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terça-feira, 17 de abril de 2012

Extinta na natureza, árvore é redescoberta no Jardim Botânico, no Rio


 

  • A espécie foi vista pela última vez em 1942 e dada como extinta em 1998 pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

Rio de Janeiro - Houve um tempo em que a guarajuba tinha uma presença significativa na Mata Atlântica. Sua madeira alimentava a construção civil e naval e era usada em engenhos, na fabricação da tubulação de água. Sua popularidade, porém, não lhe rendeu louros no mundo acadêmico, onde ninguém a estudou; nem garantiu a continuidade de seu plantio — sua última coleta foi há 70 anos.

A espécie, que atende no mundo científico por Terminalia acuminata e tem as cores da bandeira nacional, foi vista pela última vez em 1942 e dada como extinta em 1998 pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Em dezembro, no entanto, três exemplares foram achados por pesquisadores do Jardim Botânico nos canteiros da própria instituição.

A redescoberta da T. acuminata veio quase por acaso, em meio aos esforços do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) para atualizar a Lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. Sabe-se quase nada sobre esta árvore. Seu tempo de vida, a idade que alcança e a quantidade de vezes que já floresceu e frutificou, por exemplo, são um mistério para os botânicos. Daí o sentimento de urgência que cerca a coleta de sementes produzidas pela planta.



— Há uma semana minha equipe vem aqui diariamente para fazer este trabalho — conta Ricardo Reis, curador de Coleções Vivas do Jardim Botânico. — Descobrimos que a T. acuminata estava dando frutos por volta do fim do ano passado. Certamente ela já floresceu e frutificou outras vezes, mas, como o grau de raridade da árvore só foi diagnosticado no fim do ano passado, não estávamos acompanhando.

Reis já conseguiu mais de 400 sementes, mas não sabe quantas das mudas levadas à sua curadoria vingarão. Outras espécies do gênero Terminalia teriam um índice de germinação muito baixo, de apenas 20%, segundo estudos. Mas não necessariamente o mesmo valeria para esta espécie.

O tronco reto da árvore se ramifica só a uma altura considerável do chão, após a metade dos 25 metros que a espécie pode alcançar. A imponência da T. acuminata contrasta com as sementes, verdes e amarelas e facilmente confundíveis com folhas perdidas na terra do canteiro.



O levantamento biográfico relacionado à espécie não contribuiu muito com os pesquisadores. Há dois trabalhos que a citam — de 1867 e 1876 —, ambos escritos em francês, por um cientista de nacionalidade desconhecida.

As descrições de onde era encontrada também são vagas. Em 1928, alguns exemplares foram colhidos na Estrada da Tijuca. O CNCFlora pretende descobrir o que corresponde hoje a este endereço — pode ser, portanto, que a árvore sobreviva anônima na Floresta da Tijuca. Ela também foi vista em Paty do Alferes, no Vale do Paraíba, uma região onde a Mata Atlântica foi intensamente desmatada.

— Ficamos muito felizes em constatar em nosso levantamento que, apesar de a planta estar extinta na natureza, ainda contava com três indivíduos aqui — revela Danielli Kutschenko, bióloga do CNCFlora. — Sua redescoberta é quase como se a árvore suspirasse por socorro.

Para Danielli, a T. acuminata pode se tornar um símbolo do Jardim Botânico. E junta-se ao hall de plantas abatidas por séculos no país, como a araucária, o pau-brasil e o palmito jussara.

— Quando uma espécie é dada como extinta, você desiste de seus esforços, de um plano de conservação que seria feito para ela — explica Tainan Messina, também bióloga do CNCFlora. — Por isso é preciso fazer uma busca bem exaustiva antes de dizer que uma espécie não existe mais na natureza.



Danielli e Tainan não descartam a possibilidade de que outras espécies, também foragidas de áreas verdes, reapareçam com o amadurecimento Lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. A nova edição do trabalho será publicada em meados deste ano, próximo à Rio+20.

Enquanto o CNCFlora busca plantas desaparecidas, Reis já estuda onde plantar os futuros exemplares da T. acuminata. Segundo o curador, alguns certamente terão como destino o próprio Jardim Botânico. Outros poderão ser cedidos para parques semelhantes em outras cidades, que ainda serão escolhidos. Talvez municípios fluminenses, visto que a espécie é exclusiva do estado.

— Os botânicos que passaram por aqui nesses 200 anos poderiam não ter noção de que uma espécie estivesse ameaçada ou que isso poderia ocorrer, mas eles tinham um olhar técnico — destaca Reis. — Eles iam a campo colhendo amostras e, assim, transformaram de fato o Jardim Botânico em um santuário, num local muito importante para a conservação da flora.

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