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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Confira a lista das 10 florestas mais ameaçadas do mundo



Um estudo divulgado em fevereiro deste ano, pela *ONG Conservação Internacional, (dirigida por Harrison Ford), dedicada à conservação e utilização sustentada da biodiversidade, listou as 10 florestas mais ameaçadas do mundo. São regiões, chamadas de "hotspots de biodiversidade", áreas de extrema riqueza biológica, com alto índice de espécies endêmicas (que só são encontradas naquela região) sob risco de extinção ou altamente degradadas.

No caso dos 10 hotspots florestais mais críticos, todos perderam já 90% ou mais da cobertura original e abrigam pelo menos 1,5 mil espécies de plantas endêmicas. E também estas regiões armazenam mais de 25 gigatons de carbono, o que abranda os efeitos da mudança climática.

A Terra é coberta por apenas 30% de área florestal, que abriga 80% da biodiversidade terrestre mundial. Cerca de 1,6 bilhão, também garantem seu sustento através das florestas, dado estimado pela Conservação Internacional. Outro adendo importante é que a área florestal é o mais importante reservatório de água doce do planeta.

Situação:

1º lugar: Regiões da Indo-Birmânia (Ásia-Pacífico)


Os rios e pântanos desse hotspot são extremamente importantes para a conservação de aves, tartarugas e peixes de água doce, incluindo alguns dos maiores peixes de água doce do mundo. Os ecossistemas aquáticos estão sob intensa pressão de fatores de destruição em muitas áreas da Indo-Birmânia (região que compreende Mianmar, Camboja, Vietnã, Tailândia, Laos, um pedaço da China e da Índia), como a destruição de áreas alagáveis de planícies aluviais de água doce pelo cultivo de arroz e rios sendo represados para gerar eletricidade. Hoje subsistem apenas 5% do habitat original.

2º lugar: Nova Zelândia (Oceania)


Um arquipélago montanhoso uma vez dominado pelas florestas temperadas, a Nova Zelândia é uma terra de paisagens variadas e abriga extraordinários índices de espécies endêmicas, incluindo seu representante mais famoso, o kiwi. Nenhum de seus mamíferos, anfíbios ou répteis é encontrado em outro lugar do mundo. Com o impacto da vinda dos europeus, trazendo centenas de espécies de ervas daninhas invasoras, somado ao da caça e da destruição de habitats, há apenas 5% do habitat original do arquipélago.

3º lugar: Florestas de Sunda, na Indonésia, Malásia e Brunei (Ásia-Pacífico)


O hotspot de Sunda cobre a metade ocidental do arquipélago Indo-Maláio, um arco de cerca de 17 mil ilhas equatoriais, dominado pelas duas maiores ilhas do mundo: Boréo e Sumatra. Suas espetaculares flora e fauna estão sucumbindo devido ao crescimento explosivo da indústria florestal e do comércio internacional de animais que consome tigres, macacos e espécies de tartarugas para alimentos e remédios em outros países. Populações de orangotangos, encontradas apenas nessas florestas, estão em dramático declínio. Hoje, apenas cerca de 7% da extensão original da floresta permanecem mais ou menos intactos.

4º lugar: Filipinas (Ásia-Pacífico)


Mais de 7.100 ilhas estão dentro das fronteiras do hotspot das Filipinas, identificado como um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Diversas espécies endêmicas estão confinadas a fragmentos de florestas que cobrem apenas 7% da extensão original do hotspot. Isso inclui cerca de 6 mil espécies de plantas e diversas espécies de aves tais como a águia das Filipinas (Pithecophaga jefferyi), a segunda maior águia do mundo. As florestas filipinas são também uma das áreas em maior perigo de destruição. Historicamente devastadas pela atividade madeireira, os hoje poucos remanescentes estão sendo dizimados pela agricultura e para acomodar as necessidades da alta taxa de crescimento populacional e severa pobreza rural do país. O sustento de cerca de 80 milhões de pessoas depende principalmente de recursos naturais provenientes das florestas.

5º lugar: Mata Atlântica (América do Sul)

A foto mostra Foz do Iguaçu, município brasileiro localizado no extremo oeste do Estado do Paraná.

A Mata Atlântica se estende por toda a costa atlântica brasileira, alongando-se para partes do Paraguai, Argentina e Uruguai, incluindo também ilhas oceânicas e o arquipélago de Fernando de Noronha. A Mata Atlântica abriga 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas, ou seja, restritas a essa região. Ainda assim, menos de 10% da floresta permanece de pé. Mais de duas dúzias de espécies de vertebrados ameaçadas de extinção – listadas na categoria “Criticamente em Perigo” - estão lutando para sobreviver na região, incluindo micos-leões-dourados e seis espécies de aves que habitam uma pequena faixa da floresta no Nordeste. Começando com o ciclo da cana-de-açúcar, seguido das plantações de café, a região vem sendo desmatada há centenas de anos. Agora, a Mata Atlântica está enfrentando pressão por conta da crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e São Paulo. Mais de 100 milhões de pessoas, além da indústria têxtil, agricultura, fazendas de gado e atividade madeireira da região dependem do suprimento de água doce desse remanescente florestal.

6º lugar: Montanhas do sudoeste da China (Ásia)


As Montanhas do Centro-Sul da China apresentam uma ampla gama de habitats incluindo a flora temperada com a maior taxa de endemismo no mundo. O ameaçado panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), que pode chegar a até 1,80 m de altura e é quase totalmente restrito a essas pequenas florestas, é a bandeira da conservação da região. Essas montanhas também alimentam a maioria dos sistemas hídricos da Ásia, incluindo diversas ramificações do rio Yangtze. O Rio Mekong corta a província de Yunnan e o Laos, o Camboja e o Vietnã em seu curso até o mar do sul da China. O Nujiang atinge o Oceano Índico pela província de Yunnan e Burma. As atividades ilegais de caça, coleta de lenha e pastagem são algumas das principais ameaças à biodiversidade da região (que inclui o panda vermelho, na foto). A construção de barragens está sendo planejada em todos os rios principais da floresta, o que deve afetar os ecossistemas e a subsistência de milhões de pessoas. Ao todo, apenas cerca de 8% da extensão original do hotspot permanecem em condições inalteradas.

7º lugar: Província Florística da Califórnia (América do Norte)


A Província Florística da Califórnia é uma zona de clima do tipo mediterrâneo, que possui altos índices de plantas endêmicas. É o lar da sequoia gigante, o maior organismo vivo do planeta (pode viver por mais de mil anos), e alguns dos últimos condores da Califórnia, a maior ave da América do Norte. É o local de maior reprodução de aves dos Estados Unidos. Diversas espécies de grandes mamíferos antes encontrados nesse local estão extintas, incluindo o urso cinzento (Ursus arctos), que aparece na bandeira da Califórnia e tem sido símbolo do Estado há mais de 150 anos. A vasta destruição causada pela agricultura comercial é uma grande ameaça para a região, que gera metade de todos os produtos agrícolas utilizados pelos consumidores dos EUA. O hotspot é também fortemente ameaçado pela expansão de áreas urbanas, poluição e construção de estradas, o que tornou a Califórnia um dos quatro estados mais ambientalmente degradados do país. Hoje, apenas cerca de 10% da vegetação original permanecem mais ou menos intacta.

8º lugar: Florestas Costeiras da África Oriental (África)


Apesar de pequenos e fragmentados, os remanescentes que formam as Florestas Costeiras da África Oriental contêm níveis extraordinários de biodiversidade. As 40 mil variedades cultivadas da violeta africana, que formam a base de um comércio global de folhagens que movimenta US$ 100 milhões anualmente, são todas derivadas de um punhado de espécies encontradas nas florestas costeiras da Tanzânia e do Quênia. Os primatas são espécies-símbolo da região, como o Colubus Vermelho de Zanzibar, que é uma atração turística importante. A expansão agrícola continua sendo a maior ameaça para as Florestas Costeiras da África Oriental. Devido à pobre qualidade do solo e a uma tendência de crescimento populacional, a agricultura de subsistência, assim como as fazendas comerciais, continua a consumir mais e mais dos recursos naturais da região, com apenas 10% restante das florestas originais.

9º lugar: Madagascar e ilhas do Oceano Índico


Este hotspot é um exemplo vivo da evolução de espécies em isolamento. Apesar da proximidade com a África, as ilhas não compartilham quaisquer dos grupos típicos de animais do continente vizinho. Ao invés disso, elas contêm uma exuberante coleção única de espécies, com altos níveis de endemismo. Madagascar e o grupo de ilhas vizinhas possuem um total impressionante de oito famílias de plantas, quatro famílias de aves e cinco famílias de primatas que não existem em nenhum outro lugar da Terra. As mais de 50 espécies de lêmures de Madagascar são os carismáticos embaixadores para a conservação da ilha, embora diversas espécies já tenham entrado em extinção. Em uma área que é das mais prejudicadas economicamente no mundo, a alta taxa de crescimento populacional está colocando uma enorme pressão sobre o ambiente natural. A agricultura, a caça e a extração não sustentável de madeira, além da mineração em grande e pequena escalas, são ameaças crescentes. Estima-se que restam apenas 10% do habitat original.

10º lugar: Florestas de Afromontane


As montanhas do hotspot de Afromontane Oriental são dispersas ao longo da extremidade oriental da África, desde a Arábia Saudita ao norte até o Zimbábue ao sul. Embora geograficamente dispersas, as montanhas que compreendem a região possuem flora extraordinariamente similar. O Vale do Rift abriga mais mamíferos, aves e anfíbios endêmicos do que qualquer outra região da África. O evento geográfico que criou as montanhas desse hotspot também gerou alguns dos mais extraordinários lagos do mundo. Devido aos grandes lagos, um grande montante de diversidade de peixes de água doce pode ser encontrado na região, que é o habitat de 617 espécies endêmicas. Assim como na maioria das áreas tropicais, a principal ameaça a essas florestas é a expansão da agricultura, especialmente com grandes plantações de banana, feijão e chá. Outra ameaça relativamente nova, que coincide com o aumento da população, é o crescente mercado de carne. Hoje, apenas 11% de seu habitat original permanecem intacto.

Segundo Edward O. Wilson, professor da Universidade de Harvard e uma das maiores autoridades mundiais em biodiversidade, as atividades humanas poderão ser responsáveis pelo desaparecimento de cerca de 20% das espécies nos próximos 30 anos. Se isso ocorrer, haverá a maior extinção de espécies no planeta, comparável apenas à ocorrida há 65 milhões de anos, quando teve fim a era dos dinossauros.

Paixão pela Floresta

*
A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global – amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. 

A missão da Conservação Internacional (CI) é promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza - nossa biodiversidade global - amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo.

Como uma organização global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Possui escritórios em Belo Horizonte-MG, Belém-PA, Brasília-DF e Rio de Janeiro-RJ, além de uma unidade avançada em iCaravelas-BA. Para mais informações sobre os programas da CI no Brasil, visite www.conservacao.org, o Twitter @CIBrasil e o Facebook http://www.facebook.com/ConservacaoInternacional.





sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O Clube da Semente


O Clube da Semente é um Organismo Não Governamental (ONG), que tem como objetivo básico desenvolver um trabalho de conscientização ambiental capaz de promover a conciliação da preservação de espécies (arbóreas) da flora brasileira com a elevação da qualidade de vida humana, a partir do uso socialmente justo e ecologicamente sustentável da diversidade biológica.

Suas atividades são mantidas principalmente através de campanhas de distribuição gratuitas de sementes, financiadas por empresas privadas, públicas e por seus inúmeros colaboradores espalhados pelo Brasil e exterior.

Nosso trabalho tem, além do objetivo fundamental ligado à preservação, a preocupação com o processo educativo de cada indivíduo. Contamos também com você, uma semente importantíssima na execução deste projeto.





quarta-feira, 15 de junho de 2011

Era uma vez um mundo cheio de vida e esperança chamado Makaya...


Cuidando do meio ambiente através crianças, 
  
Carolina Lefemina conta a história

Apesar de não ter aprendido noções sobre preservação dos recursos naturais desde criança, Carolina Lefemina sempre gostou da natureza. Aos 35 anos, ela criou a Makaya, uma ONG para realizar trabalhos de reinserção de animais silvestres em seus habitats e desenvolve um projeto com as crianças da Casa do Zezinho. 
Na escola, ela criou uma metodologia de ensino ambiental completamente diferente do usual, seu objetivo é fazer com que as crianças gostem de cuidar do meio ambiente "com o coração".
Leia abaixo a entrevista e entenda como projetos como a criação de uma horta ou a troca de copinhos plásticos por canecas pode fazer com que as crianças e os jovens compreendam a preservação e cultivem amor pela natureza. 
 O Makaya surgiu de uma vontade minha de fazer reinserção de animais silvestres na vida selvagem. Eu sempre trabalhei com animais, fui adestradora durante 15 anos, e o meu objetivo é trabalhar para devolver esses bichos à natureza. A partir daí comecei a rea
lizar parcerias com pessoas que querem ter aproximação com o meio ambiente. Dessa forma, eu tomo conta dessa temática nos projetos das pessoas com quem trabalho.

A missão do Makaya é educar as pessoas para a preservação e o cuidado com o meio ambiente. Hoje, na parceria que eu realizo com a Casa do Zezinho, eu cuido do meio ambiente através das crianças.

Nessa parceria, nós criamos mecanismos de educar os zezinhos para a preservação. Um deles é o Caminho da Transformação, que começa em uma Ecocabana. Ela foi construída pelos próprios zezinhos e seus pais. 
Nós escolhemos pais que já tinham experiência como pedreiros ou que estavam desempregados e os levamos para um curso de capacitação em permacultura, chamado Casa do Homem. Lá eles aprenderam a fazer bioconstrução. 
A cabana foi montada com garrafas PET recheadas de sobras de materiais das aulas dos zezinhos, com a massa feita de adobe com jornal, cola e barro, e com estrutura de restos de metais de construção civil. Na Ecocabana, os zezinhos têm aulas de vídeo, com filmes relacionados ao meio ambiente.
O percurso do "Caminho da Transformação" é grande... 
Então, após a cabana, tem uma “Calçada da Fama” com pegadas de bichos que estão em fase de extinção, daí eles chegam na parte que eu considero o coração do projeto, que é o “Meu Refúgio”, um pedaço de mata fechada, onde os alunos devem ficar em silêncio e podem sentir o cheiro do mato. É nesse ponto que a gente quer tocar no coração desses meninos, fazer com que eles sintam gratidão pela natureza e por tudo o que ela nos oferece (a água, o fogo, a terra e o ar). Fazer com que eles entendam que são parte disso e que a natureza está aí, responsável pela vida deles. 
Depois temos viveiros de coelhos, cabras, codornas e também um viveiro aberto para pássaros. Nós queremos implantar a ideia de que os animais não precisam estar presos para serem cuidados pelas pessoas. 
No futuro nós queremos fazer uma ação com o IBAMA para devolver papagaios dos alunos à natureza. Um dado curioso é que três em cada 10 alunos da Casa possuem papagaios. Eles sabem que é errado, mas muitos não sabem que podem devolver os animais e nós queremos realizar uma ação de reinserção desses pássaros.
 Os alunos também plantaram um jardim com mais de mil sementes. A primeira tentativa não deu certo, todas as mudas morreram e eles passaram por uma frustração, além de entender a dificuldade que uma planta tem de nascer e o tempo que demora para germinar. Eles produziram outras mudas, na própria estufa da Casa.
Eles adoram essas ações e participam diariamente. Outro projeto nosso foi a implantação de reciclagem na escola, feito com a cooperativa que uma mãe de zezinho participa. 
Nós colocamos as lixeiras e explicamos a eles como é que funciona o sistema: todos os dias, em rodízio, um grupo de zezinhos de todas as classes de aula são fiscalizadores do Makaya. Eles recebem aventais e boné de identificação e passam por toda a escola olhando as lixeiras e as plantas - assim que os bichos chegarem também vão cuidar deles. E para acabar com esse hábito de jogar o lixo no chão, que tinha muito, nós criamos uma parceria entre o pessoal da limpeza e os zezinhos que participam do Makaya, porque aí, no local que está sujo ou que o pessoal não está jogando lixo corretamente, os alunos avisam ao pessoal da limpeza. 
A Casa do Zezinho consumia cerca de 60 mil copos plásticos por mês e isso incomodava muito a Tia Dag. O copinho plástico, por mais que ele seja levado para a reciclagem, é pouco reaproveitado. Nós tínhamos a ideia de introduzir o uso das canecas, mas não sabíamos como fazer. Foi então que um grupo de alunos viu a nossa bióloga com uma caneca pendurada na calça e também quis. A partir desses jovens, a escola toda (com mil e duzentos alunos) quis usar as caneca. Os próprios alunos tomam conta das plantas e da fiscalização do lixo 
Para fazer com que os alunos entendessem a necessidade de cuidar do meio ambiente, nós começamos com a ideia de que eles precisam colocar a mão na massa em tudo, são eles que mexem na terra e cuidam das plantas, que veem se as coisas estão dando certo ou não. No começo, nós tivemos uma dificuldade de como trazer isso para os zezinhos. Uma de nossas primeiras conversas foi justamente isso, qual o papel deles na preservação do meio ambiente, seja contra o aquecimento global ou no cuidado com as espécies. Eles diziam que não tinham nada a ver com o derretimento das geleiras e com a extinção dos micos-leões-dourados, por exemplo. 
Então nós fizemos com que eles percebessem que tinham que cuidar dos recursos mais próximos, como o ar que respiram e a água que bebem. A ideia é fazer com que eles poluíssem menos  produzissem menos lixo.
Muito dessa filosofia é realizada em parceria com a nossa bióloga, que direto realiza atividades de reciclagem e reutilização com as crianças para que eles passem a entender da preservação com o coração, porque aí fica mais fácil. 
O Makaya só tem um ano, mas nós realizamos outras duas ações, uma no Lar Doce Lar (quadro do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo) e uma com o Projeto A Gente Transforma (AGT), em parceria com o Marcelo Rosenbaum e a Suvinil. Nesse projeto nós fizemos uma revitalização da quadra de esportes do Parque Santo Antônio, em São Paulo, e o Makaya entrou com o objetivo de fazer com aquilo tivesse o menor impacto ambiental possível. Nós reutilizamos o material utilizado na ação e plantamos mais de 100 árvores em torno do campo. 
Nessas ações, é possível perceber se a comunidade agrega esses valores de sustentabilidade tem coisas que ficam guardadas em nossa cabeça, coisas que dinheiro nenhum compra. Nessa ação do AGT, por exemplo, nós passamos o dia plantando árvores, fomos na comunidade apenas para plantar e explicar como fazer para preservar as plantas. 
Quando terminamos, a gente entregou balas para as crianças que participaram e nos ajudaram com as mudas, e um garoto me chamou atenção. O lugar que foi revitalizado fica em meio a um lixão, sabe? E tem sacos de lixo e resíduos espalhados por todos os lados. Quando aquele menino ganhou a bala e desembrulhou, ele ficou sem saber onde jogar o papel. Ele olhou para todos os lados e moveu mais de vinte passos para chegar a uma lixeira, mas não jogou no chão. 
Nós não estávamos lá para falar que não se podia jogar lixo no chão, a gente estava lá para revitalizar a comunidade. E eu acho que aquilo o tocou. Acho que ele pensou que agora, já que estava tudo arrumado, ele não ia ajudar a sujar. 
Isso ficou guardado em minha memória.


Jon Rose, o surfista americano desce ondas em benefício da água

http://www.wavesforwater.org

O projeto Waves of Water na Amazônia 

"Ondas para água sempre foi enraizada na aventura ... Foi basicamente fundada no estilo de vida que eu vivi nos últimos 15 anos. A idéia inicial era simples - continuar a exercer a minha paixão por viagens e aventuras e fazer algo de bom no processo ..."
 "Tenho certeza que isso acontece com a maioria das pessoas em algum nível ... é uma forma de evolução - levando as coisas que você aprendeu no passado e ira aplicá-las no futuro". 
"Quando há políticos envolvidos, há também muita burocracia. Tudo o que queremos é fazer o nosso trabalho 
Jon Rose

A organização Waves for Water, do surfista americano Jon Rose, doou 200 filtros de água para 13 comunidades ribeirinhas da Amazônia, durante uma expedição realizada em maio.
A organização promove expedições a lugares afetados pela má qualidade da água, como Haiti, Paquistão, Indonésia, ìndia, Japão e Chile. Durante as visitas, a Waves of Water distribui filtros portárteis de cerâmica que eliminam bactérias e protozoários da água.

O trabalho em terras brasileiras começou no início de 2011, no Rio de Janeiro, quando a ONG distribuiu outros 200 filtros após a tragédia causada pelas chuvas na região serrana.
Em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, o surfista contou que conheceu as comunidades ribeirinhas da Amazônia quando surfou na região, na pororoca. "É incrível que uma região tão rica em água doce ainda exista tanta gente sem acesso a água tratada", afirmou.

Suas ondas ajududaram comunidades 
do Haiti, Japão, Rio de Janeiro e Afeganistão


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 54% da população da Amazônia não têm acesso a água potável, mesmo morando em uma região que possui 70% da água disponível para uso do país.

Acostumado a buscar patrocínios para as competições de surf, Rose diz que prefere trabalhar em parceria com setores privados do que com governos. A expedição amazônica, por exemplo, foi realizada com o patrocínio de empresas como Ambev, Nextel e a agência de publicidade Loducca.

"No meio de uma revista National Geographic. Nós tivemos uma aventura inigualável e incrível tempo surfando a onda que alguns chamam de a mais longa do mundo. Ele percorre o Atlântico, de forma contínua , 80 milhas - verdadeiramente um dos mundos grande fenômeno da natureza"

"Em tudo que faço, gosto de ser mais ágil e independente. Adoro a emoção da descoberta e seus mistérios . Eu não sabia disso na época, mas todos os anos que passei como um surfista globetrotting antes de iniciar W4W seria diretamente responsáveis, assim como um trampolim, crucial para a vida que levo hoje. Tenho certeza que isso acontece com a maioria das pessoas em algum nível ... é uma forma de evolução - levando as coisas que você aprendeu no passado e aplicá-las no futuro. Mas no meu caso eu sei que havia uma linhagem distinta transferidos, não somente de um capítulo para o outro, mas também através de gerações de membros da família antes de mim.
Agora eu me encontro aqui - 30 mil pés no ar, voando sobre o Brasil central, indo para uma cidade na região amazônica chamada Macapá. É a última cidade grande ao longo do rio Amazonas antes de converger com o Atlântico. Vamos pegar um barco e motor em Macapá, 20 horas descendo o rio até à foz.Vamos passar três dias em uma parte do rio - surfar na incrível Pororoca  e entregar filtros de água  a todos os moradores ribeirinhos ao longo do caminho. Há uma necessidade incrível de água potável nessas áreas, a maioria das pessoas vivem nas chamadas "Aldeias Stilt" - conjuntos de estruturas de madeira que são construídos sobre palafitas, com passarelas de entre si, interligando-as

Suas vidas acontecem com a água debaixo deles ... em muitos casos, essas pessoas levam quase a vida inteira sem os pés em terra firme. Transitam só remo em canoas de uma aldeia para outra. Eles são provavelmente a coisa mais próxima de um anfíbio sendo pessoas, em nosso planeta. Estas condições tornam extremamente difícil o acesso à água potável. Tudo é misturado por água abaixo - como um prato gigante de petri.
Eu estive nesta área uma outra vez, cerca de 4 anos, para filmar um comercial para a montadora japonesa Nissan. O comercial foi baseado em torno alguns surfistas aventureiros em uma missão através da Amazônia para surfar na Pororoca (é claro que eu faria uma grande parte da viagem - por estradas na selva - na mais nova Nissan SUV). Eu tenho que dar-lhes parabéns realmente sérios tendo as filmagens como uma missão real e não apenas o preparo algo para se assemelhar a uma aventura como muitos dos comerciais de queijo lá fora. Não, era real como deveria ... a Amazônia não é brincadeira!  
Eu sempre soube estaria de volta ... e depois que comecei a W4W passou a ser do meu radar. Eu tinha estado lá, vi as necessidades com meus próprios olhos e agora eu tenho uma forma concreta de ajudar. Ao longo dos últimos meses a W4W tem realizado um monte de trabalhos no Brasil. Tudo começou com uma missão em resposta à desastres,  as inundações catastróficas que aconteceram próximo ao Rio no início deste ano. Desde então, com a ajuda de um grupo apoio formado por brasileiros colaborando com a W4W (composto por Vavá Ribiero e Guga Ketzer), temos desenvolvido novos projetos para que as pessoas possam ter acesso a água limpa."
Jon Rose




Fonte:

W4W
Estado de São Paulo

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Em Chamcar Bei, no Cambodja, catar sacos plásticos tornou-se o principal ganha pão


  
A recolha de sacos plásticos é o principal rendimento de uma pequena comunidade do Cambodja, ajudando a população local a melhorar o seu nível de vida e, ao mesmo tempo, a limpar o lixo local. A tal ponto que Chamcar Bei, com cerca de 4.000 habitantes e localizado na província litoral de Kep, é um dos poucos locais do Cambodja onde quase não se vê lixo acumulado. A razão é óbvia: os resíduos valem dinheiro. 
A população de Chamcar Bei viveu durante décadas no limiar da pobreza, tendo a pecuária e o arroz como os únicos pilares da economia. Em 2008, a ONG britânica Funky Junk chegou e ofereceu um pagamento aos moradores que recolhessem os sacos de plástico.
“Pensámos em qual era o maior problema da poluição e, sem dúvida, eram os sacos de plástico, uma vez que as pessoas os atiravam para qualquer lado”, explicou um dos líderes da Funky Junk, Sob Misy, à agência Efe. 
Hoje, os moradores guardam os sacos de plástico em cestas, até que tenham uma quantidade suficiente para os venderem. O restante lixo é queimado, apesar de existirem ainda pequenos resíduos nas ruas. 
“Ainda não perceberam que o pequeno lixo também deve ser apanhado, apesar de não o reciclarmos. Mas nem todos o fazem”, explicou Misy.

A Funky Junk compra cerca de 160 quilos de sacos de plástico por mês, mas como este 
Livelihoods - International Women Day.JPGpovoado não gera a quantidade suficiente para dinamizar toda uma economia, a limpeza já se estendeu para cidades vizinhas, como a capital da província, Kep. 
Depois de recolhidos, os sacos são lavados, cortados em tiras e transformados em acessórios numa oficina que emprega uma dezena de costureiras. Gorros, bolsas e cestas de todos os tamanhos são depois vendidos para turismo ou na internet. 
Segundo um estudo do Ministério do Meio Ambiente do Cambodja, apenas 1,5% dos cambojanos acredita que é preciso manter as comunidades limpas para a luta contra o impacto das alterações climáticas. Muito trabalho ainda, por isso, para as organizações governamentais e ONG como a Funku Junk.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Desmatamento da Mata Atlântica caiu 55%

Porém, uma área equivalente a 194 vezes o Parque do Ibirapuera foi desmatada entre 2008 e 2010

Desmatamento da Mata Atlântica caiu 55%
Agência Câmara

Jornal da Manhã
Luciana Ferreira
Podcast
O ritmo do desmatamento da Mata Atlântica caiu 55%, mas os ambientalistas alertam sobre impactos do código florestal nessa conquista. O resultado é da pesquisa realizada pela ONG SOS Mata Atlântica e pelo INPE, Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais.

O Brasil perdeu cerca de 312km quadrados de mata entre 2008 e o ano passado. Mas houve uma redução de 55% no ritmo de desmatamento desse bioma em relação ao período de 2005 e 2008. A área desmatada equivale a 194 vezes o Parque doIbirapuera em São Paulo.

O coordenador técnico do estudo pelo INPE, Flávio Jorge Ponzoni, fala sobre a importância dos dados. A coordenadora do Atlas da Mata Atlântica, Márcia Hirota, diz que, apesar da comemoração, a entidade também faz um alerta. Em entrevista à repórter Luciana Ferreira, ela explica as perdas identificadas no levantamento.

Minas Gerais é o Estado que mais destruiu o bioma nesse período: foram 124km quadrados de desflorestamento. A Bahia vem logo em seguida, com 77km quadrados; nove dos dez municípios com mais desflorestamento estão nesses dois estados.

A SOS Mata Atlântica atribui a queda do ritmo de destruição em parte à criação da Lei da Mata Atlântica, que definiu a extensão e o uso da vegetação. O diretor de Políticas Públicas da ONG, Mário Montavani, explica a preocupação com a aprovação do novo Código Florestal na Câmara.

No ranking dos municípios com maior índice de desmatamento estão: Ponto dos Volantes, Jequitinhonha e Pedra Azul, todos em Minas Gerais. Já a cidade paulista foi Bertioga, no litoral paulista, por conta da expansão imobiliária da Riviera de São Lourenço.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

WWF 50 anos - A organização ambientalista mais conhecida do mundo

Liderança em ciências naturais a líder da natureza

 Fonte: WWF Brasil

Ao celebrar hoje 50 anos de realizações na área ambiental, a organização ambientalista mais conhecida do mundo – a Rede WWF – alerta que salvar o planeta nesse próximo meio século é uma tarefa que exigirá vigorosa liderança por parte dos governos e das empresas, além do engajamento de comunidades e consumidores.
Desde a criação da organização, 50 anos atrás, esse grupo de ponta que atua na área de conservação ambiental vivenciou a proteção de mais de um bilhão de hectares, a recuperação de várias espécies em perigo de extinção, e o direcionamento da pesca para a sustentabilidade puxada por sistemas como o do Conselho de Manejo Marinho ou MSC (sigla em inglês para Marine Stewardship Council).
No entanto, as ameaças combinadas e interligadas das mudanças climáticas e perda acelerada da biodiversidade ainda podem reverter esses ganhos. Assim, esforços ainda maiores serão exigidos dos ambientalistas.
“Estamos extremamente orgulhosos pelo que já alcançamos até agora. Mas o mundo está mudando e a Rede WWF precisa mudar também, para ir além e abordar as novas ameaças e desafios para o meio ambiente”, declarou Jim Leape, diretor-geral do secretariado internacional da Rede WWF.
Desde seu início, como um pequeno grupo comprometido e entusiasmado com a vida silvestre, até agora, a Rede WWF cresceu e se transformou numa das maiores e mais respeitadas organizações ambientalistas independentes do mundo. Hoje a Rede WWF tem o apoio de 5 milhões de pessoas e atua em mais de 100 países de cinco continentes.
Além de continuar a trabalhar com seus parceiros tradicionais nos governos e organizações não governamentais, a Rede WWF tem feito cada vez mais parcerias com empresas privadas para incentivar as políticas ambientais no setor corporativo.
“Somos gratos a todos os indivíduos, governos, ONGs e lideranças empresariais que têm nos apoiado e auxiliado para alcançar nosso objetivo. Nosso sucesso pertence a eles também.”
“É preciso reconhecer que, no mundo do ambientalismo, é necessário se reinventar constantemente para assegurar um êxito permanente,” observou Leape.
Embora ainda seja possível evitar que as mudanças climáticas atinjam um nível catastrófico, os cientistas afirmam que as emissões de gases de efeito estufa continuam em elevação. Ao mesmo tempo, os registros mostram que os 10 anos mais quentes ocorreram de 1990 em diante e que o gelo do oceano Ártico encolheu e está hoje em seu nível mais baixo.
Enquanto isso, a perda da biodiversidade se acelera. Um dos instrumentos mais antigos para medir o estado da biodiversidade – o Relatório Planeta Vivo, da Rede WWF – mostra uma tendência geral consistente de 30% de declínio do planeta entre 1970 e 2007.
“Não temos ilusões sobre as tarefas que nos aguardam na Rede WWF, sobre sua urgência e importância, nem sobre quanta ajuda vamos precisar”, declarou a presidente mundial da organização, Yolanda Kakabadse.
A Rede WWF lançou a Hora do Planeta, que é a maior manifestação mundial contra a destruição da natureza e uniu centenas de milhões de pessoas do mundo todo. A Hora do Planeta é uma mensagem universal de esperança e ação, um movimento da vontade coletiva em prol da conservação do planeta.
“Hoje vamos comemorar. Mas voltaremos rapidamente ao nosso trabalho vital, que é ajudar a criar um mundo onde as pessoas vivam em harmonia com a natureza”, concluiu Kakabadse.
A secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, junta-se às comemorações. “Participar da história da Rede WWF é motivo de muito orgulho para nós”, afirma. “O WWF-Brasil é uma organização não governamental nacional, mas o desafio de conservação da natureza é global e está interligado. Por integrarmos a maior rede independente de conservação da natureza, somos capazes de influenciar e contribuir para a formulação de políticas ambientais globais e, ao mesmo tempo, implementar ações locais de conservação”, completa Hamú.
Brasil
A Rede WWF está presente no Brasil desde 1975, quando começou a atuar apoiando estudos e projetos voltados para educação ambiental e conservação de espécies, entre elas as tartarugas marinhas e o mico-leão-dourado, além de realizar campanhas contra o tráfico de animais e pela conservação de biomas.
Desde que se tornou uma organização brasileira, em 30 de agosto de 1996, com a criação da organização nacional autônoma e posse do Conselho Diretor, o WWF-Brasil desenvolve programas e projetos de conservação no Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, além de estudos e projetos temáticos em áreas como mudanças climáticas, política de recursos hídricos, educação para sociedades sustentáveis, ecologia da paisagem, agricultura e energia, sempre em conjunto com instituições de governo (federal e estaduais), institutos de pesquisa, organizações não governamentais locais e empresas. Promovendo o diálogo com a sociedade para a conservação ambiental, o WWF-Brasil também realiza ações de mobilização e sensibilização nacionais e locais.
Nesse período, foram muitas conquistas no País. Em destaque o sólido e constante apoio financeiro e técnico ao maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta, o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). O programa é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e implementado pelas instituições de gestão de unidades de conservação como o ICMBio (federal) e os sete estados amazônicos (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins), para criação de novas áreas protegidas na Amazônia e na consolidação de unidades de conservação já criadas para que os objetivos de conservação de cada uma dessas áreas sejam plenamente atingidos.
A estruturação de cadeias produtivas de base florestal e à pesca sustentável na Amazônia, o incentivo à produção de carne orgânica no Pantanal e a restauração de paisagens e apoio à criação de unidades de conservação na Mata Atlântica são algumas das realizações de longo prazo nas quais o WWF-Brasil investe.
Mais de 100 publicações, entre estudos, pesquisas e material didático, foram produzidas e divulgadas em 15 anos. Somente no período de 2005 a 2010, foram realizadas nove expedições científicas, além de 16 eventos especiais, entre seminários e viagens de imprensa e ações de mobilização da sociedade como o movimento Hora do Planeta, realizada há três anos no país.

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