sexta-feira, 11 de maio de 2012

EUA lançam plano para substituir tecnologias nocivas ao ambiente


Obama: plano dará transparência a agência reguladora AP

  • Plano Nacional de Bioeconomia, inclui investimento em biocombustíveis e novas técnicas agrícolas.

De olho no potencial de geração de empregos e inovação num momento em que o país enfrenta sucessivas crises econômicas e perde a liderança em diversos campos da pesquisa científica, o governo dos Estados Unidos anunciou ontem o lançamento de um Plano Nacional de Bioeconomia, com o qual pretende estimular o crescimento do setor de biotecnologia. Abrangente, o projeto inclui desde a pesquisa e desenvolvimento de novas terapias e tratamentos médicos a biocombustíveis, passando por agricultura e inovações na manufatura que usem processos biológicos em substituição a métodos industriais nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Dividido em cinco pontos principais, o plano renova o compromisso do governo americano com iniciativas já em curso, além de prometer prêmios e incentivos para pesquisadores, acelerar a transição de produtos dos laboratórios para o mercado, melhorar a educação e o treinamento de mão de obra para atuar no setor e encorajar parcerias entre os setores público e privado. Uma das medidas mais polêmicas, porém, é a remoção de alguns entraves no caminho das pesquisas, notadamente a atuação da FDA, a poderosa agência reguladora de alimentos e medicamentos. Há tempos laboratórios farmacêuticos e fabricantes de equipamentos reclamam da lentidão, falta de transparência e rigor do órgão, o que desencorajaria os investimentos. A ideia é acelerar e tornar mais previsíveis os processos de aprovação de novas drogas e tratamentos experimentais.

— As ciências da vida já provaram ser uma fonte vital de crescimento econômico e hoje elas prometem avanços que podem mudar a face de uma variada gama de setores — justificou John Holdren, conselheiro de ciência e tecnologia do presidente Barack Obama e responsável pelo novo plano. — Assim, este governo está comprometido em acelerar estes avanços e em assegurar que agências federais e entidades privadas trabalhem juntas para levar os benefícios da bioeconomia para o mercado o mais rápido possível.

Embora lamente o fato de o Brasil não contar com uma política nacional como a lançada nos EUA, Jerson Lima Silva, diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e professor do Instituto de Bioquímica da UFRJ, lembra que nos últimos anos o país experimentou um forte avanço na quantidade e qualidade da pesquisa e desenvolvimento científico, graças, em boa parte, a um apoio sistemático dos governos federal e estaduais. Só no Rio, conta, metade do orçamento anual da instituição, que deverá ficar em cerca de R$ 400 milhões em 2012, acaba destinado a estudos na área de ciências da vida.

— Mas ainda precisamos construir mais pontes entre os laboratórios e o setor produtivo — defende. — O Brasil deve aproveitar esse momento positivo que está passando para disputar de igual para igual com outros países em setores estratégicos como a biotecnologia.

Segundo Silva, a questão regulatória é um ponto crucial neste processo, assim como o excesso de controle e burocracia que elevam o custo das pesquisas. Ele destaca que são comuns os casos em que instituições recebem os recursos para as pesquisas, mas enfrentam problemas na aquisição e importação de equipamentos e insumos fundamentais para o trabalho.

— A compra de reagentes e outros produtos perecíveis muitas vezes passa por uma série de restrições e, quando os pesquisadores conseguem ter acesso a eles, já estão perdidos ou vencidos. Temos que trabalhar para que essas perdas que tivemos no passado não se repitam. Esses problemas têm que ser a exceção e não a regra no processo.

Presidente da Recepta Biopharma, que recentemente tornou-se a primeira empresa de biotecnologia brasileira a ter um produto aprovado pela FDA para testes nos EUA, José Fernando Perez também reclama dos entraves burocráticos à pesquisa. Segundo ele, o setor de biotecnologia tem características que o diferem de outros campos de inovação que devem ser levados em conta tanto pelo governo quanto por potenciais financiadores, pois exige investimentos maiores, que demoram mais tempo para dar retorno e trazem embutido um fator de risco muito grande.

— Se um avião tiver um bom projeto e uma boa engenharia, por exemplo, já se sabe que ele vai voar — explica. — Já na biotecnologia, tudo depende da resposta do corpo humano. Às vezes, no processo de desenvolvimento de uma nova droga, chegamos à fase III (última etapa de testes antes da aprovação para comercialização) e tudo dá errado. É como só descobrir que o avião não vai voar quando ele já estiver na cabeceira da pista.

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