécies de maior valor, que possuem poucos exemplares, tem um ciclo de crescimento mais lento, e podem não conseguir recuperar todo o volume que foi retirado no prazo previsto pela lei, não conseguindo manter em consequência seu valor produtivo”, ressalta Vidal. Entre essas espécies estão o ipê roxo (Tabebuia impetiginosa), jatobá (Hymenaea courbaril), freijó cinza (Cordia goeldiana) e o cedro vermelho (Cedrela odorata).

Manejo
Durante o ciclo de corte, espécies com menor valor comercial que tem crescimento mais rápido, também chamadas de pioneiras, acabam por tomar o lugar das árvores mais valorizadas, empobrecendo a floresta. “Esse deslocamento pode desencadear uma pressão pela concessão de novas áreas de manejo, além de estimular o corte ilegal”, alerta o professor. Algumas das espécies com menos valor são a sumaúma (Ceiba pentandra), o paricá (Schizolobium amazonicum) e a copaíba (Copaifera sp).

Para evitar que o manejo sustentável da floresta perca valor, a pesquisa sugere que os ciclos de corte sejam alongados. “Assim seria possível criar condições para que as espécies com poucos exemplares consigam se recuperar adequadamente”, afirma Vidal.

O professor da Esalq observa que o Brasil vem realizando um programa ambicioso de concessão florestal na Amazônia e a exploração sustentável vem se mostrando rentável devido a madeira disponível no primeiro ciclo de corte, algo que não permanecerá nos futuros ciclos “Para assegurar o valor produtivo da floresta, é preciso além da adoção de práticas de manejo com menor impacto, adequar os ciclos de corte por espécies ou grupos de espécies e, consequentemente, a legislação”, aponta.

Os resultados das pesquisas na Amazônia estão reunidos em um artigo a ser publicado na revista europeia Land Use Policy. Os estudos tiveram a colaboração de pesquisadores das Universidades da Florida e do Oregon (Estados Unidos) e do Instituto Floresta Tropical, sediado em Belém (Pará).

Mais informações: email edson.vidal@usp.br , com o professor Edson Vidal

Combustíveis fósseis dão mais prejuízo que lucro, atesta Paul Krugman (Nobel de economia)


Um artigo publicado pelos economistas Nicholas Z. Muller, Robert Mendelsohn e William Nordhaus no American Economic Review avaliou os custos que a poluição da indústria dos combustíveis fósseis causa à economia norte-americana e concluiu que ela gera mais danos que benefício às finanças do país.

Para chegar a essa conclusão, os autores estimaram os custos impostos à sociedade pela poluição do ar e os alocou em diversos setores. Foram calculados impactos mensuráveis da poluição na saúde e produtividade, e transformados, através de dados sobre mortalidade e morbidade, em dólares.

Os resultados mostraram que os custos da poluição são altos e se concentram em alguns ramos específicos. Algumas indústrias, inclusive, causam mais danos na forma da poluição do ar do agregam valor em preços de mercado.

O texto analisa as consequências físicas e econômicas das emissões dos seis maiores poluidores: dióxido de enxofre, óxidos de azoto, compostos orgânicos voláteis, amônia, partículas finas e partículas grossas. Foram analisadas 10 mil fontes de poluição em todos os Estados Unidos.

O documento, publicado no início de agosto, aponta que os “danos externos brutos” causados pela poluição são maiores do que o valor agregado pelas indústrias de setores como usinas de carvão e petróleo, combustão de resíduos sólidos, tratamento de esgotos, pedreiras e marinas.

A pior avaliação por parte dos economistas é a do carvão que, segundo o artigo, gera um prejuízo de US$56 bilhões por ano aos cofres norte-americanos. A avaliação não inclui fatores como mudanças climáticas e utiliza uma estimativa conservadora quanto aos riscos para a saúde.

Segundo os autores, os danos causados pelo carvão são de 0.8 a 5.6 vezes maior que o estipulado e corresponde a um quarto de todos os danos externos brutos da economia norte-americana. Os outros três setores mais danosos à economia são produção agrícola, com US$ 15 bilhões/ano, a produção de gado, com US$ 15 bilhões/ano, e construção de estradas e pontes, com US$ 13 bilhões/ano.

Dessa forma, em vez de ser uma energia barata e acessível, o estudo mostra que a fonte energética é provavelmente uma das mais caras. Apesar disso, os autores lembram que isso não significa que ela deva ser abandonada imediatamente, e sim que é preciso que todos compreendam estão pagando pouco pela eletricidade gerada através do carvão pois o preço que eles pagam não leva em conta os custos externos associados à sua geração.

Reforço

O assunto ganhou ainda mais repercussão quando o economista e prêmio Nobel de economia em 2008, Paul Krugman, comentou sobre o assunto em sua coluna no jornal The New York Times. Segundo o colunista, externalidades como a poluição é uma das falhas mais clássicas do mercado e deve ser corrigida através da negociação de impostos e licenças de emissões.

“E o que Muller e companhia fizeram foi colocar números nessa proposição básica – e os números se mostraram bem grandes”, diz. “Então se você realmente acredita na lógica do mercado livre, você seria totalmente a favor de impostos sobre poluição, certo?”, questiona.

Krugman lembra ainda que a direita norte-americana não acredita em externalidades ou em corrigir falhas de mercado. “Ela acredita que não existem falhas de mercado, que o capitalismo desregulado é sempre certo. Diante de evidências de que os preços de mercado são, de fato, errados, eles simplesmente atacam a ciência”, opina o vencedor do Nobel.

Com isso, Krugman diz que o debate atual não é mais sobre economia, suas operações e funcionalidades – e sim sobre a defesa dos ricos contra todo o resto e sobre “a fé mística de que o interesse próprio levará sempre ao bem comum. E isso está errado em cada uma de nossas respirações”.

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