domingo, 30 de outubro de 2011

A planta Cordia nodosa, e suas formigas da Floresta Amazônica


Estudo demonstra que o sucesso reprodutivo de uma planta mirmecófita é determinado pela a identidade da formiga associada

No artigo publicado na revista Acta Amazônica, dois pesquisadores do Programa de pós-graduação em Ecologia e Conservação dos Recursos Naturais (IB/UFMT) estudaram a relação mutualística entre a planta Cordia nodosa, e suas formigas associadas uma área ao sul da Floresta Amazônica. Algumas espécies de formigas podem se associar a esta planta, e estas espécies variam biogeograficamente. Esse estudo se deu em uma fazenda (São Nicolau - ONF/Pegeout), as márgens do Rio Juruena, uma região muito pouco conhecida pela ciência e inserida no "arco do desmatamento". Lá, os autores demonstraram que, para a planta, a identidade da formiga importa e muito para que a associação a mesma produza frutos. Adicionalmente, comparando os resultados com estudos já publicados, demonstraram que o padrão em escala biogeográfico, justamente em função da variação da fauna de formigas, o que sugere a necessidade de um estudo em grande escala para ajudar a entender como o mutualismo evolui.

Todas as plantas desenvolveram estratégias para diminuir a herbivoria incidente, e consequentemente aumentar seu sucesso reprodutivo. Uma estratégia intrigante é a associação com formigas. Nesses casos algumas plantas podem possuir estruturas ocas, chamadas domáceas, que tem como única função abrigar permanentemente colônias de formigas, que executam a tarefa de eliminar os herbívoros de suas folhas. Essas plantas são chamadas de mirmecófitas, e são bastante comuns e particularmente diversas na Amazônia. Os pesquisadores constataram que a redução da herbivoria foliar na planta mirmecófita Cordia nodosa é relacionada à existência uma colônia de formigas habitando seus ramos. Porém, não apenas a colonização da planta por uma colônia de formigas é suficiente. Também foi demonstrado que também importa em muito a influência da espécie de formiga colonizadora na produção de frutos. No caso, o sucesso reprodutivo de plantas quando associadas a formigas do Gênero Azteca é muito superior ao de plantas associadas a formigas Allomerus octoarticulatus. Isto pode ser explicado por A. octoarticulatus ser uma notória trapaceira em relações mutualísticas com plantas, onde a formiga corta as flores da planta hospedeira a fim de redirecionar o fluxo de energia da produção de flores para a produção de ramos, e consequentemente, mais espaço para a colônia.

Uma segunda questão curiosa apontada pelos pesquisadores é que a mirmecófita C. nodosa tem distribuição geográfica bastante extensa, ocorrendo em toda a Amazônia e ocorrendo também na mata atlântica nordestina e ao sudeste brasileiro. Resultados similares, quanto a dependência de formigas específicas para reprodução da planta, também foram encontrados por outros pesquisadores em outros sítios na Amazônia Andina (Peru e Guiana), onde a fauna de formigas associadas é similar. Porém, na Amazônia Central a fauna de formigas se restringe a formigas do gênero Azteca e na mata atlântica aparentemente há a domácea ma não há formigas especialistas associadas. Esse padrão aponta que sistemas como o da mirmecófita C. nodosa e suas formigas associadas são excelentes modelos para elucidar mecanismos coevolutivos em escala biogeográfica.



Contato:
Thiago Junqueira Izzo
Universidade Federal de Mato Grosso
Email: izzothiago@gmail.com

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