quarta-feira, 6 de julho de 2011

Os Taoístas Imortais: Brincando entre a Luz e as Sombras, O Céu e a Terra



Por Isabel Robinet
Jornal de Religiões Chinesas
Traduzido para o Português por Jaqueline Sá Freire –Instituto Takkemussu Hikari Dojo – R.J.

Eles caminham por fogo abrasante e não se queimam; pisando com leveza, eles atravessam assustadoras correntezas; eles voam no ar, com o vento como sua sela e as nuvens como suas carruagens. Erguendo a vista, eles enxergam o Pólo Púrpura, abaixando-os, eles se estabelecem em K'un-lun. Como podem os homens, cadáveres ambulantes, vê-los? Se eles querem, se divertem entre os seres humanos, mesmo assim eles escondem sua verdadeira natureza e ocultam seu caráter subrenatural; externamente, eles se parecem como mortais comuns
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É assim que Pao-p'u-tzu (283-363 CE) evoca os hsien-jen, os Taoístas imortais ou santos. Ele segue em diante, dizendo que eles têm as pupilas quadradas, imensos lobos das orelhas, cabeças de serpentes, roupas de plumas, e montarias fantásticas, como garças e dragões. As hagiografias (biografias dos santos) os descrevem com o poder de aparecer e desaparecer a vontade, como vendedores de ervas medicinais, curando as doenças, pregando peças nas autoridades por sua habilidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo e seu dom de metamorfose, predizendo o futuro, voando através do ar, morrendo e renascendo vários séculos depois, fazendo chover ou extinguindo incêndios. 

Essa é a imagem popular dos imortais: absolutamente evanescentes e fantásticos, andarilhos evasivos e imprevisíveis que têm especial interesse por espécies de aves, que lhes servem como montaria ou que lhes faz companhia. Mestres do fogo, do vento e da água, eles se divertem aonde querem. Eles criam um grande brilho para anunciar suas chegadas ou desaparecem com um clarão. 

Lao-tzu, Chuang-tzu e Huai-nan-tzu olham os imortais de maneira mais filosófica, com um aspecto metafísico, mas eles não negam certas características que se confundem com a imagem popular dada pelos hagiógrafos. Imóveis e invulneráveis, os santos não têm medo de rinocerontes, tigres, ou exércitos, como diz Lao-tzu (cap. 50). "Mesmo através do grande fogo dos pântanos, não podem queimá-lo, mesmo que os grandes rios congelem, não podem esfriá-lo, mesmo que o raio parta as montanhas e enormes ondas sacudam os mares, eles não podem assustá-lo," diziam Chuang-tzu e Huai nan-tzu. 

Como muitos dos hagiógrafos, Chuang-tzu também os descreve "entrando na água sem se molhar e penetrando no fogo sem se queimar". Finalmente, os textos revelados, o Ching, reservado para os iniciados, descrevem a imagem do santo sob a forma de uma promessa oferecida ao seguidor que completou sua preparação, uma imagem que inspira seus esforços e alimenta suas esperanças. Luminosos como o jade, os santos emitem uma luz vermelha, e um alo rodeia suas nucas. Seus corpos são de luz, suas vestes de plumas. Sua visão e audição são agudas, ele é invulnerável à água, ao fogo, aos exércitos e às bestas selvagens. Ele tem total poder sobre os espíritos e os elementos naturais. 

Sendo de proporções cósmicas, o imortal se assemelha ao sol e à lua e vive tanto quanto a terra e o paraíso. Mesmo que os procedimentos para chegar à imortalidade variem, a imagem do Taoísta Imortal traçada por Chuang-tzu, Pao-p'u-tzu, seitas "aristocráticas" como a de Mao Shan ou as que são encontradas em hagiografias populares permanecem muito semelhantes.

Neste contexto, gostaria de enfatizar duas características principais, que me parecem conter um valor simbólico muito especial. A primeira é a relação mantida entre os imortais com a luz e as sombras, o que é conectado com seus poderes de se tornarem invisíveis ou visíveis. A segunda se refere à característica que os define e os diferencia dos mágicos: o Santo Taoísta se eleva para o paraíso. Gostaria de demonstrar que esta elevação é ligada a um movimento contrário de descida para a terra. 

Esses dois pares de simbolismo parecem ainda mais serem ligados, como vou mostrar gradualmente. “Quando ele fica, nós não sabemos aonde ele está, quando ele parte, não sabemos aonde ele está indo, subitamente ele se vai e subitamente retorna”, diz Huan-nan-tzu, em uma longa passagem com a descrição do santo. Ele também diz que “ele está aqui, sem aparecer, e fica, em nenhum lugar. Ao se mover, ele não tem forma, em movimento, ele não tem corpo. Ele está presente como se estivesse ausente, ele vive como se estivesse morto". 

É claro que o que Huan-nan-tzu quer dizer é que o santo, estabelecido no centro do mundo, se une aos opostos, "se mantém na unidade e desconhece o dualismo". Mas o que podemos pensar dos súbitos aparecimentos e desaparecimentos destas pessoas que são imortalizadas pela crença popular: às vezes aqui, outras lá, tanto aqui como lá, desaparecendo subitamente e reaparecendo vários séculos depois, sem se importar com o tempo ou o espaço, algumas vezes numerosos, em outras épocas, completamente ausentes? 

"Ele filtra sua luz e se mistura com a poeira" e "ele é a luz que não brilha", diz Lao tzu (cap. 56 e 58). Ele sabe como não ser percebido, tão grande é a sua habilidade de se adaptar ao ambiente. As aves não o temem, seus passos não deixam marcas. "Ele se transforma em madeira quando entra na floresta, ele se transforma em água quando permanece na água", diz um texto Taoista do século quatro. 

Lieh-tzu e Chuang-tzu, com palavras muito parecidas, oferecem a sombra como a imagem do santo. Símbolo da ação reflexiva, wu-wei, da harmonia intima com a Fonte de toda a existência, a sombra também simboliza os ensinamentos dos santos porque a Verdade é como “a sombra está para o corpo, o eco, para o som, a resposta, para a pergunta". A sombra, diz Chuang-tzu, é como a pele de uma serpente. É irreal como a vida e a morte, irreal como a morte de um imortal que abandona seu corpo como se fosse apenas uma cobertura temporária, uma morte que é frequentemente prenunciada pela mudança de pele de uma cigarra ou de uma serpente
O espelho é outro símbolo da impassividade e da "apatia" do imortal que, nas palavras de Chuang-tzu, "usa sua alma como se fosse um espelho. Um espelho do paraíso e da terra." Sua "imobilidade é como a do espelho, suas respostas como as de um eco." O espelho aqui é claramente relacionado ao eco, que tem a mesma natureza da sombra. Como uma sombra, o espelho é um símbolo do que nunca precede, não tem causa, nem nada retém. O santo, da mesma maneira, continuando com a metáfora de Chuang-tzu, não corre com as coisas nem as atrasa, ele não lidera os outros, e sempre os segue. 

O simbolismo do espelho, porem, não é tão simples. A sombra e o espelho são, ambos, símbolos ambíguos. Assim, a sombra tanto é o resultado da luz quanto a ausência dela. Um espelho é tanto luz quanto a falta dela, no que é apenas uma parte de sua reflexão. Ele é luz indireta. Contrário a um corpo comum, o qual, por sua opacidade, faz sombras da luz, a negra consorte de K'uei, mestre da musica e da forja, brilhava com tanta luz que era como um espelho. Opacidade e sombra, o espelho brilha e irradia. "Os conceitos de iluminação, reflexão, visão, observação com clareza, compreensão, tendem a ser associados e confundidos com certas palavras chinesas (chao, ming)", como é demonstrado por Demieville, em seu bom artigo no "Le Miroir Spirituel." Demieville também se refere à relação desenvolvida entre os interpretes de textos cristãos entre speculum, espelho, e speculatio, contemplação. 

Se esta relação é sujeita a dúvida de um ponto de vista semântico, ainda assim é rica em significado de uma perspectiva simbólica. De fato, só falta ser feita a referência quanto ao extensivo uso da metáfora do espelho pelos islâmicos. Assim, não foi por acaso que Demieville, ao comentar sobre o espelho, enfatizou o mesmo tipo de ambigüidade das expressões chinesas. A mesma ambigüidade existe com respeito ao caractere lido como ching, que significa “luz”, mas que é muito escrito com a palavra ying, "sombra", escrito da mesma forma, mas com um sinal a mais. Ying, a sombra, também é confundido com hsing, corpo: assim, expressões como "disfarçar toda a luz e esconder seu brilho” (ni-ching tsang-kuang) também pode ser substituída por ”disfarçar seu corpo e esconder sua sombra” (tsang-hsing yin-ching).

A pele abandonada pela serpente é comparada à sombra por Chuang-tzu. No taoísmo, também é a imagem do corpo que o taoísta abandona no momento de sua falsa morte, a "libertação do corpo." O corpo é sombra, ying, mas também é luz. A fisiologia Taoísta acredita haver 24 pontos luminosos, ching, que, apos um período bem sucedido de preparação, se unem para levar o praticante para o paraíso. Certos textos falam de 120 hsing-ying (lit. "formas-sombras") e 120,000 ching-kuang ("essência-luz").
  
Os espelhos revelam o futuro, fazem com que a divindade apareça, e mostram a verdadeira forma de demônios disfarçados com falsas aparências. Alguns deles, os espelhos yang-sui, quando expostos ao sol, fazem com que o fogo do sol apareça, outros, chamados de fang-chu, quando expostos à lua, coletam o orvalho celestial. 

Existem vários métodos de meditação pelos quais o praticante faz com que a divindade apareça no espelho. Os espelhos precipitam e descobrem. "O corpo do homem é naturalmente visível”, explica Pao-p'u-tzu," e existem métodos para torná-lo invisível, espíritos e demônios são naturalmente invisíveis, e existem métodos para torná-los visíveis.'' 

Os espelhos estão nesta categoria. Fazer aparecer é coletar e condensar. Precipitar uma luz ou uma forma que é naturalmente invisível. Durante a meditação, o taoísta, como o espelho mágico, reúne e condensa, e torna-a visível em si e para si as divindades que ele invoca pelo nome e nas quais ele concentra seu espelho mental. Um dos exercícios consiste em ver os próprios olhos transformados em brilhantes espelhos nos quais se reflete o próprio corpo. Em outro exercício, o adepto vê sua respiração transformada em um espelho, que depois ilumina todo o seu corpo, e também os 24 espíritos do ching, os pontos luminosos do corpo.

Em exercícios para absorver as essências do sol e da lua, o praticante como os espelhos yang-sui e fang-chu, capturam as essências luminosas dos corpos celestes, e as transforma em si mesmo, ou em um fogo que o engolfa e o leva para a apoteose, ou no fluido da vida, que o nutre. Como a palavra ching, a expressão yang-sui se tornou o nome de uma carruagem celestial, que leva o praticante ao paraíso. Levando a luz para dentro por sua visão interior, nei chao, assim levando luz para os órgãos internos, o adepto os torna luminosos. Ele transforma seus órgãos na morada dos espíritos que, como diz T'ai-p'ing ching, apenas gostam de viver em lugares luminosos e calmos, como uma poça espelhada. Ele absorve a luz dos corpos celestes e interiorize a luz de seus olhos, as estrelas de seu próprio corpo, e brilha por dentro. Assim ele atinge o céu, que às vezes é chamado de "luz invertida” (tao ching) porque, por se situar acima dos corpos celestes, recebe a luz por direção oposta. Mas a reflexão desta luz também se desdobra, se divide e reflete.


Um processo usado para que a pessoa se multiplique e adquira o dom da ubiqüidade (qualidade do que está em toda parte, do que é ubíquoonipresenteconsiste em olhar para a própria sombra ao sol, na água e em espelhos. Essa habilidade de se multiplicar é designada por expressões como “dividir sua luz em dez mil corpos”. É muito parecida com a habilidade do santo de resplandecer. Tendo atingido o apogeu de sua arte, o imortal realmente se torna como o sol e a lua, dele emanam luzes coloridas que anunciam sua aproximação, como as que avisaram a Yin Hsi, o guardião da passagem, da chegada de Lao-tzu. Um halo rodeia sua nuca, com faíscas vermelhas. Além disso, “em suas pupilas existe uma luz fluida da cor de jade púrpura, ele pode ver por dez mil li, ele enxerga tudo, sem limitações... em seus olhos, uma essência líquida idêntica às estrelas ilumina seu rosto com um brilho dourado. Ele espalha sua luz por dez mil li, iluminando um quarto escuro"; ele se transforma em uma "luz líquida" que flutua por toda a terra. Muitos exercícios terminam com um grande clarão, que “ilumina o interior e o exterior, transformando o corpo em algo tão impressionante como o sol e a lua”.

A capacidade para o esplendor é inevitavelmente contrastada com a capacidade do adepto para desaparecer, se tornar uma sombra. Isso se refere ao seu poder de condensar a luz refratá-la e absorvê-la. A lua é o espelho do sol, sua escura consorte. Nos exercícios taoístas, a florescência amarela do corpo celeste noturno e as essências vermelhas do dia são absorvidas, ou, na representação do santo em sua glória, ladeado por estas duas luzes; a lua é a sombra contida, e sol é a luz exterior.


A água, associada com a lua, é a “luz interiorizada”, como diz Huai-nan-tzu. É a água que Lao-tzu usa como modelo de docilidade e maleabilidade, a água que reflete como a alma tranqüila do santo. Um texto sobre espelhos mágicos começa com esta explicação: "a luz interior, nei ching, da água a dos metais, faz com que o yang apareça com o yin." Por isso, é possível se multiplicar e fazer com que os demônios apareçam. A luz interior, nei ching, que é a força yin (água e metal) da contradição e da coagulação, torna possível fazer com que demônios invisíveis e deuses apareçam naturalmente. Os espíritos são luz no interior escuridão por fora, diz o T'ai-p'ing ching. A luz exteriorizada, que irradia a força yang da expansão, se manifesta através do efeito da água e do metal, dos espelhos e da lua. A habilidade do santo consiste em centralizar as forças invisíveis, fazendo com que o yang apareça ao se reduzir, e ao mundo inteiro, ao estado de espelho. Criador de iluminações divinas, ele faz com que o aspecto externo das coisas desapareça, e permite que sua “forma verdadeira” irradie, para manifestar o que é naturalmente invisível.

Ele se tornou um mestre da arte de aparecer e desaparecer. Como Lao-tzu, que pode se fazer “irradiante ou escuro, às vezes desaparecendo, às vezes presente," o adepto. No final de sua ascensão espiritual pode “se esconder ou de mostrar, aparecendo ou às vezes, desaparecendo”. De acordo com a imagem popular do santo, ele pode “ao estar sentado, estar presente, ao se levantar, estar ausente”. Uma frase de Lao-tzu, "Conheça o branco e guarde o negro", tem sido usada como titulo de um exercício em que todo o corpo do adepto se acende por dentro e por fora, o que torna possível "desaparecer e se multiplicar". Conservando sua luz, mas se banhando no brilho, o santo esconde o que mostra e mostra o que esconde. Ele é a encarnação do principio funcional do símbolo: esconder e demonstrar. Usando uma expressão de Chuang-tzu, podemos dizer que “com um sinal (lit. um dedo, chih), ele mostra que o sinal é um não-sinal,", ou melhor, "com um não-sinal, ele mostra que o sinal é um não-sinal."

Conhecer as palavras que não são ditas, diz Chuang-tzu, é chamado de "Celestial Receptáculo" ou "contendo (lit. preservando) a luz." Ele é "escuro e obscuro, tão brilhante como o sol e a lua," diz Huai-nan-tzu. Escondido na Obscuridade primordial, misturado ao Chaos original, ele é o gnomon: toda a obscuridade desapareceu e todas as sombras se interiorizaram. O santo fica em um lugar sem sombra e sem eco; sem duplicata; como muitos textos chamam essa imagem. Conhecido-desconhecido, o imaginário popular demonstra o imortal para nós: aqui e lá, mudando de nomes, de linhagem obscura. Não é a toa que a ambigüidade das palavras Chinesas ching (luz) e ying (corpo/sombra) é difícil, ou talvez impossível, de ser eliminada. Esta ambigüidade tem um significado e deve ser mantida

Invisibilidade, a capacidade de desaparecer, não consiste apenas em ser apagado ou se tornar um espelho que é apenas o reflexo passivo da luz. E também a invisibilidade não consiste de ser o carregador obscurecido da vida como Lúcifer. Isso tem um duplo significado. Na verdade, o homem, como oposto aos demônios e espíritos, é naturalmente visível; fazê-lo invisível é reverter a um processo que é o oposto da precipitação, concretização e coagulação. Alem de amarrar a respiração Primal e a coagulação das nove respirações originais, o imortal desaparece ao final dos exercícios de desamarrar, sublimar e rarificar ("reduzir e reduzir novamente," diz Lao-tzu). Estas práticas o tornam refinado e etéreo.

Um personagem aparece mais que uma vez nas hagiografias. Assim, o Lieh-hsien chuan diz que Ch'ih-sung tzu e Ch'ih-chiang Tzu-yu sabiam como "subir e descer com o vento e a chuva" e Ning Fung-tzu subiu e desceu com a fumaça. Pao-p'u-tzu devota o capitulo 17 aos métodos que permitem que se escale montanhas, que são técnicas similares às que permitem que se atravesse corredeiras e rios. Mais adiante, no mesmo capítulo, ele discute uma técnica que torna possível “voar ou submergir a vontade” ou “voar e subir e descer”. Os oito imortais que rodeiam o Príncipe de Huai-nan disseram que sabiam como "fazer vir o vento e a chuva quando estão sentados, e ao se levantarem, como fazer desaparecerem as nuvens e o nevoeiro.”. 

O imaginário popular mítico sugere, como diz Kaltenmark, uma profunda afinidade entre os imortais e as aves. As sandálias do santo, que tomam o lugar de seu corpo desaparecido no caixão, se transformam em aves; sua espada ou seu bastão, que são seus alter-egos, partem voando, ele se cobre de penas, garças são suas montarias, aves brincam na sua porta. Por fim, dizem que ele voa para o céu sobre dragões e nuvens. O principal é que ele está acostumado às alturas, e não as teme. 

Os textos Taoístas revelados usam as mesmas imagens: prometem ossos leves e roupas de penas para quem se aplica assiduamente à meditação. Ascensão em "pleno dia" é apresentada como um sinal da mais alta realização espiritual, e é comparada com a “libertação do corpo” que é reservada para quem não conseguiu refinar e tornar suficientemente leve seu corpo. Sobre as discussões sobre os imortais no infinito, Lieh-tzu diz que eles estão “escondidos no paraíso." T'ao Hung-ching se refere à Hsu Yuan-yu, o famoso Taoísta do inicio do século 4, como alguém que "escondia seu esplendor, fugiu do mundo e escondeu sua luz dentro dos nove reinos vazios." Um exercício Taoísta recai sobre a técnica apropriada para "absorver as emanações dos corpos celestes, para ficarem escondidos no paraíso.” um trabalho do Tao tsang, o Cânone Taoísta, tem os seguintes subtítulos: "o livro para” ou "O livro para se esconder no paraíso ou para se disfarçar na Lua”. Isto explica um método para absorver os raios da lua e do sol (pao-kuang). Os Taoístas se escondem na própria luz; eles "retornam para o brilho das estrelas” e “se escondem escapando para a lua e para o sol”.''

Em oposição a estes métodos celestiais, outras técnicas permitem que uma pessoa se esconda na terra. A arte de “se elevar em plena luz do dia” se corresponde, de fato, a arte de "mergulhar na terra em plena luz do dia." Consequentemente, Pao-p'u-tzu diz que "o sol e a lua não possuem luz, nem homens nem demônios são visíveis. De maneira semelhante à Lao-tzu, que "está satisfeito em lugares inferiores" e como a "pérola que ilumina a noite," o Taoísta se esconde em cavernas e buracos escuros de lugares altos, as montanhas. Além disso, se esconder na luz do paraíso ou na obscuridade da terra, cujas profundezas, de acordo com a cosmologia sagrada do Taoísmo, atingem os céus, o santo também pode se esconder nas “sombras do paraíso” da luz obscura de estrelas escondidas. 

Na cosmologia Taoísta, a Ursa Major é cercada por estrelas escuras, aonde as esposas das divindades da constelação vivem. Estas divindades femininas lançam uma luz yin sobre as estrelas, que formam uma aura exterior para a luz yang das estrelas da constelação. (deve ser lembrado que T'ai-p'ing ching afirma que espíritos são luzes por dentro e escuridão pelo lado de fora). Estas divindades são os Nove Yin do Senhor Imperador, invocados pelos adeptos em exercícios de desaparecimento. Eles são designados por nomes reveladores: "(Aquela que) se esconde por transformação e escapa para a fonte;" "(Aquela que) disfarça seu brilho e esconde sua luz;" "(Aquela que) cobre seus traços e dispersa sua forma." Como contrapartes celestiais das nove sombras Subterrâneas, são invocadas quando alguém deseja "estar escondido nas oito direções" e "esconder seu corpo e sua luz". Também são as contrapartidas exatas do sol e da lua, que como assegura T'ao Hung-ching, brilham no interior da terra ou em cavernas nas montanhas; as grutas celestiais do Taoísmo. Há duas maneiras de "desaparecer": descer para a terra ou ascender aos céus. A sombra subterrânea (Yin de Yin) corresponde à escuridão celestial (Yin de Yang) e os dois luminares visíveis no céu (Yang de Yang) correspondem aos que estão enterrados nas cavernas da terra. (Yang de Yin).
A dialética luz/sombra da revelação e de esconder são, assim, precisamente paralelas à dialética de Céu-terra de ascensão e queda. A coagulação ou concentração do fôlego (ch'i) está na fonte de todas as coisas. Também é o que fez com que os ensinamentos do Tao "descerem." O Taoísmo elaborou toda uma teoria da coagulação progressiva da respiração primordial que deu forma aos livros sagrados que existiram antes do surgimento do céu e da terra. No período primordial, estes livros assumiram formas que eram mais ou menos condensadas e grosseiras. Os primeiros livros, formados de respiração e de luz, eram letras flamejantes que emitiam um brilho intolerável. Elas, então, se transformaram em "selos de nuvens," luz, mas ainda mais escuras. Sua transcrição final em escrita humana ocorre apenas no fim do processo em que "os traços desceram." Apenas a porção mais densa ou mais coagulada destes Livros é acessível aos seres humanos. Assim o processo de condensação e coagulação da respiração primordial é a coisa que realmente permite que a Verdade tome uma forma e se materialize em textos acessíveis à humanidade. 

Este movimento para baixo é associado também com as divindades que, formadas pela "união" da respiração primordial, aparecem para adeptos devotos para suas praticas assíduas de invocação e oração. Estas divindades trazem a maneira de se adquirir a imortalidade, livros sagrados, magias, ou as ervas da vida. "Após completar o Tao pelo próprio bem, o santo desce em resposta (aos pedidos dos seguidores) e deve se unir aos seres." "Retornar à luz," diz um texto, é "se fundir a dez mil metamorfoses." Modelando-se neste processo de descida, um discípulo Taoísta coloca em pratica os ensinamentos sugeridos para refinar seu corpo e voar para os céus. Da mesma forma, ele "une sua respiração " e a concretiza. É ele que une e separa. Ele "desfaz" os nós da morte que cada um carrega desde que nasce. 

Assim, ele invoca as divindades que ocupam os pontos luminosos (ching) de seu corpo. Alem disso, ele faz a "Essência amarela e a respiração Harmoniosa" das estrelas da Ursa Major descerem para seus campos inferiores de minério de mercúrio, a "Câmara de Yin" ou o "Portal da Terra." Ao contemplar o sol e a lua e fazê-los entrar em seu corpo, a "água amarela florescente da lua," que é um "liquido denso da flor amarela," se transforma em um elixir denso em sua boca, com cor de ouro e sabor de mel. Esta água amarela, diz o Chen-kao, é a mesma água que flui do K'un-lun no fim do mundo. É a água do sol e da lua e a bebida da imortalidade. Esta bebida que é a condensação do adepto do espírito dos corpos celestes é descrita em numerosos textos e é comparada a uma laranja em sua cor, com o tamanho de uma pílula ou uma pequena bola, e com sabor de mel. Pao-p'u-tzu sabe bem isso. 

As divindades que aparecem durante a meditação normalmente a trazem e dão umas as outras antes de dá-la ao adepto. Sua descrição parece com a das lendárias "peras hibridas" e "caramelos de fogo," chiao-li huo-tsao. Estas eram as frutas imortais que as divindades ofereceram ao imperador Wu dos Han, das quais os poetas falam. Fluindo dos corpos celestes ou de K'un-lun, ou correndo para a boca, este elixir da vida é o equivalente simbólico para a chuva que os magos de Hou-Han shu e os santos das hagiografias sabem invocar e que também são provocadas pelas árvores das montanhas. A água fértil do paraíso, o sagrado Yin, o Yin dentro do Yang, faz parte do ying-jui, as "respostas-tesouros" com as quais o sábio demonstra sua concordância que tem com os céus e a autoridade que dele recebe. Ela tem o mesmo papel que os tesouros de talismãs das dinastias que se relacionam, em função, aos livros de Talismãs dos Taoístas, em que sua posse e transmissão pelo mestre assegura sua posição. A respiração que ele une e precipita e os corpos celestiais que ele transforma em líquido para elixir são comparados com a essência yin do esperma. Este é o "Yin de Yin" que é a fonte de toda a existência, a água maravilhosa guardada no fundo do corpo. Transformado em respiração, o adepto o faz fluir para cima para "reparar o cérebro", seu paraíso na terra. Como as grutas celestiais das montanhas se comunicam com o paraíso, os rins são ligados ao cérebro pelos canais que correm pelas laterais da coluna.

Alem de uma afinidade com pássaros, o imortal revela características que o ligam aos peixes que nadam nas profundezas. No primeiro capítulo, Chuang-tzu apresenta, como uma alegoria para o santo, um imenso pássaro que voa até o fim do mundo. Mas o pássaro também é um peixe gigante que vive nas profundezas do mar. Pao-p'u-tzu compara o imortal a uma tartaruga que submerge nas profundezas e conta como Ko Hsuan nadou ao fundo da água quando estava bêbado ou quando as águas estavam quentes. Também é dito que Lao-tzu usou um chapéu de “uma pega e peixe". De maneira semelhante, Pao-p'u-tzu enfatiza a ligação entre a carpa e a fênix: aqueles que obtiveram o Tao, ele diz, "podem se elevar acima das nuvens e da neblina, e abaixo, submergir nos rios e oceanos. Assim Hsiao Shih voou com uma fênix e Ch'in Kao cavalgou uma carpa vermelha e mergulhou na escuridão". Como aves e animais que sobem a lugares altos, e peixes e tartarugas que mergulham nas profundezas, para salvar suas vidas, o Taoísta age assim se deseja escapar do perigo.

Entre os processos de se liberar do corpo, existe um pela água e um pelo fogo. O Taoísta submerge no primeiro e no segundo, voa na fumaça. O tema do santo como um pescador ocorre com freqüência nas hagiografias. Ele contempla a superfície da água, que se parece um espelho, para se refletir e ver um modelo, mas às vezes, como Chuang-tzu, ele pega um peixe contendo um talismã como um sinal dos céus. Ou, talvez, como Wang-tzu Ch'iao, ele pega um livro sagrado que, tendo sido trazido das profundezas, ensina a ele o caminho das alturas celestes. O talismã mais famoso que veio da água é o Ho t'u (o Mapa do Rio) e o Lo shu (o Livro do Rio Lo), diagramas cósmicos e divinos trazidos dos céus como prova de aliança.

Este tema também pode ser relacionado à idéia Taoísta de que a essência da vida é encontrada na água dos rins, que Huai-nan-tzu compara especificamente ao tesouro da dinastia Han. A carpa cor de fogo que mergulha nas profundezas carregando Ch'in Kao lembra o peixe de minério de mercúrio de Pao p'u-tzu. Esses peixes viviam na água vermelha do rio Nan yang (Yang do sul). Na superfície da água eles faziam aparecer uma luz forte, vários dias antes do solstício de verão, e seu sangue permite que uma pessoa caminhe sobre a água ao ser passada nos pés. Para usar uma terminologia alquímica, vemos que a respiração do coração (que corresponde ao fogo) que se esconde nos rins (que corresponde à água) é o complemento do fogo liquido que corre no Palácio celestial do Puro

Yang que representa uma fase do sol durante o solstício de verão. Como o imortal que faz com que a chuva caia e o vento sopre, o Taoísta faz com que "as águas que estão nas profundezas" fluam; estas são as emanações astrais transformadas por ele em uma saliva que nutre, ou as águas de K'un-lun, que, em termos de alquimia interna, reside no cérebro como saliva (o Yin do Yang). Ele também faz com que a respiração que está nos rins suba. Os rins são o "Oceano da Respiração" e contem o Yang doYin, a "obscura pérola" que se equivale à essência da lua que brilha na noite e que se encontra no fundo das águas. Ele "a leva para o topo das montanhas, e leva o fogo ao fundo dos oceanos". A arte em si consiste e fazer subir o que está em baixo e fazer descer o que está em cima. Finalmente, tudo será unido no meio, aonde o embrião da imortalidade ou a "pérola brilhante" é gerada. Isso se chama de arte complexa de ch'en fou ("mergulhar e flutuar”), que dizem ter sido praticada por Lao-tzu e é relacionada à arte da alquimia. O glosador de Wu-chen p'ien descreve esta arte em toda a sua complexidade:

O papel das cinco fases requer que o metal e a água sejam submersos nas profundezas e que a madeira e o fogo flutuem para cima; este é o estado natural do mundo. Mas o método para a purificação e alimentação faz com que [as Fases Yin] metal e água subam ao leste [que é a direção normal da madeira e do fogo, Fases de Yang], e a madeira e o fogo mergulhem no oeste.

Na natureza e através do cosmos, as Fases yin se situam abaixo pela precipitação e as Fases yang se estabelecem acima pela evaporação. O santo Taoísta, cujos poderes incluem a habilidade de reverter o fluxo de um rio, altera o movimento normal deYin e Yang para retornar à Origem. Ele faz subir o que está abaixo (eleva o vento, ou puxa um peixe para fora da água) e faz descer o que está acima (traz a chuva, ou transforma os fluidos que estão acima em elixir da vida). Ele os une no Meio que é, de fato, ele mesmo. Como homem, ele se situa entre o céu e a terra e é a conjunção do que está acima e do que está abaixo. Ele age como Lao-tzu que "sobe e desce na Corte amarela", o símbolo do Centro. Surgindo e mergulhando, o imortal também estende seu poder; ele irradia e se multiplica, contrai e desaparece,

entra e sai. Seus movimentos verticais de descida e ascensão se combinam as atividades horizontais de contração e expansão. As viagens feitas até o fim do mundo durante a meditação são completadas pela absorção de emanações pelos quatro pólos que se reúnem no corpo do adepto como forma de nutrição.

Também é revelada neste contexto o simbolismo da ginástica Taoísta que alonga e estende o corpo. Estas técnicas de ginástica são chamadas de ch'u-shen, que também e aplicado à capacidade de Lao-tzu de "se encolher e estender". A primeira parte deste ensaio que foi devotado ao poder do imortal de brincar com a luz e a sombra, ocultação e manifestação, que trata de movimentos horizontais de expansão e contração, entrada e saída. A segunda parte trata dos movimentos verticais de ascensão e descida. Estes movimentos gêmeos correspondem, primeiro, à relação horizontal entre os pulmões e fígado (relacionados ao leste e oeste), sol e lua, dia e noite, ou aos equinócios. Na dimensão vertical existe a relação polar entre os rins e o coração (ou a mente) que corresponde a Yin e Yang ou aos solstícios. Os rins são considerados o ponto de partida para o trabalho de ascensão. Desta forma eles são a Origem, mas a alquimia interna também os trata um microcosmo contendo os dois princípios básicos necessários para esta arte: chumbo e minério de mercúrio. Este microcosmo é estruturado em ordem inversa, pois o chumbo, que é relacionado com o norte e é negro (a cor do norte) por dentro e branco (cor do oeste) por fora, é colocado do lado esquerdo (a direção do Yang do Leste) dos rins (ou no rim esquerdo). O chumbo, desta forma, representa a "Correta Respiração da Madeira” (em relação ao Leste) e é o Yang de Yin.

Da mesma forma, o minério de mercúrio é o Yin de Yang e é encontrado no rim direito. A partir dos rins, a "essência espermática, transformada em respiração, se eleva. A respiração, que se tornou saliva, desce. A água se transforma em respiração ascendente, e a respiração se transforma em água na descida. Eles sobem e descem em turnos, sem fim.” como o vento e a chuva, os textos Taoístas dizem que "respiração e água circulam entre o Céu e a Terra, se propagam e caem no corpo em infinita rotação". Estas infinitas rotações transmutacionais, que giram como um anel e como uma roda, são chamadas de chuan, uma palavra que significa “girando” e “transmitindo”. Estas mudanças cíclicas de posição e qualidade devem ser repetidas "sete" ou "nove" vezes (ou múltiplos destes números); os números perfeitos que trazem ao trabalho a uma conclusão bem sucedida.

O Mediador de Yin e Yang
Demos aqui apenas uma breve sinopse de algumas das infinitas permutações que decorrem dos movimentos do Tao no cosmos e no ser humano. Em uma rápida e parcial análise deste simbolismo, existe o Yin dentro do Yin representado pela água nos rins; o Yin dentro do Yin celestial que é a pérola, uma projeção da lua mergulhada em um leito no oceano; ou o Yang dentro do Yin, fogo na água, água incendiada, e a carpa vermelha. Também existe o Yin dentro do Yang relacionado à Rainha Mãe do oeste, a tartaruga divina no topo do monte K'un-lun, ou a água do coração. Outra combinação cria o Yang e Yin terrenos, que são ouro e jade. . . e assim vai, em infinitas rotações. Incansavelmente, o alquimista faz com que estas polaridades (o fogo acima e abaixo, a água acima e abaixo) circulem, se unam, e lutem umas com as outras. O Yang puro emerge da terra; oYin puro desce do paraíso. No paraíso, o que é Yang, é encontrado como Yin. Este é o trigrama Li simbolizado pelo sol, contendo um corvo negro e formado por duas pinceladas yang que cercam uma pincelada yin. É o elemento Yang que, movido pela força do yin que ele "carrega nas costas", para usar uma expressão de Lao-tzu usada nesta conexão pelos Taoístas, descem para fertilizar a terra e a humanidade.
De maneira similar e inversa na terra, o Yin que "abraça" o Yang sobe e é representado no trigrama K'an. Pelo ponto de vista alquímico, estes dois são dragões, o verdadeiro Yang do coração, emanando do trigrama Li, e o tigre, a água real dos rins, emanando do trigrama K'an. Se elevando e descendo, se cruzando em seus movimentos, o Yin que é influenciado por um movimento ascendente yang, e o Yang que é influenciado por um movimento descendente yin, unidos no Centro. Eles continuamente repetem o curso circular de cima para baixo e vice versa. "Uma subida, uma descida, e o ciclo recomeça," diz o alquimista Taoísta parafraseado as famosas palavras de Hsi tz'u: "um Yin, um Yang, e isto é o Tao". O adepto assim faz com que os deuses desçam e subam aos céus para conversar com eles. Ele encarna os deuses celestiais e lhes empresta sua materialidade ou ele mesmo sobe até eles; os manifesta ou desaparece com eles.

Tung-fang Shuo, o extravagante imortal, em sua conduta, "mostrava-se às vezes profundo, às vezes superficial, às vezes aberto, às vezes obscuro", e que "sempre era impossível saber como agir com ele". Ele "brincava com os elementos de tal forma que todo o universo se incomodava". Como punição por sua conduta, ele foi exilado para a terra. lá, como uma divina semente sobre a terra, ele assumiu o papel de mediador entre o Paraíso e a Terra. Tanto homem quanto deus, ele também era bissexual como o alquimista que criou a idéia "em meu corpo, existe uma jovem mulher". Tung-fang Shuo era um palhaço, um trapaceiro divino, girando e dando piruetas, que, no “coração da mudança" criava a desordem na hierarquia do cosmos, do mundo e da sociedade.

O alquimista faz a mesma coisa para a ordem normal de seu corpo, para elevar sua materialidade para as esferas mais altas da espiritualidade e vice versa. "este é o mesmo movimento de inversão criado pelo adepto que contempla suas vísceras por "suspender suas imagens" como é dito pelo T'ai p'ing ching. Ele também faz com que os "emblemas suspensos" dos corpos celestes desçam para os mesmos órgãos. Ele faz com que as profundezas de seu corpo floresçam e ao puxar suas entranhas, ele revela o que normalmente está oculto. Ele vira seu corpo do avesso como uma luva e descobre suas formas secretas com sua visão luminosa. Ele também se esconde no fundo de si mesmo as emanações do sol e das estrelas que brilham. Ele fica yin por fora e yang por dentro, obscuro externamente e internamente brilhante.

O santo, como mediador, fica simultaneamente acima, abaixo e além do mundo; e ao mesmo tempo ele está dentro deste mundo. É por isso que sua presença no mundo é realizada de forma fantástica e evasiva. Ele apresenta para o mundo uma dimensão do além que, quando vista pelos olhos humanos, parece fantástica. Ele entra na água sem se molhar, no fogo sem se queimar, ele se mistura ao Yin e ao Yang sem se ferir. Além disso, ele é purificado pela água e pelo fogo, ele atravessa o Yin e o Yang e os domina. Ele caminha sobre a água e no ar. Ele mede e descobre a distancia que separa as alturas das profundidades, o escondido do revelado. Por sua simultânea presença e ausência, ele garante a união de todas as polaridades. Por esta ação, ele dá movimento a tudo em aparente desordem (todos os movimentos dão a aparência de desordem). Ele separa e se separa; ele une e se une a tudo o que existe no Paraíso e na Terra.

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