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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Embrapa Florestas apresenta resultados de pesquisas em seminário sobre araucária


Evento discutiu a atual situação das matas de araucária, com análise de suas potencialidades no campo econômico, ambiental e social

Entre os dias 22 e 24/09 aconteceu o "1º Seminário Sul Brasileiro sobre a Sustentabilidade da Araucária", na Câmara dos Vereadores de São José dos Pinhais, Paraná. O objetivo foi discutir a atual situação das matas de araucária, com análise de suas potencialidades no campo econômico, ambiental e social. A Embrapa Florestas (Colombo/PR) participou de dois painéis, na sexta-feira e sábado.

No painel "Resultados alcançados e necessidades de novas pesquisas", o pesquisador Ivar Wendling falou sobre as pesquisas realizadas pela Embrapa Florestas com araucária nos últimos 30 anos.

Na década de 1970, a empresa realizou coletas de pinhão (a sementa da araucária) em diversos locais de ocorrência no Brasil: região Sul, São Paulo e Minas Gerais. Com isso, montou, em sua base física, um banco genético que hoje pode ser considerado um dos únicos no País. Além desta memória viva, que possibilita tanto conservar quanto resgatar a genética populacional existente na época, tais áreas servem para avaliação de itens como crescimento das árvores e produção de pinhão.

Um ponto a ser destacado é a possibilidade de manejo da araucária, com sua utilização em sistemas puros ou integrados (sistemas agroflorestais). Resultados de pesquisas avaliaram nutrição, solos e sistemas de manejo, para conhecer a produtividade de cada sistema.

Ainda sobre manejo, a Embrapa Florestas desenvolveu um software, o SisAraucária, que auxilia na prognose e elaboração de prognoses de crescimento e produção de plantios de araucária, além de estimar o carbono presente nestes plantios.

Um projeto recente abordado na palestra é o Estradas com Araucárias, uma parceria da Embrapa Florestas com a Secretária Estadual do Meio Ambiente (SEMA), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) , Secretária da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB) , Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR). O projeto incentiva o plantio de árvores de Araucária em divisas entre propriedades rurais e beira de estradas, com possibilidades de uso de áreas não exploradas pelo produtores e retorno financeiro..

Como planejamento futuro, o pesquisador abordou a possibilidade de fabricação de compósitos - produtos similares aos aglomerados - com casca do pinhão e das acículas de araucária e estudos de melhoramento genético da espécie, especialmente estudos da composição química das árvores do banco genético existente na Embrapa Florestas.

Outro grande desafio para a pesquisa florestal são os métodos de armazenamento das sementes, não só com fins produtivos mas também para consumo humano. O pinhão é bastante apreciado no Sul do país, no entanto seu armazenamento ainda é um gargalo do sistema produtivo. São necessárias pesquisas sobre avaliação de embalagens, temperatura de armazenamento e criopreservação (congelamento dos tecidos biológicos).

Ainda sobre a produção de pinhão, pesquisas estão sendo realizadas envolvendo propagação vegetativa ou clonagem. Na questão de propagação via enxertia, a intenção é a formação de pomares de produção precoce de pinhão e com árvores de porte reduzido, fazendo com que a "safra" de pinhão tenha maior amplitude, o que vai possibilitar comercialização em épocas não-tradicionais. Na Embrapa Florestas encontra-se atualmente a primeira e única planta de araucária masculina com florescimento aos 4 anos após a enxertia e 2 metros de altura. Já as mudas produzidas via estaquia e miniestaquia tem como objetivo a produção de madeira com qualidade tecnológica para o mercado consumidor de serrarias e produção de móveis.

No painel que discutiu os produtos não-madeiráveis, a pesquisadora Catie Godoy abordou o pinhão na alimentação humana, aliando dados nutricionais ao sabor da semente. Foram mostrados os resultados de um projeto de culinária com o pinhão, realizado em parceria com o Colégio Estadual Júlia Wanderley, de Curitiba. As próprias cozinheiras do colégio produziram várias receitas com a semente e após isso foram avaliadas pelos alunos, que escolheram as mais saborosas. Além disso, cada receita deveria apresentar um grande valor nutricional. Futuramente, pretende-se lançar um livro com as receitas originadas no projeto.

Texto:
Katia Pichelli - Jornalista (MTb 3594/PR)
Camila Toppel - estagiária
Embrapa Florestas
(41) 3675-5638

Ilhas Maldivas cria site para viabilizar o país neutro em carbono até 2020


Ilhas Maldivas pedem ajuda para se tornarem neutras em carbono

País lança nesta quinta-feira website para buscar colaboradores que auxiliem nas ideias para mitigar as emissões de gases do efeito estufa do arquipélago

Se reduzir as emissões de dióxido de carbono de um país já não é tarefa fácil, imagine transformá-lo em uma nação completamente livre de carbono. Esse é o sonho das Ilhas Maldivas, que vão dar o primeiro passo nessa direção lançando um website para buscar sugestões e tecnologias limpas.

De acordo com o governo maldívio, o site procura conseguir a assistência e o apoio de especialistas em questões energéticas para conseguir cumprir seu plano de tornar o país neutro em carbono até 2020. O projeto foi lançado em 2009 e é a meta mais ambiciosa do mundo relacionada à mitigação das emissões de gases do efeito estufa (GEEs).

Segundo a administração das Maldivas, essa ajuda que será solicitada através do site é fundamental, já que um dos principais desafios do país é a falta de conhecimento nesta questão. Além do auxílio virtual, o governo também convidará especialistas de todo o mundo para estudar e aperfeiçoar o plano.

A ferramenta virtual terá fóruns sobre questões específicas relacionadas a tecnologias de baixo carbono, como: quais são os melhores tipos de tecnologias para ambientes corrosivos, o estabelecimento da Companhia de Finanças de Energia das Maldivas, uma organização proposta para reduzir os custos de infraestrutura e formas de arrecadar capital.

A nação insular aposta principalmente na energia solar para se ver livre das emissões de CO2. O governo espera que cerca de 60% da eletricidade do país venha de paineis solares até 2020. Também se propõe a construção de uma nova usina de biomassa para complementar as fontes solares e há chances de se utilizar a energia eólica, embora esta tecnologia não deva ter um papel tão importante por causa dos períodos de pouco vento no país.

“Estamos investindo em energias renováveis porque é mais barato e limpo do que a queima de combustíveis fósseis. No momento, nossa economia é conduzida com petróleo importado e toda vez que o preço do petróleo sobe, todos sofremos”, explicou Mahmood Razee, ministro do desenvolvimento econômico.

Com essa mudança para as energias renováveis, acredita-se que as Maldivas possam se tornar de 80% a 90% livres de carbono. Segundo o plano do governo, um corte de 100% nas emissões é possível, mas “será difícil e precisa que novas tecnologias sejam comercializadas para que aconteça”.

O projeto não inclui as emissões não relacionadas à eletricidade como as dos carros, barcos, cozimento de alimentos e aviação, pois estes setores são essenciais para o turismo do arquipélago, e a economia do país se baseia neste segmento. Como faltam opções realistas para a descarbonização total das Maldivas, tais emissões serão tratadas em planos futuros.

As Ilhas Maldivas são um dos países mais prejudicados pelos impactos das mudanças climáticas, já que por ser um arquipélago de baixas altitudes, a pequena nação de 400 mil habitantes poderá se tornar inabitável se o nível do mar continuar a subir.

Pesquisa comprova inesperada presença de corais na costa de SC


Em conjunto com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que já desenvolviam projetos junto à Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, em 2009 o biólogo e mergulhador Paulo Bertuol observou corais recifais na região. O fato despertou novos interesses acadêmicos e se tornou tema de uma dissertação de mestrado que está sendo desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC.

Resultados parciais dessa pesquisa foram este ano publicados em um artigo na revista Coral Reefs. "Nesse artigo reportamos a formação de corais recifais mais ao sul em todo o Oceano Atlântico, localizada na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, ao norte de Florianópolis e a 1,5 mil km ao sul dos recifes de Abrolhos", destaca o professor Alberto Lindner, que desde 1996 estuda os cnidários, conjunto de animais que inclui corais, anêmonas e águas-vivas.

"Os resultados apresentados no artigo são importantes pois mostram que é possível a formação de bancos de corais recifais mesmo no sul do Brasil, em Santa Catarina", complementa Lindner, também coordenador do projeto Biodiversidade Marinha de Santa Catarina.

Monitorando o fundo do mar

Desde dezembro de 2010, a mestranda Kátia Capel vai a cada três meses visitar a reserva para monitorar a população dos corais, que são da espécie Madracis decactis. A região ocupada mede 3,4 mil m² e está entre seis e 15 m de profundidade. A maior densidade (maior número de colônias de corais por m²) concentra-se em regiões com cerca de nove metros de profundidade, e um dos aspectos já observados é que conforme a profundidade aumenta, aumenta também o tamanho das colônias.

"Para nós foi uma grande surpresa encontrar esse tipo de formação aqui no sul do Brasil. A espécie Madracis decactis havia sido registrada para Santa Catarina, mas não esperávamos observar o desenvolvimento de um banco de corais recifais no estado", reforça Lindner.

Ao contrário do que acontece em Abrolhos, a espécie de coral encontrada em Santa Catarina não forma recifes, mas um banco de colônias livres sobre o fundo do mar. São duas hipóteses que podem explicar o desenvolvimento desses corais em forma livre.

A primeira é a de que esses animais marinhos estavam em formação rochosa e por algum motivo, como hidrodinâmica (movimento da água), se soltaram e continuaram se desenvolvendo de forma livre. A outra teoria é a de que a larva do coral pode ter se fixado em algum local móvel, como conchas, e se movimentou através das ondas, marés, ou movimento de outros animais. "Esse sítio de corais tem grande potencial para estudos e poderemos desenvolver outros projetos na região", comemora Kátia Capel.

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A gigante de couro pode atingir dois metros de comprimento e pesar até 750 kg.