sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A dança das olivas

Noites escuras, permeadas por ventos fortes e marés cheias, podem esconder um dos comportamentos mais incríveis e enigmáticos dentre as espécies de tartarugas marinhas.



Tartaruga oliva protegendo seu ninho

As praias cortadas por rastros e sinalizadas com estacas brancas, marcadoras de ninhos, pode não chamar atenção se você não for um observador curioso. Noites escuras, permeadas por ventos fortes e marés cheias, podem esconder um dos comportamentos mais incríveis e enigmáticos dentre as espécies de tartarugas marinhas: a desova da tartaruga oliva (Lepidochelys olivacea). Se tiver sorte e o privilégio de acompanhar esse momento, você vai se surpreender: as olivas sabem dançar.


Mesmo sendo pequenas, as olivas depositam grande quantidade de ovos - cerca de 100 a cada postura - e completam a desova com muita rapidez. Depois elas dançam para cobrir o ninho. Sendo uma das menores e mais leves tartarugas marinhas do mundo (média de 42kg de peso e 73cm de comprimento de casco), na hora de fechar o ninho batem as laterais da carapaça para garantir a compactação da areia e a proteção dos ovos. E assim que a dança acaba, voltam logo, com pressa, para o mar. As outras espécies, que são maiores e mais pesadas, não precisam desse recurso, pois o próprio peso sobre o ninho já garante a compactação da areia.


Se não for oliva e dançar durante a desova pode ser uma tartaruga suspeita de hibridismo. As análises laboratoriais comprovaram as observações registradas em campo: cerca de 30% das tartarugas cabeçudas (Caretta caretta) amostradas em Sergipe possuem herança genética de olivas. As fêmeas de oliva acasalaram com os machos de cabeçuda e a habilidade da dança foi herdada pelas filhas híbridas.

Esse percentual de hibridismo pode ser um reflexo da densidade de desovas registradas por espécie em Sergipe: 80% a 85% de olivas (Lepidochelys olivacea); 10 a 12% de cabeçudas (Caretta caretta); 2% a 3% de pente (Eretmochelys imbricata) e o restinho de verdes (Chelonia mydas).

As tartarugas oliva podem atingir a maturidade sexual entre os 10 e 18 anos e apresentar ciclo reprodutivo anual. Além da fidelidade às praias sergipanas e baianas, também são fiéis ao trecho da praia. Os eventos reprodutivos ocorrem sempre próximos uns dos outros, não aleatoriamente, com mais precisão entre desovas consecutivas.


A maioria desova apenas uma vez ao longo da temporada, mas há registros de até três posturas no ano. O intervalo entre uma desova e outra (conhecido como intervalo internidal) dura cerca de 21 dias. Durante este período elas não ficam paradas. As olivas abordadas em reprodução em Sergipe e rastreadas por satélite ocuparam uma área aproximada de cinco mil quilômetros quadrados ao longo da plataforma continental, praticamente todo o litoral de Sergipe. Tal fato comprova que não resultam do acaso a capacidade de orientação e o retorno ao mesmo trecho de praia para nova postura.

Na temporada reprodutiva de 2010/2011, as olivas totalizaram mais de 6.800 desovas e quase 290 mil filhotes nas praias da Bahia e Sergipe. Esses resultados colocam o Brasil em um ranking de importância especial dentre os sítios de desovas de olivas do Atlântico oeste. Estudos genéticos estão em curso para confirmar a existência de fluxo gênico entre as populações do Suriname e Guiana Francesa. Essa possibilidade pode estar associada à recente colonização do Atlântico.

Pesquisadores do Tamar participam de programa de monitoramento por satélite na Colômbia

Nessa viagem de intercâmbio, os pesquisadores participaram de oficinas com funcionários do Parque Nacional Natural Gorgona e estudantes, e fizeram palestras sobre o trabalho do Tamar no Brasil. 


Os pesquisadores mostraram o trabalho do tamar no Brasil, incluindo a experiência com o monitoramento por satélite

O oceanógrafo Claudio Bellini e o engenheiro de pesca César Coelho, ambos do Projeto Tamar, acabam de participar do programa de monitoramento de tartarugas marinhas por satélite, no Parque Nacional Natural Gorgona, Colômbia, realizado pelo Centro de Investigação para o Manejo Ambiental e Desenvolvimento-Cimad, dirigido pelo Dr. Diego Amorocho. Nessa viagem de intercâmbio, os dois pesquisadores participaram de oficinas com funcionários do Parque e estudantes e fizeram palestras sobre o trabalho do Tamar no Brasil, incluindo sua experiência com o monitoramento por satélite.


O Parque Nacional Natural Gorgona foi criado em 1985, na ilha oceânica de Gorgona, que entre 1959 e 1982 foi uma colônia penal de segurança máxima. Tem aproximadamente 24km2 e fica a 70km do continente, a sudoeste da cidade de Guapi. Antes de ser descoberta pelo espanhol Francisco Pizarro, em 1527, Gorgona era habitada por diversas tribos indígenas, que deixaram alguns petroglifos e um sítio cerimonial chamadoEl Templete.

Com uma rica fauna e flora de floresta úmida, registra um dos mais altos índices de pluviosidade, aproximadamente 8.000 mm/ano. Abriga baleias jubarte, corais, lagartos, aves, cobras e tartarugas marinhas das seguintes espécies: Chelonia mydas e sua subspécie agassizii, conhecidas como tortuga verde e tortuga niegra, respectivamente; Eretmochelysimbricata; Caretta caretta; e Lepidochelys olivacea.

Apesar da pressão constante da pesca sobre as tartarugas e da população carente da cidade de Guapi sobre os recursos naturais da ilha, o bom estado de conservação do Parque Nacional chamou a atenção dos pesquisadores do Tamar.


As Cataratas do Iguaçu e a Amazônia estão entre as finalistas para virar uma das 7 Maravilhas da Natureza


As Cataratas do Iguaçu e a Amazônia entram na reta final do concurso 7 Novas Maravilhas da Natureza. A eleição, que começou em 2007 com 440 candidatos, é promovido pela fundação suíça New 7 Wonders. Depois de quatro anos de espera, no próximo dia 11 sairá o resultado e o local vencedor.


SAINT JOHN, NEW BRUNSWICK - Daqui a pouco mais de um mês o mundo conhecerá as sete maravilhas da Natureza. Obra do mesmo suíço-canadense Bernard Weber que fez do nosso Cristo Redentor uma das novas maravilhas do mundo moderno erguidas pelo Homem. No Canadá, a campanha em New Brunswick para emplacar o candidato Bay of Fundy (na foto ao lado) tem sido intensa. A América Norte concorre ainda com o bem mais conhecido Grand Canyon. Galápagos, cuja beleza foi registrada pelo fotógrafo Gustavo Miranda na reportagem de capa desta edição, é o concorrente do Equador. O Brasil está representado pela Floresta Amazônica e pelas Cataratas do Iguaçu. Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania também apresentam seus candidatos. Nesta última fase, 28 concorrentes nos cinco continentes disputam a preferência de eleitores em todo o mundo. A votação é aberta e pode ser feita pela internet no site new7wonders.com ou no Facebook, e ainda por telefone (SMS), até o dia 11 de novembro. Basta escolher os seus sete favoritos entre os finalistas que listamos a seguir.

Galápagos:

A Bay of Fundy entra na disputa com uma das maiores variação de marés (de cerca de 16 metros) criando um ecossistema marinho dinâmico e diverso e que faz com que sua estranha paisagem se destaque como um ícone deste fenômeno natural. Na maré baixa, os visitantes caminham no chão do oceano. Na maré alta, navega-se ou flutua-se em caiaques pelas falésias formadas pela erosão natural. Não é uma praia de areias brancas. Mas a paisagem é bonita e estranhamente diferente. Para promover seu candidato, estudantes de diversas universidade canadenses em campanha se cobriram de lama até os ombros para formar um número sete humano no solo lamacento que fica exposto com a maré baixa.

Em New Brunswick, não se fala em outra coisa - em inglês ou francês, já que lá a província é oficialmente bilíngue.

- Seria muito bom para o turismo, faria uma grande diferença para a economia local - diz um membro da assembléia legislativa de St. John Harbour.

Porto Rico, na América Central, concorre com a floresta nacional El Yunque e os Estados Unidos tiram uma casquinha, pois apresentam o candidato como única floresta tropical no sistema de parques nacionais americanos.


Descendo para os candidatos sul-americanos, a Venezuela tem Santo Ángel, retratada no filme de animação "Up - Altas aventuras" (Disney/Pixar, 2009), listada entre as dez mais bonitas do mundo pela CNN. Mas o Brasil tem as Cataratas do Iguaçu, que também estão na lista da CNN publicada em março deste ano e devem angariar votos tantos dos brasileiros como dos hermanos argentinos, já que a candidatura divide honras e torcida com o país vizinho.

Do lado de cá, onde o parque recebe mais de um milhão de visitantes por ano, a campanha começa a esquentar. O alpinista de Foz do Iguaçu Waldemar Niclevicz, que já escalou o Everest duas vezes (pelos dois lados, Nepal e Tibete) vai atravessar as cataratas de tirolesa e representantes da fundação New7Wonders sobrevoarão o local a bordo de um dirigível nos próximos dias 10, 11 e 12 de outubro. Niclevicz e Mozart Catão foram os primeiros brasileiros a alcançar o topo do Everest, em 1995. Já a candidatura da Floresta Amazônica une também Bolívia, Colômbia, Equador, França (pela Guiana Francesa), Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

Vulcões, falésias e fiordes entre os finalistas
Todos os candidatos a figurar entre as sete novas maravilhas da Natureza, foram submetidos aos critérios do concurso, que incluem beleza única, diversidade, relevância ecológica, legado histórico e geolocalização. Os 28 finalistas estão distribuídos pelos cinco continentes.


Na Europa, o público vai escolher entre cinco concorrentes. Cliffs of Moher, na Irlanda, com suas falésias de xisto e arenito que alcançam 214 metros em seu ponto mais alto, abrigam muitos animais, principalmente pássaros. Na Alemanha, a conhecida Floresta Negra se impõe sobre o Vale do Rio Reno, estendendo-se para além de 200 quilômetros, com seu ponto mais alto a 1.493 metros. Não chega perto do Matterhorn/Cervino, candidato suíço ao concurso, popularizado em embalagens de chocolate vendidas mundo afora, cujo pico alcança 4.478 metros, com vista para Zermatt, num lado, e o italiano Vale da Aosta, de outro. Mais ao sul na Itália, o Vulcão Vesúvio vem reforçando sua posição entre os concorrentes. Talvez porque no solo fértil de suas encostas são cultivados os tomates que dão fama à pizza e ao molho de tomate napolitanos. Já o Distrito Lacustre Masurian reúne mais de dois mil lagos na Polônia, cobrindo uma área de 52 mil km, formado na era do gelo pleistoceno (entre um milhão e 800 mil anos atrás).


Pela África, a disputa fica entre os picos nevados do Kilimanjaro, que a quase seis mil metros de altitude abrigam três vulcões, na Tanzânia. Ao sul do continente, a Table Mountain representa a África do Sul. A montanha em forma de mesa resiste a seis milhões de anos de erosão e abriga uma diversidade floral única no planeta, com mais de 1.470 espécies.

O Oriente Médio tem quatro finalistas. No Líbano, as cavernas de calcário Jutta, a 20 km ao norte de Beirute, no Vale de Nahr-al-Kalb, servem de curso para um rio subterrâneo, onde estalagmites e estalactites de diferentes formas se espalham ao longo de mais de nove mil metros. Não muito longe, o Mar Morto com seu alto grau de salinidade (30%) representa Israel, Jordânia e Palestina. E os Emirados Árabes Unidos têm na Ilha Butinah, em Abu Dhabi, sua finalista, única do Golfo Pérsico. Considerada um verdadeiro tesouro natural, a ilha ainda intocada pela atividade humana é um laboratório vivo para estudos sobre mudanças climáticas. Abriga expressiva biodiversidade, incluindo espécies em risco de extinção.

Do Oriente Médio, a lista segue rumo à Ásia. O Azerbaijão concorre com vulcões de lama. O termo é usado para designar formações montanhosas criadas a partir de líquidos e gases expelidos da terra. O arquipélago das Maldivas está no páreo com suas águas de um azul transparente margeando quase 1.200 ilhas, das quais 200 são habitadas.


O Delta do Sundarbans representa Índia e Bangladesh, como a maior floresta de manguezal do mundo. Em meio à variedade de espécies que abriga, está o tigre de Bengala. Na Coreia, a ilha vulcânica Jeju fica a 130 km da costa. Taipé concorre com a cordilheira de Yushan, também conhecida como Monte Jade, que chega a quase 4 mil metros, com floresta subtropicais na base e condições alpinas no pico. A Baía de Halong, cartão-postal do Vietnã, exibe milhares de formações rochosas de calcário que brotam das profundezas do oceano em variados moldes e tamanhos, estendendo-se por 120 quilômetros de costa. Nas Filipinas, o rio subterrâneo Puerto Princesa tem um percurso navegável sob um túnel formado por rocha de calcário de mais de oito quilômetros, até chegar ao Mar da China Meridional. Na Indonésia, Komodo, o parque nacional criado em 1980 para proteger seu mascote, o dragão que leva seu nome, hoje estende sua proteção a outras espécies, inclusive marinhas.

Na Oceania, são três os concorrentes - dois na Austrália. A Grande Barreira de Corais se estende por 2.600 km, chegando até Papua Nova Guiné, unindo três mil arrecifes e 900 ilhas. Uluru, também conhecido como Ayers Rock, é uma grande montanha de arenito que muda de cor conforme a incidência de luz, e fica na região central do país. Lá na pontinha sul da Ilha Sul, na Nova Zelândia, o Fiorde Milford Sound, que abre uma extensão de 15 km no mar da Tasmânia, é um popularíssimo destino turístico para viajantes de todo o mundo.

Confira os 28 finalistas:

- Amazônia (Brasil e mais oito países)
- Salto Angel (Venezuela)
- Baía de Fundy (Canadá)
- Floresta Negra (Alemanha)
- Bu Tinah Shoals (Emirados Árabes Unidos)
- Penhascos de Moher (Irlanda)
- Mar Morto (Palestina, Israel, Jordânia)
- Bosque de El Yunque (Porto Rico)
- Galápagos (Equador)
- Grande Canyon (Estados Unidos da América)
- Grande Barreira de Coral (Papua Nova Guiné, Austrália)
- Baía de Halong (Vietname)
- Cataratas de Iguaçú (Brasil, Argentina)
- Gruta Jeita (Líbano)
- Ilha de Jeju (Coreia do Sul)
- Kilimanjaro (Tanzânia)
- Ilha Komodo (Indonésia)
- Ilhas Maldivas
- Lagos Masurian (Polónia)
- Montanha Matterhorn / Cervino (Suíça, Itália)
- Fiorde Milford Sound (Nova Zelândia)
- Vulcões de lama (Azerbeijão)
- Rio subterrâneo Puerto Princesa (Filipinas)
- Manguezal de Sundarbans (Índia, Bangladesh)
- Table Mountain (África do Sul)
- Uluru (Austrália)
- Monte Vesúvio (Itália)
- Monte Yushan (Taipé - China)

CNN Travel para as Cataratas do Iguaçu

Pelo Brasil, uma forcinha da CNN Travel que incluiu nossa finalista em candidatura dividida com a Argentina na lista de mais lindas quedas d'água do planeta. A lista também ajuda a vizinha Venezuela, que concorre com Santo Ángél. A BBC também esteve por lá e registrou a beleza da região. E a campanha vai esquentar. O comitê Vote Cataratas abriu um concurso cultural que premiará com 20 viagens a Foz do Iguaçu quem escrever as frases mais criativas sobre as cataratas. Nos próximos dias 10, 11 e 12 de outubro, o alpinista de Foz do Iguaçu Waldemar Niclevicz, que já escalou o Everest duas vezes (pelos dois lados, Nepal e Tibete) vai atravessar as cataratas de tirolesa e representantes da fundação New7Wonders sobrevoarão o local a bordo de um dirigível. A Floresta Amazônica também figura em alta na tendência de votos. A ONU dedicou o ano de 2011 às florestas e os organizadores do concurso destacam o aumento de áreas onde a gestão responsável das florestas vem crescendo nos últimos cinco anos. Mas alertam para o desmatamento ainda presente na região da Amazônia.

Fontes:
Portal Terra
Cristina Massari (cristina.massari@oglobo.com.br)

Galápagos - De paraíso esquecido à maravilha da Natureza

Atualmente o arquipélago disputa o título de 7 Novas Maravilhas da Natureza, no concurso criado pelo suíço-canadense Bernard Weber.



BALTRA, GALÁPAGOS - Quem chega a Galápagos tem a sensação de que recuou no tempo. Formação vulcânica encravada no Oceano Pacífico, a mil quilômetros da costa do Equador, esse arquipélago com flora e fauna peculiares talvez seja, junto com Fernando de Noronha, uma das grandes atrações de turismo ecológico insular do continente sul-americano. Esqueça praias com cerveja gelada e petiscos, resorts com coqueiros, piscinas e massagens relaxantes. Os hotéis locais são confortáveis iates (pequenos navios com, no máximo, 25 cabines). O turismo é ecológico e as praias são desertas e protegidas pelas rígidas leis equatorianas. Só a vida selvagem reina nas ilhas.


Galápagos foi mapeado pela primeira vez no século XVI. Os espanhóis chamavam as ilhas de "encantadas", porque apareciam e desapareciam sob a névoa durante a maior parte do tempo. Entre os séculos XVIII e XIX o arquipélago tornou-se um disputado destino para os navios baleeiros britânicos e americanos. Em 1835, o H.M.S. Beagle, do capitão Robert FitzRoy, trouxe a bordo seu mais ilustre visitante: o jovem Charles Robert Darwin desembarcou na ilha de San Cristóbal, em 15 de setembro daquele ano, e por 35 dias visitou as ilhas Floreana, Isabela e Santiago, colhendo informações sobre plantas e animais para subsidiar sua teoria da evolução das espécies.




A Unesco declarou as Ilhas Galápagos Patrimônio Natural da Humanidade em 1978 e Reserva da Biosfera em 1984. Hoje o arquipélago disputa o título de 7 Novas Maravilhas da Natureza, no concurso criado pelo suíço-canadense Bernard Weber. A visita feita a seis de suas ilhas revela animais incríveis, paisagens fantásticas, organização turística e consciência ecológica impecáveis.

Dança com lobos-marinhos em águas azul-turquesa

Já na chegada a Galápagos, na Ilha de Baltra, onde fica um dos dois principais aeroportos do arquipélago (o outro é na Ilha de San Cristóbal), nota-se a paisagem árida e o clima de deserto que dominam a região. Uma feira de artesanato, ao lado do aeroporto, é a única atração da ilha e é aconselhável fazer logo algumas comprinhas nas tendas, porque pode ser que o seu avião de volta não decole do mesmo aeroporto. Um ônibus leva os turistas até o cais do canal Itabaca, entre as ilhas de Baltra e a de Santa Cruz, onde a infraestrutura é completa e fica o povoado de Puerto Ayora, com hotéis, pousadas e restaurantes. Durante a travessia do canal pode-se observar os lobos-marinhos descansando nas boias de navegação. Eles serão companhia constante durante toda a viagem. Na parte alta da ilha, onde o clima é de montanha com floresta tropical, se avistam grandes crateras formadas pelo desabamento de túneis de lavas há milhares de anos.



A partir daqui o transporte para as demais ilhas é feita a bordo do iate La Pinta. Após sete horas de navegação, a embarcação chega à ilha de Bartolomé, uma das mais bonitas do arquipélago, com paisagens diversas. Por um ângulo parece que se está em Marte, por outro, no Caribe. As grande atrações, além das belas praias, estão no ponto mais alto da ilha, com acesso por por uma escadaria de madeira com 388 degraus, de onde se tem uma vista magnífica, e no pináculo, uma formação rochosa de pedra vulcânica em forma de torre que brota do fundo do mar rumo ao céu. Lá a diversão abrange banho de mar, snorkel costeiro para observar milhares de peixes coloridos de todas as formas, tamanhos e cores, inclusive um tubarão-martelo, avistado por vários turistas.

Puerto Ayora lembra Búzios na década de 1970, porém sem o charme da cidade brasileira. Ali pode-se comer bem em seus vários restaurantes e se hospedar em pequenos hotéis e pousadas. A uma caminhada de dez minutos do centro da cidade está a Estação de Pesquisa Charles Darwin, base internacional, sem fins lucrativos da Fundação Charles Darwin. Uma parada na estação científica está incluída em todos os cruzeiros das ilhas. Os visitantes aprendem sobre história natural, reprodução das espécies e conservação da vida selvagem da região. A fundação trabalha em estreita colaboração com o Parque Nacional de Galápagos, proporcionando educação ambiental não só para as comunidades e escolas dentro das ilhas, mas também para os viajantes que visitam Galápagos.


Lá é possível visitar o Solitário George. Com quase cem anos, George é o último sobrevivente da dinastia de tartarugas terrestres da Ilha de Pinta. Ele foi capturado em dezembro de 1971 e levado à estação científica em março de 1972. Todos os esforços para encontrar outro exemplar de sua espécie têm sido em vão. Hoje em dia, ele divide seu espaço na estação com duas tartarugas fêmeas da população do Vulcão Wolf.




Na Ilha de Rabida, o melhor é a caminhada. O desembarque molhado é numa praia de areia vermelha cuja cor se deve à oxidação do ferro, elemento abundante na ilha. As pangas, botes infláveis de borracha com motor de popa usados para o desembarque do La Pinta, encostam na praia bem em frente à trilha. A caminhada gratificante por labirintos de cactos e uma floresta de pau-rosa deixa os visitantes extasiados. Na trilha, é possível ver, entre outros, pássaros, pombas de Galápagos, piquero de patas azuis e, com sorte, belos flamingos.

Depois de uma noite inteira de navegação, chega-se à Ilha Espanhola. Lá, Gardner Bay deslumbra o viajante com suas águas cor de turquesa e praias de areia fina, que de tão branca fazem doer os olhos. Centenas de lobos-marinhos se espalham em colônias pela praia dormindo, amamentando os filhotes ou apenas observando o movimento. Os machos patrulham a praia na beira d'água nadando de um lado para o outro, protegendo o seu harém. Todo cuidado é pouco: esse machos podem chegar a pesar 250 quilos, são extremamente territorialistas e costumam atacar ao se sentirem ameaçados. Melhor manter uma distância de mais de dois metros dos animais. Já os filhotes são dóceis e brincalhões.

Percorrendo a costa rochosa da Ilha Espanhola chega-se a um poço profundo, com águas calmas e cristalinas. O grande barato é mergulhar com os lobos-marinhos - os navios oferecem atividades de snorkel gratuito; o aluguel da roupa de neoprene é pago à parte, e extremamente necessário, pois a água é bastante gelada em quase todo o ano. Sem temer os humanos, os lobos-marinhos, geralmente jovens, se aproximam e, numa dança frenética, interagem com os mergulhadores. Tão rápido como chegam à superfície, partem para as profundezas do Oceano Pacífico


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Na última etapa da viagem o La Pinta atraca no porto do vilarejo de Baquerizo Moreno, na Ilha de São Cristóbal, capital do arquipélago. A cidadezinha simples e simpática tem uma pequena infraestrutura para o turismo com restaurantes, hotéis e algumas empresas especializadas em mergulho. Lojas de suvenires vendem de camisetas a ímãs de geladeira. Algumas imprimem na hora em uma camiseta as estampas de Galápagos que você escolher. Ali também funciona o segundo aeroporto das Ilhas Galápagos. Na decolagem, vendo as ilhas ficarem pequeninas da janela do avião, o arquipélago deixa saudades. Mas é hora de voltar ao mundo urbano e visitar Quito.


O transporte entre as ilhas, neste nosso roteiro, foi feito a bordo do iate La Pinta. A sensação é de estar embarcando na maior aventura de sua vida. Pequeno demais para ser chamado de navio e grande da mais para ser chamado de lancha, o iate com 55,86 metros de comprimento, 12,5 metros de largura é o senhor dos mares de Galápagos. Com luxo discreto e sem os exageros dos transatlânticos modernos, tem, em sua parte interna, 24 camarotes com banheiros, impecavelmente limpos e arrumados, além de sala de TV (só com filmes e documentários em DVD), dois bares, um salão de encontros (com internet wi-fi), onde ocorrem as palestras sobre a viagem, uma sala de refeições, uma recepção com loja de suvenires e uma pequena enfermaria, com médico dia e noite.

No deck externo, além das tradicionais espreguiçadeiras, o iate oferece bar e salão de jogos onde se pode almoçar ou jantar (dependendo do tempo), uma academia de ginástica com vários aparelhos, inclusive esteiras para uma corridinha, e uma enorme jacuzzi, para relaxar ao pôr do sol. A tripulação bem treinada e profissional deixa o passageiro à vontade em todo o navio, inclusive para subir à ponte de comando quando não há manobra de atracação.


Na recepção aos passageiros, há as orientações de sempre, que incluem um treinamento para emergências, com direito a alarme e coletes salva-vidas. Os tripulantes explicam as regras de comportamento em situações de risco e a importância de detalhes, como um quadro de madeira com ganchinhos para botar um medalhão de metal com o número de sua cabine. O medalhão é verde de um lado e marrom do outro e indica se o passageiro está a bordo ou não. É fundamental fazer a troca de cores nos embarques e desembarques. O barco só parte quando todos os medalhões do quadro estiverem verdes. 

Fontes:
Globo Repórter (vídeos)
Gustavo Miranda (gustavo@bsb.oglobo.com.br)

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