quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Publicado no PLoS Biology, a mais rigorosa análise matemática aponta até 10 milhões de espécies


Estudo aponta que existem até 10 milhões de espécies

Estimativa faz parte de uma das análises matemáticas mais rigorosas já realizadas sobre o número de tipos de seres vivos no planeta, que revelou ainda que desconhecemos 86% das espécies terrestres e 91% das marinhas


Por mais de 250 anos cientistas tem buscado classificar as espécies conforme o sistema criado pelo sueco Carl Linnaeus, que estabelece uma pirâmide de grupos que vai do mais abrangente, como o reino Animal, até uma determinada espécie, como, por exemplo, o Homo Sapiens.

Nesse período, quase dois milhões de espécies foram catalogadas, sendo que o número de tipos de seres vivo deixados de fora sempre foi um mistério. Alguns defendem que o total de espécies seria três milhões, outros alegam que o certo é algo próximo dos 100 milhões.

Tentando responder esta dúvida, um grupo internacional de pesquisadores publicou nesta semana, no periódico PLoS Biology, o artigo “How Many Species Are There on Earth and in the Ocean?” (Quantas espécies existem na Terra e no Oceano?). O trabalho está sendo considerado como a mais rigorosa análise matemática já realizada para avaliar o número de espécies existente no planeta.

Segundo os cálculos apresentados no artigo, o nosso planeta apresenta 7,77 milhões de espécies de animais, 298.000 plantas, 611.000 fungos, 36.400 protozoários e 27.500 Chromistas (que incluem várias algas e bolores aquáticos). Somando assim 8.7 milhões de espécies. Porém, como os pesquisadores trabalham como uma margem de erro, o número exato seria algo entre 7,4 milhões a 10 milhões.

Esses dados significam que a ciência ainda precisa encontrar 86% das espécies terrestres e 91% das marinhas.

“Os números são assombrosos. Existem mais de 2,2 milhões de formas de vida nos oceanos, mais de meio milhão de tipos de fungos. É surpreendente”, afirmou Jesse Ausubel, vice-presidente da Fundação P.Sloan e cofundadora do Censo da Vida Marinha e da Enciclopédia da Vida.

Para chegar a esses números, os pesquisadores analisaram 1,2 milhões de espécies conhecidas e buscaram por padrões matemáticos para a dispersão das espécies. Posteriormente, aplicaram esse padrão para todos os reinos da taxonomia, excluindo microorganismos e os vírus.

“Percebemos que observando os grupos mais abrangentes, conseguimos predizer a quantidade de espécies. Confirmamos o método ao fazer o cálculo para os grupos mais estudados, como os mamíferos e aves. Assim, quando a nossa previsão ficou semelhante ao número real já pesquisado ganhamos confiança na qualidade dos resultados”, explicou Sina Adl, um dos coautores do estudo.

“Apenas começamos a descobrir a imensa variedade de vida ao nosso redor. Imagina-se que os ambientes mais ricos para se pesquisar novas espécies sejam os recifes de corais, o leito oceânico e o solo das florestas tropicais. Porém, pequenas formas de vida que ainda não conhecemos estão em todos os lugares. Algumas espécies desconhecidas devem estar literalmente vivendo nos nossos jardins”, comemora Alastair Simpson, outra das coautoras.

Esses números deixam claro que muito ainda precisa ser estudado para que possamos conhecer o mundo que nos cerca e o potencial de cada espécie. Para se ter uma ideia, a União Internacional para a Conservação da Natureza, que produz a melhor análise sobre a taxa de extinção dos seres vivos, atualmente trabalha com apenas 59.000 espécies, ou seja, menos de 0,6% do total segundo esta nova estimativa.

“Muitas espécies desaparecerão antes mesmo de que saibamos de sua existência. Nunca conheceremos que contribuição elas poderiam dar para melhorar nossas vidas. Acredito que investir em um inventário das espécies do planeta deveria ser uma das maiores prioridades da sociedade. Precisamos saber mais sobre todos os seres vivos que nos cercam e responder a pergunta básica: O que vive na Terra?”, concluiu Camilo Mora, líder do estudo.Imagem: Gráfico mostra a quantidade de espécies catalogadas e estimadas por Reino / Mongabay.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Mongabay/Universidade de Dalhousie

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