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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Austrália repensa emissões de CO2

Desastres fazem Austrália repensar emissões de CO2

08/02/2011 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais

A frequência com que o país vem sendo atormentado por enchentes, secas e ciclones está trazendo de volta os debates sobre medidas polêmicas que haviam sido arquivadas, como a criação de um cap-and-trade e de taxas de carbono


A Austrália é o maior exportador mundial de carvão e possui uma das maiores emissões de gases do efeito estufa per capita do planeta, fatores que explicam porque o país é sempre um dos mais relutantes em adotar qualquer tipo de política climática e costuma ser um obstáculo nas conferências do clima das Nações Unidas.

Foi preciso que eventos climáticos extremos afetassem a vida de milhões de australianos para que as autoridades despertassem para a necessidade de mudanças nos hábitos de consumo e de produção industrial.

O ano começou com a Austrália sendo varrida pela maior enchente da história, que causou bilhões em prejuízos. Antes disso, uma severa seca em 2010 resultou na queda expressiva da produção de cereais, o que elevou os preços dos alimentos em todo o mundo. Mais recentemente, na semana passada, um ciclone atormentou a costa do país.

Para avaliar o que está acontecendo com o clima na Austrália e quais são as perspectivas para o futuro, o conselheiro de mudanças climáticas do governo, Ross Garnaut, está preparando uma série de oito relatórios que devem ficar prontos até maio. O primeiro deles foi divulgado na semana passada e alerta que os fenômenos climáticos extremos ficarão mais intensos e frequentes.

“O que estamos vendo já são as consequências iniciais do aquecimento global. Se pensarmos que ainda estamos no começo desse processo, o futuro não parece nada promissor”, afirmou Garnaut.

Diante desse prognóstico, a Austrália está revendo questões que haviam sido dadas como arquivadas, como a criação de um mercado cap-and-trade e uma taxa para o carbono.

Segundo Garnaut, nos últimos anos os políticos estavam muito alinhados com as indústrias, mas agora devem contar com uma maior pressão popular para realizar as transformações que o país precisa.

“As tentativas de aprovação de leis climáticas no passado nos ensinaram que mexer com interesses econômicos sempre é difícil. Porém é hora dos políticos permanecerem independentes e evitarem ser seduzidos por lobbies”, explicou Garnaut.

O plano original para o mercado de carbono da Austrália chegou a propor o preço simbólico de AU$ 1 por tonelada de CO2 em sua fase inicial, mesmo assim não conseguiu ser aprovado e acabou engavetado.

Outra iniciativa que pode retornar é a de uma taxa interna de carbono, pela qual as indústrias pagariam um valor conforme a intensidade de carbono utilizada para produzir suas mercadorias.

Essas medidas já estão sendo analisadas e discutidas por autoridades, mas o mais provável é que elas só comecem a ganhar forma depois de maio, quando Garnaut deve finalizar seu último relatório para o governo.

Os estudos serão então analisados por um comitê multipartidário que decidirá qual o melhor caminho a ser adotado.

“Esperamos que os relatórios sejam o inicio de um importante diálogo com os 22 milhões de australianos para mostrar que existem benefícios econômicos e morais em se colocar um preço no carbono”, afirmou o parlamentar independente Rob Oakeshott.

Os ganhos econômicos com uma economia de baixas emissões são outra preocupação de Garnaut, que considera que a Austrália está ficando para trás na corrida pelas tecnologias limpas.

“Não temos mais o luxo de poder falar que vamos liderar o mundo rumo à sustentabilidade. Para ser bem sincero, agora temos é que alcançar as outras nações”, concluiu Garnaut.

Imagem: Ciclone Yasi na costa do estado de Queensland / Nasa

sábado, 5 de fevereiro de 2011

"Por uma existência mais feliz" - Álvaro Cidrais*

“Esta estúpida maneira de ver”, artigo de opinião de Álvaro Cidrais*

“Esta estúpida maneira de ver”, artigo de opinião de Álvaro Cidrais*

Bernanke, o presidente da Reserva Federal dos EUA, afirma que “irá demorar muito tempo para retomar os níveis de desenvolvimento que atingimos e o emprego que já tivemos”. Como se esta fosse a questão mais importante da atualidade. Como se um indicador económico interessante para avaliar o desempenho das políticas do Estado fosse por si só a questão central da vida dos estados e das pessoas que neles habitam.

Isto é o que se chama miopia de gente evidentemente reconhecida e inteligente. Este pensamento está estruturalmente errado. Está viciado. Filosoficamente é uma aberração. Não contribui para o desenvolvimento (que podemos medir pelo número de pessoas com saúde mental em cada território analisado). Não tem lógica que o suporte leve a defender medidas que são a repetição estúpida de soluções que já comprovaram que não funcionam.

Este é o pensamento natural de uma sociedade moderna e materialista que se formou nos últimos 200 anos, perseguindo os ideais da liberdade, da igualdade da revolução francesa, mas esquecendo muito a da fraternidade, fazendo tábua rasa da espiritualidade (o sentido da vida).

Este pensamento toca o ridículo de ver a vida só, ou acima de tudo, como um campo de batalha económico, esquecendo que esse campo só tem valor se a economia representar mais e melhor qualidade de vida.

Nesta estrutura de pensamento, é como se o trabalho (emprego) fosse a única coisa digna da vida. Como se o dinheiro fosse o mais importante. Como se a vida fosse trabalho. Como se o trabalho tivesse de ser feito através de uma vinculação contratual. Como se o contrato tivesse que ser contínuo.

Neste panorama, não existiria diversão entre amigos, festas de famílias, noites de copos e parvoíces, facebook, linkedin, twitter, etc. Tudo isto são relações, é consumo, mas não é negócio, nem emprego, nem economia. É vida, vivida!

Fazer sexo é vida. Só uma ínfima parte (economicamente marginal) é representada pela economia (chamamos-lhe prostituição). Mas se não houver sexo, não temos pessoas e se não tivermos pessoas, não temos economia. E se não tivermos ou fizermos amor, a vida terá menos sentido!

Efetivamente, na vida, o essencial é acrescentar valor (amor) aos outros e possuir uma sintonia enorme com o sentido de vida de cada um/todos nós. De preferência numa perspectiva do Bem. Com um espírito santo ou, para que se entenda melhor, um santo espírito.

Não é na posse de trabalho que está a felicidade. É no sentido com que agimos (trabalhamos <=> gastamos energias) de modo a que nós e os outros possamos ter uma existência mais feliz. E, quer queiram quer não, a isso chamamos fraternidade! Que, quando orientada por um espírito de missão de base espiritual, garante felicidade, sem os conflitos, as loucas correrias e as angústias que a liberdade (liberalismo irresponsável) ou a igualdade (comunismo estúpido) nos propõem.

E assim se percebe porque é que os liberalistas e os comunistas estão fora de moda! Depois de muitos anos a prometerem o céu…mostraram a fraqueza do seu pensamento, o limite reduzido das suas propostas! Esqueceram-se da fraternidade e foram ultrapassados por outro termo mais atual: a equidade. A combinação destes conceitos propõe agora soluções muito mais justas e sustentáveis, principalmente quando existe respeito pela natureza, esse magnífico ser que nos atura e suporta.

*Álvaro Cidrais é licenciado em Geografia e Mestre em Geografia Humana: Desenvolvimento Regional, sendo atualmente docente universitário na Universidade Lusíada de Lisboa, consultor/assessor de gestão e formador, trabalhando como consultor independente em áreas relacionadas com a sua especialização. Foi ainda co-autor de dois livros com Xosé Manuel Souto, da Universidade de Vigo, designadamente “Planeamento Estratégico de Mercadotecnia Territorial” e “História do Eixo Atlântico

Um tríplice abraço!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Bilhetes de cinema em troca de embalagens para reciclar

Espanha: trocam-se embalagens por bilhetes de cinema


Espanha: trocam-se embalagens por bilhetes de cinema

A cidade de Pamplona, no Norte de Espanha, está oferecendo bilhetes de cinema em troca de embalagens para reciclar, informou ontem o jornal espanhol El Mundo.

O centro desta troca é uma máquina, instalada nas ruas da cidade, que oferece ao cidadão um ticket por cada embalagem colocada no seu interior. Com 90 pontos – ou seja, 90 tickets – os cidadãos de Pamplona ganham uma entrada gratuita nos melhores cinemas locais.

A máquina, que se baseia no Sistema de Depósito, Devolução e Retorno – um sistema global - encontra-se já nas ruas de 34 países e tem como objetivo estimular a reciclagem e “fazer pedagogia a partir das embalagens”.

Na Alemanha, este sistema permitiu passar a reciclar cerca de 98,5% das embalagens de bebidas – mais de 14 mil milhões por ano. Resultado: as embalagens vazias desapareceram das ruas.

Esta é a primeira máquina de depósito, devolução e retorno instalada em Espanha. Noutros países europeus, nos Estados Unidos ou na Austrália existem já milhares de máquinas similares, sobretudo nas grandes áreas comerciais.

Depois de Pamplona, o sistema será implementado em Barcelona, Tenerife e Maiorca.

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