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terça-feira, 7 de junho de 2011

Desastres naturais aumentam de intensidade e frequência no Brasil

 Mudanças Climáticas 
O cenário natural do Brasil, tradicionalmente famoso por quase não ser acometido por desastres como terremotos, maremotos, tufões e tornados, vem mudando recentemente, desde que se registrou no mundo que a temperatura global tem aumentado, em função das mudanças climáticas.
Hoje, principalmente no verão, já é realidade ocorrências como enchentes de grandes proporções, que terminam em deslizamentos de terra, inundação de cidades e, não só com perdas materiais, mas registram-se mortes e vê-se famílias inteiras desabrigadas.
Este ano, por exemplo, no Rio de Janeiro, na tragédia da região serrana, foram 916 mortos e 345 pessoas continuam desaparecidas embaixo de toneladas de terra e escombros que desceram morro abaixo. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro chegou a criar uma comissão parlamentar de inquérito para apurar as responsabilidades sobre as proporções da tragédia. A investigação ficou conhecida como a CPI das Chuvas.
O presidente da CPI, Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), alerta que o Brasil não está preparado para enfrentar esses desastres naturais. “A urbanização nas cidades cresce e as ocupações em áreas de risco e em margens de rios continuam a ocorrer. As chuvas estão cada vez mais curtas e de maior intensidade”, diz.
O chefe da Comunicação da Defesa Civil de Minas Gerais, Major Edilan Arruda, lembra que os problemas se repetem todos os anos porque o excesso de chuva provoca a transbordamento dos rios e as enxurradas. “Como o homem construiu muito próximo aos rios, a tendência natural é que, quando chova muito, os rios venham a subir e, necessariamente, vão ocupar o espaço que hoje está construído. Há excesso de água dentro da cidade, que não escorre pelas canalizações e fica em cima das ruas. Isso produz o que chamamos de enxurrada”, afirma.
Ainda que deslizamento seja um fator natural, quando da ocorrência de chuvas, como lembra o professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina Luiz Fernando Scheibe, por outro lado, a ocupação irregular do terreno é uma questão cultural no Brasil que amplia a dimensão dos problemas quando ocorre um deslizamento.
“A culpa reside especialmente no fato de não ter havido uma fiscalização e que o município tenha coibido a habitação nessas áreas. Não deveria ser permitido, mas foi permitido irregularmente”, aponta. Outro problema que pode aumentar a incidência de temporais, na opinião de Scheibe, é o desmatamento das florestas.
O ecologista e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro Rui Cerqueira corrobora a análise e explica que a sequência das chuvas depende das matas porque não é a quantidade total de chuvas só que importa. “Se as matas são derrubadas, o número de dias de chuvas diminui e as chuvas ficam mais intensas, causando mais enchentes e contribuindo para a ocorrência da erosão”.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Inpe projeta Amazônia mais quente, seca e sujeita a desastres naturais

Embarcação navega pelo Rio Amazonas: paisagem ameaçada



Um cenário de mais secas ao Sul e chuvas mais intensas no Norte espera a floresta amazônica nos próximos anos, segundo estudo recente feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com o Centro Hedley, do Reino Unido.
De acordo com o trabalho científico, que também incorporou na análise o ciclo do carbono e a dinâmica da vegetação diante das mudanças climáticas, a floresta amazônica ficará mais quente e com eventos naturais extremos constantes, como grandes secas ou inundações.
Esse tipo de projeção já aparecia em pesquisas anteriores, mas o cenário pessimista foi corroborado agora por um modelo climático mais sofisticado, levando em conta as características específicas da Amazônia. "Os modelos anteriores consideravam uma vegetação estática, que não reagia às alterações no clima", explicou à Folha.com o climatologista do Inpe José Marengo, um dos autores.
Por exemplo, na seca de 2010, estima-se que a mortalidade das árvores tenha liberado 5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera. O cenário agora é de mais secas no Sul da Amazônia nos próximos anos e chuvas mais intensas no Norte da floresta. Além disso, a mata deve ficar mais rala e aberta, em um processo chamado de savanização.
Tal situação pode ainda piorar caso o desmatamento não seja freado. "Se o desmate aumentar, os impactos na floresta também ficarão mais intensos", observou Marengo. Os resultados dos novos modelos sugerem que, quando o desmatamento atingir mais de 40% da extensão original da floresta amazônica, a precipitação (ou seja, o índice de chuvas) diminuirá de forma significativa no Leste. Isso provocaria um aquecimento de mais de 4ºC na parte oriental da floresta, com redução significativa das precipitações na área.

"Políticos precisam saber" 
Segundo Marengo, as incertezas quanto a eficácia das políticas de redução dos impactos das mudanças climáticas nos próximos anos dificultam as projeções referentes a cenários futuros. No caso da malha fluvial amazônica, por exemplo, secas extremas deixarão os rios intrafegáveis, conforme o estudo. "Os políticos precisam saber disso", alertou o pesquisador.
Os tomadores de decisão precisam saber dessas previsões. É preciso reconhecer que o problema pode ter impactos na economia e sociedade, José Marengo.
"Aldo Rebelo [relator da proposta do novo Código Florestal] diz que faltam estudos científicos. Aqui temos um estudo científico afinado com a realidade nacional. A evidência está aí", apontou Marengo.
De acordo com o especialista, a publicação dos resultados do estudo em forma de relatório, e não em uma revista científica, foi a forma encontrada pelo grupo de cientistas para que as informações chegassem até os políticos.

Redação EcoD

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