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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Inpa e Ampa realizam primeira etapa do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia




O Programa faz parte do “Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia: Conservação e Pesquisa”, da Ampa, com o objetivo de restabelecer as populações naturais da espécie endêmica da região. A primeira etapa aconteceu nesta quinta-feira (27)

Três exemplares de peixes-bois da Amazônia (Trichechus inunguis) serão levados para um ambiente de semi-cativeiro no interior do Estado do Amazonas

Uma caravana com o slogan “Devolvendo Vidas aos Nossos Rios” sairá do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) na madrugada de quinta-feira (27), levando três exemplares de peixes-bois da Amazônia (Trichechus inunguis) para um ambiente de semi-cativeiro no interior do Estado do Amazonas: o Lago Belarmino no município de Manacapuru, 75 km distante de Manaus. 


Paricatuba, Iranduba e Matupá foram os contemplados para participar dessa primeira etapa. “Oito animais foram avaliados sob critérios de idade, peso, tamanho, baixa domesticação e estado clínico. Desses, escolhemos dois machos e uma fêmea que foram considerados aptos para a soltura”, explica o pesquisador da Ampa, Diogo Souza.

Os animais receberam um número e o nome do Instituto, feitos à base de nitrogênio líquido, uma espécie de marcação gelada, para facilitar a identificação visual durante as atividades de monitoramento e manejo no semi-cativeiro.

“A etapa de semi-cativeiro no Protocolo de Reintrodução favorece a readaptação gradual dos peixes-bois à natureza, permitindo aclimatar os indivíduos às condições naturais do ambiente, como temperatura, turbidez, correnteza da água, variação sazonal do nível dos rios, alimento natural e minimizar o comportamento estereotipado de natação nos tanques do LMA/Inpa onde foram criados”, ressalta Souza.

Educação Ambiental


Pesquisadores da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA), ambos do Inpa, iniciaram as atividades de Educação Ambiental na região, próximo à área do semi-cativeiro, em agosto deste ano. A proposta é, durante o período em que os animais ficarão no lago, continuar as ações de conscientização ambiental, para tentar reduzir o número de caça de peixe-boi nessa área. A idéia, segundo pesquisadores, é fazer desse local uma “comunidade amiga do Peixe-boi”.

“Nossa sociedade tem a obrigação de preservar o peixe-boi da Amazônia e garantir o futuro dessa maravilhosa espécie para que as próximas gerações desfrutem de um meio ambiente saudável e equilibrado, respeitando todas as formas de vida. Manacapuru tem um grande potencial para soltura, pois tem muito alimento disponível já que os rios são de águas brancas, mas infelizmente a caça predatória ainda é muito freqüente nessa região. Com realização da educação ambiental esperamos minimizar a predação dos peixes-bois", relata Souza.

Durante a cerimônia de soltura,  realizada nesta quinta-feira (27), alunos da Escola Municipal Novo Horizonte, da Comunidade Palestina, do município de Manacapuru, tiverão a oportunidade de ter contato com os peixes-bois que serão futuramente reintroduzidos. Na ocasião, eles receberão a placa de “Escola Amiga do Peixe-boi”, que será fixada na fachada da instituição de ensino.

Programa de Reintrodução


O LMA do Inpa, desde 1974, realiza atividades com peixe-boi da Amazônia, envolvendo estudos sobre biologia, ecologia, fisiologia e manejo da espécie. O Instituto possui um centro de resgate e reabilitação que se destina a recuperação dos animais e estudos em cativeiros.

O sucesso do programa de reabilitação no Inpa gerou um excedente de indivíduos prontos para retornarem à natureza, tornando viável a reintrodução no ambiente natural de peixes-bois cativos visando à manutenção das populações naturais da espécie.

As atividades de monitoramento por rádio-telemetria dos peixes-bois reintroduzidos tiveram início em março de 2008. Desde então, quatro exemplares voltaram para a natureza. O monitoramento pós-soltura, segundo pesquisadores da Ampa, é fundamental para verificar a adaptação dos animais às novas condições de vida e a utilização do habitat, bem como avaliar o sucesso das reintroduções. A reintrodução desses animais é importante ferramenta para a educação ambiental de várias comunidades.

Associação Amigos do Peixe-boi – Ampa


A Ampa é uma organização não governamental que surgiu da necessidade de promover atividades de proteção, conservação, pesquisa, manejo do peixe-boi da Amazônia e de outros mamíferos aquáticos existentes na Amazônia: lontra neotropical, ariranha, tucuxi e boto-vermelho. A Associação é conveniada ao LMA/Inpa, em Manaus (AM), e é patrocinada pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Essa atividade tem o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Prefeitura de Manacapuru, do Batalhão Ambiental do Amazonas e da Fazenda Seringal Vinte e Cinco de Dezembro.


domingo, 30 de outubro de 2011

CD traz o canto de 340 espécies de pássaros da Amazônia

Vozes da Amazônia na sua casa

Para estudar, colecionar ou relaxar, uma coletânea de quatro CDs  cataloga o canto de 340 espécies de pássaros da Amazônia. Os CDs, fruto da iniciativa inédita de pesquisadores vinculados ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), terão toda a verba arrecadada para manter as pesquisas e o sonho de continuar a coletânea até catalogar todos as vozes das cerca de 1,2 mil espécies de pássaros da Amazônia brasileira. Ouça: O canto do Inhambu-de-cabeça-vermelha O canto do Garrinchão-coraia O canto do Araçari-negro O canto do Anacã O canto do Formigueiro-ferrugem Os cantos do Vozes da Amazônia foram gravados ao longo de 31 anos pelos pesquisadores Mario Cohn-Haft, Luciano Nicolás Naka, Philip Stouffer, Curtis Marantz, Andrew Whittaker e Richard Bierregaard do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais do Inpa. "Neste primeiro volume, inserimos cantos de pássaros do norte do Amazonas, leste de Roraima, norte do Pará, todo o Amapá e as Guianas Inglesa, Francesa, Suriname e leste da Venezuela", afirmou o ornitólogo Cohn-Haft. Com brochura bilíngüe, os CDs estão todos catalogados com o nome científico, o popular e o trecho cantado. A coletânea está à venda pela editora do Inpa, no e-mail editora@inpa.gov.br. O trabalho foi financiado pela ONG Conservação Internacional do Brasil. Segundo o ornitólogo, a idéia da coletânea surgiu para servir de material didático para estagiários, alunos e pesquisadores do Inpa.

Ouça e sinta-se na Amazônia!

Garrincha-coraia (Thryothorus-coraya)


Comprimento: 14,5 cm. Presente localmente em grande parte da Amazônia brasileira, estendendo-se em direção sul até Goiás e para leste até o Maranhão. Encontrado também nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador e Peru. É comum no sub-bosque ou no chão de florestas úmidas e capoeiras, sendo mais freqüente próximo a água.Vive aos pares ou em grupos familiares. Junta-se a bandos mistos de aves insetívoras, capturando presas inclusive nos emaranhados de cipós do estrato médio e das bordas. Faz ninho semelhante ao do garrinchão-pai-avô. Conhecido também como garrincha-coraia.

Anacã (Deroptyus accipitrinus)


O anacã (Deroptyus accipitrinus) é uma ave amazônica psitaciforme da família dos psitacídeos. Tais aves chegam a medir até 35 cm de comprimento, com um grande cocar de penas encarnadas e dotadas de uma larga faixa azul. No Brasil é restrita à Bacia Amazônica, norte do Mato-grosso e leste do Maranhão. A fêmea é nitidamente maior. Vive na beira das matas. Alimenta-se de frutos e insetos.

Formigueiro-ferrugem (Myrmeciza ferruginea)



O Formigueiro-ferrugem (Myrmeciza ferruginea) é uma espécie de ave da família Thamnophilidae. Pode ser encontrada nos seguintes países: Brasil, Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela. Os seus habitats naturais são: florestas subtropicais ou tropicais húmidas de baixa altitude. A característica mais notável deste pássaro é a área azul brilhante ao redor dos olhos.Suas pernas e maxilar inferior também são azul. A parte superior é marrom e tem duas bandas da mesma cor alinhada em bege nas asas. As bochechas e no peito são mais escuros na cor delimitada por uma linha branca, a partir de trás do olho, indo para trás. A fêmea tem uma mancha branca na garganta, o macho não tem. Eles são geralmente encontrados em pares no chão da floresta.

Maú (Perissocephalus-tricolor)


Presente no Brasil apenas ao norte do Rio Amazonas, do Rio Negro para leste até o Amapá. Encontrado também nas Guianas, Venezuela e Colômbia. Varia de incomum a localmente comum na copa e no estrato médio de florestas úmidas não muito altas. Vive principalmente solitário, congregando-se em pequenos grupos de até 4 indivíduos em exibições durante o período reprodutivo. Alimenta-se de frutas e, eventualmente, de grandes insetos. Conhecido também como maú, pássaro-maú, pássaro-capuchinho e mãe-de-balata.

Inhambu-de-cabeça-vermelha (Tinamus-major)


O Inhambu-de-cabeça-vermelha é um tinamiforme da família Tinamidae. É conhecido também como inhambuaçu, inhambu-galinha (Amazonas), inhambu-grande, inhambu-serra, inhambu-toró e macuco-do-pantanal. Mede cerca de 41 cm e pesa 1,05 kg. É ave cinegética. Muito arisca e cuja plumagem apresenta excelente coloração de camuflagem. Na região Norte do Brasil, divide seu hábitat com outras espécies do gênero Tinamus, como a azulona (Tinamus tao) e o macuquinho ou inhambu-galinha (Tinamus guttatus), o menor representante do gênero. Sendo de maior ocorrência nessa região, a subespécie Tinamus major olivascens. Alimenta-se de vermes, insetos, sementes, brotos e frutos. Eles praticam a poligiandria, ou seja, um grupo de machos tem uma relação exclusiva com um grupo de fêmea, e qualquer macho do grupo pode se acasalar com qualquer fêmea do grupo. Uma vez fertilizada, a fêmea põe cerca de três ovos (arredondados de cor azul) em cinco ou seis dias. 

Os ovos são depositados sobre folhas ou entre raízes, sem proteção alguma, e transfere a responsabilidade de chocar os ovos para o macho. Ele passa os próximos 17 dias chocando e tentando protegê-los.


Para comprar os CDs, ligue para (92) 3643-3223 ou mande e-mail para editora@inpa.gov.br .

A planta Cordia nodosa, e suas formigas da Floresta Amazônica


Estudo demonstra que o sucesso reprodutivo de uma planta mirmecófita é determinado pela a identidade da formiga associada

No artigo publicado na revista Acta Amazônica, dois pesquisadores do Programa de pós-graduação em Ecologia e Conservação dos Recursos Naturais (IB/UFMT) estudaram a relação mutualística entre a planta Cordia nodosa, e suas formigas associadas uma área ao sul da Floresta Amazônica. Algumas espécies de formigas podem se associar a esta planta, e estas espécies variam biogeograficamente. Esse estudo se deu em uma fazenda (São Nicolau - ONF/Pegeout), as márgens do Rio Juruena, uma região muito pouco conhecida pela ciência e inserida no "arco do desmatamento". Lá, os autores demonstraram que, para a planta, a identidade da formiga importa e muito para que a associação a mesma produza frutos. Adicionalmente, comparando os resultados com estudos já publicados, demonstraram que o padrão em escala biogeográfico, justamente em função da variação da fauna de formigas, o que sugere a necessidade de um estudo em grande escala para ajudar a entender como o mutualismo evolui.

Todas as plantas desenvolveram estratégias para diminuir a herbivoria incidente, e consequentemente aumentar seu sucesso reprodutivo. Uma estratégia intrigante é a associação com formigas. Nesses casos algumas plantas podem possuir estruturas ocas, chamadas domáceas, que tem como única função abrigar permanentemente colônias de formigas, que executam a tarefa de eliminar os herbívoros de suas folhas. Essas plantas são chamadas de mirmecófitas, e são bastante comuns e particularmente diversas na Amazônia. Os pesquisadores constataram que a redução da herbivoria foliar na planta mirmecófita Cordia nodosa é relacionada à existência uma colônia de formigas habitando seus ramos. Porém, não apenas a colonização da planta por uma colônia de formigas é suficiente. Também foi demonstrado que também importa em muito a influência da espécie de formiga colonizadora na produção de frutos. No caso, o sucesso reprodutivo de plantas quando associadas a formigas do Gênero Azteca é muito superior ao de plantas associadas a formigas Allomerus octoarticulatus. Isto pode ser explicado por A. octoarticulatus ser uma notória trapaceira em relações mutualísticas com plantas, onde a formiga corta as flores da planta hospedeira a fim de redirecionar o fluxo de energia da produção de flores para a produção de ramos, e consequentemente, mais espaço para a colônia.

Uma segunda questão curiosa apontada pelos pesquisadores é que a mirmecófita C. nodosa tem distribuição geográfica bastante extensa, ocorrendo em toda a Amazônia e ocorrendo também na mata atlântica nordestina e ao sudeste brasileiro. Resultados similares, quanto a dependência de formigas específicas para reprodução da planta, também foram encontrados por outros pesquisadores em outros sítios na Amazônia Andina (Peru e Guiana), onde a fauna de formigas associadas é similar. Porém, na Amazônia Central a fauna de formigas se restringe a formigas do gênero Azteca e na mata atlântica aparentemente há a domácea ma não há formigas especialistas associadas. Esse padrão aponta que sistemas como o da mirmecófita C. nodosa e suas formigas associadas são excelentes modelos para elucidar mecanismos coevolutivos em escala biogeográfica.



Contato:
Thiago Junqueira Izzo
Universidade Federal de Mato Grosso
Email: izzothiago@gmail.com

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