domingo, 30 de outubro de 2011

Arara do bico poderoso


Múculos poderosos? Que nada. A superforça da arara está no bico em forma de gancho que usa para abrir os frutos dos quais se alimenta. Ele também a ajuda a escalar árvores, apesar de a ave voar com muita destreza.

É a maior representante da família Psittacidae, da qual fazem parte papagaios e periquitos. O Brasil, aliás, tem grande diversidade de espécies desse grupo; tanto que os colonizadores chamaram o País de Terra dos Papagaios.


Entre as três principais espécies está a arara-canindé (Ara ararauna), com o topo da cabeça e as costas azuis e o peito e abdômen amarelos. É a mais comum, embora já tenha sumido de alguns Estados por causa da destruição do habitat e do tráfico de animais silvestres. Pode ainda ser vista na América Central, Bolívia e Paraguai.

Como o nome indica, a arara-vermelha (Ara chloropterus) tem a maioria das penas avermelhadas, além de algumas verdes e azuis. Vive principalmente na Amazônia, mas pode ser encontrada na região que vai do Panamá à Argentina.






A arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) é a maior das araras, podendo atingir 1 m de comprimento. Tem penas azuis-escuras e um anel amarelo em volta dos olhos e do bico. Ameaçada de extinção, ocorre do Pará até o Mato Grosso do Sul, e em áreas do Paraguai e Bolívia.

Em geral, as araras fazem ninhos nos ocos das árvores, onde botam de um a três ovos, dependendo da espécie. Vivem cerca de 60 anos em cativeiro. O macho e a fêmea costumam ficar unidos a vida inteira.

Vítimas do tráfico de animais

No Brasil, as aves da família Psittacidae estão entre as que mais sofrem com o tráfico de animais. Apesar de o comércio de bichos silvestres (naturais da fauna brasileira) ser crime, o homem continua a retirá-los do habitat natural e vendê-los na beira de estradas, feiras e até na internet. Calcula-se que 12 milhões de exemplares no mundo são tirados das matas anualmente. Grande parte das espécies brasileiras, aliás, é enviada ao Exterior.

Os traficantes costumam capturar os filhotes, que são escondidos em malas, caixas, tubos plásticos e até latões de tinta. Em geral, permanecem nesses locais vários dias sem ventilação, água e alimento; de cada dez animais, nove morrem antes de chegar aos compradores.

Só pode ser comercializado o bicho que nasce em cativeiro autorizado pelo Ibama. Como não estão acostumados a conviver presos e perto das pessoas, os silvestres podem ficar agressivos ou morrer em pouco tempo. Quem retira ou vende animais da mata pode ficar de seis meses a um ano na cadeia, além de ser punido com multa.

Arara não imita voz humana como o papagaio

A arara adora comer coquinhos de diferentes palmeiras, como o buriti, acuri e bocaiúva, dependendo da espécie. Esperta, usa os habilidosos dedos para levar o fruto ao bico. No entanto, demora para conquistar a independência e se virar sozinha. No caso da arara-azul-grande, por exemplo, o filhote permanece pouco mais de três meses no ninho, sendo alimentado pelos pais. Depois, recebe cuidados dos adultos durante mais um ano e meio.

É barulhenta e inteligente como os outros integrantes da família Psittacidae. Entretanto, não tem a capacidade de repetir o som da voz humana ou de outros animais como o primo papagaio, que consegue gravar centenas de sons na memória. Mas isso acontece apenas se tiver contato com o homem. Apesar de não pertencer ao mesmo grupo, a gralha também possui essa habilidade.

Em 2008, o papagaio Yosuke Nakamura, do Japão, conseguiu voltar para casa porque disse seu nome e endereço para os policiais que o salvaram. Os donos ensinaram o bicho a repetir as palavras durante dois anos. Já o papagaio-cinza-africano Alex, da pesquisadora norte-americana Irene Pepperberg, sabia mais de 100 palavras, fazia continha de somar e conseguia identificar formas e cores. Ele morreu em 2007, aos 31 anos.








Bicho do mês tem a consultoria do biólogo Daniel F. Parrella, da Divisão de Ciências Biológicas do Zoológico de São Paulo.

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