sábado, 12 de janeiro de 2013

Materiais orgânicos da própria floresta ajudam a reduzir erosão do solo


As pesquisas foram realizadas no município de Coari, interior do Amazonas.

Uso de materiais orgânicos da própria floresta reduz em quase 100% a perda de solo nos processos erosivos

Estudo pode solucionar um problema comum em várias áreas da Amazônia. De acordo com a pesquisa, o uso de materiais orgânicos da floresta reduz em 99,95% a erosão.

Os dados fazem parte da dissertação de mestrado intitulada “Avaliação de Processos Erosivos na Base de Operações Geólogo Pedro de Moura” feita pelo bolsista da Rede CTPetro Amazônia, Omar Cubas Encinas, do Programa de Pós-Graduação de Agricultura do Trópico Úmido do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

O estudo inédito é de erosão hídrica sobre os impactos no solo das atividades petrolíferas em áreas de floresta primária na Amazônia e teve a orientação do pesquisador da Embrapa Solos e membro da Rede CTPetro, pesquisador Wenceslau Teixeira.

A crescente atividade humana nas áreas de florestas causa impactos negativos sobre o ecossistema, ocasionados pelo desmatamento. Segundo dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), mais de 95% dos desmatamentos são provocados pela atividade agrícola e pecuária. A mineração e a exploração de petróleo e gás natural correspondem por menos de 5% desse desmatamento.

Pesquisa

Segundo Encinas, o primeiro objetivo da pesquisa foi quantificar as perdas de solo e água em parcelas coletoras sob três condições: solo descoberto (sem floresta), solo coberto como liteira (solo com resíduos orgânicos, folhas, galhos) e solo sob floresta primária, em área de exploração petrolífera na Base de Operações Geólogo Pedro de Moura (BOGPM) no município de Coari, interior do Amazonas. Essas parcelas, explica Encinas, são áreas demarcadas em que se pode quantificar a perda de solo.

O segundo objetivo foi determinar os fatores que influenciam na perda de solo e de água, erosividade, largura, comprimento, etc. E o terceiro foi comparar o método da parcela padrão com o método dos pinos (que são pinos cravados na terra que permitem verificar as mudanças do nível do solo).

“As determinações da perda de solo e água foram realizadas em três parcelas coletoras de erosão padrão, sendo duas instaladas em uma clareira representativa das condições da BOGPM, sendo uma com solo descoberto e uma com solo coberto por 5 cm de liteira e uma instalada na floresta primária adjacente a área da clareira estudada”, explica Encinas.

Os resultados da pesquisa indicaram que as perdas de solo e água foram maiores no solo descoberto, seguido pelo solo com liteira e o solo sob floresta primária. O interessante e mais importante deste estudo foi que a perda de solo na clareira com o solo protegido pela liteira foi igual à perda do solo na floresta primária, mostrando a eficiência da liteira na redução do processo erosivo com a qual é possível reduzir as perdas de solo em até 99,95 % quando comparado com o solo descoberto.

“Esse dado é muito importante para as empresas que realizam desmatamento dentro de suas atividades de exploração, pois elas podem utilizar a liteira da floresta como proteções do solo, além de ser de fácil obtenção, ela sempre está se renovando”, afirma Encinas.

Para Encinas, a simples prática da cobertura do solo com liteira reduz as perdas o que sugere a importância de manter o solo coberto e a potencialidade do uso da liteira para controle da erosão.

Área de estudo

Na área da Base de Operações Geólogo Pedro de Moura são abertas clareiras e removida as camadas superficiais do solo em áreas originalmente cobertas por floresta primária para instalação de poços exploratórios de gás e petróleo, obras civis e para construção de estradas.

A área desmatada para a exploração desses produtos corresponde a menos do que 0,04% de todo o desmatamento feito na região, um percentual insignificante se comparado com o ocasionado pela agricultura e pecuária.

Essas atividades fazem com que o solo fique exposto na superfície sob o efeito da ação direta dos fatores climáticos como a precipitação, ventos e raios solares, o que pode acelerar o processo de degradação do solo por alterações nas propriedades físicas e químicas, intensificando os processos erosivos ocasionando perdas de água e solo e por conseqüência contribuir para o assoreamento de igarapés.

A erosão é um fenômeno resultante da desagregação, transporte e deposição das partículas do solo pela ação da chuva, vento ou dos processos de formação natural da crosta terrestre. Nesse sentido, a recuperação do solo e a recomposição florística das clareiras e jazidas da Base de Operações Geólogo Pedro de Moura tem se tornado uma meta para os pesquisadores.

Fonte: INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Um comentário:

  1. Muito boa postagem é bom informar as coisas que podem melhorar nosso planeta, e também onde e como podemos contribuir.

    Abçs
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