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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cientistas extraem proteína humana do arroz


  • Descoberta pode responder à crescente procura mundial de albumina

Grãos de arroz foram geneticamente manipulados para produzir quantidades elevadas de albumina. Uma equipa de investigadores chineses anunciou hoje que conseguiu extrair albumina a partir de arroz geneticamente modificado. A descoberta foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Em medicina, esta proteína humana do sangue serve para tratar queimaduras e doenças do fígado.

A China é um dos países mais afetados pela carência de albumina. Atualmente, a proteína apenas é extraída através de doações de sangue. Mas com esta investigação abre-se uma porta para a produção de albumina humana sintética, o que poderá responder à procura mundial da proteína que beira as 500 toneladas ao ano, segundo a agência AFP.

Para refazer a proteína, os cientistas manipularam geneticamente grãos de arroz para produzir quantidades elevadas de albumina. Conseguiram depois separar a proteína do resto do grão, o que lhes permitiu extrair 2,75 gramas de albumina por quilo de arroz.

A proteína sintética foi posteriormente usada para tratar ratinhos com cirrose. Os resultados da experiência com roedores, sobre os quais não se conhecem pormenores, foram bastante similares aos obtidos em humanos, de acordo com a AFP.

Para os autores da investigação, a albumina extraída geneticamente do arroz é “física e quimicamente equivalente à albumina humana”. A sua produção a grande escala “pode ajudar a responder à crescente procura mundial  de albumina humana”, defendem.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Atlas de Risco Ambiental e das Mudanças Climáticas

Nações africanas e do sudeste asiático são as que mais sofrerão com as consequências do aquecimento global, mas o Brasil também apresenta regiões de risco e deve se preparar para o aumento da frequência de enchentes e queimadas.


Às vésperas das Nações Unidas anunciarem que chegamos aos sete bilhões de habitantes, muitos dos países com o maior crescimento populacional no planeta estão em áreas de extremo risco climático e praticamente todas as grandes cidades do sudeste da Ásia poderão ser palco de tragédias humanitárias nos próximos anos se nada for feito.

Esta é a principal mensagem da quarta edição do Atlas de Risco Ambiental e das Mudanças Climáticas, que foi divulgado nesta quarta-feira (27) pela consultoria Maplecroft.

Os dez países mais vulneráveis de acordo com o levantamento são: Haiti, Bangladesh, Serra Leoa, Zimbábue, Madagascar, Camboja, Moçambique, Congo, Malauí e Filipinas. Sendo que as piores consequências das mudanças climáticas serão vistas principalmente nas grandes aglomerações populacionais, como Jacarta, Daca e Manila.

Segundo o Atlas, o crescimento desordenado dessas cidades, somado à falta de governança, corrupção e pobreza, fará com que cada uma delas se transforme em um lugar propício a grandes tragédias. Deslizamentos, enchentes, falta de água e alimento, doenças ligadas à inexistência de saneamento básico... Tudo isso será exponencializado pelo aquecimento global.

“Os impactos dos fenômenos climáticos extremos em regiões densamente povoadas já são bem conhecidos e documentados. Se as mudanças climáticas representarem mesmo o aumento da frequência desses eventos, e acreditamos que sim, isto significa grandes desastres para os próximos anos”, afirmou Charlie Beldon, analista da Maplecroft.

Manila, por exemplo, deve aumentar sua população em 2,23 milhões e sua área em quase 20% até 2020. Sendo particularmente vulnerável a enchentes e furacões, a falta de infraestrutura para abrigar essas pessoas facilitará tragédias ainda maiores que no passado. Em 2010, o furacão Conson matou 146 e afetou mais de meio milhão de pessoas na cidade.

“A expansão da população deveria ser acompanhada pela expansão da infraestrutura. Com o crescimento dessas grandes cidades, mais pessoas são obrigadas a viver em áreas extremamente expostas, como encostas de morros ou leitos de rios. Assim, acabam sendo os mais pobres os que sofrerão os piores efeitos das mudanças climáticas”, explicou Beldon.

Diferenças regionais

O Brasil aparece em 116 no ranking, sendo classificado como ‘risco mediano’. Porém, por se tratar de um país continental, algumas regiões são muito mais vulneráveis que outras e separadamente acabam sendo consideradas de ‘alto risco’.

É o caso do litoral sul, que, segundo a Maplecroft, deve registrar um aumento considerável na precipitação nos próximos anos e ficar ainda mais suscetível a enchentes. Assim, desastres como as inundações no Vale do Itajaí em Santa Catarina devem se repetir com muito mais frequência.

A parte central do Brasil também é considerada de risco, mas por causa das secas e queimadas. A Agricultura deve sofrer impactos e os parques de conservação devem enfrentar incêndios, como os vistos neste ano, mais vezes e de maiores proporções.

Porém, o Atlas coloca o Brasil como uma das nações que possuem boas condições de adaptação. O governo tem a capacidade de mitigar as consequências do aquecimento global se assim quiser, pois recursos e domínio técnico estão disponíveis. Seria apenas uma questão de vontade política.

Imagem: Mapa mostra a escala de vulnerabilidade dos países, sendo que o azul escuro significa risco extremo / Maplecroft

Células gigantes encontradas a dez mil metros de profundidade

Xenophyophorea é um ser parecido com as amebas, com 10 centímetros de diâmetro


Em Julho passado, durante uma expedição organizada pelo Instituto de Oceanografia Scripps e a National Geographic à Fossa das Marianas, o local mais profundo dos oceanos, foram encontradas pela primeira vez a dez mil metros de profundidade, Xenophyophoreas, animais unicelulares parecidos com amebas mas que medem mais de 10 centímetros de diâmetro.

Em torno destas que são as maiores criaturas unicelulares que existem, ocorria uma série de outras formas de vida que, em grande parte depende delas. Para levar a cabo esta missão, os engenheiros da National Geographic desenvolveram câmara robotizada capaz de subir, descer e percorrer livremente a região submarina mais inexplorada do planeta.

Sabe-se que as Xenophyophoreas são abundantes no fundo do mar, havendo mesmo sítios que estão literalmente forrados com elas. No entanto, não se tinham encontrado até agora a mais de sete mil metros de profundidade. A National Geographic filmou-as a 10 641 metros.

Apesar da sua abundância pouco se sabe sobre elas, pois não é possível traze-las à superfície sem as danificar gravemente, ficando assim impossibilitado o seu estudo em laboratório .

Apesar das dificuldades, investigações recentes demonstraram que estes seres vivos podem concentrar no seu organismo altos níveis de chumbo, urânio, mercúrio e suportam também uma quantidade muito elevada de metais pesados. Estão perfeitamente adaptados para viver na escuridão, baixíssimas temperaturas e debaixo de uma pressão que poucos seres vivos podem suportar.

O biólogo que organizou a expedição, Doug Bartlett, considera que a investigação mostra que estes organismos podem dar abrigo a um grande número de seres multicelulares. A identificação destas células gigantes nos ambientes marinhos mais profundos da Terra abre novas vias para o estudo da biodiversidade, do potencial biotecnológico e da adaptação a ambientes extremos.

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A gigante de couro pode atingir dois metros de comprimento e pesar até 750 kg.