terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Centro de Reabilitação do Peixe-boi Amazônico do Aquavert comemora 4 anos




O projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental, comemorou no mês de janeiro, quatro anos de atividades do Centro de Reabilitação do Peixe-boi Amazônico, o Centrinho. O Centro de Reabilitação funciona em uma estrutura flutuante no lago Amanã, no município de Maraã (650 Km a oeste de Manaus) e abriga sete peixes-boi em reabilitação.

Desde janeiro de 2008, o Centrinho recebe filhotes órfãos de peixes-boi, apreendidos em municípios da região do Médio Solimões, no Amazonas, onde a caça para subsistência ainda é uma ameaça à espécie.


Piti, o filhote que inaugurou o Centinho, já está praticamente pronto para ser devolvido à natureza. Em maio de 2007, agentes ambientais apreenderam o filhote, que estava em poder de um caçador na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. O peixe-boi apresentava arranhões por todo o corpo e uma profunda ferida provocada por golpe de arpão. Separado à força da mãe, o quadro nutricional do pequeno peixe-boi também era crítico.

O peixe-boi Piti, que ganhou esse nome devido ao seu comportamento arredio, passou sete meses recebendo cuidados intensivos em um curral no lago Tefé que, devido ao trânsito intenso de embarcações, não era o local adequado ao tratamento. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, berçário natural da espécie, apresentava-se como o melhor local para a recuperação de Piti.

No coração do lago Amanã, no município de Maraã, uma estrutura flutuante foi montada para receber Piti. Em janeiro de 2008, quando o Instituto Mamirauá foi credenciado pelo Ibama como criatório conservacionista, Piti foi transferido para a comunidade a Reserva Amanã. Era o início do Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, o “Centrinho”.

A rotina de trabalho no Centinho é pesada. Logo cedo, os tratadores (moradores de comunidades da Reserva Amanã) preparam o leite que será dado aos animais e recolhem capim às margens do lago. Alguns filhotes chegam a mamar cinco vezes ao dia. Também diariamente é preciso trocar a água e limpar três tanques de 4500 litros, onde vivem quatro filhotes de peixe-boi. Uma vez por semana, os tratadores registram o peso dos animais, tarefa que exige muito esforço físico e muito cuidado para que os animais não se machuquem e para que não sofram muito estresse.


Conservação

Com o patrocínio Petrobras, o projeto Aquavert está ampliando as instalações do Centrinho. Está em fase de acabamento um novo curral, mais uma ferramenta para auxiliar na reabilitação dos peixes-boi. Em breve, dois dos quatro filhotes que ainda vivem em tanques deverão ser transportados para o curral, que é banhado pela água do lago Amanã.

“Esse curral vai permitir que os filhotes tenham mais espaço e profundidade para se locomover e se desenvolver. Eles também ficarão em contato com a água do próprio lago, corrente, e passarão a conviver com peixes, e talvez até a manter contato com peixes-boi nativos que venham visitá-los. Poderão também sentir a chuva, escutar os sons diretamente do lago”, diz a oceanógrafa Miriam Marmontel, coordenadora do projeto Aquavert.

Nos próximos meses será construído outro recinto, que funcionará como um estágio final no processo de reabilitação dos animais ao ambiente natural. O novo recinto será mais amplo que os currais e possibilitará aos animais um contato ainda mais próximo com as condições do ambiente em que será solto. Sua localização também será diferenciada, sendo posicionado em local com reduzido trânsito de pessoas e embarcações, distante dos demais recintos que compõem o Centrinho.

 Mamadeira subaquática

  • A mamadeira subaquática permite que o filhote em reabilitação seja alimentado sem contato com o tratador

Mamadeira usada por 
peixes-bois de Mamirauá


Mamadeira facilita refeição de filhote de peixe-boi

A mamadeira subaquática vem facilitando o processo de reabilitação de filhotes de peixes-bois mantidos em cativeiro no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, o Centrinho, no município de Maraã (a 632 quilômetros de Manaus).

Com uma garrafa pet, conexões de PVC e um bico de borracha, o estudante Augusto Bôaviagem desenvolveu a mamadeira subaquática durante o período em que estagiou no Centro de Reabilitação na RDS Amanã, entre dezembro de 2009 e agosto de 2010.


A invenção do estudante foi apresentada a cientistas de vários países, que se reuniram na cidade de Tampa (Florida, EUA) durante a 19ª Conferência Bienal sobre Biologia de Mamíferos Aquáticos, realizada no início deste mês. A mamadeira permite que os filhotes de peixe-boi mamem debaixo d’água, facilitando o processo de reabilitação dos animais.

Augusto Bôaviagem cursa o 9° período de medicina veterinária na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente, é pesquisador associado do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio) em Itamaracá, litoral norte de Pernambuco, onde a mamadeira foi adotada no trato de peixes-boi marinhos.



Vantagem 

A mamadeira subaquática tem a vantagem de evitar o contato direto do tratador com o animal.

Durante o processo de reabilitação dos peixes-boi, o contato com os tratadores representa uma dupla desvantagem: se um animal recebe a mamadeira diretamente das mãos dos tratadores, pode criar uma perigosa relação de afeto com humanos, eliminando o instinto de defesa contra prováveis caçadores.

O outro ponto negativo é o contato com microorganismos presentes na pele do tratador, que podem causar doenças nos peixes-boi.

“Logo quando chegam ao Centro de Reabilitação, os animais são muito estressados e têm rejeição à presença humana. É exatamente esse comportamento que buscamos com os animais já reabilitados. O problema é que, com o velho aleitamento, com a mamadeira comum, o animal se acostuma com a presença humana, cria amizade associando a figura humana a coisa boa, alimento. Tínhamos que mudar isso”, argumenta o inventor da mamadeira subaquática.

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