Todos pela Natureza!

sábado, 1 de setembro de 2012

Green Project Awards Brasil: conheça todos os premiados.




Os Green Project Awards Brasil foram entregues esta manhã, no Rio de Janeiro. Conheça todos os vencedores e leia um breve resumo do projeto em questão..



PRODUTO

1º 

Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais 

O trabalho do Banco de Alimentos com seus milhares de voluntários do Rotary, Lions, Diaconias, Escoteiros, Associações de Funcionários de Empresas, Parceiros Voluntários, Universitários, enfim, da sociedade como um todo, está a vencer o desafio de erradicar a fome, representando com isso o compromisso e a responsabilidade de cada um com o seu semelhante.

Os Bancos Sociais procuram apoiar e fortalecer as instituições já existentes na região metropolitana e que tantos benefícios proporcionam às famílias de suas comunidades, doando alimentos, móveis, computadores, tecidos, medicamentos, materiais de construção ou orientando sobre como ter acesso a recursos financeiros, oferecendo cursos de gestão.


2º 

Marcelo Xavier - Polietileno Verde

Em Junho de 2007 a Braskem anunciou ao mundo a produção em carácter piloto do primeiro polietileno desenvolvido a partir do etanol de cana-de-açúcar. A inovação, um marco na indústria petroquímica global, utiliza matéria-prima renovável no lugar de derivados de petróleo, e resulta na redução do efeito estufa pela absorção do CO2 da atmosfera no crescimento da cana-de-açúcar.

Para cada tonelada de polietileno verde produzida são sequestradas e fixadas até 2,5 toneladas de CO2. O Polietileno Verde é uma resina termoplástica feita a partir do etanol obtido do etanol de cana-de-açúcar. Possui propriedades idênticas ao polietileno convencional, com a vantagem de ser feito a partir de matéria-prima proveniente de fonte renovável. É reciclável como toda resina, mas não biodegradável, pois possui as mesmas características do plástico fóssil. A planta que produz o polietileno verde em escala industrial foi inaugurada em Setembro de 2010 e produz 200 mil toneladas anuais.


3º 

Mônica Neves – Projeto Nestlé Waters End to End

Em 2008, a Nestlé e o Wal-Mart firmaram um projecto de parceria com o objectivo de educar e consciencializar seus consumidores para a importância de contribuir para a sustentabilidade sócio-ambiental. Em linha com essa iniciativa, foi desenvolvida pela Nestlé uma linha de produtos que contasse com uma cadeia de valor sustentável de ponta a ponta, que pudesse servir de boas práticas de sustentabilidade.

Os aspectos trabalhados foram: redução do peso das embalagens, eliminação de pigmentos em garrafas e tampas para facilitar a reciclagem, optimização do consumo de água e energia fabril, optimização da malha de transporte, desenvolvimento de acções de consciencialização com a população sobre o cuidado com a água, a sua relação com a saúde, a importância da preservação do meio ambiente e o incentivo a recolha selectiva e reciclagem.

Resultados: redução de até 25% na matéria-prima (tampas e garrafas), redução em 18% do consumo de material plástico (shrink), redução da quantidade de plástico de até 36% nas tampas e 25% nas garrafas, redução de 25% no material de paletização, redução de 31% do filme plástico (stretch film) que envolve os paletes e economia no consumo de água e energia

INICIATIVA



1º 

José Fernandes Dantas Júnior 

Educação ambiental nas escolas através de jogos interativos, que combatem o desperdício de água

O projeto pretende despertar a consciência ambiental dos alunos das escolas públicas do município de Currais Novos, no sertão do estado do Rio Grande do Norte, no que diz respeito ao desperdício de água. Este é um problema frequente na cidade. Os próprios moradores ignoram as consequências do desperdício de água para eles mesmos, em particular, e para o planeta como um todo. A utilização de jogos interactivos que destacam a gravidade do problema, as consequências e as possíveis formas de combatê-lo podem construir uma consciência ambiental que trará muitos benefícios para a sociedade.


2º 

André Rocha Franco 

Rede Social para a Valorização dos Patrimónios Ambientais e Culturais em Região da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, entorno do Parque Estadual da Serra do Intendente 

O projeto elaborou uma rede sócio-ambiental e cultural sinérgica que detém uma visão de articulação entre saberes, iniciativas, lugares e pessoas, representadas pela Associação Comunitária do Parauninha (ASPA), na sub-bacia do rio Parauninha – entorno do Parque Estadualda Serra do Intendente -, em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais.

A proposta é estruturada com 38 famílias locais, por meio de um programa de mobilização social, capacitação e comunicação comunitária educacional.


3º 

Aline Gonçalves Cassimiro de Vasconcelos 

Compostagem de resíduos orgânicos para hortas escolares e aquecimento de água através da energia biotérmica 

Em 2011 iniciou-se um projecto de educação ambiental na creche N.E.I. Nossa Senhora de Lurdes, com o objectivo de iniciar um processo de consciencialização ambiental, aos funcionários da creche, no que diz respeito à correta disposição e tratamento de resíduos sólidos, em locais onde o seu sistema de gestão é deficitário ou inexistente

Foram feitas palestras informativas que englobam as problemáticas ambientais do município e oficinas, que consciencializaram as crianças sobre os 3Rs, separação e manejo dos resíduos orgânicos para produção de composto orgânico.

Foi incentivada uma alimentação mais saudável para as crianças e toda comunidade envolvida, através da produção de hortaliças. Foi utilizada também a energia biotérmica da compostagem para aquecer a água utilizada na limpeza em geral.

CAMPANHA


1º 

ItÁU 

Bike Rio

As laranjinhas, como foram apelidadas as bicicletas, devido à cor predominante da marca Itaú, patrocinador exclusivo do projeto, são uma iniciativa da prefeitura do Rio de Janeiro operacionalizada pela empresa Serttel. O projeto oferece uma opção de transporte sustentável para pequenos deslocamentos e já disponibiliza 600 bicicletas, distribuídas em 60 estações localizadas em pontos estratégicos da zona sul da cidade.

O uso de bicicleta em vez de meios de transporte convencionais contribui para reduzir a emissão de gases (CO2) e para diminuir o consumo de álcool, gasolina e diesel. O Bike Rio é a primeira experiência sul-americana de implantação de um modo de transporte alternativo e sustentável. Nos 5 primeiros meses foram feitas mais de 378 mil viagens, sinal de que a população aprova o serviço.


2º 

Instituto 3 M 

Projeto Massa do Bem

O Projeto Massa do Bem propõe trocar vasilhas de isopor, plásticos ou outros materiais usados para servir sopa a moradores de rua e pessoas carentes, por cumbuca feita de massa de pão nutritiva, contribuindo assim para a redução significativa do descarte de resíduos (recipientes) alem da complementação de nutrientes da refeição oferecida.

A Massa do Bem contribui com a redução da geração de resíduos sólidos, supre parte ou totalmente (dependendo da sopa) a necessidade nutricional diária de pessoas carentes, moradores de ruas e também tem auxiliado na inclusão sócio-educativa de alunos da APAE de Campinas e de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social atendidos pela instituição Obreiros do Bem, na cidade de Ribeirão Preto.

Durante estes 4 anos de projeto a Massa do Bem já distribuiu aproximadamente 75 mil cumbucas, beneficiando aproximadamente 1500 pessoas.


3º 

Fundo Vale

2 anos de mobilização para o desenvolvimento sustentável da Amazónia 

O Fundo Vale para o Desenvolvimento Sustentável é um fundo de cooperação criado pela Vale que aloca recursos financeiros, técnicos e de gestão para promover o desenvolvimento sustentável.

Desde sua fundação, em 2009, ele investiu cerca de R$ 41 milhões em projetos com visão de longo prazo e perfil estruturante no bioma amazônico. Atualmente o FV apoia e gere 19 projetos realizados por 90 especialistas de 17 organizações parceiras. Entre os inúmeros resultados estão a adoção da metodologia do programa Municípios Verdes em 143 municípios do Estado do Pará e monitorização de 131 Planos de Manejo Florestal em 3,2 milhões de hectares de áreas protegidas. Cerca de três milhões de pessoas estão sendo beneficiadas.

PESQUISA


1º 

Paula Piccin / IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas

Corredores da Mata Atlântica


2º 

Ricardo Ruther / Universidade Federal de Santa Catarina

Projecto Megawatt Solar: Geração solar fotovoltaica integrada a uma edificação inserida em meio urbano e conectada à rede elétrica. Estudo de caso: Edifício sede da Eletrosul, Florianópolis


3º 

Martins Hofmann Mohedano / Novociclo

Espaço Recicle – Ponto de Entrega Voluntária de Resíduos com Programa de Recompensa para Participantes


Artigo Ilustrado:

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

WSPA Brasil

Visite o site da WSPA - Sociedade Mundial de Proteção Animal
Caro(a) Mauricio ,                                                              Visite o site da WSPA - Sociedade Mundial de Proteção Animal
Saiba mais sobre as operações das equipes de Gerenciamento de Desastres da WSPA em Minas Gerais.Steps leva treinamento em Bem-Estar Animal à região Nordeste 
Neste mês de agosto, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foi a anfitriã do primeiro treinamento do Programa Nacional de Abate Humanitário – Steps na região Nordeste do Brasil este ano. O curso foi um grande sucesso: aproximadamente 250 pessoas – dentre profissionais de frigoríficos, Fiscais Federais Agropecuários do Ministério da Agricultura, Inspetores estaduais e municipais, autônomos e docentes - participaram da programação, distribuída em três dias.
 
“É muito importante para o Programa Steps atender demais regiões do Brasil, principalmente as regiões Norte e Nordeste, onde podemos proporcionar e facilitar a troca de experiências trazidas do sul e sudeste. O bem-estar animal é muito amplo e genérico para ser aplicado de forma igual em todos os estados”, afirmou José Rodolfo Ciocca, Gerente do Steps. 

Leia mais sobre as novidades do Steps>>



WSPA apoia Semana Nacional de Controle e Combate à LeishmanioseWSPA apoia Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose
Do dia 6 até 10 de agosto, foi celebrada a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose. Instituída por lei no último mês de abril, a semana acontece anualmente a partir deste ano. 

O objetivo foi estimular ações educativas e preventivas, e promover debates sobre as políticas públicas de vigilância e controle da Leishmaniose. A WSPA convocou seus apoiadores nas redes sociais e através do website para ajudarem na divulgação das formas de prevenção da doença, que vem crescendo no país.  Medidas simples para o controle do inseto transmissor da doença são essenciais para impedir a transmissão do parasita causador da Leishmaniose aos seus animais e à sua família.
Leia mais sobre a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose >>
Saiba mais sobre a Leishmaniose Visceral Canina >>




64º Encontro Global da CIB: boas e más notícias para as baleias64º Encontro Global da CIB: boas e más notícias para as baleias
Após uma semana de debates,  a 64ª reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB) trouxe conquistas, mas também decepções para todos aqueles comprometidos com a proteção das baleias.
Presente durante todo o evento, a WSPA atuou junto a delegados de várias partes do mundo pela consideração do bem-estar das baleias. Como nunca antes na história, a CIB se preocupou com atividades de preservação e bem-estar das baleias, fazendo uma série de recomendações voltadas a este propósito. A decepção, entretanto, foi o veto por várias nações, incluindo o Brasil, para a criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul.





“Cinomose Aqui Não!”: ONGs beneficiadas iniciam vacinação gratuita em bairros carentes"Cinomose Aqui Não!": ONGs beneficiadas iniciam vacinação gratuita em bairros carentes
Este mês de agosto marcou o início das vacinações gratuitas contra a cinomose pelas ONGs beneficiadas da campanha “Cinomose Aqui Não!”, promovida anualmente, desde 2009, pela WSPA em parceria com a Merial Saúde Animal. 
Além de o laboratório destinar à WSPA 5% do total das vacinas Recombitek® vendidas entre os meses de abril e maio, a cada 50 “curtir” na fanpage da campanha no Facebook no mesmo período, uma dose da vacina é doada para a WSPA e distribuída entre organizações de proteção animal de todo o país. Este ano, a campanha mais uma vez foi um sucesso e bateu um novo recorde: 13.166 vacinas foram doadas, quase o dobro do total doado em 2011.
Leia mais sobre as vacinações gratuitas contra Cinomose >>
Entenda como funcionou a campanha Cinomose Aqui Não! >>


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  Saiba como denunciar maus-tratos a animais junto aos orgãos competentes.

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  Leia aqui o Manual da Leishmaniose Visceral Canina

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A WSPA - Sociedade Mundial de Proteção Animal visa construir um mundo onde o bem-estar animal importe e os maus-tratos contra os animais tenham fim, através de campanhas e cooperação com parceiros e fóruns regionais, nacionais e internacionais. Reconhecida como órgão consultivo no Conselho Europeu, a WSPA colabora também com governos de vários países e com as Nações Unidas. Para mais informações sobre a WSPA, acessewww.wspabrasil.org.

sábado, 25 de agosto de 2012

Cientistas fazem balanço dos resultados da Rio+20



Conferência produziu forte mobilização da comunidade científica, mas texto final gerou frustração por cortar temas importantes

Segundo cientistas, tema da biodiversidade recebeu muito pouca atenção no documento final da Rio+20

São Paulo - A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) mobilizou a comunidade científica e foi palco de discussões que revelaram avanços sem precedentes no conhecimento sobre os limites do planeta – conceito indispensável para determinar uma agenda dedicada à sustentabilidade global.

No entanto, nada disso se refletiu no documento final da conferência, intitulado “O Futuro que queremos”, que teve até mesmo o termo “ciência” cortado do único tópico onde aparecia com destaque, de acordo com cientistas reunidos no dia 23 de agosto no 2º Workshop Conjunto BIOTA-BIOEN-Mudanças Climáticas: o futuro que não queremos – uma reflexão sobre a Rio+20.

O evento, realizado na sede da Fapesp, reuniu pesquisadores envolvidos com os três grandes programas da Fapesp sobre temas relacionados ao meio ambiente – biodiversidade (BIOTA-Fapesp), bioenergia (BIOEN) e mudanças climáticas globais (PFPMCG) – com a finalidade de fazer uma avaliação crítica dos resultados da Rio+20, especialmente no que diz respeito às perspectivas de participação da comunidade científica nas discussões internacionais nos próximos anos.

De acordo com Carlos Alfredo Joly, coordenador do Programa BIOTA-Fapesp, a comunidade científica brasileira e internacional se mobilizou intensamente durante a Rio+20 e chegou à conferência preparada para fornecer subsídios capazes de influenciar a agenda de implementação do desenvolvimento sustentável.

“Nada disso se refletiu na declaração final. Chegou-se a um documento genérico, que não determina metas e prazos e não estabelece uma agenda de transição para uma economia mais verde ou uma sustentabilidade maior da economia”, disse Joly.

A maior esperança dos cientistas para que a conferência tivesse um resultado concreto, de acordo com Joly, era que o texto final reconhecesse, já em sua introdução, o conceito de limites planetários, proposto em 2009 por Johan Rockström, da Universidade de Estocolmo. A expectativa, porém, foi frustrada.

“De 1992 até hoje, tivemos um grande avanço no conhecimento em relação aos limites planetários e o trabalho de Rockström já se tornou um clássico. Destacar isso no texto final poderia contribuir para uma mudança de paradigmas que definiria uma nova trajetória para o planeta. Mas isso não foi feito”, disse.

Rockström, do Stockholm Resilience Centre Planetary, participou do workshop por meio de videoconferência, e apresentou palestra sobre o tema “Planetary boundaries are valuable for policy”.

O fato do avanço do conhecimento científico não estar refletido no documento, entretanto, não deve ser usado como argumento para desestimular a comunidade científica que trabalha nessa área ambiental, segundo Joly.

“Para nós que trabalhamos com a biodiversidade, a prioridade agora volta a ser a discussão sobre o veto às mudanças no código florestal, uma questão que ainda está em aberto”, disse.

O tema da biodiversidade, segundo Joly, recebeu muito pouca atenção no documento final da Rio+20, embora seja uma das áreas em que os limites planetários de segurança já foram extrapolados.

“Praticamente todas as referências à biodiversidade foram cortadas do texto. O documento zero, que foi o ponto de partida para a declaração, tinha seis parágrafos sobre a biodiversidade nos oceanos, por exemplo. Não sobrou nenhum”, afirmou Joly, que é titular do Departamento de Políticas e Programas Temáticos (DEPPT) da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Conteúdo vago

Paulo Artaxo, membro da coordenação do PFPMCG, destacou que as menções à questão das mudanças climáticas também foram quase nulas. “O texto final da Rio+20 tem 53 páginas, divididas em 283 tópicos. Desse total, apenas três tópicos mencionam a questão do clima. Para se ter uma ideia, há seis tópicos sobre igualdade de gênero e dez sobre lixo químico – que são temas importantes, mas não envolvem a mesma escala e urgência do problema do clima”, disse.

Além da escassez, o conteúdo das menções à questão do clima é muito vago, segundo Artaxo. “O texto se limita a afirmar que as mudanças climáticas estão entre os maiores desafios do nosso tempo e que o tema gera preocupação, por exemplo”, disse.

Para o pesquisador, no entanto, seria ingenuidade acreditar que a conferência poderia trazer soluções imediatas para a questão da sustentabilidade global. A oportunidade perdida na conferência foi a de contribuir para acelerar as decisões necessárias.

“O problema é enorme e envolve todo o sistema de produção que roda a economia e a política de todo o nosso planeta. Uma questão desse porte não pode ser resolvida em uma única reunião, ou mesmo em uma década. O equacionamento vai demorar pelo menos mais 10 anos – o nosso problema é que não temos todo esse tempo”, disse.

Para Artaxo, a Rio+20 evidenciou que o mundo se ressente da falta de governança para lidar com a questão do clima global. “Não temos entidades que possam implementar políticas globais com impacto importante na economia do planeta para enfrentar os desafios do clima. Se é difícil reduzir emissões de CO², poderíamos tentar reduzir as emissões de metano e ozônio, por exemplo. Mas isso exige um sistema de governança que a Rio+20 mostrou claramente não existir”, afirmou.

Fábio Feldman, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas, apontou que a falta de liderança pode ter comprometido os resultados da Rio+20. Segundo ele, a Rio92 (ou ECO-92), por exemplo, obteve mais sucesso porque na época o interlocutor brasileiro com os chefes de estado foi o físico José Goldemberg.

“Se perguntarmos aos diplomatas brasileiros, dirão que Rio+20 foi um grande sucesso, porque para eles o importante era chegar a um documento final, mesmo que inócuo. O fato do professor Goldemberg não ser um diplomata foi um fator importante para o sucesso da ECO-92”.

Feldman afirmou que, apesar de tudo, fora da reunião de alto nível, a Rio+20 contou com iniciativas importantes, como a participação ativa do setor empresarial e a mobilização da comunidade científica para criar o programa Future of Earth.

Alice Abreu, coordenadora da Iniciativa Rio+20 do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU, na sigla em inglês), fez um balanço das atividades do "Forum on Science, Technology and Innovation for Sustainable Development” – o principal evento científico realizado em paralelo à conferência.

“O evento teve mais de mil participantes, além de outros mil que acompanharam pela internet. Foram 11 sessões temáticas, onde 110 cientistas de 75 países discutiram temas centrais para o desenvolvimento sustentável. Houve ainda 24 eventos paralelos que congregaram cerca de 100 palestrantes. Tivemos duas sessões de política científica e a sessão de encerramento foi um diálogo de alto nível entre representantes da ciência e da política”, contou.

O fórum foi o palco do lançamento do Future Earth, uma iniciativa internacional de pesquisa interdisciplinar do sistema terrestre para a sustentabilidade global.

“O objetivo é prover, nos próximos dez anos, o conhecimento necessário para que as sociedades possam enfrentar os riscos das mudanças ambientais e desenvolver transições adequadas para uma sustentabilidade global”, disse.

Segundo Abreu, além da iniciativa concreta do programa Future Earth, o fórum contou com debates entre os cientistas, que geraram recomendações importantes para a agenda mundial da sustentabilidade global.

“Duas recomendações foram centrais: uma maior colaboração entre as ciências naturais e as ciências sociais – tema debatido em praticamente todas as sessões – e uma política científica mais integrada com outros atores, de forma a estabelecer um novo contrato entre ciência e sociedade”, afirmou.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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