terça-feira, 20 de setembro de 2011

Designer francês cria aquário funcional que serve para hidroponia


O mecanismo do projeto é simples: os vegetais que crescem acima do reservatório usam a água do tanque dos peixes para o sustento, enquanto, filtra e purifica a água para os peixes que estão abaixo.

O designer francês Mathieu Lehanneur cria projetos modernistas com propostas ecológicas. Seu projeto conceito denominado River Plant Aquarium é uma instalação que traz os benefícios da natureza para um ecossistema local dentro de casa.

Este aquário não é apenas uma peça interessante de decoração, mas também uma incubadora de peixes e horta. O projeto foi inspirado no ecossistema natural encontrado dentro de um rio, usando a hidroponia e um aquário refrigerado como uma incubadora de peixes de água doce.

O mecanismo é simples: os vegetais que crescem acima do reservatório usam a água do tanque dos peixes para o sustento, enquanto, filtra e purifica a água para os peixes que estão abaixo. Além disso, os vegetais renovam o ar do ambiente.

Este processo não usa nenhum tipo de nutriente químico, mas baseia-se na Aquicultura (criação de peixes e cultivo de plantas para uso do homem) e usa somente a fração de água necessária para a produção das plantas.

Deste modo, o “rio local” visa substituir a decorativa 'TV aquário' por uma igualmente decorativa, mas também funcional. Para quem não têm espaço para plantar seu próprio alimento no quintal, esta pode ser uma solução eficaz. 


Fontes:
My Office.
Redação CicloVivo

A teoria “Paradoxo do Ártico” - Prof. Luiz Drude de Lacerda

A Teoria “Paradoxo do Ártico” traça paralelo entre rios da região do semiárido brasileiro e os rios da região Ártica

Brasil
Brasil visto do espaço

O premiado na categoria “Vida e Obra” do Prêmio Bunge 2011 de Oceanografia foi Luiz Drude de Lacerda, professor do Laboratório de Biogeoquímica Costeira da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Transferência de Materiais Continente-Oceano.


Foz do Rio Jaguaribe (Ceará, Brasil) no limite entre os municípios de Aracati e Fortim

Lacerda apresentou a teoria conhecida como “Paradoxo do Ártico”, segundo a qual os rios da região do semiárido brasileiro passam por um processo semelhante ao observado nos rios da região Ártica – uma das mais afetadas pelas mudanças climáticas globais.

No Ártico, de acordo com Lacerda, um aumento generalizado da temperatura afeta o degelo, “prendendo” as massas de água dos rios por mais tempo nas zonas de estuários. Com isso, há um aumento da mobilização e incorporação biológica de poluentes, incluindo o mercúrio.

“A teoria foi construída a partir de dados que jamais imaginamos que poderiam nos levar a uma nova teoria. Logo no início de nossos trabalhos no Nordeste ficamos surpresos em relação aos níveis de mercúrio encontrados nos rios, que eram comparáveis a zonas do Sudeste onde a atividade antrópica é muito maior. Não havia explicação para essa quantidade de mercúrio”, afirmou.

Os cientistas, entretanto, perceberam que havia semelhanças inesperadas entre a hidrodinâmica dos rios nordestinos e dos rios árticos, onde também há altos níveis de mercúrio. No Ártico, o mar congelado bloqueia o fluxo de água doce no inverno e o libera no verão. No Nordeste, é a própria maré que invade as áreas de manguezais e bloqueia o baixo fluxo de água dos rios. Eles ficam barrados por até oito meses ao ano.

“O modelo conceitual mostra semelhanças muito grandes entre os dois contextos. Com o aumento do tempo de residência da massa de água na região do estuário, há uma mobilização maior de mercúrio biodisponível. Isso permite uma aceleração dos biogeoquímicos de transformação do mercúrio, em especial a metilação e a complexação orgânica”, afirmou.

Os estudos realizados no rio Jaguaribe, no Ceará, mostraram que há um aumento da exportação de mercúrio biodisponível nos períodos de seca, quando ocorre maior tempo de residência das águas no estuário.

“O fenômeno tem se intensificado com as mudanças climáticas globais. E sabemos desde o início dos estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) que há uma redução de chuvas no Nordeste de cerca de 5,6 milímetros ao ano, em média. A redução pode ser três vezes mais severa na estação seca. Além das mudanças climáticas, a diminuição da quantidade de água disponível – com a construção de número cada vez maior de barragens – intensifica ainda mais o processo. O fenômeno já está em curso e a previsão é que ele aumente”, destacou Lacerda.

Fonte: Agência FAPESP 
Foto: MIRANDA, E. E. de; COUTINHO, 
A. C. (Coord.). Brasil Visto do Espaço. Campinas: Embrapa 
Monitoramento por Satélite, 2004. 

Tartarugas marinhas em diversos eventos na Primavera dos Museus


Através dos seus Centros de Visitantes/Museus Abertos da Tartaruga Marinha, o Projeto Tamar-ICMBio promove diversos eventos, neste mês de setembro (19 a 25/9/11), integrando-se à  5ª Primavera dos Museus,  promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), do Ministério da Cultura, tendo como tema Mulheres, Museus e Memórias.

A Primavera dos Museus conta este ano com a participação de 589 instituições, que vão promover 1.779 atividades em 310 cidades de todas as regiões do país. A programação pode ser vista no final deste texto.

Nos anos anteriores, a Primavera dos Museus ofereceu mais de 3 mil ações organizadas por museus e instituições culturais de todo o país. Seminários, exposições, oficinas, espetáculos musicais, de teatro e de dança, mesas-redondas, visitas guiadas e exibições de filmes são alguns dos eventos realizados. Os temas das últimas edições foram Meio Ambiente, Memória e Vida; Museus e o Diálogo Intercultural; Museus e Direitos Humanose Museus e Redes Sociais.

Veja a seguir, a programação em cada estado onde há Centros de Visitantes/Museus da Tartaruga:

BAHIA

Na Praia do Forte, tem a exposição fotográfica Música e Mar, o programa Tamar em Cena, com teatro, música e informação, e Cine Tamar. Há ainda atividades variadas, como visita orientada, oficina de artes e o teatro de fantoches Tamarzinhos.

SERGIPE

O Oceanário de Aracaju, construído e mantido pelo Tamar na praia de Atalaia, também se integra ao evento, com visitas orientadas, palestras, exposições e a participação especial do grupo de bordadeiras do municipio de Pirambu, onde fica a principal base do Projeto no Estado.

CEARÁ

A base cearense, com sede em Almofala, realizará atividades no seu Centro de Educação Ambiental e em espaços públicos de Almofala, Sitio Alegre e Torrões. A programação inclui exposição de fotos, sarau com crianças, adolescentes e adultos, oficina de papel reciclado, teatro de fantoches, jogos educativos com material reciclado, caça ao tesouro, além de brincadeiras como amarelinha e pula-corda.

ESPÍRITO SANTO

Os capixabas têm a mulher como inspiração e motivo de sua programação, considerando que ela é o tema central da Primavera dos Museus. Assim, a base de Guriri promove exposições fotográficas, oficinas de cerâmica e encontros com mulheres importantes da cultura local, como doceiras que fazem o tradicional beiju e artesãs que produzem panelas e outras peças de barro. As bases de Regência e Pontal do Ipiranga destacam, em oficinas de artesanato, exposições, exibição de filmes, palestras e debates, as benzedeiras, parteiras, grupos organizados de artesãs e todas as mulheres que fazem as bandas de Congo.

SÃO PAULO

A base de Ubatuba, no litoral norte, promove visitas monitoradas, com o histórico do Tamar e os trabalhos das mulheres que o integram e ajudaram o Projeto a se tornar um exemplo na conservação ambiental. Tem ainda jogos educativos para as crianças, mostras de vídeo, exposição de artesanato natural caiçara, produzido por artesãs de Ubatuba, e a mostra fotográfica Mar Vermelho.

SANTA CATARINA

A programação de Florianópolis inclui soltura de tartaruga marinha reabilitada na base; pinturas faciais com motivos marinhos e recreação para as crianças; visitas guiadas para grupos escolares pré-agendados e para visitantes; exibição de vídeos e alimentação interativa das tartarugas.

Veja aqui o guia completo com a programação em todo o País.

Senador afirma que Código Florestal está "pronto" para passar na CCJ

Tudo "pronto" para novo Código


O senador Jorge Viana (PT-AC), relator da Comissão de Meio Ambiente, acredita que apesar dos pedidos de vistas, o texto do novo Código Florestal Brasileiro “já não possui problemas de constitucionalidade e deve passar pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) sem maiores problemas”. A votação na comissão está marcada para o dia 21 de setembro. 

Segundo Viana, apesar da polêmica envolvendo o tema – leia-se a anistia aos produtores que desmataram até 2008 e o conceito de “utilidade pública”, que permite a exploração de áreas de preservação permanente (APPs) – o texto de Luiz Henrique está pronto para ser votado. Na opinião do senador, o artigo 8 do projeto de lei que altera o Código Florestal ainda deve 

ser debatido na Casa. “A questão do oitavo artigo é de mérito, tem que ser debatida pelas outras comissões”. Vale esclarecer: a redação do artigo, divulgada pelo senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), estabelece que as áreas já desmatadas e ocupadas, até 2008, dentro de florestas de preservação obrigatória estão livres de multas e sanções ambientais, o que significa a anistia aos crimes ambientais cometidos até esse período. 

Este ponto do Código Florestal tem sido debatido pelo movimento ambiental. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirma que, caso a lei seja aprovada com a redação proposta pelo senador Luiz Henrique, cerca de 290 mil km² de mata nativa deixariam de ser recuperados no País. Uma área equivalente a quase sete vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro. 

Em um cenário mais positivo, que considera o “risco moral” da isenção, 470 mil km² poderiam ser perdidos, quase duas vezes a extensão do Estado de São Paulo. Para esse cálculo, o estudo considerou a hipótese de que a anistia poderia incentivar outros proprietários rurais a derrubar a reserva legal remanescente. 

Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente também afirma que o texto do senador Luis Henrique apresentou avanços. Em uma reunião na última segunda-feira, a ministra Izabella Teixeira fez algumas recomendações ao senador. “O ponto principal defendido pela ministra foi o poder delegado aos Estados. Grande parte da lei que definiria a exploração de áreas de preservação permanente seria regulamentada pelos governos estaduais”, afirma o secretário de Florestas e Biodiversidade, Braulio Dias. “A Constituição diz que deve existir primeiro uma regra geral, para depois os Estados regulamentarem. Esse foi o argumento do ministério acatado pelo senador, o que resolveu as questões de inconstitucionalidade da lei”, finaliza. 

Legislação

O Código Florestal é a lei que estipula regras para a preservação ambiental em propriedades rurais e define o quanto deve ser preservado pelos agricultores. Entre outras regras, prevê dois mecanismos de proteção ao Meio Ambiente. Um deles são as APPs, locais como margens de rios, topos de morros e encostas, que são considerados frágeis e devem ter a vegetação original protegida. O outro mecanismo é a reserva legal, área de mata nativa que não pode ser desmatada dentro das propriedades rurais. 

Conhecendo os Alimentos Transgênicos (Vídeo)




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Globo ciência

Omissão do governo em exploração de petróleo leva riscos a Abrolhos


Em 2003, concessões da ANP no local chegaram a ser congeladas, graças a uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal. A medida foi fruto da mobilização da sociedade civil que, com a presença de ONG’s que atuam na região, comunidades marisqueiras, pesqueiras e de um estudo promovido pela Conservação Internacional, garantindo provisoriamente a interrupção das prospecções na região.

Para reforçar o argumento de defesa da região, foram feitos estudos por dois anos e foi criado, em 2006, a Zona de Amortecimento do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, por portaria do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Mas a zona caiu nos braços da burocracia e foi derrubada na Justiça, porque não fora instituída por decreto presidencial. Ali eram definidas zonas de exclusão em que não se poderiam praticar atividades de exploração de óleo e gás.

Entretanto, desta vez, 16 blocos foram liberados para exploração nas bacias do Jequitinhonha e Espírito Santo, sendo onze delas pertencentes à Petrobras. Segundo a Conservação Internacional, a decisão influirá em uma área de 9 milhões de hectares na região.

Neste contexto, além da sociedade, a intenção de 23 entidades ambientalistas das regiões afetadas é a de levar o debate para o Ministério Público, com o objetivo de entender qual será a postura dele diante dos riscos da atividade. A informação é que um derramamento de óleo nestas bacias afetaria diretamente o Parque Nacional de Abrolhos.


As baleias Jubarte se concentram em Abrolhos na Bahia e a descoberta de sua presença em grande número, aconteceu ainda na década dos 80, dando origem ao Instituto Jubarte.

Justamente agora, a Petrobrás, estuda  suspender a ajuda ao Projeto Jubarte e, ao que tudo indica, reduzir drasticamente o patrocínio dos dois outros, Tamar e Golfinhos Rotadores em Fernando de Noronha.

Três importantes projetos ambientais na costa brasileira que correm risco de perder importância , ou mesmo de desaparecer. São ONGs que protegem a baleia Jubarte, as tartarugas marinhas e os golfinhos rotadores e que protegem o ambiente marinho e a perpetuação de de seus ecossistemas...

Os treze blocos de extração do óleo estão tão próximos do santuário que, se houver um acidente, será difícil evitar um desastre ambiental; reserva marinha, que abriga 9 mil baleias-jubarte, é considerado o local de maior biodiversidade do Atlântico sul

Sem lei para evitar que a indústria petrolífera se aproxime perigosamente da reserva de Abrolhos, no litoral da Bahia, o Brasil tem hoje 13 blocos de extração de óleo localizados tão próximos do santuário de 9 mil baleias-jubarte que, em caso de acidente, não há segurança ambiental mínima para evitar um desastre ecológico.

Santuário. Parque marinho abriga corais e baleias-jubarte

Com base em acidentes já registrados e políticas adotadas em outros países, os pesquisadores dizem que a exploração de petróleo não deveria acontecer em um polígono de 92 mil quilômetros quadrados - área equivalente à de Portugal - ao redor do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o local de maior biodiversidade do Atlântico Sul. Essa é a área que, pelas características das correntes e a riqueza da flora e fauna da região oceânica, funcionaria como uma rede de proteção contra eventuais acidentes.

Para se ter ideia de quanto vale a segurança ambiental dessa distância, o derramamento de óleo no Golfo do México, no ano passado, afetou 229 mil quilômetros quadrados, uma área duas vezes e meia maior que o polígono sugerido para Abrolhos.

Os 13 blocos de exploração de petróleo que se localizam no interior do polígono de 92 mil quilômetros quadrados, a área considerada de segurança, são operados pelas empresas 

Abrolhos - Foto: Marcello Lourenço

Petrobrás, Vipetro, Perenco Petróleo e Gás do Brasil Ltda., Cowan Petróleo e Gás S.A. e Sonangol Starfish Oil & Gas S.A. Esse polígono foi sugerido ao governo em estudo conduzido pela ONG Conservação Internacional em 2005.

Para estabelecer essa área, os técnicos da ONG utilizaram o método de dispersão da gota de óleo, também usado pelo governo da Nova Zelândia. Significa dizer que, se houver derramamento em qualquer ponto do polígono, o óleo atingirá Abrolhos.

De lá pra cá, o plano foi absorvido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) como um "excelente trabalho", mas nada foi feito de prático, além da promoção de discussões internas do governo. "Esse estudo é excelente", avaliou Cristiano Villardo, coordenador-geral de Petróleo e Gás do Ibama. "Seria interessante ter uma solução de longo prazo, se é tão importante assim proteger Abrolhos, como diz o governo", afirmou.


Medida tampão. O expediente de curto prazo foi adotar uma zona de 50 quilômetros ao redor do arquipélago, que fica excluída dos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP), informou o próprio órgão regulador.

Novamente para comparar, o derramamento do poço Macondo, da British Petroleum, sujou de óleo 790 km da costa norte-americana há um ano e meio.

"Mais de 20 mil famílias dependem de Abrolhos para sobrevivência, e a extração de recursos ali representa 10% da riqueza pesqueira do País", descreveu Guilherme Dutra, um dos autores do estudo da Conservação Internacional. "Não somos loucos de propor exclusão de áreas econômicas, mas simplesmente não dá para permitir exploração de petróleo e gás, certamente é um risco."O Instituto Chico Mendes (ICMBIO), do governo federal, pretende brigar pela criação de novas áreas de proteção ambiental na região, segundo Rômulo Melo, que preside a instituição. "Há interesse do governo em preservar Abrolhos (?) e temos conversado com as ONGs para ver onde a gente possa propor outras áreas de conservação." 


O Ministério do Meio Ambiente adotou, em 2006, uma portaria vedando a exploração de petróleo em área próxima à zona de exclusão proposta pela Conservação Internacional, segundo Villardo. O movimento ajudou a excluir mais de 200 blocos de uma licitação da ANP. Mas o instrumento foi derrubado pela Justiça no ano passado. A partir de então, as empresas retomaram a exploração. O governo também optou por uma solução política. Em vez de definir uma zona de exclusão formal, de forma transparente, ficou decidido, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética, que a ANP deveria consultar o Ibama antes das licitações. 

O problema é que o instituto não tem lei para trabalhar e evitar que a exploração se aproxime de Abrolhos. 

Confusão. A falta de regras levou até a estatal Petrobrás a iniciar a exploração de áreas que podem representar riscos a Abrolhos. A empresa disse ao Estado que suas operações estão "de acordo com legislação vigente e dentro dos mais rigorosos padrões internacionais de segurança operacional, com absoluta preocupação com o meio ambiente". A disposição do governo de ampliar áreas de proteção, no entanto, representa um risco para a própria petroleira e seus acionistas. Em comunicado enviado ao Estado, a Petrobrás elencou medidas adotadas para prevenção de acidentes. Por exemplo: "Todas as unidades marítimas de perfuração (...) são equipadas com sistemas que podem prover o fechamento imediato e automático do poço, prevenindo seu descontrole." Outro exemplo: "A companhia, seguindo os mais modernos padrões internacionais, instalou dez Centros de Defesa Ambiental (CDAs) distribuídos no País." A Petrobrás foi a única empresa que respondeu aos questionamentos feitos pelo Estado.

ENTREVISTA

Ilana Wainer, professora do Instituto Oceanográfico da USP

1.As licitações para prospecção de petróleo estão bastante próximas dos limites do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Essa distância é segura?

A meu ver, não. Aliás, é bastante complicado falar em distância segura em uma atividade como esta. A gente não sabe o que pode acontecer em caso de acidente, é uma situação potencialmente perigosa.

2.Além da exploração do petróleo, que traz consigo riscos de vazamento, há outros perigos?

Sim, há. Quando você perfura o fundo do mar, pode liberar gases causadores do efeito estufa que estão lá embaixo. O óleo do subterrâneo está misturado com gases dentro das rochas. Quando você perfura, eles se volatilizam e vêm à tona.

3. Você vê alguma solução possível para essa situação de Abrolhos?

Tem de haver um esforço de investimento em energias limpas, pois o risco de exploração em uma área dessas não vale a pena. Por Karina Ninni 

 
Iuri Dantas, de BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O Projeto Golfinho Rotador completa 21 anos em Fernando de Noronha


O Golfinho-rotador (Stenella longirostris), ou golfinho-fiandeiro-de-bico-comprido, é um golfinho oceânico, encontrado especialmente em águas tropicais e subtropicais. A espécie possui um bico longo e fino, com a porção distal preta. Seu dorso é mais escuro que seu ventre. Esses animais executam saltos em forma de pirueta, girando várias vezes em torno do eixo do corpo antes de retornar à água, razão do nome popular. Os Golfinhos Rotadores atingem em média 1,90 m. de comprimento. Sua grande agilidade deriva, em parte, de seu formato hidrodinâmico e de uma pele oleosa que reduz drasticamente o atrito com a água. Isso permite que os golfinhos alcançem a velocidade necessária para realizarem seus saltos e piruetas.


A Baía dos Golfinhos

A Baía dos Golfinhos é localizada num lugar estratégico: o arquipélago de Fernando de Noronha e é um verdadeiro oásis para estes graciosos animais. É um dos poucos lugares visitados pelos Golfinhos rotineiramente, pois a maioria deles passa a vida toda longe da costa. Os grupos que vão a Baía para descansar, se divertir e se reproduzir quase nunca é formado pelos mesmos indivíduos por mais de dois dias consecutivos. Os Golfinhos Rotadores nadam até a Baía há centenas ou talvez milhares de anos.

Localizada na extremidade oeste do Mar de Dentro, é uma enseada de águas mais calmas, transparentes e profundas do Arquipélago. Possui encostas íngremes e pedregosas e não apresenta praias de areias, só praias de seixos rolados ou o mar chega direto no penhasco. A profundidade da Baía vai de 0 a 25 metros, sendo em torno de 15 metros no meio. No fundo, predominam areias vulcânicas com rochas dispersas.

Não existe nenhum riacho ou córrego de água chegando à enseada, toda a água pluvial é carreada para a Baía do Sancho, situada a nordeste. As correntes internas na enseada são mínimas e  correm no sentido sudoeste.


Acesso ao Mirante dos Golfinhos é feito por uma trilha de 1 km, a partir do estacionamento da Baía do Sancho. A continuação da trilha dos Golfinhos a Baía do Sancho, possibilita a observação dos ninhais de aves marinhas das encostas das baías.




O Projeto Golfinho Rotador, criado em 1990, é resultante da parceria do Centro Mamíferos Aquáticos, um centro de fauna especializado do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade / Ministério do Meio Ambiente, com o Centro Golfinho Rotador, uma organização não governamental socioambiental de Fernando de Noronha, e com a Petrobras, o patrocinador oficial.


A missão do Projeto Golfinho Rotador é utilizar a pesquisa científica sobre os golfinhos, para preservar seu comportamento natural, conservar Fernando de Noronha, promover um programa de Educação Ambiental e fornecer subsídios para o desenvolvimento sustentável de Fernando de Noronha.




Os objetivos do Projeto Golfinho Rotador são:

  • Conscientizar a comunidade noronhense para a preservação ambiental, gerando multiplicadores ambientais entre os futuros prestadores de serviços turísticos;
  • Capacitar adolescentes ilhéus para trabalharem com ecoturismo;   
  • Fornecer subsídios ao desenvolvimento de uma sociedade sustentável em F. de Noronha;
  • Melhorar a qualidade dos serviços em ecoturismo oferecidos em Fernando de Noronha;
  • Estudar a história natural dos golfinhos em Fernando de Noronha;
  • Estudar a interação dos golfinhos com o turismo náutico;
  • Propor normas de preservação dos golfinhos-rotadores às autoridades competentes;
  • Propor e participar de ações que visem a conservação ambiental de Fernando de Noronha.
O Projeto Golfinho Rotador compreende dois programas simultâneos e inter-relacionados: Pesquisa e Educação Ambiental.

Monitoramento da Baía dos Golfinhos

PGR pesquisa Obs Barco

PGR pesquisa Obs Mirante dos Golfinhos 1

A história natural dos golfinhos-rotadores é estudada por intermédio de observações com binóculos, no Mirante dos Golfinhos, e subaquáticas em mergulho livre, no interior da Baía dos Golfinhos e em outras áreas do Arquipélago, por meio de observações naturalísticas do comportamento, com registros gráficos, fotográficos e videográficos.

Mergulho na Baia 

Os mergulhos livres

Entre janeiro de 1991 e 23 de agosto de 2011, foram realizados 1.278 mergulhos com golfinhos, totalizando 610 horas de observação subaquática dos rotadores em Fernando de Noronha. As observações em mergulho em sua grande maioria (75%) ocorreram dentro da Baía dos Golfinhos ou na Entre Ilhas. Em 80% do tempo de mergulho foi observado diretamente os golfinhos dentro d´água. Também foram realizadas 52 horas de filmagens e tiradas cerca 60 mil fotografias dos golfinhos-rotadores e de seus comportamentos em Fernando de Noronha.

Esta etapa consiste no registro da ocupação dos golfinhos-rotadores na Baía dos Golfinhos, quantificada pela presença/ausência, freqüência e tempo de permanência deles na enseada. A flutuação dessa ocupação é relacionada a parâmetros ambientais (pluviosidade, direção e velocidade do vento e agitação do mar) e antrópicos (números de passeios de barco).

Catalogação dos Golfinhos


Os golfinhos são catalogados e individualizados em função do sexo, classe etária e marcas naturais. Os registros são feitos com uso de fotografia e vídeo, obtidos em mergulho livre e a bordo de barcos.
A análise das avistagens e re-avistagens dos golfinhos catalogados possibilita definir a estrutura social dos agrupamentos, determinar a freqüência com que cada golfinho ocupa a Baía e estimar o tamanho da população de golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha.




Essa etapa consiste na investigação da interação dos rotadores com o turismo, por intermédio da análise das respostas comportamentais dos golfinhos à presença e à proximidade de embarcações.

De acordo com nossa hipótese, os rotadores de Noronha vivem na Cadeia de Montanhas Submarina de Fernando de Noronha. Uma área com forma retangular com as seguintes posições: o Monte Submarino 379 (coordenadas geográficas: 4º10'Sul e 32º00'Oeste), distante 58 km a sudestede Fernando de Noronha é a extremidade oeste desta área; o Atol das Rocas (3°50' Sul e 33°50'Oeste), 159 km a leste de Noronha é o centro; o Banco Sírius (4º00' Sul e 36º00' Oeste), localizado a 400 km de Noronha, é a extremidade leste; a borda do prolongamento da Plataforma Continental defronte ao Cabo do Calcanhar (5º00'Norte e 35º00'Oeste), no Estado do Rio Grande do Norte, é a localização mais próxima do continente, estando distante 316 km de Fernando de Noronha

Nos 4.725 dias em que foi possível contar os golfinhos entrando na enseada, a frequência máxima diária oscilou entre 2 e 2.046 indivíduos, com média diária de 335,25 e desvio padrão (DP) de 227,47.

Nos 3.193 dias em que foi possível definir o tempo de permanência dos golfinhos na enseada, os valores variaram de 1 minuto até 12 horas e 45 minutos, com média de 5 horas e 44 minutos e desvio padrão de 3 horas e 35 minutos.

 Os rotadores só foram observados dentro da Baía dos Golfinhos durante o dia. Nas 75 ocasiões em que foram realizadas observações noturnas na Baía dos Golfinhos, em noites de lua cheia, não foi encontrado nenhum rotador na enseada.

Spinner dolphin jumping.JPGA Baía de Santo Antônio/Entre Ilhas passou a ser o local do Arquipélago de Fernando de Noronha preferido pelos rotadores para descansar, enquanto diminuiu o tempo de permanência destes cetáceos na Baía dos Golfinhos.

Nas duas áreas de maior concentração e frequência de Stenella longirostris no Arquipélago de Fernando de Noronha, a Baía dos Golfinhos e Entre Ilhas, notou-se que os rotadores desenvolviam comportamentos vitais para seu ciclo biológico, com exceção de alimentação. Eles foram vistos descansando, em atividades sexuais, cuidando dos filhotes, de guarda ás ameaças, se comunicando, sendo infectados por agentes patogênicos e interagindo com outras espécies animais. O comportamento de alimentação dos rotadores, que nunca foi observado na Baía dos Golfinhos ou na Entre Ilha, normalmente ocorre no Mar de Fora.


Visão geral dos comportamentos dos rotadores de Noronha:

A estratégia sexual dos rotadores de Noronha resulta em uma estrutura social muito fluída, na qual inexiste a figura paterna, os laços familiares são derivações da relação mãe-filho e irmã-irmã.
Segundo esses laços, os golfinhos agrupam-se em unidades familiares, sobre as quais se associam os machos adultos, que flutuam entre as diferentes células familiares.


O sistema de comunicação aéreo foi composto por diversos padrões de saltos e batidas com partes do corpo na superfície do mar, as quais produziam turbulências características quando o golfinho reentrava na água. É muito evidente a flutuação horária do grau de agitação dos rotadores na Baía dos Golfinhos ao longo do dia, em função do número de golfinhos na Baía, hora de chegada dos animais e número de grupos que chegaram.


Observamos em Fernando de Noronha que alguns comportamentos específicos são executados preferencialmente por machos adultos, o que, para animais que tem estrutura social complexa como os rotadores, são definidos como atividades de proteção, realizadas pelos indivíduos que estão “de guarda” protegendo o grupo de ameaças , enquanto que os demais indivíduos podem se dedicar a outras atividades, como descanso, reprodução e cuidado parental. Estes comportamentos classificados por nós de guarda são: enfrentar tubarões, acompanhar embarcações, cercar mergulhadores e executar atividades aéreas.

Os rotadores que estão de guarda são os líderes do momento, que, quando deixam de estar de guarda executam outro comportamento, como descanso, deixando de ser líder. Neste momento, provavelmente outro rotador vai ficar de guarda e assumir a liderança. Sendo por isto, a liderança temporária e compartilhada.


Os golfinhos-rotadores apresentaram um complexo comportamento social, com vários sistemas de comunicação, como visual, tátil, químico-sensorial, acústicos e por atividade aérea. São estes dois últimos que conseguimos estudar em Noronha.

O Projeto Golfinho Rotador recebe por ano cerca de 10 voluntários de todo o Brasil. São estudantes ou recém-formados em cursos de Biologia, Oceanografia e Medicina Veterinária.

Curiosidade

Em 2003, para comemorar os 500 anos do descobrimento oficial de Fernando de Noronha, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou o Selo Golfinhos do Brasil, com uma imagem holográfica e um encarte com texto e fotos dos golfinhos-rotadores de Fernando de Noronha.



Código de comercialização: 852100523

Os pedidos também poderão ser endereçados à Agência de Vendas a Distância - A v . P r e s i d e n t e Vargas, 3.077 - 23º andar 20210-973 - Rio de Janeiro/RJ - telefones: 21 2503 8095/8096; Fax: 21 2503 8638; e-mail: centralvendas@correios.com.br.


ACENDEU A LUZ VERMELHA


Apesar desse trabalho do Projeto Golfinho Rotador, o turismo náutico tem impactado no deslocamento dos rotadores para uma nova área: a Baía de Santo Antônio e Entre Ilhas. 

Entre 1991 e 2005, os golfinhos ocupavam a Entre Ilhas em 30% dos dias do ano; enquanto que em 2006 e 2007, essa frequência passou a ser de 50% dos dias do ano. 

Em 2008 e 2009, esse percentual subiu ainda mais: 90% dos dias. 

Em 2010 e 2005, já temos golfinhos-rotadores descansando na região”Entre Ilhas” em 95% dos dias, enquanto que na Baía dos Golfinhos, o tempo de permanência caiu para menos de 3 horas por dia em média, contra 8 horas nos primeiros 10 anos do Projeto Golfinho Rotador. “Esse é um primeiro alerta de que os rotadores podem ir embora de Fernando de Noronha. Se não fosse o Projeto Golfinho Rotador, que protege essa população, os rotadores já teriam saído da Ilha”, diz José Martins.

Observou-se uma clara diminuição do tempo de permanência dos rotadores na Baía dos Golfinhos ao longo dos anos de estudo, principalmente a partir de 2003. Diminuição esta com correlação negativa (r=-0,120; p=0,005) com o tráfego de embarcações de turismo defronte à enseada, principalmente decorrente do tráfego de barcos de turismo em dias que Fernando de Noronha é visitado por cruzeiros turísticos.

Com a perspectiva de um novo navio maior, Ocean Dream, com capacidade para 1350 passageiros,
os impactos sobre os golfinhos certamente aumentarão.

Às Estrelas


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A gigante de couro pode atingir dois metros de comprimento e pesar até 750 kg.