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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Desmatamento zero na Amazônia é possível até 2020, diz governador do Pará


Desmatamento zero na Amazônia é possível até 2020, disse nesta quinta-feira (14/6) o governador do Pará, Simão Jatene, durante um debate sobre políticas públicas de combate ao desmatamento da Amazônia, no Forte de Copacabana, zona sul da capital fluminense.

“Já assinamos a redução do desmatamento em 80% até 2020, mas acho que podemos, sim, assumir desmatamento zero líquido. É possível intensificar a utilização das áreas abertas e modernizar pelo menos metade da pecuária em um curto espaço de tempo sem grandes custos.”

De acordo com o governador, existem hoje cerca de 33 milhões de hectares de áreas abertas (desmatadas) da Floresta Amazônica no estado. Desse total, cerca 1,5 milhão de hectares são usados para a produção agrícola. Cerca de 31 milhões estariam, segundo ele, ocupados pela agropecuária, abandonados ou subutilizados.

“O uso dessa área já aberta é muito baixo e podemos elevar a produtividade, mas precisaremos experimentar o que chamo de tripla revolução, que é pelo conhecimento, pela produção e por novas formas de gestão e governança e alguns municípios estão provando que isso é possível.”

O pesquisador da Fundação Imazon Adalberto Veríssimo acredita que o desmatamento zero no Pará é possível e, se for concretizado, vai gerar mais renda e emprego para a região. “Conseguimos reduzir, em três anos, 50% do desmatamento e, hoje, a sociedade está cada vez mais consciente de que não é preciso desmatar mais para crescer. É possível manter a floresta e aproveitar bem todas as áreas que já foram desmatadas, que são muitas.”

O Programa Municípios Verdes (PMV) implantado pelos governos estadual e federal há pouco mais de um ano foi abordado pelos palestrantes como ferramenta fundamental para a redução do desmatamento ao auxiliar os municípios do estado a promover uma economia de baixo carbono e alto valor agregado, com incentivos para negócios rentáveis e ambientalmente sustentáveis e criação de pactos entre a iniciativa privada, a população e o terceiro setor.

“O protagonismo local é o diferencial desse programa. Temos ambientalistas e pecuaristas participando, pessoas ligadas ao setor madeireiro florestal, Ministério Público, instituições do estado e município e a sociedade local. É fundamental que o desenvolvimento sustentável saia do papel e entre no cotidiano das pessoas”, completou o governador.

O procurador do Ministério Público, Daniel Azeredo, elogiou o Cadastro Ambiental Rural que ganhou força com o Programa Municípios Verdes. “O cadastro realiza o zoneamento das propriedades no Pará e o controle ambiental da Amazônia tem ajudado como uma ferramenta de gestão da Amazônia”, comentou o procurador. Ele acrescentou que, por meio de benefícios aos produtores, o número de propriedades cadastradas subiu de cerca de 600 em 2009 para 54 mil propriedades em 2012.

“O acesso ao crédito rural só é dado para aqueles que estão no cadastro, além disso, o produtor ganha segurança jurídica, regularização fundiária e com os Municípios Verdes houve uma adesão maciça.”

“Temos condições de devolver para a floresta de 20% a 30% das áreas hoje abertas que têm baixa produtividade para a agropecuária e que foram abertas equivocadamente”, comentou o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas, Mauro Lucio, município paraense que esteve, até 2010, no primeiro lugar da lista negra de desmatamento do governo federal e hoje é o que mais faz reflorestamento no estado. O município também tem apresentado os melhores resultados na queda do desmatamento da Amazônia. “Mas isso só foi possível porque investimos em tecnologia e melhoria de vida. Sem melhorar a qualidade de vida das pessoas da região, falar em sustentabilidade é conversa fiada. Crédito sem conhecimento é jogar dinheiro fora, por isso, investir em conhecimento é o que vai mudar os padrões de vida.”


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ilhas Maldivas cria site para viabilizar o país neutro em carbono até 2020


Ilhas Maldivas pedem ajuda para se tornarem neutras em carbono

País lança nesta quinta-feira website para buscar colaboradores que auxiliem nas ideias para mitigar as emissões de gases do efeito estufa do arquipélago

Se reduzir as emissões de dióxido de carbono de um país já não é tarefa fácil, imagine transformá-lo em uma nação completamente livre de carbono. Esse é o sonho das Ilhas Maldivas, que vão dar o primeiro passo nessa direção lançando um website para buscar sugestões e tecnologias limpas.

De acordo com o governo maldívio, o site procura conseguir a assistência e o apoio de especialistas em questões energéticas para conseguir cumprir seu plano de tornar o país neutro em carbono até 2020. O projeto foi lançado em 2009 e é a meta mais ambiciosa do mundo relacionada à mitigação das emissões de gases do efeito estufa (GEEs).

Segundo a administração das Maldivas, essa ajuda que será solicitada através do site é fundamental, já que um dos principais desafios do país é a falta de conhecimento nesta questão. Além do auxílio virtual, o governo também convidará especialistas de todo o mundo para estudar e aperfeiçoar o plano.

A ferramenta virtual terá fóruns sobre questões específicas relacionadas a tecnologias de baixo carbono, como: quais são os melhores tipos de tecnologias para ambientes corrosivos, o estabelecimento da Companhia de Finanças de Energia das Maldivas, uma organização proposta para reduzir os custos de infraestrutura e formas de arrecadar capital.

A nação insular aposta principalmente na energia solar para se ver livre das emissões de CO2. O governo espera que cerca de 60% da eletricidade do país venha de paineis solares até 2020. Também se propõe a construção de uma nova usina de biomassa para complementar as fontes solares e há chances de se utilizar a energia eólica, embora esta tecnologia não deva ter um papel tão importante por causa dos períodos de pouco vento no país.

“Estamos investindo em energias renováveis porque é mais barato e limpo do que a queima de combustíveis fósseis. No momento, nossa economia é conduzida com petróleo importado e toda vez que o preço do petróleo sobe, todos sofremos”, explicou Mahmood Razee, ministro do desenvolvimento econômico.

Com essa mudança para as energias renováveis, acredita-se que as Maldivas possam se tornar de 80% a 90% livres de carbono. Segundo o plano do governo, um corte de 100% nas emissões é possível, mas “será difícil e precisa que novas tecnologias sejam comercializadas para que aconteça”.

O projeto não inclui as emissões não relacionadas à eletricidade como as dos carros, barcos, cozimento de alimentos e aviação, pois estes setores são essenciais para o turismo do arquipélago, e a economia do país se baseia neste segmento. Como faltam opções realistas para a descarbonização total das Maldivas, tais emissões serão tratadas em planos futuros.

As Ilhas Maldivas são um dos países mais prejudicados pelos impactos das mudanças climáticas, já que por ser um arquipélago de baixas altitudes, a pequena nação de 400 mil habitantes poderá se tornar inabitável se o nível do mar continuar a subir.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Energia solar na Índia terá o mesmo preço da convencional em 2019-2020: Relatório

  
Estudo divulgado nesta terça-feira avalia a queda do custo da geração como um incentivo para o uso da energia solar
A consultoria KPMG afirmou que uma política agressiva pode fazer com que o preço da energia solar caia entre 5% a 7% por ano na próxima década, garantindo a paridade com a rede em breve.Os planos da Índia é produzir 20 gigawatts de energia solar até 2022, apesar de obstáculos como custos de produção, falta de mão de obra especializada e conhecimento ainda existam.“O ritmo no qual a diferença entre as tarifas solares e as convencionais diminui vai determinar o ritmo pelo qual a energia solar irá decolar", afirma o relatório.“Enquanto nós esperamos a paridade para os consumidores domésticos e agrícolas em 2019-2020, a adoção da energia solar deverá acontecer ainda antes”.Em certos estados como o Rajastão e Gujarat no oeste e Tamil Nadu no sul a paridade deve se dar mais rapidamente por causa das políticas favoráveis e das melhores condições climáticas para a produção solar.Além disso, a energia convencional é mais cara nesses estados, pois eles são localizados longe das reservas de carvão.O carvão, abundante na Índia, fornece eletricidade ao custo de 2 rúpias, enquanto o quilowatt-hora pela solar fica na faixa das 11 ou 12 rúpias.De acordo com a Missão Solar Indiana, iniciativa criada em 2009, a energia solar vai gerar o equivalente a 13% da eletricidade do país até 2022, ajudando a terceira maior economia da Ásia a diminuir sua dependência do carvão.Já o relatório do KPMG afirma que a solar deve representar 7% da eletricidade da Índia, substituindo 16,900MW até 2022. Isso diminuiria em 30% a necessidade de importação de carvão do país. “Além disso, a energia solar pode evitar as emissões de 95 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano até 2022”, o que significa um corte de 2,6% no total de emissões previstas para a Índia naquele ano.
Em 2009, a Índia adotou o objetivo de diminuir o crescimento de suas emissões, dizendo que iria reduzir sua intensidade de carbono – a quantidade de dióxido de carbono emitido por unidade do PIB – entre 20% a 25% até 2020, com relação aos níveis de 2005.
A Índia é o terceiro maior emissor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e China, e seu crescimento acelerado está levando a um aumento nas emissões na geração da energia e de setores como transporte e indústria.  
Sua emissão per capita está em 1,8 toneladas, cerca de um terço da chinesa e um décimo da norte-americana.
Fonte: Reuters
Autor: Krittivas Mukherjee
Leia na íntegra (inglês)

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