quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Combustíveis fósseis dão mais prejuízo que lucro, atesta Paul Krugman (Nobel de economia)


Um artigo publicado pelos economistas Nicholas Z. Muller, Robert Mendelsohn e William Nordhaus no American Economic Review avaliou os custos que a poluição da indústria dos combustíveis fósseis causa à economia norte-americana e concluiu que ela gera mais danos que benefício às finanças do país.

Para chegar a essa conclusão, os autores estimaram os custos impostos à sociedade pela poluição do ar e os alocou em diversos setores. Foram calculados impactos mensuráveis da poluição na saúde e produtividade, e transformados, através de dados sobre mortalidade e morbidade, em dólares.

Os resultados mostraram que os custos da poluição são altos e se concentram em alguns ramos específicos. Algumas indústrias, inclusive, causam mais danos na forma da poluição do ar do agregam valor em preços de mercado.

O texto analisa as consequências físicas e econômicas das emissões dos seis maiores poluidores: dióxido de enxofre, óxidos de azoto, compostos orgânicos voláteis, amônia, partículas finas e partículas grossas. Foram analisadas 10 mil fontes de poluição em todos os Estados Unidos.

O documento, publicado no início de agosto, aponta que os “danos externos brutos” causados pela poluição são maiores do que o valor agregado pelas indústrias de setores como usinas de carvão e petróleo, combustão de resíduos sólidos, tratamento de esgotos, pedreiras e marinas.

A pior avaliação por parte dos economistas é a do carvão que, segundo o artigo, gera um prejuízo de US$56 bilhões por ano aos cofres norte-americanos. A avaliação não inclui fatores como mudanças climáticas e utiliza uma estimativa conservadora quanto aos riscos para a saúde.

Segundo os autores, os danos causados pelo carvão são de 0.8 a 5.6 vezes maior que o estipulado e corresponde a um quarto de todos os danos externos brutos da economia norte-americana. Os outros três setores mais danosos à economia são produção agrícola, com US$ 15 bilhões/ano, a produção de gado, com US$ 15 bilhões/ano, e construção de estradas e pontes, com US$ 13 bilhões/ano.

Dessa forma, em vez de ser uma energia barata e acessível, o estudo mostra que a fonte energética é provavelmente uma das mais caras. Apesar disso, os autores lembram que isso não significa que ela deva ser abandonada imediatamente, e sim que é preciso que todos compreendam estão pagando pouco pela eletricidade gerada através do carvão pois o preço que eles pagam não leva em conta os custos externos associados à sua geração.

Reforço

O assunto ganhou ainda mais repercussão quando o economista e prêmio Nobel de economia em 2008, Paul Krugman, comentou sobre o assunto em sua coluna no jornal The New York Times. Segundo o colunista, externalidades como a poluição é uma das falhas mais clássicas do mercado e deve ser corrigida através da negociação de impostos e licenças de emissões.

“E o que Muller e companhia fizeram foi colocar números nessa proposição básica – e os números se mostraram bem grandes”, diz. “Então se você realmente acredita na lógica do mercado livre, você seria totalmente a favor de impostos sobre poluição, certo?”, questiona.

Krugman lembra ainda que a direita norte-americana não acredita em externalidades ou em corrigir falhas de mercado. “Ela acredita que não existem falhas de mercado, que o capitalismo desregulado é sempre certo. Diante de evidências de que os preços de mercado são, de fato, errados, eles simplesmente atacam a ciência”, opina o vencedor do Nobel.

Com isso, Krugman diz que o debate atual não é mais sobre economia, suas operações e funcionalidades – e sim sobre a defesa dos ricos contra todo o resto e sobre “a fé mística de que o interesse próprio levará sempre ao bem comum. E isso está errado em cada uma de nossas respirações”.

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