segunda-feira, 19 de março de 2012

Brasil é referência no uso de satélites no combate às derrubadas

 

Conhecido por muitos anos como o país que mais desmatou florestas tropicais em todo o mundo, o Brasil tem conseguido gradualmente reverter o avanço da fronteira do desflorestamento na Amazônia. Nos últimos 3 anos, recordes consecutivos de redução de desmatamento foram alcançados. O sucesso transformou o país em referência no uso de satélites no combate às derrubadas. Atualmente, institutos do governo, universidades e ONGs estão envolvidos com parcerias internacionais para difundir métodos e tecnologia para mensurar o uso das florestas nativas.




Em 2011, a taxa de desmatamento atingiu o número mais baixo desde que as medições foram iniciadas em 1988: 6248 Km2, o equivalente a 5 cidades de São Paulo. Crédito: INPE

À frente deste processo está o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e que nos últimos 30 anos desenvolveu os melhores softwares de análise sobre a cobertura vegetal na Amazônia. Além disso, lancará até 2014 dois novos satélites que melhorarão a observação de mudanças no uso da terra, o CBERS 3, feito em parceria com a China, e o Amazônia 1.

Há três anos, o INPE inaugurou um centro de treinamento na cidade de Belém, no estado do Pará, que tem recebido técnicos de órgão públicos latino-americanos, africanos e asiáticos. A demanda pela experiência do órgão brasileiro cresceu rapidamente graças às indicações de que finalmente as florestas tropicais podem valer mais em pé do que derrubadas. O mecanismo REDD – Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal – já foi aprovado pela Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, e muitos países esperam investimentos externos utilizando créditos de carbono da floresta.

 

O pesquisador Claudio Almeida, coordenador do centro de treinamento do INPE em Belém, argumenta que a necessidade dos países se prepararem para o REDD ajudou a valorizar o conhecimento brasileiro. “Nós temos o estado da arte no monitoramento de florestas tropicais”, argumenta.

Segundo Almeida, neste momento, um dos principais objetivos do Brasil ao dividir o conhecimento com outros países é possibilitar a criação de parâmetros comparáveis para mensurar, o desflorestamento, a degração florestal e até mesmo a recuperação de áreas previamente desmatadas. O INPE está treinando técnicos dos oito países membros da OTCA, a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. Assim como ocorre no Brasil, estes países devem em breve a produzir taxas oficiais de desmatamento, que poderão servir de base de comparação em toda bacia amazônica.

No momento estes técnicos, estão aprendendo a interpretar imagens de satélite utilizando softwares e metodologias criadas pelo INPE nos últimos 30 anos de monitoramento da Amazônia. Mas o próximo passo, explica Almeida, depende mais dos diplomatas de cada país do que do INPE. O Brasil quer ajudar as nações amazônicas a implementar antenas para a recepção de dados de satélites brasileiros e salas de observação onde estas informações serão interpretadas e repassadas a autoridades em campo. “Não é uma forma de colonização. Nós estamos disponibilizando tecnologia. A vontade de fazer tem que ser de cada país”, diz o pesquisador.
40 anos de história

Em uma pequena sala na sede do INPE em São José do Campos, uma pacata cidade a 80 km da metrópole de São Paulo, Dalton Valeriano, um simpático pesquisador com rabo de cavalo e cavanhaque brancos revela orgulhoso a história por trás do programa brasileiro de monitoramento do desmatamento na Amazônia, mais conhecido como PRODES.



Pesquisador Dalton Valeriano: no começo a análise era feita na mão, sobre as fotos de satélite. 

Oficialmente, ele foi iniciado em 1988, mas Valeriano explica que já na década 70, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) pedia ao INPE para verificar com imagens de satélite se os projetos financiados pelo dinheiro público estavam de fato ocorrendo. Naquela época, um estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Valeriano trabalhava no INPE como estagiário.

Mas o monitoramento constante só foi possível a partir dos 80 com a orbita regular de satélites com instrumentos de precisão que registravam qualquer desmatamento acima de 6,5 hectares. O satélite americano Landsat, com seu sensor TM, permitiu um acumulo de imagens que eram analisadas analogicamente, para não dizer manualmente. “Nós colocávamos uma imagem sobre a outra e marcávamos com cores os territorios desmatados de um ano para outro. Depois, calculávamos”, conta Valeriano.

Atualmente, o Brasil batalha para garantir que a observação ininterrupta da Amazônia. Com a suspensão do envio de informações do Landsat 7 e a descontinuação de uma série de outros dispositivos, como o sino-brasileiro CBERS 2B e o japonês Alos, o monitoramento atual está sendo feito, a um custo de R$ 6 milhões, pela constelação de satélites DMC, que pertence a uma empresa britânica.


Foto no alto: Adela Kang/Txchnologist
Crédito: Gustavo Faleiros 
 Editor do site de jornalismo ambiental O Eco

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