sábado, 18 de fevereiro de 2012

Cataratas do Iguaçu, a maior fábrica de arco-íris do mundo



O arco-íris não precisa de chuva para nascer. As fábricas geradoras mais eficientes são as cachoeiras. Quem vai às Cataratas do Iguaçu em um belo dia ensolarado, recebe um presente adicional da natureza: uma coleção de arco-íris. Os ingredientes para o fenômeno são simples: luz solar e gotas de água. 

A luz do sol que bate na água pulverizada ajuda a manter um constante arco-íris nas diversas cachoeiras do rio Iguaçu.

Quase todas as quedas das majestosas Cataratas do Iguaçu criam elegantes arcos multicoloridos a qualquer hora do dia. O importante é a posição do sol – que deve estar sempre nas costas – e do chuvisco de água, à frente do observador.

Quando a combinação de luz e água é perfeita, o fenômeno cria uma segunda curva, um pouco mais acima. É o resultado da reflexão dupla da luz nas gotas de água. Extasiado pelo prodígio natural, descubro que a sequência das cores no arco adicional, mais tênue, está invertida. No arco-íris principal, o vermelho (que possui uma onda de luz mais longa) situa-se no exterior e o azul no interior. Já no arco secundário, as posições estão trocadas.


Um duplo arco-íris nos saltos Mbigua e Bernabé Mendez, do lado argentino das Cataratas do Iguaçu. O segundo arco (mais alto) leva as cores na ordem inversa.

A Mata Atlântica que rodeia os saltos está, a cada década, mais saudável e protegida. Até a qualidade da água parece ter melhorado. O que varia é o fluxo e a cor do rio Iguaçu. Durante a cheia, a água fica mais barrenta; quando a corrente é menor, é esverdeada. Nessa época do ano, a água está clara e aproveito os dias de sol para dar um objetivo adicional à minha jornada: identificar os melhores lugares para fotografar arco-íris nas cataratas.

O Parque Nacional do Iguaçu é o mais visitado do Brasil. Em 2011, mais de um milhão de pessoas avistaram as cataratas do nosso lado. Mas os pontos de observação são limitados pela nossa geografia e os turistas acabam se amontoando nos lugares clássicos: a plataforma perto do Hotel das Cataratas, o salto Santa Maria e o caminho que leva até essa cachoeira.

O Santa Maria é um dos poucos saltos nacionais. A melhor vista é da passarela construída sobre um trecho do rio. Estou de frente para a cachoeira e o sol está nas minhas costas. Sinto na face o vento criado pela força da queda d’água. Essa brisa molhada é o componente essencial para a criação de mais um arco-íris. A curva colorida vai de uma ponta à outra, cruzando o salto.

Ando na passarela e o fenômeno ótico segue meus passos. Se a intensidade da névoa diminui, o vigor das cores também desvanece. Escolho o momento e local ideal para registrar aquilo que apenas meus olhos enxergam. O arco-íris é uma ilusão ótica e não algo palpável. O ângulo de visão sempre é pessoal e único, diferente daquele da pessoa que está a seu lado.


Um arco-íris cruza todo o Salto Santa Maria, a cachoeira brasileira mais visitada. O sol precisa estar sempre atrás do observador

Para ser completa, a visita a esse Patrimônio Mundial precisa incluir o Parque Nacional Iguazú, na Argentina. Como o fluxo principal do rio – aquele que define legalmente a linha da fronteira – corre mais próximo ao Brasil, em nosso território ficamos apenas com uma sequência curta de cachoeiras de 500 metros de extensão, que vai do Salto Santa Maria à Garganta do Diabo. Os argentinos não só possuem uma fileira semelhante de cataratas na outra margem do cânion do Iguaçu, como também um grande complexo de cachoeiras ao redor da ilha San Martin, um quilômetro adiante. Calculei, com ajuda do Google Maps, que quase 70% das águas despencam do lado do vizinho.

Quanto mais água e luz, melhor para minha caça aos arco-íris. Visito o Salto Bossetti ao meio-dia e a posição do sol cria um arco colorido embaixo das águas, como se estivesse recebendo a enxurrada.Encerro a tarde com chave de ouro, na plataforma da Garganta do Diabo. O sol ilumina o coração das cataratas e estou no eixo correto fonte de luz–observador–água. O vigor das quedas não cria apenas a brisa necessária para um constante arco colorido, mas molha todos os visitantes.


Um longo arco-iris, fotografado no país vizinho, envolve as cascatas da Garganta do Diabo, divisa entre Brasil e Argentina.

É fácil perceber porque as Cataratas do Iguaçu atraem tanta gente. Qualquer uma das cachoeiras, se isolada, seria considerada uma visita obrigatória. Imagine encontrar 275 diferentes! É um lugar que clama por superlativos, onde a beleza da natureza e a força da água inspiram qualquer pessoa. Tudo aqui é muito intenso e grandioso. A única coisa bem pequena somos nós, seres humanos.

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