quarta-feira, 1 de junho de 2011

Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica

Mata Atlântica perdeu mais de 300 km2 em dois anos

Informações do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica indicam que Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Paraná foram os estados que mais desmataram; ambientalistas acreditam que novo código pode piorar situação

Em um ano particularmente simbólico para a Mata Atlântica, no qual se celebra o Ano Internacional das Florestas, os 20 anos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) e os 40 anos do programa Homem e Biosfera (MAB) da Unesco, os defensores da floresta não terão muito o que comemorar. 
Nesta quinta-feira (26), na véspera do Dia da Mata Atlântica, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a ONG SOS Mata Atlântica divulgaram o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que analisou entre 2008 e 2010 a situação da vegetação original restante nos 16 estados que fazem parte do ecossistema.
Foram avaliados 1.288.989 km2, da área total de 1.315.460 km2, o que corresponde a 98%. 
O resultado apresentado pelo atlas é preocupante. De acordo com o documento, da área original da Mata Atlântica, restam apenas 7,9%, e durante o período considerado, foram desmatados 311,95 km2 ou 31.195 hectares, o que equivale a aproximadamente 30 mil campos de futebol. 
Os dados do atlas mostram que o estado onde houve mais desmatamento da Mata Atlântica foi Minas Gerais, com perda de 12.467 hectares, seguido da Bahia, com 7.725 hectares, Santa Catarina, com 3.701, e Paraná, com 3.248. Na classificação por cidade, das vinte que mais desmataram, oito são mineiras, oito são baianas, três são paranaenses e uma catarinense. 
Em comparação com o período analisado anteriormente, entre 2005 e 2008, houve uma redução nos níveis de desmatamento de cerca de 55%, mas para Márcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica, é preciso continuar combatendo o desmatamento para que o bioma seja conservado. 
“Quase acabamos com a Mata Atlântica, o que ainda existe precisa ser preservado a qualquer custo. É preciso ficar alerta, porque, apesar da queda, as ameaças ainda são grandes. Ainda observamos desmates para reflorestamento [com espécies não nativas], para pastagens e para transformação em carvão”, lamentou Hirota. 
Para a coordenadora do atlas, as informações do documento poderiam ser usadas para estimular a criação de políticas públicas que incentivem a conservação e a restauração do ecossistema, que é recordista em biodiversidade. “Dependemos dos recursos naturais e dos serviços ambientais da Mata Atlântica que são essenciais para a sobrevivência dos 112 milhões de habitantes no domínio do Bioma”, enfatizou. 
Mario Mantovani, diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica afirmou que “a aprovação na Câmara dos Deputados da proposta de alterações no Código Florestal só piora a situação já dramática da Mata Atlântica”. 
O novo Código e o desmatamento 
Se o novo código florestal, aprovado na Câmara na última terça-feira (24) por 410 votos a 63, vai ou não incitar novos desmatamentos, em especial na região da Mata Atlântica, onde se encontra grande parte da produção agrícola do país, é um assunto que tem gerado muita discussão entre defensores e críticos da nova legislação. 
Para analistas ligados aos órgãos que integram a Campanha SOS Florestas, “o novo texto continua muito aquém do que a sociedade brasileira espera de uma lei florestal para o século XXI, e ignora completamente os apontamentos feitos recentemente pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Associação Brasileira de Ciência (ABC)”. 
Em nota divulgada no dia 25 comunicando a posição das entidades científicas sobre aprovação do código, a SBPC e ABC consideraram precipitada a ratificação do conjunto de leis, afirmando que não houve convite para que as entidades participassem da discussão sobre a legislação, e que o ideal seria que houvesse mais tempo para discutir o atual Código Florestal e seu substitutivo. 
José Galizia Tundisi, especialista em recursos hídricos do Instituto Internacional de Ecologia e membro titular da ABC, acredita que o novo código poderá favorecer a derrubada de mais florestas e acabar prejudicando a própria agricultura. “Não se pode aumentar as áreas agrícolas à custa do desmatamento. Porque isso vai prejudicar a biodiversidade e inviabilizar a produção de alimentos. Vai faltar água para a agricultura”. 
Tundisi acrescenta ainda que “quem trabalha com água e recursos florestais sabe perfeitamente que a diminuição de qualquer quantidade de vegetação pode prejudicar o ciclo da água e conseqüentemente a produção agrícola. Cerca de 30% da água que estão presentes na atmosfera são repostas pelas florestas”. Para o cientista, em vez de aumentar as áreas de plantio, é necessário aperfeiçoar a produtividade. 
Outra controvérsia é se a isenção de recuperar as áreas desmatadas ilegalmente dada aos donos de até quatro módulos de terra vai levar a mais devastação ou impedir a recuperação florestal. De acordo com Clóvis Borges, presidente da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), a melhor alternativa seria o pagamento de subsídios para os agricultores manterem áreas de preservação, responsáveis por centenas de serviços ambientais. 
“Não é o Código que deve mudar, as propriedades irregulares é que deveriam se adequar a ele. 90% das propriedades na irregularidade é uma triste realidade, que só mostra o descaso com que a agricultura vem tratando a natureza”, conclui Borges em entrevista para a Universidade Positivo. 
Para o diretor exewcutivo da SPVS, a questão da produção de alimento não é contrária à preservação ambiental. “Não se trata de produzir mais ou menos alimentos, argumento forçado usado pelos que defendem as mudanças no Código Florestal, e sim de gerar reflexões acerca da segurança da população e de uma alternativa de uso consciente dos recursos naturais de nosso país”. 
Nessa semana, foi realizada a Semana Nacional da Mata Atlântica, em Curitiba. Na abertura do encontro, Renato Cunha, coordenador das ONGs da Mata Atlântica, propôs um minuto de silêncio em repúdio à aprovação do novo código. O evento discutiu as políticas de conservação e recuperação da floresta e a articulação entre setores da sociedade, além de apresentar medidas adotadas para assegurar a conservação e recuperação do bioma. 
“No Brasil restam apenas 7% de remanescentes de Floresta Atlântica. Esperamos discutir propostas para reverter estes dados, bem como iniciativas que evitem o avanço do desmatamento das áreas de Mata Atlântica que ainda restam”, enfatizou Paulo Roberto Castella, um dos organizadores do evento e coordenador de educação ambiental da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná.


Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências
Autor: Jéssica Lipinski  

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