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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Omissão do governo em exploração de petróleo leva riscos a Abrolhos


Em 2003, concessões da ANP no local chegaram a ser congeladas, graças a uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal. A medida foi fruto da mobilização da sociedade civil que, com a presença de ONG’s que atuam na região, comunidades marisqueiras, pesqueiras e de um estudo promovido pela Conservação Internacional, garantindo provisoriamente a interrupção das prospecções na região.

Para reforçar o argumento de defesa da região, foram feitos estudos por dois anos e foi criado, em 2006, a Zona de Amortecimento do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, por portaria do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Mas a zona caiu nos braços da burocracia e foi derrubada na Justiça, porque não fora instituída por decreto presidencial. Ali eram definidas zonas de exclusão em que não se poderiam praticar atividades de exploração de óleo e gás.

Entretanto, desta vez, 16 blocos foram liberados para exploração nas bacias do Jequitinhonha e Espírito Santo, sendo onze delas pertencentes à Petrobras. Segundo a Conservação Internacional, a decisão influirá em uma área de 9 milhões de hectares na região.

Neste contexto, além da sociedade, a intenção de 23 entidades ambientalistas das regiões afetadas é a de levar o debate para o Ministério Público, com o objetivo de entender qual será a postura dele diante dos riscos da atividade. A informação é que um derramamento de óleo nestas bacias afetaria diretamente o Parque Nacional de Abrolhos.


As baleias Jubarte se concentram em Abrolhos na Bahia e a descoberta de sua presença em grande número, aconteceu ainda na década dos 80, dando origem ao Instituto Jubarte.

Justamente agora, a Petrobrás, estuda  suspender a ajuda ao Projeto Jubarte e, ao que tudo indica, reduzir drasticamente o patrocínio dos dois outros, Tamar e Golfinhos Rotadores em Fernando de Noronha.

Três importantes projetos ambientais na costa brasileira que correm risco de perder importância , ou mesmo de desaparecer. São ONGs que protegem a baleia Jubarte, as tartarugas marinhas e os golfinhos rotadores e que protegem o ambiente marinho e a perpetuação de de seus ecossistemas...

Os treze blocos de extração do óleo estão tão próximos do santuário que, se houver um acidente, será difícil evitar um desastre ambiental; reserva marinha, que abriga 9 mil baleias-jubarte, é considerado o local de maior biodiversidade do Atlântico sul

Sem lei para evitar que a indústria petrolífera se aproxime perigosamente da reserva de Abrolhos, no litoral da Bahia, o Brasil tem hoje 13 blocos de extração de óleo localizados tão próximos do santuário de 9 mil baleias-jubarte que, em caso de acidente, não há segurança ambiental mínima para evitar um desastre ecológico.

Santuário. Parque marinho abriga corais e baleias-jubarte

Com base em acidentes já registrados e políticas adotadas em outros países, os pesquisadores dizem que a exploração de petróleo não deveria acontecer em um polígono de 92 mil quilômetros quadrados - área equivalente à de Portugal - ao redor do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o local de maior biodiversidade do Atlântico Sul. Essa é a área que, pelas características das correntes e a riqueza da flora e fauna da região oceânica, funcionaria como uma rede de proteção contra eventuais acidentes.

Para se ter ideia de quanto vale a segurança ambiental dessa distância, o derramamento de óleo no Golfo do México, no ano passado, afetou 229 mil quilômetros quadrados, uma área duas vezes e meia maior que o polígono sugerido para Abrolhos.

Os 13 blocos de exploração de petróleo que se localizam no interior do polígono de 92 mil quilômetros quadrados, a área considerada de segurança, são operados pelas empresas 

Abrolhos - Foto: Marcello Lourenço

Petrobrás, Vipetro, Perenco Petróleo e Gás do Brasil Ltda., Cowan Petróleo e Gás S.A. e Sonangol Starfish Oil & Gas S.A. Esse polígono foi sugerido ao governo em estudo conduzido pela ONG Conservação Internacional em 2005.

Para estabelecer essa área, os técnicos da ONG utilizaram o método de dispersão da gota de óleo, também usado pelo governo da Nova Zelândia. Significa dizer que, se houver derramamento em qualquer ponto do polígono, o óleo atingirá Abrolhos.

De lá pra cá, o plano foi absorvido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) como um "excelente trabalho", mas nada foi feito de prático, além da promoção de discussões internas do governo. "Esse estudo é excelente", avaliou Cristiano Villardo, coordenador-geral de Petróleo e Gás do Ibama. "Seria interessante ter uma solução de longo prazo, se é tão importante assim proteger Abrolhos, como diz o governo", afirmou.


Medida tampão. O expediente de curto prazo foi adotar uma zona de 50 quilômetros ao redor do arquipélago, que fica excluída dos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP), informou o próprio órgão regulador.

Novamente para comparar, o derramamento do poço Macondo, da British Petroleum, sujou de óleo 790 km da costa norte-americana há um ano e meio.

"Mais de 20 mil famílias dependem de Abrolhos para sobrevivência, e a extração de recursos ali representa 10% da riqueza pesqueira do País", descreveu Guilherme Dutra, um dos autores do estudo da Conservação Internacional. "Não somos loucos de propor exclusão de áreas econômicas, mas simplesmente não dá para permitir exploração de petróleo e gás, certamente é um risco."O Instituto Chico Mendes (ICMBIO), do governo federal, pretende brigar pela criação de novas áreas de proteção ambiental na região, segundo Rômulo Melo, que preside a instituição. "Há interesse do governo em preservar Abrolhos (?) e temos conversado com as ONGs para ver onde a gente possa propor outras áreas de conservação." 


O Ministério do Meio Ambiente adotou, em 2006, uma portaria vedando a exploração de petróleo em área próxima à zona de exclusão proposta pela Conservação Internacional, segundo Villardo. O movimento ajudou a excluir mais de 200 blocos de uma licitação da ANP. Mas o instrumento foi derrubado pela Justiça no ano passado. A partir de então, as empresas retomaram a exploração. O governo também optou por uma solução política. Em vez de definir uma zona de exclusão formal, de forma transparente, ficou decidido, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética, que a ANP deveria consultar o Ibama antes das licitações. 

O problema é que o instituto não tem lei para trabalhar e evitar que a exploração se aproxime de Abrolhos. 

Confusão. A falta de regras levou até a estatal Petrobrás a iniciar a exploração de áreas que podem representar riscos a Abrolhos. A empresa disse ao Estado que suas operações estão "de acordo com legislação vigente e dentro dos mais rigorosos padrões internacionais de segurança operacional, com absoluta preocupação com o meio ambiente". A disposição do governo de ampliar áreas de proteção, no entanto, representa um risco para a própria petroleira e seus acionistas. Em comunicado enviado ao Estado, a Petrobrás elencou medidas adotadas para prevenção de acidentes. Por exemplo: "Todas as unidades marítimas de perfuração (...) são equipadas com sistemas que podem prover o fechamento imediato e automático do poço, prevenindo seu descontrole." Outro exemplo: "A companhia, seguindo os mais modernos padrões internacionais, instalou dez Centros de Defesa Ambiental (CDAs) distribuídos no País." A Petrobrás foi a única empresa que respondeu aos questionamentos feitos pelo Estado.

ENTREVISTA

Ilana Wainer, professora do Instituto Oceanográfico da USP

1.As licitações para prospecção de petróleo estão bastante próximas dos limites do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Essa distância é segura?

A meu ver, não. Aliás, é bastante complicado falar em distância segura em uma atividade como esta. A gente não sabe o que pode acontecer em caso de acidente, é uma situação potencialmente perigosa.

2.Além da exploração do petróleo, que traz consigo riscos de vazamento, há outros perigos?

Sim, há. Quando você perfura o fundo do mar, pode liberar gases causadores do efeito estufa que estão lá embaixo. O óleo do subterrâneo está misturado com gases dentro das rochas. Quando você perfura, eles se volatilizam e vêm à tona.

3. Você vê alguma solução possível para essa situação de Abrolhos?

Tem de haver um esforço de investimento em energias limpas, pois o risco de exploração em uma área dessas não vale a pena. Por Karina Ninni 

 
Iuri Dantas, de BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O Projeto Golfinho Rotador completa 21 anos em Fernando de Noronha


O Golfinho-rotador (Stenella longirostris), ou golfinho-fiandeiro-de-bico-comprido, é um golfinho oceânico, encontrado especialmente em águas tropicais e subtropicais. A espécie possui um bico longo e fino, com a porção distal preta. Seu dorso é mais escuro que seu ventre. Esses animais executam saltos em forma de pirueta, girando várias vezes em torno do eixo do corpo antes de retornar à água, razão do nome popular. Os Golfinhos Rotadores atingem em média 1,90 m. de comprimento. Sua grande agilidade deriva, em parte, de seu formato hidrodinâmico e de uma pele oleosa que reduz drasticamente o atrito com a água. Isso permite que os golfinhos alcançem a velocidade necessária para realizarem seus saltos e piruetas.


A Baía dos Golfinhos

A Baía dos Golfinhos é localizada num lugar estratégico: o arquipélago de Fernando de Noronha e é um verdadeiro oásis para estes graciosos animais. É um dos poucos lugares visitados pelos Golfinhos rotineiramente, pois a maioria deles passa a vida toda longe da costa. Os grupos que vão a Baía para descansar, se divertir e se reproduzir quase nunca é formado pelos mesmos indivíduos por mais de dois dias consecutivos. Os Golfinhos Rotadores nadam até a Baía há centenas ou talvez milhares de anos.

Localizada na extremidade oeste do Mar de Dentro, é uma enseada de águas mais calmas, transparentes e profundas do Arquipélago. Possui encostas íngremes e pedregosas e não apresenta praias de areias, só praias de seixos rolados ou o mar chega direto no penhasco. A profundidade da Baía vai de 0 a 25 metros, sendo em torno de 15 metros no meio. No fundo, predominam areias vulcânicas com rochas dispersas.

Não existe nenhum riacho ou córrego de água chegando à enseada, toda a água pluvial é carreada para a Baía do Sancho, situada a nordeste. As correntes internas na enseada são mínimas e  correm no sentido sudoeste.


Acesso ao Mirante dos Golfinhos é feito por uma trilha de 1 km, a partir do estacionamento da Baía do Sancho. A continuação da trilha dos Golfinhos a Baía do Sancho, possibilita a observação dos ninhais de aves marinhas das encostas das baías.




O Projeto Golfinho Rotador, criado em 1990, é resultante da parceria do Centro Mamíferos Aquáticos, um centro de fauna especializado do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade / Ministério do Meio Ambiente, com o Centro Golfinho Rotador, uma organização não governamental socioambiental de Fernando de Noronha, e com a Petrobras, o patrocinador oficial.


A missão do Projeto Golfinho Rotador é utilizar a pesquisa científica sobre os golfinhos, para preservar seu comportamento natural, conservar Fernando de Noronha, promover um programa de Educação Ambiental e fornecer subsídios para o desenvolvimento sustentável de Fernando de Noronha.




Os objetivos do Projeto Golfinho Rotador são:

  • Conscientizar a comunidade noronhense para a preservação ambiental, gerando multiplicadores ambientais entre os futuros prestadores de serviços turísticos;
  • Capacitar adolescentes ilhéus para trabalharem com ecoturismo;   
  • Fornecer subsídios ao desenvolvimento de uma sociedade sustentável em F. de Noronha;
  • Melhorar a qualidade dos serviços em ecoturismo oferecidos em Fernando de Noronha;
  • Estudar a história natural dos golfinhos em Fernando de Noronha;
  • Estudar a interação dos golfinhos com o turismo náutico;
  • Propor normas de preservação dos golfinhos-rotadores às autoridades competentes;
  • Propor e participar de ações que visem a conservação ambiental de Fernando de Noronha.
O Projeto Golfinho Rotador compreende dois programas simultâneos e inter-relacionados: Pesquisa e Educação Ambiental.

Monitoramento da Baía dos Golfinhos

PGR pesquisa Obs Barco

PGR pesquisa Obs Mirante dos Golfinhos 1

A história natural dos golfinhos-rotadores é estudada por intermédio de observações com binóculos, no Mirante dos Golfinhos, e subaquáticas em mergulho livre, no interior da Baía dos Golfinhos e em outras áreas do Arquipélago, por meio de observações naturalísticas do comportamento, com registros gráficos, fotográficos e videográficos.

Mergulho na Baia 

Os mergulhos livres

Entre janeiro de 1991 e 23 de agosto de 2011, foram realizados 1.278 mergulhos com golfinhos, totalizando 610 horas de observação subaquática dos rotadores em Fernando de Noronha. As observações em mergulho em sua grande maioria (75%) ocorreram dentro da Baía dos Golfinhos ou na Entre Ilhas. Em 80% do tempo de mergulho foi observado diretamente os golfinhos dentro d´água. Também foram realizadas 52 horas de filmagens e tiradas cerca 60 mil fotografias dos golfinhos-rotadores e de seus comportamentos em Fernando de Noronha.

Esta etapa consiste no registro da ocupação dos golfinhos-rotadores na Baía dos Golfinhos, quantificada pela presença/ausência, freqüência e tempo de permanência deles na enseada. A flutuação dessa ocupação é relacionada a parâmetros ambientais (pluviosidade, direção e velocidade do vento e agitação do mar) e antrópicos (números de passeios de barco).

Catalogação dos Golfinhos


Os golfinhos são catalogados e individualizados em função do sexo, classe etária e marcas naturais. Os registros são feitos com uso de fotografia e vídeo, obtidos em mergulho livre e a bordo de barcos.
A análise das avistagens e re-avistagens dos golfinhos catalogados possibilita definir a estrutura social dos agrupamentos, determinar a freqüência com que cada golfinho ocupa a Baía e estimar o tamanho da população de golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha.




Essa etapa consiste na investigação da interação dos rotadores com o turismo, por intermédio da análise das respostas comportamentais dos golfinhos à presença e à proximidade de embarcações.

De acordo com nossa hipótese, os rotadores de Noronha vivem na Cadeia de Montanhas Submarina de Fernando de Noronha. Uma área com forma retangular com as seguintes posições: o Monte Submarino 379 (coordenadas geográficas: 4º10'Sul e 32º00'Oeste), distante 58 km a sudestede Fernando de Noronha é a extremidade oeste desta área; o Atol das Rocas (3°50' Sul e 33°50'Oeste), 159 km a leste de Noronha é o centro; o Banco Sírius (4º00' Sul e 36º00' Oeste), localizado a 400 km de Noronha, é a extremidade leste; a borda do prolongamento da Plataforma Continental defronte ao Cabo do Calcanhar (5º00'Norte e 35º00'Oeste), no Estado do Rio Grande do Norte, é a localização mais próxima do continente, estando distante 316 km de Fernando de Noronha

Nos 4.725 dias em que foi possível contar os golfinhos entrando na enseada, a frequência máxima diária oscilou entre 2 e 2.046 indivíduos, com média diária de 335,25 e desvio padrão (DP) de 227,47.

Nos 3.193 dias em que foi possível definir o tempo de permanência dos golfinhos na enseada, os valores variaram de 1 minuto até 12 horas e 45 minutos, com média de 5 horas e 44 minutos e desvio padrão de 3 horas e 35 minutos.

 Os rotadores só foram observados dentro da Baía dos Golfinhos durante o dia. Nas 75 ocasiões em que foram realizadas observações noturnas na Baía dos Golfinhos, em noites de lua cheia, não foi encontrado nenhum rotador na enseada.

Spinner dolphin jumping.JPGA Baía de Santo Antônio/Entre Ilhas passou a ser o local do Arquipélago de Fernando de Noronha preferido pelos rotadores para descansar, enquanto diminuiu o tempo de permanência destes cetáceos na Baía dos Golfinhos.

Nas duas áreas de maior concentração e frequência de Stenella longirostris no Arquipélago de Fernando de Noronha, a Baía dos Golfinhos e Entre Ilhas, notou-se que os rotadores desenvolviam comportamentos vitais para seu ciclo biológico, com exceção de alimentação. Eles foram vistos descansando, em atividades sexuais, cuidando dos filhotes, de guarda ás ameaças, se comunicando, sendo infectados por agentes patogênicos e interagindo com outras espécies animais. O comportamento de alimentação dos rotadores, que nunca foi observado na Baía dos Golfinhos ou na Entre Ilha, normalmente ocorre no Mar de Fora.


Visão geral dos comportamentos dos rotadores de Noronha:

A estratégia sexual dos rotadores de Noronha resulta em uma estrutura social muito fluída, na qual inexiste a figura paterna, os laços familiares são derivações da relação mãe-filho e irmã-irmã.
Segundo esses laços, os golfinhos agrupam-se em unidades familiares, sobre as quais se associam os machos adultos, que flutuam entre as diferentes células familiares.


O sistema de comunicação aéreo foi composto por diversos padrões de saltos e batidas com partes do corpo na superfície do mar, as quais produziam turbulências características quando o golfinho reentrava na água. É muito evidente a flutuação horária do grau de agitação dos rotadores na Baía dos Golfinhos ao longo do dia, em função do número de golfinhos na Baía, hora de chegada dos animais e número de grupos que chegaram.


Observamos em Fernando de Noronha que alguns comportamentos específicos são executados preferencialmente por machos adultos, o que, para animais que tem estrutura social complexa como os rotadores, são definidos como atividades de proteção, realizadas pelos indivíduos que estão “de guarda” protegendo o grupo de ameaças , enquanto que os demais indivíduos podem se dedicar a outras atividades, como descanso, reprodução e cuidado parental. Estes comportamentos classificados por nós de guarda são: enfrentar tubarões, acompanhar embarcações, cercar mergulhadores e executar atividades aéreas.

Os rotadores que estão de guarda são os líderes do momento, que, quando deixam de estar de guarda executam outro comportamento, como descanso, deixando de ser líder. Neste momento, provavelmente outro rotador vai ficar de guarda e assumir a liderança. Sendo por isto, a liderança temporária e compartilhada.


Os golfinhos-rotadores apresentaram um complexo comportamento social, com vários sistemas de comunicação, como visual, tátil, químico-sensorial, acústicos e por atividade aérea. São estes dois últimos que conseguimos estudar em Noronha.

O Projeto Golfinho Rotador recebe por ano cerca de 10 voluntários de todo o Brasil. São estudantes ou recém-formados em cursos de Biologia, Oceanografia e Medicina Veterinária.

Curiosidade

Em 2003, para comemorar os 500 anos do descobrimento oficial de Fernando de Noronha, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou o Selo Golfinhos do Brasil, com uma imagem holográfica e um encarte com texto e fotos dos golfinhos-rotadores de Fernando de Noronha.



Código de comercialização: 852100523

Os pedidos também poderão ser endereçados à Agência de Vendas a Distância - A v . P r e s i d e n t e Vargas, 3.077 - 23º andar 20210-973 - Rio de Janeiro/RJ - telefones: 21 2503 8095/8096; Fax: 21 2503 8638; e-mail: centralvendas@correios.com.br.


ACENDEU A LUZ VERMELHA


Apesar desse trabalho do Projeto Golfinho Rotador, o turismo náutico tem impactado no deslocamento dos rotadores para uma nova área: a Baía de Santo Antônio e Entre Ilhas. 

Entre 1991 e 2005, os golfinhos ocupavam a Entre Ilhas em 30% dos dias do ano; enquanto que em 2006 e 2007, essa frequência passou a ser de 50% dos dias do ano. 

Em 2008 e 2009, esse percentual subiu ainda mais: 90% dos dias. 

Em 2010 e 2005, já temos golfinhos-rotadores descansando na região”Entre Ilhas” em 95% dos dias, enquanto que na Baía dos Golfinhos, o tempo de permanência caiu para menos de 3 horas por dia em média, contra 8 horas nos primeiros 10 anos do Projeto Golfinho Rotador. “Esse é um primeiro alerta de que os rotadores podem ir embora de Fernando de Noronha. Se não fosse o Projeto Golfinho Rotador, que protege essa população, os rotadores já teriam saído da Ilha”, diz José Martins.

Observou-se uma clara diminuição do tempo de permanência dos rotadores na Baía dos Golfinhos ao longo dos anos de estudo, principalmente a partir de 2003. Diminuição esta com correlação negativa (r=-0,120; p=0,005) com o tráfego de embarcações de turismo defronte à enseada, principalmente decorrente do tráfego de barcos de turismo em dias que Fernando de Noronha é visitado por cruzeiros turísticos.

Com a perspectiva de um novo navio maior, Ocean Dream, com capacidade para 1350 passageiros,
os impactos sobre os golfinhos certamente aumentarão.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Desmatamento: Ministra afirmou ontem que irá apurar e punir infratores


“Quem apostar no desmatamento para criar boi, vai ter o boi destinado ao programa Fome Zero. Quem tiver plantação em área desmatada, vai ter produção destinada ao programa Fome Zero.”

Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (18), a ministra do Meio Ambiente, disse que o Ibama conta com mais de 500 homens responsáveis pela fiscalização das áreas de proteção e licenciadas apenas no Estado do Mato Grosso. Foi instalado um gabinete de crise com convênios com a Polícia Rodoviária Federal e com representantes de cada um dos Estados que compõem a Amazônia. Semanalmente eles se reúnem para dar um parecer do acompanhamento que tem sido feito nos locais.

O número de operações mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. As multas aplicadas chegaram a R$ 2,75 milhões neste ano.

As pesquisas demonstram uma situação ainda mais alarmante no Cerrado. O desmatamento desenfreado têm provocado a fragmentação do Bioma, precipitando a formação de remanescentes isolados. Fragmentos desconectados impedem o fluxo gênico, a tendência é a extinção por etapas. Hoje, 50% de sua extensão já não existe mais. 

Recentemente, o Ministério do Meio Ambiente apontou como prioridade para os próximos cinco anos reduzir as crescentes taxas de desmatamento legal no segundo maior bioma brasileiro, tanto em extensão (ocupa 24% do território nacional), quanto em diversidade biológica - fica atrás apenas da Amazônia. 

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, garantiu que no próximo ano os sistemas que monitoram os biomas brasileiros serão mais eficientes. "Nós tínhamos imagem de 250 metros por 250 metros. Agora, vamos ter 50 por 50 metros. Portanto, é vinte e cinco vezes mais eficiente para você identificar a imagem. Se antes você via o trator desmatando, agora você vai ver o machado." 

De acordo com o ministro, áreas embargadas também serão monitoradas por satélite, cujas informações poderão ser acompanhadas online pelo gabinete de crise, programado pela própria ministra do Meio Ambiente. “Não adianta quem desmatou achar que vai contornar o problema na Justiça, nós estamos vendo.” Nos cinco meses deste ano, o Ibama apreendeu 46 mil metros cúbicos de madeira, 76 caminhões, e embargou 27 ferrarias e mais de 37 mil hectares de áreas. 

O sistema de detecção do desmatamento no cerrado em tempo real, usando imagens de satélite, significaria passo fundamental para que o País alcançasse os resultados de monitoramento na Amazônia. Mas o projeto ainda não saiu do papel, embora a aprovação tenha ocorrido em julho do ano passado.

De acordo com o proposto, o programa seria feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), nos mesmos moldes do Deter, que vigia a Amazônia. A previsão era de que estivesse em funcionamento neste ano. "Pergunte se o Inpe recebeu dinheiro", disse o diretor do instituto, Gilberto Câmara, em declaração divulgada pela Folha de S. Paulo.


Segundo informações do Inpe, Mato Grosso representa mais 80% do desmatamento na Amazônia e o estado que mais desmatou o Cerrado foi o Maranhão.

Nos últimos anos, os esforços do governo brasileiro para combater o desmatamento ilegal se concentraram majoritariamente na Amazônia, obtendo resultados reconhecidos mundialmente, como os 47% de redução em 2010. 

Mas durante o período, as autoridades ambientais deixaram de lado outro importante bioma nacional, o cerrado. A legislação vigente permite a derrubada de até 80% da cobertura vegetal sem que a fiscalização possa fazer nada.

Dados do sistema de monitoramento por satélite Deter-Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registram um aumento de 27% de desmatamento no país entre agosto de 2010 e abril de 2011.

 Monitorar e conter desmatamento no cerrado
 é prioridade, mas falta investimento e disposição

Atualmente, o desmatamento é medido por um sistema do Ibama que possui muitas limitações em relação ao Prodes (do Inpe, que dá a taxa de desmatamento na Amazônia). O sistema não dá taxas anuais, nem diferencia vegetação secundária de cerrados nativos.

Outra falha importante na manutenção do cerrado é que o monitoramento começou somente em 2009. Até então, o governo estimava, sem adotar quaisquer tecnologias de monitoramento, uma destruição do cerrado (15,7 mil km2 ao ano). Com base nessa estimativa foi definida a meta de redução de 40% na derrubada do bioma até 2020.

O que os satélites revelaram, porém, foi um número bem diferente. Os dados de 2010, divulgados ontem por Teixeira, por exemplo, mostram 6.469 km2 desmatados, ou quatro vezes a área da cidade de São Paulo. Isso representa uma queda de 15% em relação a 2009 (7.637 km2). No total, o cerrado já perdeu 48,5% de sua área original.

O desmatamento se concentrou no chamado “Mapito” (Maranhão, Piauí e Tocantins), a nova fronteira do agronegócio do país. Segundo Mauro Pires, coordenador do plano de controle de desmate no cerrado, a queda não significa que a meta já tenha sido cumprida.

 A redução no desmate do bioma, entretanto, não deve ser vista como um indicativo de que o esforço do governo esteja caminhando num rumo satisfatório. Isso porque a área ainda é significativa e deve crescer em virtude da expansão da nova fronteira do agronegócio brasileiro, que abrange o bioma.

A falta de verba também deixou empacada a parceria entre o Inpe e o Ibama para criar um sistema que desse a taxa anual de desmate.

 A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que dará dinheiro de sua pasta ao Inpe para criar o monitoramento somente no ano que vem.

Mato Grosso do Sul na contra-mão da preservação
310 km2 de desmate no Cerrado

Mato Grosso concentra também 80% do desmatamento da Amazônia; ministra diz que descobrirá causas em 15 dias 

Dados divulgados na manhã desta quarta-feira (18) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que, entre os Estados que compõem a região Amazônica, Mato Grosso foi o responsável por mais de 80% da área desmatada nos meses de março e abril deste ano, o equivalente a 480 km² de um total de 593 km² de desmate. As informações foram obtidas por meio de um sistema baseado em satélites, o Deter.

O Inpe também alerta que devido à cobertura de nuvens que variam mês a mês, não se recomenda comparar os dados de diferentes meses e anos obtidos pelos satélites.

O total desmatado chega a 1.848,87 km² (mais que uma cidade de São Paulo, que tem 1 522,986 km²) nos nove Estados que compõem a região amazônica.Destes Estados, cinco apresentaram aumento no desmatamento no período de agosto de 2010 a abril de 2011, em comparação com agosto de 2009 a abril de 2010: Mato Grosso (47%), Pará (1,5%), Rondônia (62%), Amazonas (84%) e Maranhão (45%).cerca de 160 km², em relação ao período anterior. 

No entanto, quando se compara a área desmatada, é o Mato Grosso que está à frente, com mais de 700 km² registrados até abril deste ano.O Estado do Amazonas teve um crescimento de 84% de área desmatada, que significa cerca de 160 km², em relação ao período anterior. No entanto, quando se compara a área desmatada, é o Mato Grosso que está à frente, com mais de 700 km² registrados até abril deste ano.

Segundo a ministra Izabella Teixeira afirmou, pretende em até quinze dias descobrir as causas do desmatamento nos últimos dois meses no Estado do Mato Grosso, que concentra 80% do que foi destruído neste período na região amazônica.

De acordo com a ministra, ainda não há uma explicação formal para o fato que ela classificou como “atípico e contraditório”. A ministra ainda informou que já acionou as secretarias estaduais de Meio Ambiente, em especial a do Mato Grosso, para analisar caso a caso e identificar o aumento do desmatamento na região.

Questionada se o desmatamento no Mato Grosso se deve às discussões no Congresso sobre a votação do novo Código Florestal, a ministra diz que não tem “insumos” para relacionar uma questão com a outra. “Quem apostar no desmatamento para criar boi, vai ter o boi destinado ao programa Fome Zero. Quem tiver plantação em área desmatada, vai ter produção destinada ao programa Fome Zero.” Ela reiterou que o objetivo do trabalho conjunto com Ibama, ministérios e polícia é reduzir o desmatamento até julho. “Esse é um compromisso formal do governo”, resumiu.
Monitoramento dos biomas

Ainda segundo os dados divulgados hoje, são 22 os municípios que estão na lista dos mais desmatadores do país, com destaque para Colmiza (MT), Feliz Natal (MT) e Nova Ubiratã (MT), que ocupam 1º, 2º e 3º lugares no ranking.Apesar do corte no orçamento destinado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), anunciado no início deste ano, o Ministério do Meio Ambiente frisou que as ações de fiscalização por todo o país não foram afetadas.


Fontes:
Camila Campanerut / UOL Notícias
Claudio Angelo/ Folha.com
Éverton Oliveira - Redação Uai Meio Ambiente
TV Record

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