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sábado, 22 de outubro de 2011

Enriquecimento de áreas florestais acelera recuperação

ESALQ - USP

Rodovias, anéis viários, aeroportos, praças esportivas e uma série de intervenções urbanísticas representam obras de infraestrutura promovidas a partir de desmatamentos legalizados. No entanto, o aproveitamento dessas áreas a partir do resgate de mudas destinadas à restauração de mata ciliar (APP) e Reservas Legais previstas no Código Florestal hoje em vigor ainda é algo recente. “Esse tipo de ação barateia custos e aumenta as possibilidades de restauração em todo o Brasil”, comenta Sergius Gandolfi, professor do Departamento de Ciências Florestais (LCB), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

Em um dos trabalhos orientados por Gandolfi, a bióloga Milene Bianchi dos Santos avaliou a eficiência de diferentes métodos de enriquecimento, como a transferência de plântulas da regeneração natural para produção e introdução de mudas de espécies de sub-bosque em um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual em processo de restauração no Estado de São Paulo. Inserida no programa de pós-graduação em Recursos Florestais, a pesquisadora atuou em uma área no município de Santa Bárbara d’Oeste (interior de São Paulo). “O enriquecimento dessas áreas por meio da introdução de diferentes espécies, formas de vida e grupos funcionais busca acelerar o restabelecimento da complexidade estrutural e funcional a fim de perpetuar o fragmento”, explica a bióloga.

O estudo segue uma nova linha de pesquisa realizada no Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (LERF) para o desenvolvimento de técnicas de intervenção e manejo em áreas em processo de restauração Na prática é feita uma coleta de material antes do desmatamento, as plântulas são levadas para o viveiro para a formação de mudas e plantadas em campo para o enriquecimento de uma área. “Este trabalho pode gerar subsídios para elaboração de políticas públicas visando a coleta deste material como medidas compensatórias e mitigadoras para o licenciamento ambiental de grandes empreendimentos”, comenta a pesquisadora.

Transferência de mudas

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o trabalho observou que a comunidade de plântulas encontrada na área que seria desmatada representou uma fonte importante de plântulas para a produção de mudas com elevada diversidade regional e diferentes formas de vida. Foram coletadas plântulas de uma floresta nativa no município de Guará (próximo à Franca, no interior de São Paulo) que seria legalmente suprimida e, em seguida, transferidas para o viveiro para a produção de mudas.

Após dez anos, há pouca regeneração natural e necessidade de enriquecimento

Posteriormente, mudas de vinte espécies foram plantadas no fragmento de floresta em Santa Bárbara d’Oeste e apresentaram elevadas taxas de sobrevivência. Nesta mesma área foi realizado o plantio de plântulas e mudas de espécies de sub-bosque produzidas em viveiro. Foram plantadas sete espécies de plântulas e dez espécies de mudas na entrelinha do plantio original, que durante o período de avaliação apresentaram elevadas taxas de sobrevivência. “A produção de mudas a partir das plântulas coletadas possui a fase inicial de viveiro como a fase mais crítica em relação à sobrevivência (60%), mas está dentro da faixa de resultados já observados e ainda possui a vantagem de suprimir fases desconhecidas para a maioria das espécies, como a fase de germinação e estabelecimento inicial. O plantio de plântulas e mudas de espécies de sub-bosque para o enriquecimento de áreas em processo de restauração demonstrou ser viável pela elevada sobrevivência em campo, acima de 90%”, conclui.

Sergius Gandolfi
(19) 34294268 (ramal digital 230)
sgandolf@esalq.usp.br

Autor: Caio Albuquerque - Fonte: Esalq

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Restauração florestal é o foco do programa Florestas do Futuro


A ONG SOS Mata Atlântica trabalha com o sequestro de carbono, a manutenção da biodiversidade e a preservação de nossos recursos hídricos

Ludmila Pugliese trabalha com o projeto Florestas do Futuro 

No Globo Ecologia cujo tema é Florestas do Futuro, a gerente de restauração florestal da SOS Mata Atlântica, Ludmila Pugliese, explica como funciona o programa que vem reunindo, há sete anos, a sociedade civil organizada, a iniciativa privada, os proprietários de terras e o poder público em um projeto de restauração florestal. O nome é Florestas do Futuro e a idealização é da organização não governamental na qual a bióloga atua. Ludmila falou ao site um pouco mais sobre o assunto.


“O projeto Florestas do Futuro foi criado em 2004, a partir de uma outra iniciativa de restauração que tínhamos. A gente viu que havia alguns gargalos nos programas porque os proprietários não conseguiam fazer eles mesmos a restauração”, conta Ludmila.

Através da restauração de áreas degradadas, feita com espécies nativas, o Florestas do Futuro atua em três frentes importantes para a preservação e recuperação do meio ambiente: o seqüestro de carbono, a manutenção da biodiversidade e a preservação de recursos hídricos.

“Além da doação da muda, a SOS Mata Atlântica é responsável pela manutenção por dois anos. Os proprietários viram parceiros e são treinados por uma equipe formada pela ONG”, explica Ludmila.

Os objetivos são: a promoção e a recuperação das bacias e sub-bacias hidrográficas, através da recomposição das matas ciliares (nas margens dos rios) e das áreas de preservação permanente, bem como as de reserva legal; a conscientização dos públicos de interesse sobre a importância da conservação das florestas, em especial da Mata Atlântica; a criação de um modelo de programa de reflorestamento com espécies nativas, que envolva a iniciativa privada, a sociedade civil e o poder público e possa ser multiplicado; o fortalecimento da relação entre água e floresta através de um programa participativo de educação ambiental e cidadania, associado a recomposição das matas ciliares e reserva legal.

“A gente fala que tem participação de todos porque temos os proprietários de terra e a empresa de reflorestamento e a pessoa física pode patrocinar a compra de mudas”, diz Ludmila.

O projeto visa também apoiar ações sócio-ambientais e capacitação técnica por meio de atividades sustentáveis que auxiliem na conservação da Mata Atlântica:

“Temos um trabalho forte, de aproximação e metodologia. A gente tem o link com o proprietário da terra e patrocínio de empresas que têm interesse na conservação ambiental ou na compensação das emissões de carbono”.

A divulgação é feita através do portal SOS Mata Atlântica e também de palestras que Ludmila e outros profissionais fazem pelo Brasil. “fazemos o corpo a corpo no dia a dia para tentar convencer proprietários de terra”, diz Ludmila.

Desde o início, o Florestas do Futuro já plantou 2,5 milhões de mudas em 2 mil hectares de Mata Atlântica espalhados por São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais.

“A idéia é que no futuro essas áreas tenham florestas, melhor qualidade de ar e de água, e que melhorem a qualidade de vida das pessoas. O projeto está sendo feita agora, mas o impacto maior é mais pra frente.”


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