quarta-feira, 24 de julho de 2013

Confira a lista das 10 florestas mais ameaçadas do mundo



Um estudo divulgado em fevereiro deste ano, pela *ONG Conservação Internacional, (dirigida por Harrison Ford), dedicada à conservação e utilização sustentada da biodiversidade, listou as 10 florestas mais ameaçadas do mundo. São regiões, chamadas de "hotspots de biodiversidade", áreas de extrema riqueza biológica, com alto índice de espécies endêmicas (que só são encontradas naquela região) sob risco de extinção ou altamente degradadas.

No caso dos 10 hotspots florestais mais críticos, todos perderam já 90% ou mais da cobertura original e abrigam pelo menos 1,5 mil espécies de plantas endêmicas. E também estas regiões armazenam mais de 25 gigatons de carbono, o que abranda os efeitos da mudança climática.

A Terra é coberta por apenas 30% de área florestal, que abriga 80% da biodiversidade terrestre mundial. Cerca de 1,6 bilhão, também garantem seu sustento através das florestas, dado estimado pela Conservação Internacional. Outro adendo importante é que a área florestal é o mais importante reservatório de água doce do planeta.

Situação:

1º lugar: Regiões da Indo-Birmânia (Ásia-Pacífico)


Os rios e pântanos desse hotspot são extremamente importantes para a conservação de aves, tartarugas e peixes de água doce, incluindo alguns dos maiores peixes de água doce do mundo. Os ecossistemas aquáticos estão sob intensa pressão de fatores de destruição em muitas áreas da Indo-Birmânia (região que compreende Mianmar, Camboja, Vietnã, Tailândia, Laos, um pedaço da China e da Índia), como a destruição de áreas alagáveis de planícies aluviais de água doce pelo cultivo de arroz e rios sendo represados para gerar eletricidade. Hoje subsistem apenas 5% do habitat original.

2º lugar: Nova Zelândia (Oceania)


Um arquipélago montanhoso uma vez dominado pelas florestas temperadas, a Nova Zelândia é uma terra de paisagens variadas e abriga extraordinários índices de espécies endêmicas, incluindo seu representante mais famoso, o kiwi. Nenhum de seus mamíferos, anfíbios ou répteis é encontrado em outro lugar do mundo. Com o impacto da vinda dos europeus, trazendo centenas de espécies de ervas daninhas invasoras, somado ao da caça e da destruição de habitats, há apenas 5% do habitat original do arquipélago.

3º lugar: Florestas de Sunda, na Indonésia, Malásia e Brunei (Ásia-Pacífico)


O hotspot de Sunda cobre a metade ocidental do arquipélago Indo-Maláio, um arco de cerca de 17 mil ilhas equatoriais, dominado pelas duas maiores ilhas do mundo: Boréo e Sumatra. Suas espetaculares flora e fauna estão sucumbindo devido ao crescimento explosivo da indústria florestal e do comércio internacional de animais que consome tigres, macacos e espécies de tartarugas para alimentos e remédios em outros países. Populações de orangotangos, encontradas apenas nessas florestas, estão em dramático declínio. Hoje, apenas cerca de 7% da extensão original da floresta permanecem mais ou menos intactos.

4º lugar: Filipinas (Ásia-Pacífico)


Mais de 7.100 ilhas estão dentro das fronteiras do hotspot das Filipinas, identificado como um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Diversas espécies endêmicas estão confinadas a fragmentos de florestas que cobrem apenas 7% da extensão original do hotspot. Isso inclui cerca de 6 mil espécies de plantas e diversas espécies de aves tais como a águia das Filipinas (Pithecophaga jefferyi), a segunda maior águia do mundo. As florestas filipinas são também uma das áreas em maior perigo de destruição. Historicamente devastadas pela atividade madeireira, os hoje poucos remanescentes estão sendo dizimados pela agricultura e para acomodar as necessidades da alta taxa de crescimento populacional e severa pobreza rural do país. O sustento de cerca de 80 milhões de pessoas depende principalmente de recursos naturais provenientes das florestas.

5º lugar: Mata Atlântica (América do Sul)

A foto mostra Foz do Iguaçu, município brasileiro localizado no extremo oeste do Estado do Paraná.

A Mata Atlântica se estende por toda a costa atlântica brasileira, alongando-se para partes do Paraguai, Argentina e Uruguai, incluindo também ilhas oceânicas e o arquipélago de Fernando de Noronha. A Mata Atlântica abriga 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas, ou seja, restritas a essa região. Ainda assim, menos de 10% da floresta permanece de pé. Mais de duas dúzias de espécies de vertebrados ameaçadas de extinção – listadas na categoria “Criticamente em Perigo” - estão lutando para sobreviver na região, incluindo micos-leões-dourados e seis espécies de aves que habitam uma pequena faixa da floresta no Nordeste. Começando com o ciclo da cana-de-açúcar, seguido das plantações de café, a região vem sendo desmatada há centenas de anos. Agora, a Mata Atlântica está enfrentando pressão por conta da crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e São Paulo. Mais de 100 milhões de pessoas, além da indústria têxtil, agricultura, fazendas de gado e atividade madeireira da região dependem do suprimento de água doce desse remanescente florestal.

6º lugar: Montanhas do sudoeste da China (Ásia)


As Montanhas do Centro-Sul da China apresentam uma ampla gama de habitats incluindo a flora temperada com a maior taxa de endemismo no mundo. O ameaçado panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), que pode chegar a até 1,80 m de altura e é quase totalmente restrito a essas pequenas florestas, é a bandeira da conservação da região. Essas montanhas também alimentam a maioria dos sistemas hídricos da Ásia, incluindo diversas ramificações do rio Yangtze. O Rio Mekong corta a província de Yunnan e o Laos, o Camboja e o Vietnã em seu curso até o mar do sul da China. O Nujiang atinge o Oceano Índico pela província de Yunnan e Burma. As atividades ilegais de caça, coleta de lenha e pastagem são algumas das principais ameaças à biodiversidade da região (que inclui o panda vermelho, na foto). A construção de barragens está sendo planejada em todos os rios principais da floresta, o que deve afetar os ecossistemas e a subsistência de milhões de pessoas. Ao todo, apenas cerca de 8% da extensão original do hotspot permanecem em condições inalteradas.

7º lugar: Província Florística da Califórnia (América do Norte)


A Província Florística da Califórnia é uma zona de clima do tipo mediterrâneo, que possui altos índices de plantas endêmicas. É o lar da sequoia gigante, o maior organismo vivo do planeta (pode viver por mais de mil anos), e alguns dos últimos condores da Califórnia, a maior ave da América do Norte. É o local de maior reprodução de aves dos Estados Unidos. Diversas espécies de grandes mamíferos antes encontrados nesse local estão extintas, incluindo o urso cinzento (Ursus arctos), que aparece na bandeira da Califórnia e tem sido símbolo do Estado há mais de 150 anos. A vasta destruição causada pela agricultura comercial é uma grande ameaça para a região, que gera metade de todos os produtos agrícolas utilizados pelos consumidores dos EUA. O hotspot é também fortemente ameaçado pela expansão de áreas urbanas, poluição e construção de estradas, o que tornou a Califórnia um dos quatro estados mais ambientalmente degradados do país. Hoje, apenas cerca de 10% da vegetação original permanecem mais ou menos intacta.

8º lugar: Florestas Costeiras da África Oriental (África)


Apesar de pequenos e fragmentados, os remanescentes que formam as Florestas Costeiras da África Oriental contêm níveis extraordinários de biodiversidade. As 40 mil variedades cultivadas da violeta africana, que formam a base de um comércio global de folhagens que movimenta US$ 100 milhões anualmente, são todas derivadas de um punhado de espécies encontradas nas florestas costeiras da Tanzânia e do Quênia. Os primatas são espécies-símbolo da região, como o Colubus Vermelho de Zanzibar, que é uma atração turística importante. A expansão agrícola continua sendo a maior ameaça para as Florestas Costeiras da África Oriental. Devido à pobre qualidade do solo e a uma tendência de crescimento populacional, a agricultura de subsistência, assim como as fazendas comerciais, continua a consumir mais e mais dos recursos naturais da região, com apenas 10% restante das florestas originais.

9º lugar: Madagascar e ilhas do Oceano Índico


Este hotspot é um exemplo vivo da evolução de espécies em isolamento. Apesar da proximidade com a África, as ilhas não compartilham quaisquer dos grupos típicos de animais do continente vizinho. Ao invés disso, elas contêm uma exuberante coleção única de espécies, com altos níveis de endemismo. Madagascar e o grupo de ilhas vizinhas possuem um total impressionante de oito famílias de plantas, quatro famílias de aves e cinco famílias de primatas que não existem em nenhum outro lugar da Terra. As mais de 50 espécies de lêmures de Madagascar são os carismáticos embaixadores para a conservação da ilha, embora diversas espécies já tenham entrado em extinção. Em uma área que é das mais prejudicadas economicamente no mundo, a alta taxa de crescimento populacional está colocando uma enorme pressão sobre o ambiente natural. A agricultura, a caça e a extração não sustentável de madeira, além da mineração em grande e pequena escalas, são ameaças crescentes. Estima-se que restam apenas 10% do habitat original.

10º lugar: Florestas de Afromontane


As montanhas do hotspot de Afromontane Oriental são dispersas ao longo da extremidade oriental da África, desde a Arábia Saudita ao norte até o Zimbábue ao sul. Embora geograficamente dispersas, as montanhas que compreendem a região possuem flora extraordinariamente similar. O Vale do Rift abriga mais mamíferos, aves e anfíbios endêmicos do que qualquer outra região da África. O evento geográfico que criou as montanhas desse hotspot também gerou alguns dos mais extraordinários lagos do mundo. Devido aos grandes lagos, um grande montante de diversidade de peixes de água doce pode ser encontrado na região, que é o habitat de 617 espécies endêmicas. Assim como na maioria das áreas tropicais, a principal ameaça a essas florestas é a expansão da agricultura, especialmente com grandes plantações de banana, feijão e chá. Outra ameaça relativamente nova, que coincide com o aumento da população, é o crescente mercado de carne. Hoje, apenas 11% de seu habitat original permanecem intacto.

Segundo Edward O. Wilson, professor da Universidade de Harvard e uma das maiores autoridades mundiais em biodiversidade, as atividades humanas poderão ser responsáveis pelo desaparecimento de cerca de 20% das espécies nos próximos 30 anos. Se isso ocorrer, haverá a maior extinção de espécies no planeta, comparável apenas à ocorrida há 65 milhões de anos, quando teve fim a era dos dinossauros.

Paixão pela Floresta

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A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global – amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. 

A missão da Conservação Internacional (CI) é promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza - nossa biodiversidade global - amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo.

Como uma organização global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Possui escritórios em Belo Horizonte-MG, Belém-PA, Brasília-DF e Rio de Janeiro-RJ, além de uma unidade avançada em iCaravelas-BA. Para mais informações sobre os programas da CI no Brasil, visite www.conservacao.org, o Twitter @CIBrasil e o Facebook http://www.facebook.com/ConservacaoInternacional.





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