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domingo, 11 de março de 2012

Encalhe raro de 30 golfinhos indica altos níveis de poluição sonora




  • Encalhe raro de 30 golfinhos desafia especialistas


RIO - Explicar o encalhe de 30 golfinhos (Delphinus capensis) em Arraial do Cabo desafia especialistas. O evento, considerado extremamente raro, será investigado por pesquisadores brasileiros e americanos. Entre as causas mais prováveis está a poluição sonora, já que os animais usam sons para se orientar, como um sonar natural.

Por sorte, um turista registrou a cena, por volta das 8h da última segunda-feira. A aproximação do grupo, encalhe e salvamento de todos os golfinhos durou menos de quatro minutos.

Especialista em fauna marinha, Salvatore Siciliano, pesquisador da Fiocruz, afirma que o encalhe dos golfinhos acende a luz amarela. Ele explica que os animais são muito habilidosos. Normalmente, dois ou três deles encalham por ano, e geralmente isto ocorre quando já estão doentes.

- Até então não tínhamos conhecimento de um fato como este. A imagem, portanto, é extremamente importante e vai desencadear uma série de estudos, além de reforçar a importância de monitorar estas populações - disse Siciliano. - As imagens já chamaram a atenção de pesquisadores de fora do Brasil. Fui procurado por cientistas que trabalham para o governo americano. Vamos trocar informações sobre o caso.

Duas hipóteses são as mais prováveis para explicar o encalhe coletivo. Os golfinhos poderiam estar fugindo de algum predador ou estavam desorientados por causa do barulho.

Outros casos em que golfinhos morreram por causa de poluição sonora já foram registados. Salvatore Siciliano cita um que ocorreu em 2009 na Inglaterra. Exames comprovaram que o grupo estava saudável:

- Não podemos descartar a perturbação grave por um efeito sonoro de origem antrópica (feita pelo homem). O Porto do Forno, por exemplo, opera bem ao lado.

Caso os golfinhos morressem, o impacto seria grande. A população desta espécie no Rio de Janeiro é estimada em cerca de 300 indivíduos. Ou seja, a morte de 30 deles representaria 10% do total.

Apesar do salvamento ter sido comemorado, a forma pela qual as pessoas pegaram os animais foi inadequada. Arrastar os golfinhos pela cauda pode causar lesões sérias, até a morte. Na semana que vem, haverá uma reunião, em Recife, para definir um plano de ação para lidar com encalhes. As imagens de Arraial do Cabo devem ser levadas ao encontro.

- As pessoas fizeram tudo errado, mas era o que devia ter sido feito, exatamente como no caso em que o sobrevivente do desabamento do prédio no Centro do Rio usou o elevador – afirma Siciliano. - Primeiro, as pessoas devem comunicar os órgãos responsáveis. Depois, é preciso manter os golfinhos molhados e protegidos do sol, para não desidratarem. Além disso, é importante evitar confusão, barulho, e isolar a área.

O secretário municipal do Ambiente de Arraial do Cabo, David Aguiar, elogiou a ação dos moradores, turistas e funcionários da prefeitura.

- O pessoal da limpeza que estava na praia viu o encalhe e resolveu ajudar. Além do mais, parte da população é de pescadores, acostumada a botar a mão em peixes. Eles tiveram que pensar rápido. E deram conta – elogiou Aguiar, que tem outras hipóteses para o encalhe. - Os golfinhos podem ter perseguido um cardume até a beira do mar e ficaram desorientados. Ou, então, o líder do grupo estava doente ou desorientado. Os golfinhos não abandonam uns ao outros, acabou acontecendo aquilo.

sábado, 10 de março de 2012

Alemanha transforma Central nuclear em parque de diversões e hotel


Todos sabemos que os povos do centro e Norte da Europa, ao contrário dos latinos, são pragmáticos e sempre muito focados no essencial. Mas, ainda assim, não deixa de causar alguma perplexidade a rapidez com que a Alemanha transformou uma central nuclear inutilizada – e nunca utilizada, diga-se – num parque de diversões e hotel.

Construída em 1972 por uma cooperativa com laços à Holanda, Bélgica e Alemanha, a Schneller Bruter nunca foi utilizada por razões políticas. É assim que surge o Wunderland Kalkar, um parque de diversões com mais de 40 atracções e que foi vendido, em 1991, a um investidor holandês.


Como a central nuclear nunca entrou em funcionamento, apesar de ter custado  intrigantes €4 mil milhões, é 100% segura. Por outro lado, o parque é enorme: são 55 hectares, o equivalente a 80 campos de futebol.

O cimento utilizado para construir a central nuclear seria suficiente para fazer uma autoestrada de Amesterdão a Maastricht – 211 quilómetros. Por isso, os responsáveis pelo parque rodearam-no de jardins.


Construíram também um hotel de 450 quartos, com diversos restaurantes e bares. No futuro, Wunderland Kalkar terá também uma piscina, um spa wellness e um parque de estudos sobre novas energias.

No parque há de tudo: bowling, mini-golfe, courts de ténis, campos de voleibol de praia, um centro outdoor para karts – para além do parque em si, com as tais 40 atrações.


E, para recordar que este centro de diversões esteve para ser uma central nuclear, os visitantes são convidados a fazer uma volta guiada ao parque, onde serão profissionalmente informados sobre o que representa a energia nuclear.

A Alemanha cancelou o prolongamento do funcionamento das centrais nucleares e só pretende se manifestar caso necessário, sobre projetos nucleares  a partir de 2022. Conforme acordado entre as representatividades visando a efetivação dos atuais empreendimentos. 



IPAM - Os benefícios econômicos da conservação florestal


IPAM integra grupo de pesquisadores que estuda a rentabilidade de cadeias produtivas associadas a REDD+

Estudos científicos têm buscado conhecer melhor as formas de uso e extração sustentável dos recursos naturais e abundantes da floresta amazônica, tendo como foco a manutenção da floresta em pé, o desenvolvimento econômico e a valorização do conhecimento sociocultural.

Neste sentindo, um grupo de pesquisadores ligado ao Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) coordenado pelo pesquisador PhD Britaldo Soares Filho, vem realizando estudos para avaliar a rentabilidade de diversas cadeias produtivas na Amazônia, como forma de subsidiar políticas públicas e ampliar o conhecimento científico da região. Um desses estudos, recentemente publicado na revista Environmental Conservation, enfoca o potencial de concessões de castanha-do-Brasil, em Madre de Dios, no Peru.

Intitulado por “Economic benefits of forest conservation: assessing the potential rents from Brazil nut concessions in Madre de Dios, Peru, to channel REDD+ investments” (Benefícios econômicos da conservação florestal: avaliação da renda potencial de concessões de castanha do Brasil em Madre de Dios, Peru, para fins de canalizar investimentos de REDD+), o artigo publicado aborda o modelo de produção da castanha-do-Brasil, fonte de renda de diversas comunidades da Amazônia, avaliando a produtividade e lucros potenciais das concessões de castanha em Madre de Dios, sob três cenários de processamento e gestão (castanha com casca, descascada e descascada e certificada).

De acordo com o artigo, a castanha-do-Brasil possui mercado internacional consolidado, provendo uma relevante renda às populações rurais e não rurais que a coletam. No Departamento de Madre de Dios, em torno 67% da renda familiar vem de concessões castanheiras que ocupam 12 % da sua área total, com mais de 800 concessões.

A comercialização deste fruto sem qualquer beneficiamento ou certificação reduz o potencial de sua rentabilidade, em torno de 0,40 dólares por kg. Com o processo de certificação ou beneficiamento simples com a retirada da casca da amêndoa, a rentabilidade por quilograma de produto passa para 2,60 dólares.

O artigo elaborado por pesquisadores da UFMG/CSR (Felipe Nunes, Britaldo Soares Filho, Renzo Giudice, Hermann Rodrigues e Rafaella Silvestrini), University of California (Maria Bowman) e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Elsa Mendoza), é similar ao estudo realizado, pelos mesmos, no Estado do Acre, Brasil, especificamente nas reservas Chico Mendez e Cazumbá Iracema, no região Leste do Estado, qual foi publicado no IX Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, com analise do potencial da castanha no Estado do Acre, Brasil.

Segundo o coordenador da pesquisa, Britaldo Soares, o trabalho representa um exemplo prático para implementação de REDD +. “Foram avaliadas as rendas potenciais de concessões de castanheiras em diferentes cenários de manejo e estimados os investimentos necessários para melhoria da cadeia produtiva da castanha de com casca, para sem casca e certificada. O estudo também indica que esses recursos poderiam ser canalizados através de programa REDD+, haja vista o papel central dessas concessões na redução do desmatamento em Madre de Dios”, destaca o coordenador.

Referência completa do artigo: FELIPE NUNES, BRITALDO SOARES-FILHO, RENZO GIUDICE, HERMANN RODRIGUES, MARIA BOWMAN, RAFAELLA SILVESTRINI and ELSA MENDOZA. Economic benefits of forest conservation: assessing the potential rents from Brazil nut concessions in Madre de Dios, Peru, to channel REDD+ investments. Environmental Conservation, Available on CJO 2012 doi:10.1017/S0376892911000671.
Para maiores informações escreva para comunicacao@ipam.org.br

Julie Messias / IPAM 

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