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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Tudo sobre Fernando Pessoa, "uma quase autobiografia", por Cavalcanti

Na contramão do muito que já se falou sobre Pessoa, o advogado e escritor José Paulo Cavalcanti desmonta lendas e mitos e traz à luz fatos inéditos



Desde a sua morte, em 1935, já se escreveram mais de seis mil livros sobre a obra do escritor português Fernando Pessoa, um dos maiores da língua portuguesa e da literatura mundial. Mas biografias só existem três. A escassez decorre da originalidade de sua poesia, que se desdobrou em uma centena de heterônimos (autores fictícios) e, por isso, polariza a atenção dos estudiosos.

Há também outra razão, mais prosaica: Pessoa, morto aos 47 anos, passou quase a totalidade de sua curta existência em Lisboa e, nela, circunscrito a uma área de no máximo quatro quilômetros quadrados – território exíguo onde morava, trabalhava e ficavam os cafés que frequentava. Uma vida voltada para a arte e sem grandes lances, que necessita de uma lupa para reverberar versos como o de sua persona mais famosa, o poeta Álvaro de Campos: “Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” É com essa lente de aumento do rigor e da meticulosidade que o advogado e escritor pernambucano José Paulo ­Cavalcanti, 62 anos, pesquisa há uma década a trajetória do poeta e lança no dia 24 de março o livro “Fernando Pessoa – Uma Quase Biografia (Record). É a primeira obra do gênero sobre esse escritor no Brasil e Cavalcanti diz que a escreveu “quase não querendo”: “Esse é o livro que eu sempre quis ler sobre Pessoa e que até agora não existia.” Sua publicação promete causar polêmicas de alcance mundial, já que revê muitos fatos tidos como certos em relação ao autor do “Livro do Desassossego” e do poema “Tabacaria”, do qual foram extraídos os versos citados acima.


O poema “Tabacaria”, primeiro contato de Cavalcanti com o universo do autor (ele o leu aos 16 anos), suscitou algumas das maiores descobertas a ser reveladas pelo livro inédito. A tal loja de cigarros e charutos, que sempre se creu que Pessoa via da janela de sua casa e que até hoje se pensava chamar-se A Morgadinha é, na verdade, a Havaneza dos Retroseiros (atualmente uma loja de peles). Pessoa não a via da janela do quarto como se acreditava, mas do escritório onde trabalhava com o amigo Luís Pedro Moitinho de Almeida. Para chegar a essa conclusão, Cavalcanti adotou o método empírico: visitou o lugar em que o poeta morava na época e provou que, mesmo se ele se encurvasse na janela, não veria tabacaria alguma. Outro erro: o poema é de 1928 e a Morgadinha foi fundada em 1958. Nesse período, ele não tinha máquina de escrever e varava as noites usando a do trabalho, no centro de Lisboa. Basta olhar da janela desse prédio: está lá a antiga Havaneza. As conclusões de Cavalcanti não param aí. O homem citado no poema, o “Esteves sem metafísica”, realmente existiu e foi quem, tempos depois, registrou o atestado de óbito do escritor. Cavalcanti vai mais longe e avança na questão dos heterônimos para provar que Pessoa não se multiplicava apenas em 67 autores fictícios, mas em 127. Faz até uma genealogia do perfil inventado por ele para o seu mais famoso “duplo”, Álvaro de Campos, o autor de “Tabacaria”: teria nascido em Tavira (terra do seu avô paterno), no dia 13 de outubro (aniversário de Friedrich Nietzsche) de 1890 (para ser um ano mais jovem que Alberto Caeiro, outro heterônimo). A tia-avó com quem o imaginário Álvaro de Campos vivia era na verdade duas, as tias Maria e Rita, essas sim reais – tias mesmo do próprio Pessoa. E por aí vai.

Também causará polêmica a tese do ­biógrafo, para quem o autor lisboeta era um “homem sem imaginação” – e isso no melhor sentido.


“Tudo o que Pessoa escreveu refere-se a ele e ao seu entorno, indo dos ­vizinhos às amizades literárias”, diz Cavalcanti. E foi atrás desses rastros “­reais” deixados aqui e ali em seus escritos que o biógrafo se embrenhou por Lisboa em cinco viagens ao ano para compor a obra. Serviram-lhe como guias, pesquisadores e consultores na checagem dos fatos um jornalista e um historiador. Cavalcanti entrevistou familiares e pessoas que moraram próximas aos 20 endereços diferentes onde o biografado teve residência – três o conheceram em vida, como Antonio, o filho do barbeiro que aparava o bigodinho do poeta. Outra fonte é o octogenário e aposentado Carlos Bate-Chapa. Ele explicou a Cavalcanti o significado dos pedidos cifrados que o escritor fazia nas mercearias quando começava a beber pela manhã: “Sete” era o vinho de sete tostões, servido em copo grande e escuro para disfarçar o alcoolismo; “286” era, por ordem, caixa de fósforos (dois tostões), cigarros (oito tostões) e um cálice de macieira brandy (seis tostões).


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“Tudo o que Pessoa escreveu refere-se a ele e ao seu entorno,
indo dos vizinhos às amizades literárias”
José Paulo Cavalcanti, escritor

Os encontros com familiares terminaram por aumentar o acervo de peças raras que Cavalcanti tem sobre o escritor e que serão mostradas na exposição “Fernando Pessoa – Plural como o Universo”. A abertura da mostra no Rio de Janeiro coincide com o lançamento da biografia. Dos primos do escritor, ele comprou o restante da biblioteca que não foi para instituições. De Maria das Graças Queirós, a sobrinha de Ofélia Queirós, a grande paixão do poeta, Cavalcanti adquiriu o retrato assinado por Almada Negreiros, o famoso “homenzinho de óculos e bigode”. Ela se dispôs a vender a obra ao ouvir de Cavalcanti o episódio de seu encontro com um sósia do artista. Ele, Cavalcanti, não hesitou: começou a seguir o homem que desapareceu correndo pelas ruas de Lisboa. Maria das Graças não teve dúvida: era o espectro de Pessoa e esse seria um sinal de boas-vindas ao brasileiro.

“Se o fantasma dele realmente existir, pode ter certeza de que está satisfeito de esses pertences estarem comigo”, diz Cavalcanti. Do lado de cá, os brasileiros fazem coro.





Novo livro de Fernando Pessoa é magnífico!


Álvaro Alves de Faria

Literatura
O poeta e jornalista Álvaro Alves de Faria fala sobre lançamento de livros e eventos ligados à Literatura.

Novo livro de Fernando Pessoa é magnífico!


Álvaro Alves de Faria
Podcast
O livro “Fernando Pessoa, uma quase autobiografia”, de José Paulo Cavalcanti Filho, é uma das maiores e melhores obras dos últimos anos. A obra está sendo lançada pela Editora Record, do Rio de Janeiro.

Com 734 páginas, o livro é magnífico e conta a história dos amores, ofícios, arte de fingir, 127 heterônimos e gênio de Fernando Pessoa. Quer saber mais? Clique no áudio e confira com o poeta da Jovem Pan, Álvaro Alves de Faria.













"Sê plural como o universo!"--- Fernando Pessoa
  • Exposição no Rio de Janeiro mostrou vida e obras de Fernando Pessoa
O Museu da Língua Portuguesa numa mostra dedicada ao poeta português popularíssimo no Brasil — Fernando Pessoa (1888-1935), escritor essencial do idiomaA partir da frase “sê plural como o universo”, a montagem, que tem cenografia de Hélio Eichbauer, explora a personalidade multifacetada de Pessoa por meio de instalações audiovisuais e interativas. Cada um de seus heterônimos mais conhecidos (Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis), além de Bernardo Soares, ganhou uma espécie de cabine. Com o movimento do braço, o espectador pôde virar a página dos versos projetados em paredes do espaço. Outra atração é uma sala cujo jogo de espelhos multiplica a imagem do visitante — ao fundo, ouvem-se poemas recitados. Há ainda documentos raros, a exemplo da primeira edição de Mensagem e de fac-símiles de cartas e manuscritos.

Fernando Pessoa, Plural Como o Universo

Assista parte desta mostra na matéria: 

Espaço Aberto  Espaço Aberto



*José Paulo Cavalcanti - É advogado e foi ministro da Justiça no governo Sarney. Escreveu o livro "Fernando Pessoa, uma autobiografia", pela Record. Foi inúmeras vezes a Portugal, entrevistou especialistas e historiadores e escreveu quatro horas por dia durante oito anos

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Em nota, entidades científicas criticam aprovação do novo Código Florestal


Insatisfeitas com a aprovação do projeto de reforma do Código Florestal brasileiro junto à Câmara dos Deputados, duas das principais entidades científicas do país, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), divulgaram uma nota na qual manifestam posição sobre a decisão da maioria dos parlamentares - foram 410 votos a favor, 63 contrários e 1 abstenção. 
O texto-base do projeto, que tenta alterar a legislação que data de 1965, segue agora para o Senado (sem previsão de votação), onde poderá ser alterado ou mantido. Em seguida, ele chegará as mãos da presidente Dilma Rousseff, a fim de que ela sancione ou vete a proposta de reforma na lei.
Leia na íntegra a nota conjunta da SBPC e ABC:
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência (ABC), tendo em vista a decisão majoritária da Câmara dos Deputados sobre o substitutivo do Código Florestal esclarecem que: 
Nunca houve convite oficial por parte do Parlamento Nacional para que a ABC e SBPC, entidades representantes da comunidade científica brasileira, participassem das discussões sobre o substitutivo do código florestal. 
A participação ocorreu em função de uma demanda da própria comunidade científica que resultou na formação de um grupo de trabalho (GT) composto por cientistas das diferentes áreas abrangidas no código florestal. Os trabalhos foram iniciados no dia 07 de julho de 2010, e resultaram na publicação do livro O Código Florestal e a Ciência. Contribuições para o diálogo, que foi lançado em Brasília, no dia 25 de março. 
Durante o período de trabalho, várias pessoas e entidades foram convidadas para dialogarem com o GT. Duas cartas foram produzidas e enviadas a todos congressistas e presidenciáveis alertando da necessidade de mais tempo para estudos aprofundados sobre os vários aspectos tratados no código florestal e seu substitutivo. 
Reconhecem a importância do agronegócio na produção de alimentos e na balança comercial brasileira, bem como a necessidade de que o desenvolvimento e a ampliação do agronegócio ocorram sem prejuízos à preservação e conservação dos recursos ambientais do País. 
Entendem que a agricultura familiar, responsável por 38,8% do valor bruto da produção agropecuária, representando 84,4% do número total dos estabelecimentos rurais que ocupam 24,3% da área agriculturável do Brasil, deve ter um tratamento especial por parte da legislação ambiental. Tratamento semelhante deve ser conferido às áreas consolidadas em ambientes urbanos e rurais que não provoquem degradação ambiental. 
Que o código florestal de 1965 (Lei 4771), apesar de construído com o aporte científico da época, necessita de aprimoramentos à luz da ciência e tecnologia disponíveis na atualidade. Ao mesmo tempo entendem que o Projeto de Lei nº 1.876 aprovado na Câmara dos Deputados também não resolve as necessidades de modificações na legislação anterior, pois o mesmo não contempla uma fundamentação científica e tecnológica. 
Que em função dos fatos expostos acima, a SBPC e ABC solicitaram mais dois anos para construção de um código florestal com base científica e tecnológica considerando aspectos jurídicos não punitivos e com equidade econômica, social e ambiental. 
Desta forma, a SBPC e a ABC consideram precipitada a decisão tomada na Câmara dos Deputados, pois não levou em consideração aspectos científicos e tecnológicos na construção de um instrumento legal para o país considerando a sua variabilidade ambiental por bioma, interação entre paisagens urbanas e rurais que propiciem melhores condições de vida para as populações com uma produção agrícola ambientalmente sustentável. 
Esclarecem também que esta decisão não tem nenhum vínculo com movimentos ambientalistas ou ruralistas, pois o mais importante é a sustentabilidade do País. 
Reafirmam que estão dispostas a colaborar na construção de um código florestal/ambiental justo e que confiam que o Senado considere os aspectos científicos e tecnológicos na análise do substitutivo aprovado na Câmara dos Deputados.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Veja quem votou contra ou a favor das alterações no Código Florestal


Veja na lista abaixo se os políticos que elegemos votaram contra ou a favor das mudanças no Código Florestal. Escreva aos seus deputados e manifeste sua opinião. E guarde esses nomes para os responsabilizarmos pelo futuro de nossas florestas e os impactos ambientais



Brasília - Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão extraordinária destinada a votação do projeto de lei do novo Código Florestal

A Câmara dos Deputados votou a favor das alterações no Código Florestal. O Projeto de Lei 1876/99 foi aprovado por 410 votos contra 63 e uma abstenção. Na tarde desta terça-feira, recebemos inúmeras mensagens através de nossas mídias sociais se manifestando contra às alterações.
Temos aproximadamente 206 mil seguidores nas redes sociais. A conservação ambiental deve estar acima dos interesses de deputados que promovem um modelo retrógrado de desenvolvimento. O Brasil precisa olhar para o futuro e ser o líder de uma economia verde, baseada no desenvolvimento sustentável, com uma agricultura responsável e sem"correntão" em matas nativas.
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Câmara dos Deputados aprova alterações no Código Florestal

O Código Florestal foi aprovado por 273 votos a favor e 182 contra. 

O Código Florestal foi aprovado em votação realizada na última terça-feira (24), na Câmara dos Deputados, por 273 votos a favor e 182 contra. A proposta de alterações, feita pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB), deverá ser votada no senado e ainda pode passar por alterações.
Essa foi a primeira derrota da base aliada do governo Dilma Rousseff, no entanto muitas coisas ainda podem mudar, já que a proposta segue para análise entre os senadores e, segundo governantes do PT, a presidente não está contente com as condições determinadas nas mudanças do atual Código Florestal.
O debate, que marcou a decisão, foi repleto de acusações entre os representantes de diferentes bancadas, que usaram diversos artifícios para defender seus pontos de vista. Mesmo com a derrota, os líderes do governo disseram que impedirão a degradação ambiental que pode ocorrer, mediante a aprovação do novo código. Segundo o G1, Cândido Vaccarezza (PT), disse: “Não vamos admitir qualquer agressão ao meio ambiente. Se precisar ficar sozinha nesta questão [a presidente Dilma] ficará e vetará o ponto. Esta emenda é uma vergonha”.
A emenda citada, 164, foi o ponto mais discordante durante a sessão, pois deixa a cargo dos governos estaduais o poder de decisão sobre as atividades agropecuárias nas Áreas de Preservação Permanente (APP). Segundo o governo, a posição contrária a ela se dá pelo fato de que o governo federal deve ter poder absoluto para punir os proprietários rurais que não estiverem de acordo com as normas propostas.
A sugestão vitoriosa de Aldo Rebelo isenta os pequenos produtores da obrigatoriedade na recomposição das áreas de reserva legal e permite que alguns tipos de cultivos sejam mantidos em APP. A anistia, muito criticada pela bancada ambientalista, foi aprovada, no entanto será reavaliada pelos senadores, que poderão fazer alterações e acrescentar punições mais severas a quem desrespeitar a legislação. Com informações do G1.

Redação CicloVivo

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