terça-feira, 26 de julho de 2011

Qualidade da água ainda sofre pela falta de saneamento

A Agência Nacional de Águas analisou mais de 1700 pontos e registrou que apenas 4% deles podem ser considerados ótimos, a situação é pior nas grandes regiões metropolitanas, como São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro


Lagos, rios e reservatórios localizados perto das maiores cidades brasileiras são os que mais sofrem com o lançamento de esgotos urbanos domésticos sem tratamento adequado e por isso são a maioria entre os pontos que se encontram na situação classificada como péssima ou ruim pelo Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil – Informe 2011, divulgado nesta terça-feira (19) pela Agência Nacional de Águas (ANA).

Dos pontos monitorados em 17 estados, 2% têm condições péssimas e 7% condições ruins. Além disso, entre 2008 e 2009, o percentual de pontos com índice de qualidade considerada ótima caiu de 10% para 4%. Segundo Vicente Andreu, diretor-presidente da ANA, essa variação se deu porque o número de pontos monitoradosfoi reduzido de 1.812 para 1.747.
No geral, o cenário se manteve estável: em 2008, 70% de pontos tinham condições boas, em 2009 o percentual foi 71%. “O diagnóstico dos pontos monitorados revela a manutenção do quadro do país, com várias bacias comprometidas devido ao grande lançamento de esgotos urbanos domésticos”, aponta o estudo.
Mesmo com a situação estando ruim nas grandes metrópoles, o superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, Ney Maranhão, destaca que "90,6% das bacias e dos rios se encontram em estado satisfatório de qualidade e disponibilidade e apenas 2% dos rios não apresentam resultado satisfatório. Temos uma situação muito confortável".

Com dados consolidados até dezembro de 2010, o estudo da ANA é uma ferramenta de acompanhamento anual da condição dos recursos hídricos e de sua gestão em escala nacional. O relatório avalia temas fundamentais para o setor de recursos hídricos, como: volume de chuvas; ocorrência de eventos hidrológicos críticos (secas e cheias); disponibilidade hídrica nas diferentes regiões do Brasil; os usos múltiplos da água (irrigação, saneamento e hidroeletricidade, por exemplo); qualidade das águas; a evolução dos comitês de bacias; o planejamento, a regulação e a cobrança pelo uso dos recursos hídricos. “O acompanhamento e a avaliação da situação dos recursos hídricos em escala nacional pelo Relatório subsidiam a definição das ações e intervenções necessárias para a melhora da quantidade e da qualidade das águas”, afirmou Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente.


Eventos Extremos

Em 2010, 563 municípios brasileiros decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública devido à ocorrência de cheias, causadas por chuvas acima da média histórica. São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Bahia e os estados da região Sul foram os mais atingidos.
Já o Semiárido e a região Amazônica concentraram a maior parte dos 521 municípios que tiveram que decretar situação de emergência ou estado de calamidade pública em decorrência de estiagem ou seca. Em comparação a 2009, o número de ocorrências de 2010 caiu de 1967 para 1184.

Entre os eventos críticos que aconteceram no ano passado, a ANA destacou seis:

  •  Estiagem na Amazônia: Por causa da falta de chuvas, rios como o Negro, Acre, Solimões e Madeira apresentaram níveis bem abaixo da média, prejudicando a navegação, agricultura e o abasteciemnto em muitas cidades da região Norte.
  • Cheias em Alagoas e Pernambuco: O mês de junho registrou chuvas bem acima do normal, com Recife apresentando em apenas três dias (16, 17 e 18) 348mm, volume esperado para o mês inteiro.
  • Cheias em Minas Gerais: Em dezembro mais de um milhão de mineiros sofreram com enchentes, sendo que 29 mil pessoas ficaram desalojadas, 3725 desabrigadas, 92 feridas e 17 morreram.
  • Cheias na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: Os meses de março e abril trouxeram um volume anormal de chuva. O deslizamento no Morro do Bumba, em Niterói, soterrou centenas de moradores e deixou milhares de desabrigados.
  • Cheias na Região Metropolitana de São Paulo: 11 municipios paulistas decretaram situação de emergência ou calamidade pública nos meses de janeiro e fevereiro, que registraram recordes históricos no volume de chuvas.
  • Cheias no Rio Grande do Sul: Fortes chuvas provocaram o transbordamento do rio Jacuí em janeiro, que chegou a provocar o desabamento de um ponte na rodovia RS 287.
A ANA criou em 2009 um Grupo de Trabalho para analisar a possibilidade de que esses eventos estejam ligados com as mudanças climáticas. No ano passado, o grupo apresentou uma nota técnica que propõe algumas ações de adaptação e monitoramento. Entre elas estão atividades de acompanhamento e medição de eventos hidrológicos críticos e estudos sobre a simulação dos impactos do aquecimento global na oferta de água no Brasil.


Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agência Brasil/ANA

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