Pesquisa revela conhecimento etnobotânico de ribeirinhos
O que é uma floresta de várzea:
Floresta de várzea é um tipo de floresta de planícies inundáveis invadidas por enchentes sazonais na Bacia Amazônica.
Ao longo do rio Amazonas e muitos de seus tributários, uma alta taxa pluviométrica que ocorre durante a estação das chuvas resulta em grandes enchentes estacionais. O resultado é aumento no nível de águas carregadas de nutrientes entre 10–15 metros.
As florestas de várzea dividem-se em dois tipos: as várzeas baixa e intermediária, nas quais predominam palmeiras e as espécies que apresentam raízes aéreas, as quais auxiliam na fixação de oxigênio, como o açaizeiro e o buriti, e a várzea alta, cujo solo é menos influenciado pelas águas das cheias e apresenta maior biomassa. Nela ocorrem espécies arbóreas, como a sumaúma, açacu, andiroba e copaíba.
Tal classificação foi feita de acordo com o nível topográfico, composição química do solo e composição botânica
O Projeto Florestam, coordenado pela Embrapa, documenta a utilização de produtos florestais pelos ribeirinhos do Estuário Amazônico
O Estuário Amazônico, com sua rica biodiversidade, apresenta desafios à pesquisa agroflorestal. Este universo amplo, que divide os estados do Amapá e Pará, cheio de espécies vegetais típicas de áreas alagadas, rios e igarapés, é o foco geográfico de trabalho da equipe do Projeto Florestam, coordenado pela Embrapa Amapá. Um dos pontos de interesse é documentar o uso que os ribeirinhos fazem dos produtos florestais madeireiros e não madeireiros.
“Estudamos a comunidade florestal como um todo e, em particular, espécies como andiroba, pau mulato, pracuúba, açaí e virola, que são de interesse econômico e social dos ribeirinhos”, explica o pesquisador Marcelino Carneiro Guedes, coordenador do Projeto Florestam.
Foram três anos de pesquisa básica e entre os dados obtidos está o conhecimento etnobotânico dos ribeirinhos que vivem em comunidades do município de Mazagão (AP), na foz do rio Maracá, foz do Mazagão Velho e foz do Ajuruxi, afluentes do canal norte do rio Amazonas. A atividade prevista no projeto foi a inspiração para a monografia de conclusão da graduação da bolsista Eneida Silva do Nascimento, no curso Engenharia Florestal da Universidade do Estado do Amapá.
Na região de estudo predominam ambientes inundados pela dinâmica das marés que influenciam a diversidade da vegetação e os hábitos da população. “Isto faz com o que os ribeirinhos tornem-se especialistas no uso dos recursos naturais para fins de subsistência, culturais, religiosos e comerciais”, aponta Eneida Nascimento.
Orientada pela pesquisadora Ana Euler, responsável pelo Plano de Ação correspondente ao levantamento etnobotânico, a então acadêmica fez um levantamento inédito sobre os conhecimentos etnobotânicos relacionados ao uso de vegetais típicos de várzea. Também foi possível identificar, pela primeira vez, se os ribeirinhos conhecem a legislação que lhes assegura proteção do conhecimento tradicional e do patrimônio genético sob sua guarda.
Açaí em primeiro lugar
Das 25 espécies citadas pelos ribeirinhos como fonte de alimentação, o açaizeiro aparece em primeiro lugar, assim como também foi lembrado por 100% dos ribeirinhos entrevistados quando trata-se de uso comercial. Isso demonstra a importância socioeconômica desta espécie para a região, sobretudo sob o embalo do aquecimento do mercado consumidor do “vinho da Amazônia”.
Outras espécies com relevante potencial comercial na região são andiroba, pau mulato e pracuúba. No uso como combustível, o pau mulato e o pacapeuá apresentaram maior frequência de uso e, segundo os ribeirinhos, também fornecem lenha de qualidade para os fogões de barro.
Para a construção civil, a pracuúba e a andiroba foram as mais utilizadas para edificação de casas e trapiches. As plantas para uso medicinal são de grande importância no modo de vida dos ribeirinhos. Foi a categoria de uso que mais contribuiu com número de espécies (43) e famílias botânicas (29) para este estudo do Florestam. As espécies mais lembradas foram a andiroba e o pracaxi. De ambas é extraído o óleo da semente, utilizado como antiinflamatório e cicatrizante.
Em tecnologia artesanal, a maúba e a pracuúba foram as mais citadas para uso na construção e consertos de canoas a remo e embarcações de pequeno porte movido a motor.
Este trabalho proporcionou às comunidades ribeirinhas o acesso a informações sobre a legislação de proteção ao conhecimento tradicional. Ana Euler ressalta que 100% dos 30 entrevistados desconheciam a Medida Provisória 2186 – 16/200 e a existência do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). Atualmente a equipe se mobiliza para dar continuidade ao Projeto Florestam e avançar nas pesquisas em floresta de várzea do Amapá e Estuário Amazônico.
Seminário apresenta resultados de pesquisas com florestas de várzea
A Embrapa Amapá realiza, de 3 a 5 de dezembro deste ano, no auditório da instituição de pesquisa, o III Seminário do Projeto Florestam, uma pesquisa que tem como objetivo identificar a ecologia, formas de uso pelos ribeirinhos, estoques de madeira e produtos não-madeireiros encontrados no estuário amazônico. Os objetivos do seminário são apresentar palestras de referência sobre temáticas importantes para o estuário amazônico, buscando integração com outros grupos de pesquisas que estudam ecossistemas de várzeas, discutir resultados e a continuidade do Projeto Florestam, e discutir sobre a cadeia, valor e demandas de fomento ao setor de madeira de várzea. O público alvo do evento é formado de pesquisadores, estudantes, técnicos e gestores ligados à área florestal.
O Projeto Florestam foi iniciado em 2010 e está sendo encerrado neste ano de 2013. De acordo com o pesquisador Marcelino Carneiro Guedes, coordenador da pesquisa e do seminário, durante este período de três anos de estudos, foi feito um grande esforço para conhecimento das características químicas e físicos dos solos e a dinâmica das marés, que nunca tinham sido estudados em profundidade nessa região. “A equipe conseguiu avançar também em estudos sobre o estoque disponível e técnicas de manejo florestal, principalmente de espécies de maior interesse econômico como o pau mulato, a pracuúba e a andiroba. Essas informações subsidiaram normas para o manejo da floresta de várzea, regulamentada recentemente por meio do Decreto Nº 3.325, de 17 de 2013, que traz a revisão de todas as normativas ligadas às atividades florestais no estado do Amapá”, acrescentou o pesquisador. A programação do III Seminário do Projeto Florestam inclui palestras de especialistas da Universidade Federal do Amapá, Universidade do Estado do Amapá, IEPA, Instituto Estadual de Florestas, Ministério Público do Amapá, Embrapa Amazônia Oriental (Pará) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
As atividades do Projeto Florestam são feitas em três regiões do Amapá: foz do Mazagão Velho, foz do rio Maracá e foz do rio Ajuruxi, sempre na confluência com o canal norte do rio Amazonas. Atividades voltadas ao estudo da vegetação também são realizadas nas ilhas do Estado do Pará, sempre com foco nas várzeas do estuário amazônico, que são submetidas a dois ciclos diários de cheia e vazante devido às marés oceânicas. O Projeto Florestam é desenvolvido por meio da pesquisação, buscando facilitar a construção conjunta do conhecimento e das condições necessárias para geração e assimilação das técnicas de manejo dos recursos florestais das várzeas estuarinas. “O projeto conta com a participação de várias instituições e pessoas, formando uma grande equipe de trabalho. Teve a participação de mais de 10 instituições e mais de 50 pessoas, com participação intensa de estudantes de graduação e pós graduação”, destacou Marcelino Carneiro Guedes.
No âmbito do Florestam, foram ou estão sendo desenvolvidos 15 TCCs, 7 dissertações de mestrado e 2 teses de doutorado. Muitos desses estudantes que participaram pelo Projeto Florestam foram aprovados em concurso público do Estado ou foram contratados, atualmente desenvolvendo atividades na Universidades do Amapá (Perseu Aparício, Jadson Abreu e Wegliane Campelo) e em órgãos de pesquisa, extensão rural e gestão ambiental do Estado, como o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Dayse Suellen), Secretaria Estadual de meio Ambiente (Núbia Castilho e Juliana Eveline), Instituto Estadual de Desenvolvimento Rural (Henrique Gomes), Instituto Estadual de Florestas (Madson Sousa, Mariane Santos e Alinny Silva) e Instituto de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial (Gabrielly Guabiraba). O pesquisador Marcelino Guedes ressalta que desta forma “estamos colaborando com a formação do quadro técnico do Estado e de agentes multiplicadores dos conhecimentos e técnicas de manejo da floresta de várzea, ampliando cada vez mais a teia de competências necessárias para promover o desenvolvimento das diversas realidades geográficas do Amapá a partir da conservação e uso da biodiversidade amazônica”. As palestras do III Seminário do Projet Florestam serão apresentadas sempre das 8h às 12h e das 14h às 17h30, no auditório da Embrapa Amapá.
Este vídeo apresenta algumas considerações sobre vida, dando enfoque às interações entre os seres vivos e o ambiente como sendo uma de suas características. O personagem Zeca é um adolescente brasileiro que "curte" percorrer o país e pesquisar/aprender, seja por meio dos livros ou conversando com os habitantes dos lugares que visita. A partir da sua narração, descrevendo estes locais, o conceito Bioma vai sendo trabalhado. São mostradas ainda as modificações que os Biomas sofrem, suas conseqüências e ações para a sua conservação. Pegando uma carona com Zeca você vai descobrir que o Brasil possui fauna e flora riquíssimas.
Cozumel, na região da Riviera Maia, abriga o segundo maior recife de corais do mundo
Pesca, poluição e aquecimento global são as principais causas apontadas em relatório da IUCN
A cobertura média de corais nos recifes do Caribe caiu para alarmantes 8%, segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês). O relatório da organização ambiental, divulgado em 7 de setembro, apontou para poluição, pesca predatória e aumento da temperatura dos oceanos como responsáveis por este declínio.
Nos anos 1970, a região ainda tinha mais de 50% de cobertura viva nos recifes. Agora se sabe que 92% das áreas têm apenas rochas com algas e animais marinhos restantes. O texto, que foi apresentado durante o Congresso Mundial sobre Conservação, alerta que a taxa de deterioração dos corais vivos não mostra sinais de desaceleração, embora áreas remotas como as Antilhas Holandesas e as Ilhas Cayman ainda tenham 30% de corais vivos.
Esses locais estão menos expostos ao impacto das ações humanas e a fenômenos naturais, como furacões. Mas doenças e branqueamento dos corais estão ligados à elevação da temperatura da água, causada pela queima de combustíveis fósseis.
A IUCN pede limitação da pesca, extensão das áreas de proteção marinha e redução da dependência global de combustíveis fósseis. A organização pretende fortalecer os dados sobre a diminuição dos recifes de corais no mundo, com métricas universais e um banco de dados acessível a todos. O resultado dos estudos que estão sendo feitos estará completo e disponível até 2016.
Os recifes de coral crescem na região fótica de mares tropicais, de forte ação de ondas, forte o suficiente para manter disponível na coluna d´água alimento e oxigêncio dissolvido. Os recifes de coral também dependem de águas rasas, limpas, mornas e pobres em nutrientes para crescer. Os corais são organismos coloniais que em sua maioria constroem esqueletos calcários. Tais esqueletos são responsáveis pela estrutura rochosa chamada recifes de coral. Distribuição
Estima-se que os recifes de coral cubram cerca de 284300 km, com a região do Indo-Pacífico (Mar Vermelho, Oceano Índico, sudeste asiático e Oceano Pacífico) contribuindo com 91,9% do total, e os recifes do Oceano Atlântico e do Mar do Caribe contribuindo com apenas 7,6% do total.
Os recifes de coral são restritos ou ausentes na costa oeste das Américas, assim como na costa oeste da África. Isso ocorre principalmente devido ao fenômeno da ressurgência e das fortes correntes de águas frias que reduzem a temperatura da água nessas áreas. Também são escassos na costa sul Asiática do Paquistão até o Bangladesh, bem como ao longo da costa nordeste da América do Sul e Bangladesh por causa do grande aporte de água doce proveniente dos rios Amazonas e Ganges respectivamente.Recifes de coral famosos * Grande barreira de coral, a norte da Austrália. * Grande Barreira de Recife de coral do Belize * Grande Barreira de Recife de Coral do Banco Chinchorro, no mar das Caraíbas * Recife de coral das Ilhas da Baía, Honduladosfidelity
Das aproximadamente 48 000 espécies reconhecidas de vertebrados, mais de metade (24 600) são peixes. Destes, mais de 60% vivem exclusivamente em ambientes marinhos. Apesar dos recifes de coral serem menos de 1% da área total de oceanos do mundo, aproximadamente metade de todas as espécies conhecidas de peixes marinhos encontram-se concentrados nestas águas tropicais.
Os seres humanos constituem ainda a maior ameaça aos recifes de coral. Em particular a contaminação terrestre e a sobrepesca são as maiores ameaças para estes ecossistemas.
Os blocos construídos nos recifes de coral são os "esqueletos" de várias gerações de algas, corais e outros organismos construtoras de recifes, que são compostos pode carbonato de cálcio.
Por exemplo, como um recife de coral cresce, ele estabelece uma estrutura esquelética encaixando cada novo pólipo. Ondas, peixes de pastejo (como peixe-papagaio), ouriços do mar, esponjas e outras forças e organismos quebram os esqueletos de corais em fragmentos que assentam em espaços na estrutura do recife. Muitos outros organismos que vivem na comunidade do recife contribuem para o esqueleto de carbonato de cálcio do recife do mesmo modo. Algas coralinas são realmente os principais contribuintes para a estrutura, pelo menos nas partes do recife submetidas às maiores forças por ondas (como o recife frente oceano aberto). Estas algas contribuem para a construção do recife através do depósito de calcário em folhas sobre a superfície do recife e contribuindo assim para a integridade estrutural do recife. Muitas espécies de algas coralinas formam nódulos, ou desenvolvem-se na superfície dos fragmentos, alargando estes. A crosta protege espécies formadoras de recifes por resistir a pressões e ondas atenuantes que iriam destruir a maior parte dos corais. Esta crosta frequentemente forma uma proteção sobre o cume de uma aresta exterior do recife (crista do recife ou a margem do recife), em particular no Pacífico (Castro e Huber, 2000; Nybakken, 1997).
Recifes-prédios ou corais hermatípicos só são encontrados na zona de fotorrecrutamento (até 50m de profundidade), profundidade que que penetra luz solar o suficiente para ocorrer a fotossíntese. Os pólipos do coral não fazem fotossíntese, mas tem uma simbiose relacionada com algumas algas chamadas zooxanthellae; as células das algas dentro do tecido dos pólipos do coral realizam fotossíntese e produzem nutrientes orgânicos em excesso que são então utilizados pelos pólipos do coral. Devido a esta relação, corais crescem muito mais rapidamente em água limpa, que deixa entrar mais luz solar. Na verdade, a relação é responsável pelo coral, no sentido de que sem a sua simbiontes, o crescimento do coral seria muito lento para os recifes de corais de estrutura impressionante.
Embora corais são encontrados crescendo na maioria das áreas de recifes de corais saudáveis, a elevação da parte baixa do recife em relação ao nível do mar (energia das marés e considerando intervalo) impõe restrições significativas sobre o crescimento do coral. Em geral, apenas um pequeno número de espécies pode prosperar em corais da parte baixa do recife, e estes não podem crescer acima de uma certa altura, pois os pólipos podem suportar apenas a exposição ao ar na maré baixa.
É claro que algumas partes baixas de um recife transporta um metro ou mais de água na superfície e, em seguida, o crescimento do coral pode ser prolífico. É o aumento do crescimento de algas coralinas sobre a parte exterior do recife plano que, em última análise, resulta em um aumento global na elevação superficial de um recife, que tipicamente encosta suavemente descendente no sentido da costa ou lagoa e muito desce acentuadamente em direção ao mar. O crescimento fértil destas algas é uma resposta ao movimento da água levando nutrientes inorgânicos e eliminando resíduos. Os efeitos nocivos da exposição na maré baixa sobre as algas é algo que melhora constantemente por ondas quebrando na borda do recife. No entanto, é o caso que recifes maduros estão em equilíbrio com do nível do mar e das ondas em relação a sua elevação, e excesso de produção de calcário se afasta da margem para expandir o recife lateralmente e preencher em áreas baixas.
O crescimento mais prolífico de corais estão a ser encontrados na água mais profunda porque o fundo está exposto a baixas marés: sobre o recife frontal, em lagoas, canais e ao longo dos canais do recife que se divide em dois. Em condições de claridade, passando água do mar, os corais fornecem a maior parte do material ósseo incluindo o recife e a complexidade estrutural que resulta em uma alta diversidade de peixes e de invertebrados associados recife.
Ecologia e biodiversidade
Os recifes de coral suporta uma extraordinária quantidade de biodiversidade, embora localizada em águas tropicais pobres em nutrientes. O processo de reciclagem de nutrientes entre corais, zooxanthellae e outros organismos do recife oferecem uma explicação do porque o coral floresce nestas águas: a reciclagem garante que menos nutrientes são necessários para suportar a comunidade.
A Cyanobacteria também fornece nitratos solúveis para os recifes de corais ao longo do processo de fixação de nitrogênio. Os corais absorvem nutrientes, incluindo nitrogênio inorgânico e fósforo, diretamente a partir da água, e se alimentam dos zooplânctons que são transportados pelos pólipos com o movimento da água (Castro e Huber, 2000). Assim, a produtividade primária em um recife de coral é muito elevada. Produtores em comunidades de recifes de corais incluem a simbiótica zooxanthellae, algas coralinas e várias algas, especialmente os pequenos tipos chamados algas turfe, embora cientistas discordam sobre a importância destes organismos em particular (Castro e Huber, 2000).
Os recifes de coral são o lar de uma variedade de peixes tropicais ou de recifes, tais como os coloridos peixe-papagaio, peixe-anjo, peixes da família Pomacentridae e peixe-borboleta. Mais de 4.000 espécies de peixes habitam corais (Spalding et al., 2001).
Os recifes são também a casa de uma grande variedade de outros organismos, incluindo esponjas, Cnidários (que inclui alguns tipos de corais e águas-vivas), vírus, crustáceos (incluindo camarão, lagosta e caranguejos), moluscos (incluindo cefalópodes), equinodermos (incluindo estrelas do mar, ouriços do mar e pepinos do mar), tartarugas marinhas e cobras do mar. Além de seres humanos, mamíferos são raros sobre recifes de corais, com a visita cetáceos como golfinhos a ser o principal grupo. Algumas destas espécies tem alimentação variadas diretamente sobre corais, enquanto outros pastam em algas no recife e participam no complexo da cadeia alimentar s (Castro e Huber, 2000; Spalding et al., 2001).
Um certo número de invertebrados, coletivamente denominados cryptofauna, habitam o substrato pedra coral, cada um furando a superfície do calcário ou vivem em pré-existentes vácuos e fendas. Esses animais que ficam dentro da rocha incluem esponjas, moluscos bivalves, e Sipunculas. Aqueles depósito do recife inclui muitas outras espécies, especialmente crustáceos e poliquetos (Nybakken, 1997).
Ameaças aos recifes
Bioerosão, (danos no coral), isto pode ser causado por descoramento do coral.
Os seres humanos continuam a representar a maior ameaça aos recifes de coral. A poluição e o excesso de pesca são as mais graves ameaças para estes ecossistemas. A destruição física de recifes devido ao tráfego marítimo de barcos é também um problema. O comércio de peixe vivo tem sido implicado como um condutor de declínio, devido à utilização de cianeto e outros produtos químicos na captura de pequenos peixes. Por último, as temperaturas da água acima do normal, devido a fenômenos climáticos como El Niño e o aquecimento global, pode causar descoramento do coral. De acordo com The Nature Conservancy, se a destruição continuar no ritmo atual, 70% dos recifes do mundo terão desaparecido dentro de 50 anos. Esta perda seria uma catástrofe econômica para os povos que vivem nos trópicos. Hughes, et al, (2003), escreve que "com o aumento da população humana e a melhora dos sistemas de transporte e armazenamento, a escala dos impactos humanos sobre recifes tem crescido exponencialmente. Por exemplo, mercados de peixes e outros recursos naturais tornaram-se globais, fornecendo procura por recifes recursos longe das suas fontes tropicais".
Atualmente os pesquisadores estão trabalhando para determinar o grau de impacto de vários fatores do sistema de recife. A lista de fatores é longa, mas inclui os oceanos agindo como um dióxido de carbono afunde, as alterações na atmosfera da Terra, luz ultravioleta, acidificação do oceano, biológicas vírus , impactos de poeira tempestades transportando agentes para longe naquilo recife sistemas, vários poluentes e outros Os recifes são ameaçados para além das zonas costeiras e, portanto, o problema é mais amplo do que fatores de urbanização e da poluição que esses são demasiado causar danos consideráveis.
Os seres humanos continuam a representar a maior ameaça aos recifes de coral. A poluição e o excesso de pesca são as mais graves ameaças para estes ecossistemas. A destruição física de recifes devido ao tráfego marítimo de barcos é também um problema. O comércio de peixe vivo tem sido implicado como um condutor de declínio, devido à utilização de cianeto e outros produtos químicos na captura de pequenos peixes. Por último, as temperaturas da água acima do normal, devido a fenômenos climáticos como El Niño e o aquecimento global, pode causar descoramento do coral. De acordo com The Nature Conservancy, se a destruição continuar no ritmo atual, os recifes do mundo terão desaparecido dentro de 50 anos. Esta perda seria uma catástrofe econômica para os povos que vivem nos trópicos. Hughes, et al, (2003), escreve que "com o aumento da população humana e a melhora dos sistemas de transporte e armazenamento, a escala dos impactos humanos sobre recifes tem crescido exponencialmente. Por exemplo, mercados de peixes e outros recursos naturais tornaram-se globais, fornecendo procura por recifes recursos longe das suas fontes tropicais".
Atualmente os pesquisadores estão trabalhando para determinar o grau de impacto de vários fatores do sistema de recife. A lista de fatores é longa, mas inclui os oceanos agindo como um dióxido de carbono afunde, as alterações na atmosfera da Terra, luz ultravioleta, acidificação do oceano, biológicas vírus , impactos de poeira tempestades transportando agentes para longe naquilo recife sistemas, vários poluentes e outros Os recifes são ameaçados para além das zonas costeiras e, portanto, o problema é mais amplo do que fatores de urbanização e da poluição que esses são demasiado causar danos consideráveis.
Desenvolvimento de terrenos e poluição
O desenvolvimento extenso e mal gerido de terras pode ameaçar a sobrevivência dos recifes de coral. Nos últimos 20 anos, uma vez prolífica as florestas de mangue, que absorvem grandes quantidades de nutrientes e de sedimentos da enxurrada provocada pela agricultura e da construção de estradas, edifícios, portos e canais, estão sendo destruídas. Águas ricas em nutrientes propiciam algas e fitoplânctons à prosperar nas zonas costeiras em sufocantes montantes conhecidos como proliferação de algas. Corais são assembleias biológicas adaptadas às águas com baixo teor de nutrientes, e à adição de nutrientes favorece espécies que perturbam o equilíbrio das comunidades do recife. Tanto a perda de zonas úmidas quanto a proliferação das algas são eventos considerados fatores importantes que afetam a qualidade da água em recifes.
Baixa qualidade da água também foi apontada como uma das causas da dispersão de doenças infecciosas entre os corais. Carvão, um poluente industrial comum, também tem mostrado sua interferência no desenvolvimento de pólipos de corais.
Uma extensa área do Golfo do México é hipóxica durante o ano, matando incontáveis seres da vida marinha e ameaçando o sistema de recifes de corais.
Devido ao aumento da procura de peixes recifais que vivem na América do Norte e Europa, o uso de cianeto na pesca aumentou no Indo-Pacífico. 85% dos peixes de aquário do mundo são capturados nesta região, e quase todos eles são capturados com cianeto. O cianeto é usado para atordoar os peixes, a fim de captura-los facilmente para o comércio. É prejudicial para os órgãos de peixes, e há uma taxa de mortalidade de 90% para peixes capturados com cianeto. O cianeto também é muito destrutivo para os recifes de corais em torno dos ecossistemas, uma vez que mata corais e outros invertebrados recife. (Barber e Pratt, 1-2) Corais também são prejudicados pela prática da má colheita do comércio de peixes vivos. Pescadores as vezes criam armadilhas sobre o recife com pés-de-cabra e rochas para assustar peixes em redes ou bisbilhotar corais além de recuperar peixes atordoados.
Um grande catalisador da pesca com cianeto é a pobreza dentro das comunidades de pesca. Em áreas como as Filipinas onde o cianeto é regularmente utilizado para a captura de peixes vivos de aquário, o percentual da população abaixo da linha de pobreza é de 40%. Nesses países em desenvolvimento, um pescador poderá recorrer a tais práticas não éticas, a fim de evitar a fome de sua família.
A pesca com dinamite é um outro método extremamente destrutivo que os pescadores utilizam na colheita de peixes pequenos. O procedimento da pesca com dinamite começa com uma garrafa que está cheia de explosivos constituídos por nitrato de potássio. Quando a dinamite sai da garrafa a explosão faz uma onda de choque subaquática causando um rompimento na bexiga natatórias dos peixes fazendo eles flutuarem. Uma segunda explosão é frequentemente usada para matar qualquer predador maior que foi atraido pelos peixes menores que morreram com a primeira explosão. Este método de pesca não só mata peixes pequenos, mas também sustenta a vida de muitos animais de recife que não são comestíveis ou não são procurados pelos humanos, como os corais em si. As áreas que costumavam ser cheias de corais agora são como deserto de areia, nenhum sinal de coral ou qualquer outro animal de recife que habitam recifes.
Descoramento de corais
O fenômeno meteorológico El Niño, que aumenta a temperatura na superfície do mar bem acima do normal, fez muitos corais tropicais serem descorados ou mortos. Alguns sinais de recuperação tem sido assinalados em locais remotos, mas o aquecimento global poderá desfazê-las no futuro. Toxinas nos tecidos são produzidas quando a temperatura da água sobe, causando o descoramento do coral.
Áreas Protegidas pela Marinha (APM)
Um método de administração de recifes costeiros que está se tornando cada vez mais proeminente e a implementação das Áreas Protegidas pela Marinha. APMs foram introduzidas no sudeste da Ásia.
A Austrália criou a maior rede mundial de unidades marinhas preservadas, que protegem um terço de suas águas territoriais. A medida inclui locais como o Mar de Corais e regiões de alto-mar no Oeste do país, num total de 3,1 milhões de quilômetros quadrados. Nesta área, tanto a pesca como a exploração de petróleo e gás estão restringidas.
O litoral brasileiro abriga 365 municípios e mais de 40 milhões de pessoas. Apesar disso, menos de 1% das áreas marinhas está sob proteção. A meta estabelecida pela ONU é que se chegue a pelo menos 10% até 2020.
Entre as novas áreas que poderiam aumentar significativamente a região marinha protegida no Brasil estão as unidades de conservação marinhas em Abrolhos, entre Bahia e Espírito Santo. Abrolhos é o maior banco de corais do Atlântico Sul e passaria a ter 880 mil hectares, o dobro do que é definido atualmente.
O governo decidiu ampliar a área de proteção depois que a Petrobras declarou que não se interessava pelo petróleo de Abrolhos. Contudo, por causa de atrasos nas negociações com os governos estaduais e com pescadores locais, que passariam a respeitar regras específicas de exploração de uma área de proteção, a área ainda não foi delimitada.
O Brasil ainda tem outras regiões para lançar áreas de proteção, como a foz do rio Amazonas. (Uma região de intensa chegada de nutrientes no mar). Outras regiões incluem o parque de Fernando de Noronha e localidades no litoral Sul do país.
Os objetivos das APMs são tanto social quanto biológico, incluindo a restauração de recifes de coral, manutenção estática, aumentar e proteger a biodiversidade e benefícios econômicos. Conflitos envolvendo as APMs envolvem falta de participação, visões e percepções de efetividade conflitantes, e fundos.
A Indonésia tem atualmente 9 APMs, um total de 41.129 km² de águas costeiras sob proteção. Um estudo realizado numa das mais novas APMs implantadas na Indonésia mostra a necessidade de co-gerenciamento quando se fala em sucesso de gerências APMs. A aproximação colaborativa enfatiza a cooperação e a parceira entre partidos em nível nacional, provincial e da comunidade local.
Os recifes de coral das Filipinas e Indonésia estão desaparecendo rapidamente graças a pesca com dinamite e cianeto. Entre 1966 e 1986 a produtividade dos recifes de corais das Filipinas caiu em um terço enquanto a população nacional dobrou (estado dos recifes).
Na Indonésia também, mais de oitenta por cento dos corais estão correndo perigo (o Alerta de Jacarta). Estes dois locais são o lar da maior diversidade de recifes do mundo. Se o grau de destruição não diminuir, 70% de todos os corais do mundo irão desaparecer nos próximos 25 a 40 anos.
75% deles estão sob risco
O número de pressões ambientais (pesca, poluição, doenças e acidificação dos oceanos), continua avançando. A acidificação está ligada ao aquecimento global, 75% dos corais do mundo correm riscos.
Bancos de corais estão sujeito ao branqueamento, que ocorre quando as algas que os habitam se separam deles. Estas algas migram quando as temperaturas se tornam muito elevadas, o que ocorre mais regularmente com a presença crescente do aquecimento.
A poluição, tal como a causada por pesticidas agrícolas, é também um importante fator contribuinte para o declínio dos corais. A Nature Conservancy, também alerta que corais no Caribe já sofreram um declínio de cerca de 90 por cento. Taxas semelhantes foram observadas em outras partes do globo.
Os bancos de corais são vitais para a sobrevivência de muitas espécies marinhas. Além dos benefícios que oferecem, eles também trazem esperanças para os humanos. São considerados importantes no campo medicinal.
De acordo com especialistas, os oceanos têm uma possibilidade de 400 a 600 vezes maior de produzir uma droga, quando comparados a fontes em terra. E os corais têm o maior potencial de ter uma chave para drogas de numerosas doenças, especialmente o câncer. Recentes descobertas na farmacologia, como drogas para quimioterapia e câncer de mama, são consideradas apenas o começo. Os cientistas esperam que este conhecimento seja uma força impulsionadora para a proteção dos corais no mundo.
Esta é uma das razões pelas quais a Nature Conservancy está criando corais em fazendas na Flórida e nas Ilhas Virgens americanas, para poder ligá-los a corais de ocorrência natural, relata o About My Planet.
Distribuição Mundial dos recifes de coral
Fontes: YouTube (Lauro Leal de Almeida Passos), Wikipédia, Nat Geo e Planeta Sustentável.
No Pantanal nosso objetivo é de melhor documentar a extensão até onde as onças criam conflito com as fazendas de gado. Quase 80% do Pantanal é usado para a pecuária e é um fato que as onças podem eventualmente atacar o gado. No entanto, fazendeiros locais frequentemente culpam as onças por todas as mortes de gado nos campos de pastagem e nós queremos investigar isso em detalhes.. Com as coleiras transmissoras, nós temos o único meio técnico possível de se produzir os dados científicos sólidos que precisamos para saber quais são as quantidades exatas de perdas reais de gado para as onças, assim como obter números precisos sobre quantos gatos selvagens podem ser mortos ilegalmente. Com essa informação em nossas mãos, nós podemos experimentar mudanças na técnica de proteção ao gado, tais como cercas elétricas, búfalos que guardam a manada, separação em currais protegidos para o gado jovem e vulnerável, e por aí em diante. Queremos demonstrar aos pecuaristas, que ainda possam estar relutantes, quais são as técnicas que podem realmente reduzir as suas perdas. Ao fazer isso, esperamos que possa ser estabelecida uma melhor relação de convivência entre pecuaristas e a onça. Se tivermos sucesso, no futuro as onças estarão mais seguras quando atravessarem as fazendas de gado.
Uma foto armadilha da câmera de um jaguar (onça),
com coleira no Pantanal brasileiro.
É impossível obter essa informação apenas observando os animais ao longo dos rios ou colocando câmeras automáticas escondidas que fotografam onças e outros animais selvagens quando eles passam. Ambas as técnicas são úteis para prover alguma informação sobre o número de onças, especialmente as armadilhas fotográficas, que fornecem informações precisas para estabelecer as estimativas de densidade. Mas esses recursos não nos permitem responder a contento à questões a respeito dos conflitos entre as onças e os criadores de gado.. Nossas coleiras transmitem informações à distância, então podemos seguir as onças enquanto essas se deslocam pela paisagem; as coleiras indicam até mesmo mesmo o local e o momento precisos de quando uma onça morre, então mesmo que não possamos examinar pessoalmente um animal morto, podemos ter informações que alertem quando muitos estão morrendo em uma determinada região e, aí, investigar melhor quais as causa dessas mortes. Não há como obter esse mesmo tipo de informação simplesmente observando onças por algumas horas por dia na beira dos rios, essa informação é preciosa e é essencial para se lidar com a questão do conflito homem x predador.
É um erro achar que as coleiras vão ficar no animal por toda a sua vida. Nossas coleiras são desenhadas com um dispositivo que faz com que elas se desprendam automaticamente depois de um período estipulado de dois anos. Isso significa que não temos que capturar um animal pela segunda vez para remover a coleira.
Os cientistas da fundação Panthera já capturaram centenas de felinos selvagens de muitas espécies diferentes em todos os continentes do mundo onde esses animais aparecem. Nós colocamos o mais alto valor na segurança total dos animais e temos muitas décadas de experiência em grupo para assegurar que esse processo seja realizado dentro dos padrões mais altos de segurança. É triste que sejamos ocasionalmente representados como “cientistas sem coração” interessados apenas em dados quando na realidade cada um de nossos biólogos faz sacrifícios pessoais e se coloca em situações de risco ao trabalhar com espécies selvagens, simplesmente porque nós realmente os amamos profundamente. Ao prosseguir com processos científicos rigorosos, nós temos esperança de garantir a continuidade de sua existência, para que as gerações futuras também tenham a possibilidade de continuar a amá-los.
Editei este vídeo como uma sincera homenagem à estes seres incríveis, anjos de graça e beleza, que simplesmente sorriem para a câmera, proporcionando imagens hipnotizantes. Na minha modesta concepção, "dançam" ao som desta maravilhosa canção de "Jan Akkerman", do seu último álbum "Minor Details" (2011).
"Kharman Chantalah", cujo nome têm apelo espiritual, me pareceu bastante condizente com a atmosfera das imagens. Espero que os amigos possam curtir... assim como eu quando da revisão onde me prendia aos detalhes encantadores no comportamento dos "Espíritos do rio".
Abaixo, uma reportagem na Geographic Brasil:
Ao caçar no âmago da floresta, os botos aproveitam ao máximo as prodigiosas cheias anuais da Amazônia
Com uma espécie de brilho alaranjado, os botos-cor-de-rosa, ou ou botos-vermelhos vivem submersos nas águas escuras da Amazônia
Os botos nadam por entre a copa das árvores. Curvam o corpo sinuoso, deslizam pelos ramos e se enroscam como serpentes em torno dos troncos canelados. Não se trata de nenhuma paisagem onírica extraída de romance; essa é uma cena real que ocorre na temporada das chuvas no alto Amazonas, a jusante da cidade peruana de Iquitos. O rio inunda a floresta tropical, permitindo que os golfinhos fluviais busquem alimento no meio da mata.
O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), da Amazônia, afastou-se de seus ancestrais oceânicos há 15 milhões de anos, no período conhecido como Mioceno. Na época, "o nível dos mares era mais elevado", explica o biólogo Healy Hamilton, e partes extensas da América do Sul, incluindo a bacia Amazônica, podem ter sido inundadas por águas rasas e salobras. Quando esse mar interior recuou, segundo a hipótese de Hamilton, os golfinhos permaneceram na bacia fluvial.
Os botos amazônicos possuem testa gorda e um bico magro e alongado, adaptado para agarrar peixes entre ramos emaranhados ou para escarafunchar a lama do leito fluvial em busca de crustáceos. Ao contrário dos golfinhos marinhos, as vértebras do pescoço dos botos não estão fundidas, e isso lhes permite girar a cabeça em ângulos de até 90º, o que facilita sua movimentação. Eles também têm nadadeiras largas, uma barbatana dorsal reduzida (se fosse maior, poderiam acabar entalados) e olhos pequenos - uma espécie de "sonar" que lhes permite identificar suas presas na água lamacenta.
Com um peso que chega a 200 quilos e até 2,5 metros de comprimento, o boto amazônico é a maior das quatro espécies conhecidas de golfinhos fluviais. As outras vivem nos rios Ganges (Índia), Indo (Paquistão), Yang-tsé (China) e da Prata (entre a Argentina e o Uruguai). Todos eles são parecidos, mas as quatro espécies não pertencem à mesma família. Estudos de DNA, realizados por Hamilton e outros, mostraram que os golfinhos fluviais evolveram de cetáceos marinhos arcaicos (a ordem que também inclui as baleias) em pelo menos três ocasiões distintas - primeiro na Índia e, mais tarde, na China e na América do Sul -, antes que os golfinhos marinhos modernos emergissem como um grupo específico. Em um exemplo do que se denomina "evolução paralela", espécies geograficamente isoladas e geneticamente diferentes acabaram desenvolvendo características similares, pois tiveram de se adaptar a ambientes semelhantes.
Todos os anos os botos amazônicos saem dos canais fluviais e revivem a experiência de seu hábitat primitivo. Na reserva de Mamirauá, onde Tony Martin, da Universidade de Kent, na Inglaterra, vem estudando os botos há 16 anos, dois afluentes do Amazonas inundam milhares de quilômetros quadrados de floresta durante metade do ano, transformando-a em um vasto mar pontilhado de copas de árvores. Martin e sua colega Vera da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus, descobriram que os botos do sexo feminino em especial avançam longe na mata - talvez como proteção contra os machos agressivos e de um rosado brilhante. As fêmeas são, em geral, cinzentas. A cor rosada dos machos, na opinião de Martin e Vera, deve-se à cicatrização do tecido da pele.
"Os machos atracam-se com enorme ferocidade", diz Martin. "Eles são brutais. Mordem sem dó a mandíbula, a cauda, as nadadeiras e os orifícios respiratórios de outros machos. Os espécimes maiores estão recobertos de tecido cicatrizado." Apenas um percentual pequeno dos machos adquire tonalidade rosada brilhante, explica Martin, e são eles os mais atraentes para as fêmeas - pelo menos ao longo da temporada de acasalamento, quando as águas recuam para os canais dos rios e espécimes de ambos os sexos são obrigados a conviver juntos.
A cor rosada não é o único recurso dos machos para impressionar as fêmeas. Às vezes agarram com o bico ramos de folhas ou pedaços de galhos, giram o corpo com a cabeça fora d’água, e batem o objeto contra a superfície. Martin descobriu que só os machos carregam objetos na boca, e apenas na presença das fêmeas. Além disso, há uma chance 40 vezes maior de eles brigarem quando adotam esses comportamentos ostensivos. Nenhum outro mamífero, além dos seres humanos e dos chimpanzés, recorre a objetos para se exibir. "É o equivalente de sair por aí dirigindo uma Ferrari", explica Martin.
Os botos não são atacados por nenhum predador, com exceção dos seres humanos. Em dezembro de 2006, o golfinho do rio Yang-tsé, chamado baiji, afinal sucumbiu à poluição, às hélices de barcos, às represas e à pesca desenfreada. Ele tornou-se o primeiro cetáceo a ser declarado "praticamente" extinto. "Sem o baiji, perdemos 20 milhões de anos de evolução independente", comenta Hamilton. O golfinho fluvial do Ganges também corre perigo; só restam poucos milhares em alguns dos rios mais poluídos do planeta.
Inspirando as pessoas a cuidar do planeta desde 1888
A natureza de um pequeno país pobre vale ouro. Belize, uma antiga colônia inglesa, é um dos menores das Américas. Fica na América Central.
Livre e radiante, Belize exibe para o mundo um fascínio selvagem. É um país do tamanho do estado de Alagoas, tem a metade de seu território de áreas preservadas. A reserva de Cockscomb tem 52 mil hectares exclusivamente para salvar o jaguar, o maior felino das Américas. Lá vivem entre 60 e 70 animais, que estão se reproduzindo.
O jaguar é a onça pintada que conhecemos no Brasil. Um macho é o Júnior, que nasceu no zoológico. A mãe foi capturada grávida. Agora com seis meses, o filhote está sendo preparado para conviver com os parentes adultos, que ficam na parte isolada do zoo. A mãe dele também está lá.
O maior dos felinos do nosso continente já foi extinto em outros países americanos. Em Belize, ele é protegido por lei. Em liberdade, o jaguar se isola na floresta. Só procura companhia na época do acasalamento.
As aparências enganam. A iguana com cara enfezada é assim mesmo, parece que está sempre com raiva. Apesar da cara de má, ela passeia tranquilamente nos campos abertos, aquecidos pelo sol da manhã. Não são perseguidas pelos predadores.
É uma espécie de um grande laboratório na selva de Belize. No local, as árvores são catalogadas e marcadas, e cada uma delas tem um sentido medicinal. São plantas que curam.
O guia Meshack Eliah olha para todos os lados e sabe tudo. Uma das árvores é venenosa. O guia explica que dela sai um leite que pode queimar a pele, inchar e causar hematoma muito grande. Mas ao lado dela tem outra árvore que cura.
Nas áreas mais nativas de Belize, as pessoas não têm uma farmácia, não têm um medicamento perto e usam o da selva. Usam os remédios que a natureza ensinou e curam várias doenças
A árvore sapodilla faz chiclete com o látex, com o leite da planta. Os maias, há muitos e muitos anos, usavam para salivar e andar o dia inteiro pela selva sem precisar tomar água.
O guia, sempre bem humorado, explica que uma folha é a "acácia" - serve para muita coisa, inclusive para deter o veneno de cobra até a pessoa ser socorrida. Também é boa para picada de formiga, e o espinho é usado para aliviar crises de asma.
Na floresta tem remédio para tudo. O guia aponta uma planta boa para insônia chamada "algodoncillo". A receita é ferver as folhas e tomar banho com o chá. A folha dela também pode ser usada para dor de dente. São usos e costumes dos maias, que através de séculos ainda reforçam o respeito à natureza.
Ceiba é um monumento sagrado para os maias. Quando os maias morriam, eram enterrados perto das ceibas e iam para as raízes. Se fosse uma pessoa boa e pura, seria introduzida pela árvore gigante e levada para o topo, e, do topo, para o céu. É uma das maiores árvores do mundo.
O clima tropical também atrai a borboleta azul. Ela está em toda parte, nas florestas de Belize. No centro de pesquisas da reserva San Ignacio, ela recebe atenção especial. O berço esplêndido é a folha viçosa.
A equipe do Globo Repórter está bem abaixo de um macaco guariba. Ele estava vociferando. Quando a equipe se aproximou, ele calou. Ele é desconfiado. Marca seu território aos gritos para evitar a aproximação de outros bandos. Ainda bem que lá ele só tem um predador, o jaguar. No Brasil, o guariba é caçado e ainda serve de alimento para os caboclos em algumas regiões da Amazônia.
Ao todo, 50% do território de Belize são de áreas preservadas. Por isso é possível ainda encontrar centenas de espécies que são preservadas nessas matas fechadas. Matas e águas em equilíbrio constante.
A equipe do Globo Repórter avança e logo encontra uma bela surpresa: os seres mais dóceis e simpáticos do mundo das águas. Golfinhos nariz de garrafa, perto e longe da lancha, tornam o mar do Caribe ainda mais acolhedor. É um espetáculo que se assiste de camarote. Golfinhos e tubarões estão nos abismos profundos de Belize. O céu é testemunha. O lugar é um paraíso - fortuna e beleza inesgotáveis de um país chamado Belize.